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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

30
Abr16

A Primavera

Sr. Solitário

Parece que a Primavera, já muito aguardada por todos, finalmente chegou! Como diz o ditado, mais vale tarde que nunca.

As temperaturas têm sido bastante agradáveis, as flores florescem e já se sente aquele seu perfume no ar. Ouve-se o zumbido das abelhas atarefadas na sua busca de pólen, os pássaros cantam melodias tranquilizantes e anda tudo de sorriso largo no rosto e cheio de energia. Há quem já arrisque usar uma t-shirt... eu acho cedo ainda, mas cada um sabe de si. Depois é só espirros por aí.

 

Hoje, numa das minhas caminhadas matinais, resolvi tirar algumas fotografias para partilhar com todos vocês. São fotografias tiradas do meu telemóvel atenção! Não esperem encontrar aqui nada de profissionalismos.

 

Ela chegou! A Primavera, sim!! Aproveitem

 

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29
Abr16

Este blog faz 2 meses

Sr. Solitário

Há 2 meses atrás, precisamente no dia 29 de Fevereiro, aquele dia que aparece de 4 em 4 anos, quando este é bissexto, um jovem rapaz, sem nada para fazer e com muitos pensamentos por dizer, decidiu criar um blog.

O nome desse blog teria que ter um pseudónimo com que eu me identificasse. Não foi fácil mas, depois de puxar pela cabeça e de perceber que a solidão toma conta dos meus dias, decidi denomina-lo por Sr. Solitário, com a esperança de que o nome desse blog viesse a mudar, um dia.

 

Inicialmente, a minha intenção era criar um género de um diário, onde transcrevia para aqui tudo aquilo que me consumia e que me inquietava, e tantas eram as inquietações!

Pensei mesmo em tornar este blog privado, só para mim. Depois pensei que decidiria isso mais tarde. Ainda bem que o fiz!

Fui escrevendo e escrevendo, desabafando, até que começaram a surgir um comentário, outro, e mais outro. Algumas subscrições também. Percebi naquele momento que não podia priva-lo, pois eu já tinha alguns leitores assíduos que até me davam palavras de incentivo e de força, compreendendo-me e aceitando-me tal como sou.

 

2 meses passaram. Parece que foi ontem! O Sr. Solitário cresce a cada dia que passa, sou convidado para desafios em outros blogues, sou destacado nos posts mais comentados, atingi já quase 50 subscritores, e eu fico embargado com tamanha generosidade que me têm oferecido de bom grado ao longo destes dias.

Sei que aqui tenho amigos, amigos de verdade!, sempre com uma palavra amiga, de apoio, de conforto, fraternidade. Palavras que me tocam o coração.

 

Agradeço sempre todos os comentários e visitas, não me canso de o fazer. Receio tornar-me repetitivo, mas a minha vontade de mostrar este meu profundo agradecimento é tanta que é mais forte que eu e lá sai um "obrigado" sentido e honesto.

 

Muito, mas muito obrigado a todos vocês meus amigos. Sem vocês, esta minha caminhada seria mais ardilosa. Sinto-me de coração cheio e determinado a lutar contra todo o mal que em mim habita de momento, por todos vocês. E espero continuar a ter o vosso apoio durante mais 2 meses, 2 anos, 2 décadas!

 

Não tenho mais palavras.

 

28
Abr16

Fazer as pazes com o passado

Sr. Solitário

Já aqui contei que fiz as pazes com o meu pai, ao fim de 10 anos de afastamento, afastamento físico, pois ele sempre esteve nos meus pensamentos, na minha memória, ou não seria meu pai, sangue do meu sangue.

 

Não obstante, pensando eu cá com os meus botões, não era só com o meu pai que tenho assuntos passados por resolver.

Também cortei relações com uma grande amiga aqui há uns anos atrás por questões que, sinceramente, agora que a minha maturidade tardou em chegar, não faziam sentido nenhum. Lá está, o meu orgulho sempre a falar mais alto!

 

Decidi fazer-lhe um pedido de amizade no facebook, inseguro quanto ao que havia de esperar do outro lado do ecrã. Olhei vária vezes para o meu smartphone convencido de que "ela não vai aceitar". Eis o meu espanto quando recebo uma notificação informando-me que ela teria aceite.

Não hesitei e envie-lhe logo uma mensagem. Está igual ao que sempre foi, sempre simpática e disposta a conversar. A nossa conversa já vai longa, pudera!, há tanto para conversar... Fico muito contente por saber que não existem ressentimentos de parte a parte em relação ao que aconteceu no passado, afinal a vida continua e nós temos que a acompanhar, caso contrário corremos o risco de nos afundar e de lá não conseguirmos sair.

 

Dizem que quem vive do passado é museu. Por isso mesmo, porque não quero ser uma peça de museu (até porque não era nada lindo de ser visto, acreditem!) estou a fazer as pazes com o passado e sabem que mais? Aconselho-vos a fazerem o mesmo. Ficamos com a alma mais leve.

 

Um abraço para todos.

27
Abr16

Bullying (parte 1)

Sr. Solitário

São 7h da manhã.

Acordo com uma sensação de medo. Hoje será mais um dia de aulas naquela escola que não gosto, que só me traz más recordações.

Não quero ir para a escola. Talvez se fingir que adormeci, a minha mãe não dá por ela e assim consigo esquivar-me de ir à escola hoje. Só hoje...

Faço uma pequena oração ao meu Deus para que a minha mãe também adormeça... Mas ela acabou de chamar por mim. Oh não!!

Levanto-me, visto-me, tomo o pequeno almoço e, resignado, vou apanhar o autocarro para a escola, a pé, de cabeça baixa.

Só peço que hoje ninguém dê por mim, que ninguém se lembre que eu existo. Queria tanto tornar-me invisível para todos.

 

Chego à escola e, discretamente, vou para a porta da minha sala. Subitamente, alguém me bate na cabeça e me chama de bicha. Esta é a minha alcunha na escola: "bicha". Odeio que me chamem isso, principalmente à frente de toda a gente. Tenho vergonha. Os colegas riem-se tanto e eu calo-me. Não protesto porque senão é pior. Tenho medo deles.

 

A caminho da sala vejo, no meu caminho, alguém que costuma gozar muito comigo também. Tremo da cabeça aos pés. Dou meia volta e vou para a sala por outro caminho para não me cruzar com ele. Parece que ele não me viu. Tenho que andar sempre assim, alerta!

Chego à porta da minha sala. Alguns dos meus colegas já lá estão. Uns dizem-me "olá tudo bem?", outros dizem "chegou a bicha" como se eu fosse alguma criatura nojenta, execrável.

 

Falo com os meus amigos e conto como foi o meu fim de semana. A professora chega e vamos para a aula.

Durante a aula, a professora coloca-nos questões. Eu sei a resposta a muitas delas, mas não me atrevo a responder porque senão serei motivo de chacota mais uma vez. Se respondo mal é porque sou estúpido, se respondo bem é porque sou um convencido que acha que sabe tudo! Prefiro estar calado. Qualquer coisa por mais pequena que seja serve de motivo de riso e de agressão.

 

Durante o intervalo como o meu lanche sozinho. E passeio sozinho. Alguns rapazes me vêm e dizem "olha a bicha"! Um deles olha para mim com nojo e pergunta-me o que estou ali a fazer. Não respondo e continuo a caminhar. Até que ele me diz "mata-te, faz um favor à humanidade e mata-te!".

 

Tenho vontade de chorar. Por vezes choro na casa de banho, longe de todos. Não quero contar a ninguém o que se passa se me virem a chorar. O facto de contar é uma vergonha para mim.

O dia vai passando e, finalmente, chego a casa. Não conto nada a ninguém, guardo-o só para mim. Se a minha mãe soubesse tantas coisas que tinha vontade de lhe contar... Ficava a falar uma noite inteira! Muitas vezes deito-me e choro em silêncio até adormecer...
26
Abr16

Um feriado em família

Sr. Solitário

Ontem acordei mais tarde. Era feriado e deixei-me estar mais um pouco a dormitar na cama, bem que estava a precisar.

Levantei-me e, olhando pela janela, vi que fazia um lindo dia primaveril lá fora! A minha mãe logo me disse que estivera a combinar com a minha irmã de que iríamos ter um passeio em família. Logo me alegrei, já não houve mais preguiça, logo eu que dou muita importância a estes convívios.

 

Arranjei-me, como já algum tempo não o fazia, e lá fomos em direção a Espinho, à feira, que se realiza em todas as segundas-feiras. Encontrava-se imensa gente lá. As pessoas acotovelavam-se para passar por entre as tendas, olhando os produtos, perguntando preços, marrando descontos, uma azáfama!

Sentia o cheiro da fruta e dos legumes frescos no ar. "Vai uns moranguinhos senhor, faço um bom preço, venha, venha ver" - diziam os vendedores mais descarados, chamando a atenção para os seus produtos.

 

Saindo da confusão da feira, fomos a pé até à beira mar. Estava um tempo maravilhoso! Corria uma brisa fresca, cheirando a maresia. A água do mar, translúcida, espelhava o sol nas suas ondas calmas e tranquilizantes.

Vi mesmo algumas pessoas a fazerem praia! Achei um exagero, mas cada um sabe de si, claro está.

 

As esplanadas dos cafés estavam cheias de gente que bebiam, lanchavam e conversavam entre si num burburinho.

 

Chegamos a casa já cansados mas felizes com o nosso passeio em família bastante agradável.

E o vosso feriado como foi? Partilhem-no comigo

24
Abr16

O meu refúgio

Sr. Solitário

Olá a todos.

Hoje quero partilhar com todos vocês um espaço que, à partida não parece ser nada de especial, mas que para mim diz muito e representa muito também.

Trata-se simplesmente de um espaço denominado por "parque de negócios" daqui da zona, ainda em construção, onde mais tarde albergará várias empresas e dali será feita uma zona industrial, pelo menos é o que se ouve falar. Eu estou a vender o peixe ao mesmo preço que mo venderam a mim.

 

São cerca de 40.000 metros quadrados, ainda ao abandono, mas mesmo assim bonito de apreciar, onde muitas pessoas fazem os seus exercícios e as suas caminhadas.

Como eu também gosto muito de caminhar, embora não precise emagrecer mas o exercício faz sempre bem seja a gordos ou a magros, todos os dias passo aqui para dar a minha caminhada.

 

Mas não é só por isso que lhe chamo o meu refúgio. Apelidei-o assim, aqui nesta publicação, porque este local é mesmo aquele onde eu me sinto bem, onde vou quando tenho algum problema e preciso aclarar as ideias, onde liberto muita da minha frustração acumulada e onde me liberto até de mim mesmo também.

 

Lá dou asas à minha imaginação tão fértil. Ela voa tão alto que eu próprio não consigo alcança-la... Deixo soltar o mundo paralelo existente dentro da minha cabeça e sou um herói num espaço criado só meu. Tudo acontece como eu quero, como eu idealizo.

E caminho, e corro.

Percorro todos estes quilómetros por vezes inconscientemente. Porque o meu corpo está ali, mas a minha alma não. Falo sozinho, deito tudo cá para fora, longe de todos, rio, choro... e caminho.

 

Se eu sou louco? Alguns dizem que sim. Não sei, mas sinto-me tão bem assim. Afinal, cada um de nós tem a sua dose de loucura e é tão bom poder liberta-la da forma que nos faz sentir tão bem.

 

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22
Abr16

Memórias

Sr. Solitário

Numa aldeia rural, situada quase no fundo de um concelho, ladeada por campos até perder de vista, onde os pássaros chilreiam logo pela manhã mal nasce o sol, vive um casal de meia idade, numa casa oitocentista, divida em partes iguais por uma parede de pouca espessura, formando assim uma espécie de duas casas geminadas.

 

A Sr.ª Emília e o Sr.º Francisco, casados há mais de 30 anos, residem nessa mesma habitação já há muitos anos, desde que me lembro, ainda era eu uma criança que corria por esses campos fora, cheio de vida, dando largas à minha imaginação tão fértil.

Éramos vizinhos, vivia junto com a minha família na casa ao lado, aquela mesmo colada, parede com parede.

 

A Sr.ª Emília era a vizinha que todos gostariam de ter. Uma mulher simples e humilde, sempre preocupada com o bem-estar de todos. Deixávamos a roupa a secar lá fora, estendida numa corda de nylon, ao sol ou ao vento a roupa secava num instante mas, mal o céu escurece-se e ameaça-se chover, ela alertávamo-nos para a apanhar. Podíamos sair despreocupadamente de casa, com a roupa cá fora, pois sabíamos que se chovesse, ao chegar a casa, tínhamos a roupa toda apanhada, bem dobrada na bacia, seca, junto da nossa porta.

 

Levantava-se sempre muito cedo para tratar de todos os seus afazeres. Vestida com o seu avental, enchia o depósito da água logo pela manhã, água fresca do poço, um poço que era partilhado por três casas, que na altura do verão secava e nos obrigava a passar dias em que a água escasseava. Logo depois regava a sua horta cheia de legumes, ervas aromáticas e flores, muitas flores. A Sr.ª Emília gosta muito de flores e, muito honestamente, ela tinha imenso jeito para fazer grandes arranjos. Tantas vezes nos trouxe flores para as colocarmos numa jarra, na mesa da sala.
Ainda me lembro da horta dela, sempre bem arranjadinha, organizada, aos quadradinhos ladeados por terra batida para poder passar no meio deles.

 

O Sr.º Chico (é assim que é tratado por aqueles que o conhecem), homem de grande porte, bigode farto, com um sentido de humor sempre presente, um sorriso meigo, um homem pacato e de grande coração, levantava-se igualmente cedo, tomava o seu pequeno-almoço e lá ia ele no seu twingo a caminho do hospital onde desempenhava funções. Uma vida dedicada a ajudar os outros. Hoje é ele quem precisa de ajuda, ironia do destino!

 

Prezavam muito o seu sossego. A Sr.ª Emília reclamava muitas vezes quando eu ouvia música muito alto. Dizia que fazia mal à nossa audição, e tinha razão, mas quando se é jovem não ligamos aos conselhos dos mais velhos. Quando fazíamos barulho a mais, ouvíamos algumas batidas na parede, o seu jeito de pedir silêncio. Quem me dera voltar a ter o sossego que tinha na altura!

 

Ouvi tantas vezes:
"Tens que ouvir a música mais baixinho que isso gasta muita luz!"
"Fazei menos barulho que o Chico já está a dormir!"
"Se quiseres ser professor não podes berrar assim tão alto quando estás a ensinar as tuas irmãs".
Sempre atenta a tudo, não o dizia de uma forma irritada nem chateada, dizia-o com um sorriso, olhar meigo, palavras doces.

 

Contudo, o tempo foi passando. Muito mais havia a contar. As circunstâncias da vida fizeram com que nos mudássemos. O contacto próximo que tínhamos entre nós, foi desvanecendo, como um nevoeiro matinal que desaparece quando não consegue lutar mais contra o sol que nasce.

 

Recentemente vi-os, aos dois, no largo da capela.
O Sr.º Chico já não trabalha no hospital. A sua companhia recentemente adquirida é uma canadiana. O grande porte já não é sinónimo de força e a cada passo que dá é uma luta. O sentido de humor continua presente, mas de uma forma mais branda, bem presente o sofrimento no olhar. Aquele olhar amargurado, triste com a vida. Mesmo assim ainda trata da sua mulher, atenciosamente, com tanto carinho que até emociona! Um amor verdadeiro, daqueles que já não se vê de hoje em dia. Um é o amparo do outro.

 

A Sr.ª Emília ainda usa o avental. Cabelo grisalho, rugas bem marcadas no rosto e nas mãos, indicando uma vida dura de trabalho árduo de sol a sol.
A minha mãe ficou junto dela durante toda a tarde, perguntou-lhe se ela me conhecia. A Sr.ª Emília olhou-me, um olhar igualmente triste, cansado, e disse o meu nome. E o meu coração fiou tão pequenino ao ver uma senhora, tão frágil, tão vulnerável que em tempos vendia saúde, e irradiava vida.

 

Sorveu uma tijela de caldo verde, a fumegar, com broa. Logo depois disse que estava cansada, queria ir para casa. Foram os dois juntos, o Chico ajudou-a a entrar no carro, o mesmo twingo de outrora, e lá partiram para a mesma casa que os dois partilham há tantos anos, desta vez vazia de alegria, sem vizinhos a quem apanhar a roupa, a quem oferecer flores, um silencio pesado, a solidão.

21
Abr16

A segunda consulta

Sr. Solitário

Depois do dia de ontem (ainda estou a pensar se não devo eliminar o post anterior), hoje o dia já está a ser bem melhor!

 

Antes de mais nada, quero deixar aqui o meu profundo agradecimento à Linha de Saúde 24, que foram extremamente atenciosos aquando da minha chamada. A enfermeira que me atendeu, da qual já não me lembro do nome tal era o meu estado, foi tão doce e simpática que conseguiu acalmar-me um pouco e aconselhar-me da melhor forma, através da linha. Aconselhou-me que deveria ser visto por um médico ainda no mesmo dia.

 

Dirigi-me, mais tarde, ao Centro de Saúde. Expliquei a situação que me deixou logo ali em lágrimas, estava tão fragilizado depois de um dia exaustivo em que o meu corpo não me obedecia. A funcionária ficou comovida e logo tentou me reconfortar. Disse-lhe "que vergonha" pois estava de tal forma envergonhado de mim mesmo por estar naquela situação e ter de a expor.

A funcionária logo me disse que não tinha que ter vergonha de nada "tu não pediste para ficar assim, tem calma vá...".

 

O meu médico atendeu-me mal pôde. Contei tudo aquilo que estava a passar, de olhos postos no chão, de mãos trémulas que se remexiam. Ele olhava-me de alto a baixo e tentava olhar-me nos olhos quando tentava que respondesse a algo mais sério, sempre atento. Prescreveu-me mais um comprimido, desta vez não em SOS, mas sim uma espécie de tratamento continuado.

 

Logo depois me disse: "eu acho melhor ires a um psiquiatra... se eu passar a prescrição, tu vais?".

Fiquei momentaneamente sem saber o que responder. Será que ele pensa que eu estou a ficar maluco, a perder o juízo? Talvez estou mesmo.

Disse um "sim" baixinho, cheio de incertezas. É algo que não queria muito. O nome Psiquiatra já de si mete medo. Mas tem que ser, é para o meu bem.

 

O médico escreveu no email dirigido a instituição um "pedido urgente".

 

Não sei se deveria ter escrito também este post, eu já não tenho a certeza de nada. Tenho receio do que vão pensar de mim. Já fiz aqui tanto amigos e não os quero perder porque estou a ficar maluco.

 

Acreditem, isto é tão complicado!!

20
Abr16

Alerta vermelho

Sr. Solitário

Hoje o meu estado de ansiedade está em alerta vermelho! Não consigo ficar quieto um segundo, parado em algum lugar e, então, caminho compulsivamente. Ainda são quase 11h da manhã e eu já fiz quilómetros a pé. As minhas pernas já reclamam do esforço físico em excesso, mas eu não consigo parar. É assim que encontro alguma paz de espírito.

 

Já fui até ao parque umas três vezes, ir e voltar, o que perfaz, no total, uns 6 km. Não consigo ficar em casa, tenho que sair. Se ficar aqui acabo por fazer coisas que não quero, pois eu hoje não tenho qualquer controlo no meu corpo. Parece que tenho um bicho cá dentro de mim que rói, rói e rói. Já me cocei até fazer sangue.

 

Na minha cabeça tenho vozes que me gritam! E eu não consigo cala-las.

Estou a escrever este texto, sentado, mas todo eu tremo e estou a fazer um esforço enorme para não largar tudo e sair de casa novamente e caminhar, caminhar, caminhar. Até à exaustão! O que parece estar ainda longe. Mas é o que vou fazer ao longo do dia de hoje.

Não me apetece comer nada. Só me apetece sair daqui.

 

Ontem à noite tomei um comprimido. Hoje de manhã já tomei outro, menos de 24h depois.

Tenho medo de ficar um viciado em comprimidos. Mas por mais que tente, este estado obsessivo não abranda. Não tenho controlo sobre o meu corpo.

Sozinho eu não consigo.

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