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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

29
Jul16

O abandono dos animais

Sr. Solitário

Esta semana, pela minha zona, apareceram cinco cães, de tamanhos e raças diferentes, que se passeiam por estas ruas, em busca de comida. Ladram para os carros que passam, um ladrar cheio de raiva, talvez reclamando de algo a quem não tem culpa do seu abandono. Por vezes, quase que são atropelados por algum condutor mais distraído, pois os animais também andam no meio da estrada, perdidos e sem rumo a seguir, apenas querem saciar a fome nos contentores do lixo dispersos pelas ruas da minha aldeia.

 

Vê-los entristece-me imenso, pois tenho a certeza absoluta que se trata de animais abandonados por donos negligentes e sem coração, desprovidos de qualquer sentimento. Foram de férias e deixaram os seus animais entregues à sua sorte.

Enquanto os donos comem, bebem e se divertem, estes pobres animais passeiam-se pela rua sem rumo, arriscando a própria vida, comem o pouco que resta nos contentores e não bebem a água da rua, pois ela não existe com este calor.

 

Entristece-me saber que existem pessoas neste mundo capazes de tamanho ato. Arrisco-me mesmo a dizer que são estas as pessoas, desprovidas de sentimentos de afeto, que são bem capazes de abandonar um filho ou até um idoso num lar qualquer, pois leva-los seria mais um estorvo e gasto de dinheiro.

Peço a Deus, um Deus em que eu não acredito muito mas que ainda prezo, que estas pessoas não sejam também abandonadas um dia.

 

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26
Jul16

Isto não é calor, é uma amostra do inferno!

Sr. Solitário

Ultimamente têm estado temperaturas tão altas que me deixam mal humorado! Eu não gosto deste tempo, sinto-me mal, indisposto, irritado, desanimado. Odeio o calor.

Nem no blog me apetece escrever, a minha cabeça não consegue pensar, não consigo inspirar-me, não encontro motivação. O meu corpo fica pesado.

Resumidamente, não me apetece fazer nada!!

 

Segundo as notícias, estamos a ter o verão mais quente de todos os tempos, com temperaturas a ultrapassar os 40º em algumas regiões. Isto é devido ao aquecimento global, todos nós já sabemos, e preocupa-me imenso esta situação.

Repararam que este ano não houve primavera? Passamos do inverno para o verão, literalmente!

Há umas semanas atrás queixavamo-nos da chuva forte, dos temporais, agora queixamo-nos do calor intenso. Portugal está a tornar-se num país de extremos a nível meteorológico e não só.

 

Hoje acordei com o barulho das avionetas e helicópteros numa correria desenfreada para combater os incêndios que por cá estão ativos. Um cheiro a queimado entra-nos pelas janelas, há fumo no ar, um ar cada vez mais irrespirável! Pareceu-me que acordei no meio de uma guerra. Uma amostra do inferno.

 

Entre a chuva forte e o calor intenso, venha o diabo e escolha, como diz o velho ditado. Mas já disse, e escreve-o aqui, partilhando os meus pensamentos com vocês: volta chuva, estás perdoada!

 

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25
Jul16

A depilação e os homens

Sr. Solitário

Como já sabem, e como já referi inúmeras vezes aqui pelo blog, eu vivo numa aldeia rural, cheia de tradições e onde existe muita população mais velha.

Sabem que assumir a minha orientação sexual neste meio foi difícil, e ainda hoje o é. Ouço vários comentários do género "ele pega de marcha atrás", "tu és coiso?" e outras coisas desse género.

 

Gosto muito de usar calças coloridas ao invés de usar uma simples ganga; tenho calças verdes, salmão, vermelhas, azuis, pretas, brancas. Como devem calcular também comentam muito sobre as minhas roupas, até já me disseram mesmo para não andar com as calças vermelhas, porque é mesmo muito gay! Não sei qual a relação de umas calças vermelhas com a homossexualidade mas um dia ainda vou descobrir, ou então não.

 

Eu depilo-me totalmente, excepto nas pernas. Referente a esse assunto, o que causa mais confusão nas pessoas é o facto de me depilar nas axilas, pois homem que é homem tem que ter pêlo debaixo dos braços e cheirar a suor!

Certo dia, numa festa de aniversário de uma amiga, em jeito de conversa, disse que me depilava totalmente. Fez-se um silêncio total naquela sala. Logo me arrependi de ter feito tal comentário, pois fui olhado como uma coisa esquisita, fora do normal.

 

Certas pessoas ficavam mais contentes se eu andasse pela rua de calças de ganga e t-shirt branca, de pêlos à mostra, ir ao café e beber uma cerveja pela garrafa, cuspir no chão e dizer palavrões. Peço desculpa por vos decepcionar mas eu não sou assim.

 

Eu sou bem melhor que isso!

23
Jul16

Martin Amis - A Zona de Interesse

Sr. Solitário

Este livro foi uma grande desilusão, tenho de o admitir. Não o li até ao fim, li um pouco mais da metade, não consegui continuar, não gostei.

Um livro tem que me prender do início até ao fim, de uma forma quase viciante, que não consiga passar um dia sem pegar nele e ler nem que seja umas breves páginas. Com este livro não senti isso. Houve dias e dias em que ficou parado, na mesa de cabeceira abandonado, com esta capa apelativa mas de conteúdo um pouco fraco, na minha opinião.

 

Para começar, o livro não tinha qualquer história de amor, mas antes uma história de intrigas muita confusa. É uma trama contada por três personagens, dois oficiais do exército nazi e de um escravo judeu. Os testemunhos do escravo são os que mais prendem o leitor, e isso é algo de bom que este livro tem, o resto deixa um pouco a desejar.

 

Não digo que o livro é mau. Cada livro é especial à sua maneira e os gostos não são todos iguais. Eu não gostei, mas acredito que exista quem tenha adorado lê-lo.

Fica a crítica.

 

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22
Jul16

Abandonei um livro e ninguém o levou

Sr. Solitário

Ontem decidi aderir à iniciativa de deixar um livro num local público para que alguém lhe pegasse e o leva-se consigo, um ótimo incentivo à leitura.

Peguei num dos meus livros, escrevi uma pequena mensagem com o título de "um livro não tem dono" pedindo para o levar e partilha-lo também tal como eu fiz.

 

Dirigi-me à padaria da minha zona, um local muito frequentado, pedi às funcionárias se podia deixar o livro numa mesa da esplanada e elas assentiram.

Deixei-o lá, bem à vista. Não contive a curiosidade e fiquei a observar o que se passaria olhando de quando em vez para a janela.

 

Ao longo do dias muitas foram as pessoas que por ali passaram e outras que se sentaram nessa mesma esplanada. No final do dia, fui ver se alguém o tinha levado e, qual não foi o meu espanto, o livro estava ali, intacto!

Segundo me disseram, ninguém lhe pegou porque pensavam ser de alguém e desconhecem totalmente esta iniciativa, mesmo depois da funcionária muito gentilmente ter informado a essas pessoas do que se tratava.

Não quero acreditar que ninguém o levou porque não querem ler, porque não dão importância à leitura. Contudo, parece-me que a minha intuição está certa...

 

Hoje vou deixa-lo no mesmo sítio para ver o que acontece.

 

21
Jul16

À conversa com... a Filipa

Sr. Solitário

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Uma das bloggers mais criticadas, adorada por uns, odiada por outros. No seu blogue podemos ver muitas dúvidas cor-de-rosa esclarecidas, ou então não! Convida todas as maluquinhas a sentirem-se em casa, elas (e eles) visitam-na regularmente, fazendo assim um dos blogues mais lidos.

Senhoras e senhores, hoje estou à conversa com... a Filipa.

 

Sou a Filipa (yep, essa mesma), uma miúda amorosa, que gosta de fadas, de algodão doce e de póneis - dos mais pequeninos por causa que os grandes cagam imenso. Mãe de duas criaturas amorosas: a Luísa que quando faz o #2 mete a mão na fralda e dá ao irmão para cheirar e do João que adora lamber os batedores das portas. Vê-se mesmo que os desovei, saem mesmo a mim, meus ricos filhos.Gosto de conviver com outras bloggers e adoro amizades virtuais. Espero que gostem, que se identifiquem comigo e cá estou eu, sem filtros, no "à conversa com..."
Beijinhos!!!

 

Solitário: Olá Filipa, bem vinda. Porquê Dúvidas cor-de-rosa?

Filipa: Obrigada!

Obrigada também pelo convite, há muito que ansiava por uma entrevista, tanto que aqui há tempos me entrevistei a mim própria. Foi um sucesso mas soube-me a pouco.

Porque sou uma girly. Se tivesse aberto o blog na minha adolescência, teria sido provavelmente "Dúvidas existenciais", ou "Dúvidas acneicas". No caso, soou-me bem e assim ficou. 

 

S: Alguma dúvida ficou ainda por esclarecer?

F: Sim, por acaso, agora que falas nisso, reparo que sim. Se o polvo for à panela de pressão com uma cebola, fica mais tenro ou é mito?

 

S: És maluca ou atrais maluquices [risos]?

F: Atraio malucas. Paletes. Resmas. Carai, toda eu sou um íman. Mas não me importo. Gosto deste voluntariado imposto. Mostra-me que sou mais sã do que aquilo que penso e a minha verdadeira missão terrena.

 

S: O humor tem um papel muito importante na tua vida. Sorrir para não chorar?

F: Não. Sorrir porque esse é o desenho que a minha boca naturalmente tem.

 

S: Como foi a tua aventura de emigrante em Londres?

F: Profícua, mas não fui em aventura, fui em trabalho.

 

Gosto de cheiros, porque me transportam, revivo as coisas, momentos e por isso os marco com aromas muito meus. Não gosto de estupidez porque sofro dos nervos.

 

S: Quais as principais diferenças/dificuldades que encontraste?

F: As mais flagrantes: eles não falavam uma palavra de Português e não usavam euros. Dois grandes problemas.

 

S: Que espécie de preconceito sofreste?

F: Nenhum. Os Portugueses foram um bocadinho difíceis de lidar, mas hey!, nada que não esteja habituada. 

 

S: A que sabe a saudade de uma emigrante?

F: Sabe a chouriço, que é aquilo que por muitos supermercados ingleses que corras, nunca irás encontrar.

 

S: Gostas muito de tatuagens... Qual a tatuagem com que mais te identificas? Porquê?

F: Com todas as que tenho. Cada fadinha, golfinho e estrelinha que tenho são super significativas e adoro-as a todas.

Por exemplo, tenho uma fada no pescoço que quer dizer que nasci com o c* virado para a lua. E um golfinho no dedo grande do pé esquerdo por causa que diz que afasta os maus olhados. No direito já não resulta, só mesmo no esquerdo.

 

S: As pessoas têm prazos de validade? 

F: Têm pois. Nascem e depois morrem. Menos o Duncan MacLeod do clã MacLeod. Desde que usasse uma malha de aço no pescoço, a validade era de facto eterna.

 

Gosto de música, porque ela faz parte de mim. Não gosto de mulheres carentes de atenção. Porque sofro dos nervos.

 

S: Alguma vez te arrependeste de algo que disseste?

F: Sim. Sempre que vou ao cabeleireiro e peço para cortar SÓ AS PONTAS. É uma incapacidade que as cabeleireiras têm, é a de perceber e realizar medidas. Para contornar esta situação, passei a cortar o meu próprio cabelo. Melhor decisão ever.

 

S: Tiveste uma gravidez difícil, li algures que odiaste estar grávida.Uma experiência a não repetir?

F: Difícil?? Difícil foi desovar estas criaturinhas deliciosas. Se tivesses lido noutro algures, terias lido que queria mais filhos. Coisa que acabou por acontecer. Adorei estar grávida. É a desculpa perfeita para enfardar porcarias de manhã à noite.

 

S: Ser mãe muda totalmente uma mulher?

F: Algumas mudam, outras não, depende. A mim mudou-me da cintura para cima e para muito melhor.

 

S: Qual a importância que os teus filhos têm na tua vida?

F: Alguma, confesso. Menos do que um braço e mais do que um dente do siso.

 

S: O teu blog tomou proporções gigantes, ficando muitas vezes nos mais lidos. Qual o segredo para o sucesso?

F: Não posso revelar, né?, senão era ver o gajedo sapiano todo a fazer o mesmo. O segredo é a alma do negócio, meu caro ;)

 

Gosto de rir, mesmo nas alturas mais complicadas, não sei ser de outra forma. Não gosto de blogues do Sapo. Porque sofro dos nervos.

 

S: São mais os leitores que te odeiam do que aqueles que te adoram?

F: (Como assim há leitores que me odeiam??)

Os que me adoram, obviamente.

 

S: As críticas abatem ou fortalecem?

F: Eu digo não à violência, digam vocês também. Em coro, de preferência. Para ser uma paz a resvalar para o musical.

 

S: Muitos acusam-te de cyber bullying. O que tens a dizer em tua defesa?

F: Em minha defesa, não tenho de dizer nada, os acusadores é que têm de provar. A menos que algo tenha mudado nos entretanto, alguma deslegislação ou assim, era exactamente desta forma que a coisa se processava.

 

S: Consideras-te uma pessoa insensível?

F: Pelo contrário. Sou sensível às temperaturas, à cera quente, ao pólen, aos ácaros, aos vizinhos chatos e pessoas estúpidas. 

 

S: O que aprecias mais nos blogues?

F: A interacção, claro. Quem não gosta de chegar a um blog e ver 1700 comentários? Eu adoro.

 

Gosto de falar, porque tenho sempre alguma coisa a acrescentar ao que já foi dito. Não gosto de blogues de merda. Porque sofro dos nervos.

 

S: Dizes que não gostas dos blogs da sapo, no entanto tens um alojado nessa plataforma. Porquê?

F: Porque fui expulsa do blogger, aqui há uns unicórnios e cavalos alados atrás.

 

S: Existe algum limite para a Filipa enquanto blogger?

F: Sim, claro que existe. Três posts no máximo. Mais, é cansar o pobre leitor. Faço questão de não pisar essa linha que pode ser ténue se nos entusiasmamos em demasia.

 

S: O que gostarias de dizer aos leitores que gostam de ti e aos que não gostam?

F: Aos que gostam, cá beijinho. Aos que não gostam, nada, continuamos neste registo gostoso: dou-vos a minha indiferença, vocês a dor que isso provoca.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

F: O estojo. Porque nunca se sabe quando vou precisar dele para cumprimentar um biker.

 

S: Obrigado Filipa, foi um gosto enorme conversar contigo.

F: O prazer foi inteiramente meu. Nem imaginas o quanto.

20
Jul16

Hoje sou eu o entrevistado

Sr. Solitário

Fui convidado pelo Carlos para iniciar a sua nova rubrica que tem pelo nome de "Coffee Break" onde, desta vez, o entrevistado fui eu. Foi bastante engraçado ver-me neste lado e confesso que houve perguntas para as quais tive que pensar bem nas respostas. Muitas delas bastante pessoais.

Poderão ler a grande entrevista e conhecerem ainda mais sobre mim aqui.

 

Amanhã sairá mais um "À conversa com..." com uma convidada inesperada. Esperem para ver.

 

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19
Jul16

Memórias - Domingos da minha infância

Sr. Solitário

Sempre acordei muito cedo, mesmo ao domingo, o dia em que a maioria das pessoas aproveita para descansar mais um pouco.

A minha mãe nunca tinha trabalho comigo, sempre fui independente desde pequeno. Levantava-me sem ser preciso chamar por mim, preparava o meu pequeno almoço, vestia-me e calçava-me e saía de casa até à paragem do autocarro que apanhava para ir para a escola.

 

Mas aos domingos era diferente, era sempre um dia especial, principalmente de manhã, pois ao fim do dia já algumas borboletas passeavam pelo meu estômago, aquela ansiedade de saber que no dia a seguir tinha aulas.

A minha mãe também acordava cedo ao domingo de manhã, bem cedo, para fazer algo que todos nós recordamos com muita saudade, ainda nos dias de hoje. Acender o forno a lenha para cozinhar uma grande assadeira de carne assada, com arroz.

 

Ligava o rádio e, ao som do folclore, preparava o nosso pequeno banquete. Eu acordava sempre a ouvir a voz do locutor da rádio informando os seus ouvintes da próxima música que iria tocar, e lá começava aquela melodia tipicamente portuguesa que dá logo vontade de dançar. Ainda consigo sentir o cheiro e ouvir o crepitar das chamas que lambiam as achas, aquecendo assim o forno para receber a assadeira completa e cheia do tempero característico e diferente da minha mãe.

O forno já era velho e, para o fechar, era preciso fazer uma massa com água e farinha para tapar os buracos. A farinha secava e ficava dura, tão dura que para a retirar era preciso usar uma faca.

Eu e as minhas irmãs brincávamos muito com a massa que sobrava, era a nossa plasticina.

 

Digam-me o que disserem, não há comida melhor que um bom assado num forno de lenha, não há melhor! A carne ficava tenra, saborosa; as batatas tostadinhas e cheias de molho que nos dava água na boca só de olhar; o arroz de forno, o meu preferido, tostadinho por cima e de um sabor incomparável!

 

A minha mãe por vezes diz: "que saudades eu tenho do meu forno a lenha" e eu concordo em absoluto com ela. Vivíamos numa casa que não tinha muitas condições de habitação, mas éramos muito felizes à nossa maneira. Ficam para sempre as recordações.

 

18
Jul16

TOC - Transtorno Obsessivo Compulsivo

Sr. Solitário

Quem acompanha este blog desde o seu início sabe que estou a ser acompanhado por uma psiquiatra devido a um transtorno obsessivo compulsivo, crises de ansiedade e ataques de pânico. Isto tudo é devido a alguma atividade ruidosa proveniente de um estabelecimento comercial (café) mesmo por baixo da minha moradia. As pessoas não têm qualquer respeito pelo espaço dos outros. Porém, o problema não é só do café, mas sim meu também, pois desenvolvi certos comportamentos anormais. As tais TOC.

 

Hoje vou partilhar um texto muito pessoal onde vou descrever, para quem desconhece, o que é uma TOC:

 

Começa por volta das 21 horas. Coloco a minha televisão no silêncio para ver se ouço algum barulho na parte de baixo. Sim, ouve-se, mas também é normal, ainda é cedo. Vou até à janela ver os carros que estão estacionados no parque e conto-os, tentando perceber quantas pessoas estão dentro do café. Sei as matrículas de todos os carros dos clientes do café e sei a quem pertencem.

 

Tento concentrar-me no que está a dar na tv para abstrair-me do barulho. O barulho é, nada mais nada menos, do que pessoas embriagas a falarem mais alto que o normal. Por vezes são apenas os clientes a conversarem entre si, na minha cabeça já é muito muito barulho!!

Coloco a televisão no silêncio novamente e fico à escuta. Dirijo-me até à janela para ver se algum carro já foi embora ou se alguém chegou. Volto a ir para o quarto.

 

Acaba a novela e está a dar publicidade. Coloco a televisão no silêncio outra vez e assim fica durante todo o intervalo. Vou outra vez até à janela. Regresso ao quarto.

Vou à casa de banho, vou outra vez à janela, regresso ao quarto. Parece que chegou outro carro, vou até à janela e venho sucessivamente.

 

A minha mãe já se foi deitar e fechou o estore da janela. Merda, praguejo baixinho! Só me resta a porta de entrada que tem vidros espelhados e que fica lá em baixo, 22 degraus.

Desço as escadas descalço e em bicos de pés para não fazer barulho senão a minha mãe ainda vê o que estou a fazer e não quero que ela saiba. Espreito pela porta e vejo os carros todos. Subo as escadas e regresso ao quarto.

Desço e subo aqueles degraus compulsivamente, até me doerem as pernas, mas não consigo parar!! É mais forte que eu. Só paro quando o café fecha.

 

Chegaram mais clientes, fico num estado de nervos horrível! Apetece-me partir tudo e então dou murros nas paredes, por vezes até fazer sangue.

O meu corpo está cansado, já não aguento muito mais. Desço e subo as escadas até à exaustão! Os clientes começam a ir embora um a um, por volta da meia noite, vejo-os a todos a saírem e vejo a proprietária do café a fechar. Respiro fundo e deito-me acabando por adormecer.

 

Isto é uma TOC.

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