Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

28
Out16

Então e o número 7?

Sr. Solitário

A minha sobrinha, de apenas 3 anos, já sabe contar até 10. Contudo, não sei qual é o problema com o número 7 pois ela esquece-o sempre, a seguir ao 6 vem sempre o 8. Tento fazer a contagem juntamente com ela e incluo o número 7 mais alto para que ela o possa ouvir e memorizar mas, quando é a vez dela contar sozinha, torna a fazer o mesmo: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 8, 9, 10!

 

Agora vocês todos pensam: oh ela ainda é pequenina, dá-lhe tempo! Sim, claro. Mas se eu vos contar que ela já sabe ligar o computador, colocar os vídeos que ela quer ver no youtube, mudar para outro vídeo, e também sabe desligar o computador, vocês acreditam?

 

7.jpg

 

 

27
Out16

Quando for grande...

Sr. Solitário

A minha mãe estava a trabalhar na sua pequena horta ao lado da nossa casa. Eu estava sentado à mesa da cozinha branca e vincada com pequenas rugas que denunciavam a sua velhice, a fazer os trabalhos de casa. Tinha que fazer uma cópia do livro de português para o meu caderno de tamanho A5, a cópia da fábula "A raposa e as uvas", aquela fábula que fala de uma raposa esfomeada que esperou e esperou que as uvas caíssem da ramada para as poder comer, mas as uvas não caíram e ela acabou por desistir sem lutar para as obter. Penso que era assim, se a memória não me falha, pois com 30 anos ela já mostra alguns sinais de esquecimento.

 

Fiz a cópia com a letra mais bonita que consegui, desenhando as letras ao longo das linhas pautadas que enchiam o caderno que comprei na loja da Tia Lurdes, com uma caneta de tinta azul, soprando à medida que escrevia para que não borratasse. Transcrevi todo o texto, palavra por palavra, ponto por ponto, e no final até senti pena da raposa. A seguir fiz uns exercícios de matemática e os trabalhos de casa acabaram por ali.

Folheei o livro de português à procura de mais histórias para ler e tive vontade de escrever mais uma cópia, mas desisti da ideia, pois no dia seguinte certamente que teria mais uma para fazer.

 

À medida que guardava os livros cuidadosamente na mochila, pensei no quanto eu gostava da escola e o quanto adorava aprender. Desejei que a escola durasse eternamente e, então, fui acometido por um desejo. Se eu estudasse para ser professor, podia passar mais tempo na escola e ensinar aos outros aquilo que sabia e aquilo que ainda iria aprender.

A minha mãe chegou do campo e eu disse-lhe: "Mãe, quando for grande quero ser professor!"

Tinha 8 anos e um sonho formou-se na minha cabeça tão vincado como as rugas daquela mesa onde me sentava todas as tarde a fazer uma cópia e a estudar a tabuada.

26
Out16

Bullying (parte 6)

Sr. Solitário

Segunda-feira, 26 de novembro de 2001

 

Era já noite cerrada quando estava dentro do autocarro a caminho de casa. Não consegui arranjar lugar sentado, alguns estudantes colocam a mochila no outro assento e mostram o seu desagrado quando me aproximo, desencorajando-me a sequer pedir licença para sentar. O único lugar vago que vejo é um que antecede a "cozinha", mas não quero ir para lá, pois se for sei que vão martirizar-me todo o caminho e, então, desisto e sento-me nos degraus que levam à saída da porta traseira. Outros estudantes falam alto, riem-se e divertem-se numa cacofonia um pouco ensurdecedora. Olho para os vidros da porta que me devolvem uma paisagem escura com tonalidades de luz passageiras, desaparecendo tão rápido como aparecem, e penso no dia terrível que tive.

 

Todos esses pensamentos ficam a martelar a minha mente até me arrancar algumas lágrimas que deixo cair inconscientemente. Só dou por ela quando uma amiga se senta ao meu lado nos degraus e me pergunta o que se passa. Depressa limpo as lágrimas que caíram para as esconder mas já não vou a tempo, ela continua a olhar-me esperando uma resposta. Depois de alguma insistência confesso parte de algumas agressões de que fui vítima. Ela olha-me com tristeza e diz convincente que irá falar com a minha diretora de turma afim de acabar com aquilo imediatamente. Imploro-lhe para que não o faça, tinha medo das reações que podiam advir dessa exposição e censurei-me por ter falado de mais, apenas queria desabafar.

 

Dias depois, fui para a primeira aula a medo. Doía-me a barriga só de pensar no momento em que a diretora de turma iria abordar o assunto ali à frente de todos. Quando ela falava eu estacava pensando que seria aquele o momento por que tanto receava. Porém, a aula passou sem que ela nada disse e eu respirei fundo de alívio mas, no fundo, sentia uma desilusão porque nada iria mudar.

 

À noite, já no autocarro, a minha amiga veio falar comigo. Disse-me que tinha falado com a minha diretora de turma, tinha exposto toda a situação. No fim, ela disse-me algo que eu nunca vou esquecer, a resposta da minha diretora de turma perante a situação toda relatada.

"Sabes o que ela disse? Disse que não acreditava em nada do que lhe contei. Disse que não acreditava que os teus colegas fossem capazes de fazer tais coisas, e que tu é que inventaste esta história toda para chamares a atenção. Eu odeio essa tua professora!"

 

Eu também, eu também.

24
Out16

Grey - E. L. James

Sr. Solitário

Gostei muito deste livro. Ao lê-lo, senti uma nostalgia muito grande que vem de há 3 anos atrás, quando li esta trilogia. Neste livro recordamos a história que apaixonou e viciou muitos leitores, só que desta vez narradas pelo próprio Christian Grey.

Há muitas pessoas que ao ouvirem falar da saga "As 50 Sombras de Grey" pensam somente numa única coisa, sexo e mais sexo. Mas não. A história não fala só e apenas de sexo, há toda uma história e um enredo fantástico que nos deixa deslumbrados. Arrisco-me mesmo a dizer que também se trata de uma história de amor, bastante atribulada.

É lindo.

 

2.jpg

 

 

21
Out16

Poesia à mesa

Sr. Solitário

Alma perdida

 

Toda esta noite o rouxinol chorou,

Gemeu, rezou, gritou perdidamente!

Alma de rouxinol, alma da gente,

Tu és, talvez, alguém que se finou!

 

Tu és, talvez, um sonho que passou,

Que se fundiu na Dor, suavemente...

Talvez sejas a alma, a alma doente

Dalguém que quis amar e nunca amou!

 

Toda a noite choraste... e eu chorei

Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei

Que ninguém é mais triste do que nós!

 

Contaste tanta coisa à noite calma,

Que eu pensei que tu eras a minh'alma

Que chorasse perdida em tua voz!...

 

Florbela Espanca

20
Out16

Nu

Sr. Solitário

Sinto-me nu. Um vento frio envolve o meu corpo magro e estremeço ao seu toque. Coloco os braços em redor do meu pescoço e fecho os olhos sentindo a sensação de liberdade que me transforma num ser solto, desprendido de pudor. Inspiro profundamente e vejo o meu reflexo no espelho, que me devolve uma imagem que me desagrada. Não gosto do meu corpo, é magro demais, é disforme, é triste, não tem cor.

 

Sinto-me nu, transparente. Os meus lábios estão secos, o meu rosto imberbe aparenta marcas de sorrisos, lágrimas, sentimentos. As minhas emoções estão à flor da pele e os meus pelos eriçam-se arrepiados. Não necessito de uma visão raio X para contar as minhas costelas, elas mostram-se perfiladas na minha pele branca. Os meus cotovelos e os meus joelhos são proeminentes, esticando a pele quando fletidos.

 

Sinto-me nu. Visto-me de palavras, palavras simples que tatuo no meu corpo e permaneço mudo. Adorno-me de sonhos e a minha indumentária dá cor ao meu rosto, abrilhanta o meu olhar. E o dia passa.

 

nu artistico.jpg

 

19
Out16

Ler

Sr. Solitário

O livro está sempre posicionado na cómoda do meu quarto, vejo-o sempre que lá passo, e, por vezes, contemplo a sua capa, a grafia do título, a textura das folhas.

 

Quando consigo ter algum tempo para ler, depois de todos os meus afazeres, coloco os meus óculos que uso só para a leitura, sento-me no sofá da sala (ou em dias mais frios sento-me na minha cama aconchegado com os cobertores nas pernas), pego no livro, percorro as folhas até ao marcador que sempre uso há mais de 10 anos e começo a ler. O mundo à minha volta para, deixo de ouvir todos os outros sons, esqueço-me até dos meus próprios sentimentos e vivo a história que tenho entre mãos.

 

As palavras correm à medida que passo por elas. Ao lê-las, elas ficam guardadas na minha memória, arrumando-se para que as próximas caibam na mesma gaveta do cérebro, aquelas gavetas imaginárias onde guardamos as nossas lembranças e onde eu tenho uma bem grande que dá para armazenar livros e mais livros que fui lendo ao longo da minha vida.

O meu telemóvel vibra, informando-me que acabo de receber uma nova mensagem. Por vezes sinto-o, outras vezes não e fico admirado quando vejo a luz a piscar porque realmente não dei por ela. Não é à toa quando digo que o mundo à minha volta deixa de existir quando inicio a leitura.

 

As horas passam a correr e chega o momento em que tenho de voltar a colocar o marcador numa nova página e ficar na expectativa de como a história irá se desenvolver. Volto a posicionar o livro na cómoda e ele aguarda que eu volte para o pegar e devorar as suas frases.

No fim, entrego-o à biblioteca onde o fui buscar, ele fica no lugar que lhe é respetivo e aguarda pacientemente que outro leitor o leve e o faça conhecer outra casa, outras divisões, outros hábitos de leitura e outros lugares onde possa ficar temporariamente.

 

Ler%20é%20bom%20para%20você%201.jpg

 

17
Out16

Os ocupados do Centro de Emprego

Sr. Solitário

Certo dia assisti a  uma reportagem do "Sexta às 9" na RTP acerca das formações profissionais do IEFP e não pude deixar de opinar sobre o assunto aqui no blog.

A reportagem começou por referir algo que eu já tinha conhecimento e que discordo totalmente. Todos os desempregados que estão a frequentar uma ação de formação proposta pelo IEFP, NÃO contam para as estatísticas do desemprego nacional. Segundo o Instituto de Emprego e Formação Profissional, estes desempregados constam como ocupados por estarem a frequentar a formação a que foram obrigados, caso contrário as prestações de Subsídio de Desemprego ou Rendimento Social de Inserção são cessadas e a sua inscrição para emprego anulada por 90 dias.

 

Os números apresentados são de 500% desempregados, ocupados com formação profissional, que não constam nas estatísticas do desemprego nacional.

 

Eu sou da opinião que toda a formação é benéfica, nunca é tarde para aprender, mas daí até deixarmos de estar disponíveis para emprego enquanto frequentamos a mesma, é ridículo! Depois vêm com falsas notícias e falsas esperanças para a comunicação social de que o desemprego nacional baixou! É preciso ter lata.

Há até mesmo quem aproveite estas formações para ganhar algum sustento, pois quem não recebe qualquer prestação por parte da Segurança Social (que é o meu caso) recebe uma bolsa de formação de 1.13€ por hora, mais os subsídios de alimentação e transporte. Uma fortuna! Mas é melhor que nada...

 

Contudo, o assunto não acaba aqui. As formações que dão equivalência e dupla certificação, ou seja, 12º ano (por exemplo) e uma saída profissional, têm estágio profissional numa empresa que preste os serviços aprendidos ao longo do curso. Até aqui tudo bem. O problema nisto tudo é que existem empresas que se "aproveitam" destes estagiários para aumentarem a mão de obra e aumentarem a produção da própria empresa a troco de nada!

Eu mesmo, quando realizei alguns estágios, fui vítima desses vigaristas. A empresa de informática onde estagiei há uns anos atrás, servia-se dos estagiários para manterem uma sucursal aberta, e assim não precisavam de pagar um ordenado a um funcionário para estar ali.

 

Como podem ver, isto está bonito!
Na minha opinião, enquanto existir gente que não olha a meios para atingir os seus fins, pessoas que passam por cima dos mais fracos, como animais numa lei de sobrevivência, este país nunca irá para a frente.

 

2_qualify_-_formação_desempregados.jpg

 

14
Out16

Uma outra forma de poesia

Sr. Solitário

O Follow Friday de hoje é dedicado ao outono, nem de propósito, pois hoje li um poema na minha área de leituras sobre esta estação que é a minha preferida.

 

O meu Follow Friday de hoje vai para um blogger que conheci esta semana e do qual me tornei leitor assíduo. Recomendo e sugiro a leitura do blog do Malik, onde todos os dias somos presenteados com uma poesia escorreita que merecem todo o destaque.

 

Deixem-se levar pela magia das palavras e boas leituras.

13
Out16

O convite

Sr. Solitário

Um convite chegou-me às mãos num envelope branco, escrito com o meu nome numa caligrafia solta. Soube logo do que se tratava e o meu coração encheu-se de orgulho, admirando a coragem do meu primo, uma bravura que certamente eu não teria. É preciso ser-se muito homem neste mundo para assumir-se como homossexual.

Ao abrir o sobrescrito, este continha um convite de casamento muito original. João e Steven decidiram casar-se em Portugal, ao abrigo da lei portuguesa, convidando todos os familiares e amigos, sem exceção. Uns aceitaram de bom grado em comparecer à celebração; outros aceitam apenas por curiosidade, afinal é algo de diferente; os demais não aceitarão, alegando que é um acontecimento que não faz sentido, não é normal.

Evidentemente que eu vou, faz todo o sentido que eu vá, faço questão em comparecer e felicitar os recém-casados. Será algo único e inesquecível que terei todo o prazer em participar.

 

Trata-se de amor, de felicidade. É a união de dois seres humanos que se amam e se completam, independentemente da orientação sexual que têm. Guardo este convite com todo o cuidado dentro do envelope e, por vezes, olho-o ainda com mais admiração. Penso em como irei vestido e várias ideias surgem-me na cabeça. Não que queira tirar protagonismo aos noivos, nem pensar! Mas quero marcar a minha presença e fazer desse dia o início de uma longa caminhada para que todos nós sejamos aceites no seio familiar e na sociedade em geral.

 

IMG_20161013_104420.jpg

 

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D