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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

30
Dez16

2016 foi assim...

Sr. Solitário

O ano de 2016 está mesmo a terminar. Passou a correr, na minha opinião, e juntamente com ele trouxe algumas mudanças, inclusive a criação deste blog que me enche de orgulho.

Para concluir este ano de letras em beleza, decidi criar uma espécie de best of com as publicações mais lidas. Segue a lista:

 

Publicidade a mais!

Efeitos secundários

À conversa com... André Mendonça

Vinagre para as melgas

Xau limpa máquinas

Urinar sentado

À conversa com... Chic'Ana

És assumido?

Abandonei um livro e ninguém o levou

E se um gay te disser que és bonito?

10 anos sem emprego!

 

Desejo a todos os meus leitores e amigos um excelente 2017!

29
Dez16

À conversa com Maria das Palavras

Sr. Solitário

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A Blogger Menos In do Pedaço aceitou o convite para Dois Dedos de Conversa aqui neste blog para partilhar algumas das Palavras que a definem com um sentido de humor muito característico e uma simpatia que cativa todos os seus leitores.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Maria das Palavras.

 

Olá, eu sou a Maria das Palavras (e vocês: oláaaa Mariaaaaa) uma blogger armada em diferente (a menos in do pedaço, há quem diga) que anda por aí a debitar parvoíces e lamechices há dois anos e picos na blogosfera. Tenho 30 anos que é aquela idade em que és novíssima para uns e estás com o pé na cova para outros (dizem que tudo no mundo é relativo e eu acredito). Hoje, estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá Maria, bem-vinda. Começo por te perguntar qual o motivo do nome do teu blog ser Maria das Palavras?

Maria das Palavras: Maria das Palavras porque as palavras são aquelas coisinhas tão pequenas e tão grandes que estou sempre a reprimir de viva voz. Mas quando começo a escreve-las, jorram que nem fontes no Inverno.  Achei que criando o blog ia conseguir trazer mais algumas cá para fora, comunicar melhor (às vezes comigo mesma).

 

S: "Queria ter tempo e escrever para o resto da vida. É esse o meu objetivo profissional." Um sonho desde criança que cresceu com o desejo de ser professora?

MP: Devo ter escrito isto num dia muito otimista. Não penso que alguma vez consiga viver das palavras (gosto de sonhos mais concretizáveis) e portanto de forma realista não é um objetivo profissional, mas mais um prazer do qual não quero abdicar. Quando era pequena queria ser professora e escritora. Fazia muitas composições elogiadas na escola e foi a minha primeira professora que me fez crer que era boa nisto (mesmo que fosse ela afinal, a boa mentirosa). Mas tal como mais um par de coisas que quis ser, optei pela racionalidade em vez do coração, e quis antes enveredar por uma área com mais certezas. Tenho sempre a ideia que há mais do que uma coisa que podemos fazer para ser felizes, não tem necessariamente de ser a primeira que nos vem à cabeça. E, até ver, ninguém me tira a razão. O prazer da escrita, tenho-o na mesma, ainda que não viva dele.

 

S: Na tua opinião, como seria viver das palavras?

MP: Ah, teria uma casa num local paradisíaco para onde me retiraria alguns meses por ano para escrever, depois passava a segunda metade do ano a promover o livro e em tour pelo mundo. Não deixo de alimentar o blog, claro. Que tal? A mim parece-me bem. Continuo é sem saber se tenho disciplina (já nem menciono o talento) para algo do género, mesmo que houvesse a possibilidade.

 

S: Consideras-te a blogger menos in do pedaço, por alguma razão em especial que queiras partilhar?

MP: Quando comecei o blog já lia outros e comecei a ler ainda mais. E deparei-me com muitas coisas com as quais não me identificava. Modas nas quais não ia (e não falo de modas de moda, apenas - não gosto de sushi, não faço dietas, não uso unhas de gel). Sou do contra, mas também sei que isso me faz estar no outro lado da corrente (o pessoal que é sempre do contra), o que significa que continuo a ser igual a muita gente. O importante é não levar as coisas muito à letra. Se um dia por milagre me apetecesse sushi não o ia reprimir ou esconder a bem do pseudo-título.

 

Gosto de Waffles com gelado. Não gosto de camas com os lençóis desalinhados.

 

S: Qual é o mito que mais te dá gosto destruir?

MP: "Os homens são todos iguais". Nunca gostei de extremismos e generalizações. E apesar de ter demorado para encontrar um homem que acreditasse ser verdadeiramente diferente (o meu), gosto sempre de descomplicar as situações amorosas. Há sinais muito claros que os homens dão de não-interesse e nós tentamos sempre ir buscar simbolismos e dar a volta à questão. Mas se escutarmos bem, eles dizem tudo. Mesmo que o "tudo" não seja o que queríamos ouvir.

 

S: Qual a importância que o humor tem na tua vida?

MP: Toda, é assim que me safo da situações mais tristes, preocupantes, stressantes, vergonhosas, complexas. Quando não há mais nada a dizer, resta o humor. Acho que é uma importante ferramenta para relativizar, Por exemplo, o Moço pode fazer alguma coisa que me irrite cá por casa (sabe Deus que também as faço). Se escrever sobre ela, com humor, a coisa descomplica-se. E quem nunca acabou uma discussão por desatar a rir sem querer que atire a primeira pedra. Claro que também é um importante intensificador dos bons momentos. Para mim é: usar sem moderação. Daí também ser adepta do humor negro.

 

S: Conta-nos a tua história de amor.

MP: Não podia ser mais simples, nem mais vulgar, nem mais bonita (por ser a minha). O Moço era amigo de um bom amigo e numa passagem de ano em que estivemos juntos a coisa deu-se. A paixão? Não. A provocação de parte a parte. Foi assim que começou. Com ofensas mútuas (mas tudo muito a brincar). Depois eu fiz questão que a brincadeira continuasse. Numa altura (rara) em que tinha outros dois pretendentes (sempre quis usar esta palavra) tive de lhe mostrar que se não se chegasse à frente ficava para trás. E ele jogou todas as cartas certas (como contei aqui). E cá estamos.

 

S: O amor está nos detalhes. Qual deles é o mais especial?

MP: O detalhe mais importante é aquele que não se descreve nos romances. Não tem a ver com olhares intensos, declarações, ou gestos românticos. Tem a ver com lavar a loiça na minha vez naquele dia. Ou deixar-me roubar os chinelos depois do banho. Ou deixar-me ficar sempre com o melhor lugar no sofá.  Aqueles pormenores que nunca darão um livro, mas valem uma vida em comum.

 

Gosto de ler durante a manhã (embora seja quase sempre impossível). Não gosto que me toquem nos pés!!

 

S: Se tivesses que definir o Moço numa palavra, qual seria?

MP: Meu. Só para ele saber com que linhas se cose. Também podia dizer romântico, generoso, e muito muito muito amigo (meu, mas também dos outros que nos rodeiam). Mas escolho meu.

 

S: O que consideras indispensável para uma relação com final feliz?

MP: Não deve já ser novidade para ninguém: comunicar. Um conselho que às vezes tenho de me forçar para seguir porque sou muito dada a engolir os problemas para não pensar neles. No entanto é vital para que o casal se compreenda - nunca devemos assumir que o outro sabe o que nos incomoda ou as coisas que desejamos.

 

S: A costela de mamã ainda continua inexistente?

MP: Sim, a única coisa que muda é que ao ver o pessoal amigo, da mesma idade, todo a brotar crianças sinto-me mais culpada por isso. Eu sei que quero ser mãe algures no futuro. Mas ainda me sinto com 20 aninhos, quando esse futuro era uma coisa muuuito lá para a frente.

 

S: Quem te acompanha sabe que tens um grande número de leitores. Se pudesses oferecer um presente a todos eles, qual seria?

MP: "Grande número" é relativo, mas também pouco interessa: nunca comecei o blog pela quantidade de leitores ou comentários, foi por mim. No entanto, estimo-os todos, em particular aos que voltam sempre e aos que estão acabados de chegar e começam a dar a volta toda ao blog. E...UAU! Que ideia fantástica. Quem me dera dar algo a todos. Para ser algo minimamente exequível (caramba, agora puseste-me mesmo entusiasmada a pensar nisto) teria de ser algo do género: irmos todos ver uma peça de teatro - humorística, claro! Ah, e eu ter participado no guião. Bolas, vou só angariar mais uns milhares de leitores para ver se arranjo uma parceria para isto! Cá está uma boa motivação para fazer os números do blog crescerem.

 

Gosto de pequenos almoços na rua. Não gosto de pessoas que enviam mensagens a dizer "olá, tudo bem?" sem dizer logo o que querem.

 

S: O que gostarias de ensinar a todos eles?

MP: Que escrever, ajuda. Ajuda mesmo. É terapêutico. Ajuda-nos a pensar, a ultrapassar, a descomplicar ou (nos melhores casos) a reviver e recordar para sempre.

 

S: Qual a palavra que mais te define enquanto blogger?

MP: Diplomata. Talvez não fosse a que esperavas, mas tem a ver com o lado que nem toda a gente se apercebe. Tem a ver com a minha atitude enquanto blogger inserida no meio, mais do que com aquilo que escrevo. Sou completamente avessa a quezílias de blogs ou a deixa-las transparecer para as pessoas que lêem o blog e que não têm nada a ver com as pseudo-polémicas dos bairros virtuais. Atire a primeira pedra quem nunca fez um comentário maldoso sobre o blog ao lado, mas daí a agir sobre isso ou a comprar brigas vai toda uma bíblia. Quando me envolvo é no backstage e geralmente com uma frase que envolve as expressões "deixar passar" ou "tempestade em copo de água".  Também terá a ver com a escrita, pensando melhor. Faço alguma censura aos meus textos e temas, por saber que variadíssimas pessoas me lêem e não quero passar horas a desculpar-me ou a explicar-me. Não há mal nenhum nalguma polémica, mas com as pessoas que conheço sou mais ácida, porque sei para quem estou a falar. No meu blog, modero-me.

 

S: E qual a palavra que mais te define enquanto mulher?

MP: Pragmática. Gosto de ver as coisas como elas são (preto no branco, ou assumir que têm vários tons de cinzento e não há respostas certas), arranjar soluções ou descartar problemas. Organizar bem as coisas e limitar-me ao essencial. Não dou a volta ao assunto nem remoo por mais de dois segundos se não merece importância.  Claro que o calor da emoção às vezes tolda o juízo, mas também não disse que era perfeita. Agora que penso nisso, reflete-se na palavra que escolhi para me definir como blogger.

 

S: Qual a palavra que para ti é mais difícil de dizer?

MP: Palavrões! nunca digo, só se estiver a repetir o discurso de alguém e mesmo assim com dificuldade (e tentando sempre substituir por pis). De resto não há palavras indizíveis. Apesar de "amor" também ser um palavrão - mas já num sentido diferente.

 

Gosto de post its. Não gosto de molduras com fotos.

 

S: Alguma vez tiveste que a proferir?

MP: Palavrões? Só para mim, quase sem me ouvir, em casos muito graves e por impulso. Juro que não sei de onde vem este pudor, não é de família, garanto.

 

S: Existirá algum limite de palavras para a Maria?

MP: O meu único limite é o sono.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

MP: Fugindo à tentação da borracha, porque apagar dores ou erros, poderiam desviar-me do caminho que agora percorro que também tem muitas alegrias; fugindo à tentação de escrever o futuro que assim não teria más surpresas, mas as boas também não; sabendo que as alegrias não se medem aos palmos; posso pegar no compasso e na caneta ao mesmo tempo. Desenhar o meu mundo é escrever o nome dele. Do Moço.

 

S: Obrigado Maria, foi um gosto enorme conversar contigo.

MP: O prazer foi todo meu. És de facto o Daniel Oliveira dos blogs. Eu sou menina de parcas reações e nunca tenho lágrimas prontas a cair, mas fizeste-me refletir bem e eu normalmente ponho-me só a responder de enfiada e pronto (seu sacana).

 

28
Dez16

De regresso

Sr. Solitário

Antes de mais nada quero apresentar as minhas mais sinceras desculpas a todos os que participaram com fotografias para o passatempo que anunciei. Não me foi de todo possível fazer o mesmo por motivos de doença.

É verdade, este tempo todo em que estive ausente não foi porque o quis, mas sim porque apanhei uma virose enorme que me pôs de cama durante dias.

 

Felizmente já estou recuperado e estou de volta. Amanhã estará de regresso a rubrica mais apreciada pelos meus leitores: "À conversa com...", com uma convidada que... não vou revelar!

 

16
Dez16

Os jantares de natal

Sr. Solitário

Em plena época em que os restaurantes estão completamente lotados com os jantares de natal, lembrei-me de um episódio bastante cómico que aconteceu precisamente num jantar de natal de um curso que tirei há uns anos atrás.

Antes de mais nada, quero realçar que eu não bebo bebidas alcoólicas, eu e o álcool não temos uma boa relação, mas, nesse jantar, para não fazer a desfeita, bebi alguns copos de vinho, sempre incentivado com vozes alegres que cantavam: " e se ele quer ser cá da malta, tem que beber este copo até ao fim, até ao fim!!".

 

Bem, como devem calcular, depois de um copo e mais outro, saí do tal restaurante assim um bocadinho alegre (um bocadinho é favor!) e, em passo hesitante devido à irregularidade do chão que os meus olhos enxergavam, segui os meus colegas até a um bar não muito longe dali.

Lembro-me que dancei e cantei como se não houvesse amanhã, tal como um bicho do mato que vem à cidade pela primeira vez, e a certa altura uma colega minha ofereceu-me o seu copo para eu provar a bebida que ela estava a ingerir, dizendo-me que era wisky-cola.

Bebi um pouco, fiz cara feia e disse: "ui, que forte!"

 

Dias depois, vim a saber que a tal bebida que me foi oferecida era apenas coca-cola. Fui motivo de riso durante semanas, ainda hoje esse assunto é lembrado.

A partir desse dia nunca mais bebi vinho tinto! :D

 

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15
Dez16

Desafio superado!

Sr. Solitário

O Remus, autor do blog Pontos de Vistas, lançou-me um desafio que consistia em escrever um texto para uma fotografia à sua escolha e de sua autoria, como todas as que ele publica diariamente.

Eu aceitei-o de bom grado e, quando vi a imagem que me calhou, dei largas à minha imaginação e escrevi um humilde soneto sobre Linhas e Memórias. Para ver aqui neste link.

Espero que gostem e claro, não deixem de visitar o seu blog, serão sempre presenteados com ótimas fotografias.

 

12
Dez16

À conversa com... Richard Zimler

Sr. Solitário

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É com uma enorme honra que, hoje, reinicio esta rubrica com um convidado muito especial para mim. Trata-se de um grande escritor que muito estimo e que me alegra tanto que tenha aceite estar à conversa comigo. Gosto muito, ou melhor dizendo, adoro a escrita dele, como já referi inúmeras vezes aqui no blog. Recomendo a leitura de todos os seus romances, cada um tem uma história que nos marca do início ao fim, sempre com uma mensagem emotiva.

Bem, sem mais delongas, Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... Richard Zimler.

 

Sr. Solitário: Olá Sr. Zimler, bem-vindo ao meu cantinho. É com muita honra que faço esta entrevista humilde e da qual tenho a certeza que será do agrado de todos os meus leitores. Em primeiro lugar, eu começava por lhe perguntar se alguma vez pensou que seria um escritor tão bem conceituado como é?

Richard Zimler: Sonhei com a possibilidade de publicar um livro, mas nunca imaginei que fosse um escritor apreciado pelos leitores de muitos países diferentes – os EUA, Portugal, Inglaterra, França, etc...  Estou muito grato todos os dias.

 

S: “O Último Cabalista de Lisboa” é o seu primeiro romance entre outros que se seguiram que retratam o grande massacre que os judeus sofreram ao longo dos anos. Porquê a necessidade de escrever sobre esse assunto?

RZ: Acontece que tenho uma personalidade subversiva. Gosto de explorar temas – e injustiças, em particular – que as outras pessoas prefeririam esquecer ou branquear. Suponho que seja a minha tentativa de retificar – um pouco – uma situação intolerável. O meu feito talvez seja em parte o resultado de eu ter nascido judeu (um povo que tem uma historia de perseguição muito longa). No caso de “O Último Cabalista de Lisboa”, 2000 Cristãos Novos foram mortos e queimados no Rossio. E depois completamente esquecidos. Quase ninguém em Portugal sabia da existência deste massacre antes de eu escrever o livro. Pensei: Estes Cristãos Novos merecem mais! Merecem, no mínimo, serem lembrados, porque eram pessoas tão reais como eu. Então, comecei a criar Berequias e Abraão Zarco e as outras personagens do romance.

 

S: "Os Anagramas de Varsóvia", "Meia-noite ou o princípio do mundo" e a "Sétima Porta" fazem parte do meu top de livros. Em que se inspira para escrever histórias tão marcantes?

RZ: Ainda bem que gostou tanto desses livros! São três romances muito diferentes, mas o fio condutor talvez seja o meu desejo de falar pelas pessoas cujas vozes são sistematicamente silenciadas. No caso de “Os Anagramas de Varsóvia”, exploro a vida quotidiana no gueto judaico de Varsóvia. “A Sétima Porta” trata da esterilização e matança de pessoas deficientes durante a ditadura dos Nazis em Alemanha (um crime contra a humanidade quase esquecido). Em “Meia-Note ou o Princípio do Mundo”, falo dos bosquímanos, um povo de África austral dizimado pelos colonizadores europeus (e pelos Zulu também).

 

S: "A Sentinela" é o seu primeiro policial, mostrando uma outra habilidade sua enquanto escritor. Teve algum receio de que este romance "diferente" não fosse tão bem aceite?

RZ: Esperava... Mas não há garantias. Tenho livros que foram grandes sucessos em muitos países e outros que foram fracassos. Por exemplo, “Meia-Noite ou o Princípio do Mundo” vendeu bem em Portugal, Inglaterra e França, mas foi um fracasso nos EUA e Itália. As vezes, depende do trabalho da editora. Infelizmente, nem todas as editoras são competentes. No caso de “A Sentinela”, pensei que teria alguma possibilidade de ser apreciado pelos leitores portugueses porque o livro lida frontalmente com a crise económica (e moral!) no país.

 

S: O que sente um escritor quando vê a sua obra tornar-se um bestseller em vários países? Sente que cumpriu o seu objetivo?

RZ: O meu objetivo é sempre o mesmo: escrever um maravilhoso livro – um livro cativante, inteligente e poético.  Por isso, as vendas – bom ou mal – não tem a ver com o meu grau de satisfação com o livro. Tendo dito isso, vender bem é importante, sobretudo porque se um livro vende mal, a minha editora não vai continuar a publicar os meus livros. Hoje em dia, a única coisa que conta no mundo editorial é vendas (lucros). A qualidade da historia e da escrita são fatores muito menores da perspetiva das editoras. É uma situação muito lamentável, na minha opinião.

 

S: Dentro do estojo da sua vida há um lápis para escrever o seu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o seu mundo e uma caneta para escrever em si um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usaria? Porquê?

RZ: Talvez fosse o compasso, porque adoro criar universos paralelos para mim e para os leitores. Penso da capa dos meus livros como uma porta. Ao abrir o livro, o leitor passa pela porta e entra num mundo da minha criação!

 

09
Dez16

Comi sushi e não gostei

Sr. Solitário

Ontem fui até ao centro comercial. Estava a abarrotar de gente! Na zona da restauração não haviam mesas livres e outras pessoas aguardavam a sua vez, em filas enormes, para fazerem o seu pedido nos vários restaurantes do espaço.

Recentemente abriu um novo restaurante nesse centro comercial de comida japonesa que, entre outros pratos, também serviam o famoso sushi. Andava curiosíssimo para experimentar essa iguaria que tantos adoram, não só por ouvir falar bem, mas também pelo bom aspeto que esse prato apresenta.

 

Quando falamos em sushi, a primeira coisa que vem à cabeça é: peixe cru. Só por esse motivo, muitas pessoas colocam logo de parte a degustação do mesmo, sem sequer darem o benefício da dúvida. Depois, passadas as reservas iniciais, há quem adore e há quem odeie. A partir do dia de ontem, eu passei a fazer parte das pessoas que não gostam de sushi. Definitivamente.

O facto de comer peixe cru não me alarmava e, então, ontem decidi acabar com a minha curiosidade e fui ao restaurante japonês. Era self-service e eu servi-me de tudo um pouco, se era para experimentar então que seria tudo aquilo a que tivesse direito. No final, a funcionária aconselhou-me a levar molho de soja para acompanhar e, para beber, um chá chinês.

 

Sentei-me todo contente e orgulhoso da minha coragem e dei início à minha degustação com pauzinhos e tudo! Comecei por uma peça redonda composta de arroz e camarão envolta em alga. Envolvi-a no molho de soja e levei à boca sem reservas. Um gosto acre a peixe salgado inundou as minhas papilas gustativas e tive que fazer um esforço enorme para não cuspir para o chão o que acabara de mastigar.

"Isto é horrível!" pensei. Depois decidi experimentar outra peça mas sem a envolver no molho... Melhor, porém o mesmo gosto a peixe era intragável. Experimentei uma outra completamente diferente, que consistia somente em arroz e salmão cru... divinal! Adorei mesmo. Afinal o peixe cru não é assim tão mau, acreditem.

Concluindo, existem peças de sushi que até são boas, mas aquelas que contêm algas é para esquecer! E o molho de soja? Só de pensar até me dá náuseas... Em compensação, o chá chinês é muito bom!!

 

Paguei 6.90€ e fiquei cheio de fome. Tive mesmo que fazer um lanche reforçado. O meu cunhado disse que aquele tipo de comida deveria ser mais barato, pois os cozinheiros não gastam gás na sua confeção. Muito bem pensado!

É caso para dizer: sushi nunca mais!

 

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08
Dez16

Imaculada Conceição

Sr. Solitário

Hoje, dia 8 de dezembro, feriado nacional, comemora-se o dia da Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Este dia invoca a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus, concebida sem marca do pecado original. É uma data de grande significado para a Igreja Católica. Diz a minha mãe que, antigamente, este era o Dia da Mãe e para mim faz todo o sentido que o seja. Haverá melhor dia para essa data do que o dia da mãe de Jesus?

 

A minha relação com a igreja não é, de todo, a mais exemplar. Confesso que eu não vou à missa, não rezo todas as noites antes de me deitar, não tenho um papel ativo enquanto católico. Contudo, não deixo de ter a minha fé, as minhas crenças religiosas. Costumo dizer que eu acredito na religião, não na igreja, mas isso seria um assunto de uma enorme discussão, um caminho que eu não quero enveredar.

Na minha humilde aldeia, onde a padroeira é precisamente a Nossa Senhora da Conceição, há uma pequena celebração no átrio da capela, com muita música e animação, castanhas assadas e vinho, danças e cantares. As tradições da nossa terra.

 

Desejo um feliz dia a todas as mães deste país! Que a Imaculada Conceição interceda por vós e que vos dê forças para levar a vida sempre com um sorriso.

 

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07
Dez16

Publicidade a mais!

Sr. Solitário

A época do natal já entrou em vigor na sociedade em geral. Por todo o lado já podemos observar todos os enfeites que adornam os espaços, as luzes coloridas, as canções alusivas à época, a magia que emana das ruas, a publicidade interminável e irritante que passa na televisão, as árvores de natal que espreitam das janelas... Esperem lá! Vamos voltar um pouco atrás. A publicidade!

Eu até poderia continuar a escrever um texto muito bonito sobre o natal e a magia mas, pensando bem, penso que será mais correto perguntar se essa tal magia do natal que sentíamos antigamente é a mesma que agora. Certamente que não. O natal transformou-se numa época em que a decoração e o design entrou em força juntamente com o consumismo. Nos espaços que referi anteriormente, para além das decorações bonitas, também observamos pessoas apressadas numa correria desenfreada para comprar, comprar e comprar. Segundo o que pesquisei até já existe uma doença qualquer chamada de "stress do natal"! Sem comentários...

 

Voltando ao assunto que referi, e sem querer entrar em mais delongas, ontem tinha na minha caixa de correio mais de 7 panfletos de publicidade, sem exagero. Catálogos de brinquedos, eletrodomésticos, roupas, acessórios, perfumes e toda uma parafernália de objetos de consumo. Resumindo, papel e mais papel para o lixo.

O natal, uma tradição que preservamos muito e da qual gostamos imenso - pelo menos a maior parte das pessoas - também não é nada ecológico.

 

 

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