Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

24
Jan17

À conversa com Fashion

Sr. Solitário

gg.jpg

 

Na sua bolsa carrega muitos sonhos, recheados de imaginação, trajados com os melhores outfits. Quando a abre e deixa esses sonhos fluírem, somos invadidos por pensamentos e reflexões transmitidos em letras, que por sua vez perfazem textos lindíssimos, um talento natural que podemos ler e reler no seu blog.

Senhoras e senhores, hoje estou à conversa com... a Fashion.

 

Olá, eu sou a Fashion, tenho 39 (quase, quase quarentinha). Sou uma viajante e estou aqui, sem filtros, no cantinho do Sol, à conversa com ele.

 

Solitário: Olá, bem-vinda. Porquê o nome Fashion?

Fashion: Olá, querido Solinho. Obrigada pelo convite.

Quanto ao nome: começou com uma brincadeira porque gosto de moda e principiei por publicar algumas coisas sobre isso, mas depois tinha uma necessidade enorme de escrever e pensei que as ideias, tal como a moda, também se podiam colocar numa “mala”(que pode ser o coração, a cabeça, a memória...) e assim ficou o nome. Hoje sinto que sou uma Fashion pouco Fashion, mas que tem uma “bag” enorme.

 

S: O que não pode faltar na tua "bag"?

F: Sonhos... sempre.

 

S: Com a vontade de escrever surgiu o blog. O que é que esta janela de oportunidade te trouxe?

F: O Blog  é uma espécie de viagem (aqui também a viagem) . Começou com uma “tela” em branco de um computador. Fiz as malas, apanhei as teclas e  comecei a escrever e a partilhar (algo que precisava muito e nem sabia). Ao início seguia sossegadita, até que comecei a encontrar pessoas pelo caminho; pessoas muito bonitas que todos os dias gastavam um bocadinho do seu tempo para me deixar uma palavra de amizade, de incentivo, para me dizerem que gostam do que escrevo. Comecei a entrar, também, no caminho delas, a introduzir-me nas suas vidas, a aprender com as suas ideias, a viver um bocadinho do seu dia. O que me trouxe, Sol? Uma mala repleta de ternura e de pessoas que já gosto muito. Para além de que estou mais segura, neste momento, acerca da minha escrita (que não é boa, nem má, mas é a minha) e isso consegui-o, sem dúvida, como blog.

 

S: "Uma viajante que apanhou um barquinho e segue rio acima" - é assim que te descreves. Se pudesses virar a direção do vento, para onde o levarias?

F: Sou mesmo uma viajante (a caminho), sem dúvida. Muitas vezes o percurso é, apenas(que é tanto) o da busca de mim e do sentido da vida. Levava-o para a minha infância; que foi tão, mas tão feliz, que  não é possível que as palavras sejam suficientes  para a descrever.

 

Gosto de passear  pelo campo, ou junto ao mar. Não há coisa melhor do que sentir o cheiro do mar, da terra molhada e do ciciar do vento quando toca nas árvores. Não gosto de injustiças. Quem merece deve ser reconhecido, sempre.

 

S: O caminho da tua vida tem sido ardiloso. Porquê?

F: Tem sido complicado por uma única razão: a perda de pessoas que amo, que me parece ser a maior dificuldade que podemos ter. Tudo o resto é um percurso. Tenho lutado muito, sempre, e não sei desistir de nada. Por isso, um dia, hei-de ter orgulho de mim.

 

S: Entre pensamentos e reflexões vamos conhecendo um pouco mais de ti. Qual o pensamento que mais povoa a tua mente?

F: O do sentido da vida, esse é aquele que mais me ocupa.

 

S: Hoje também me apetece ler poesia... Qual o poema que mais te define?

F: Um poema da Maria Rosário Pedreira - “Vieste como um barco carregado de vento”.

 

S: Conta-nos o episódio mais marcante da tua vida... (o AVC da tua mãe)

F: Foi um dos mais marcantes, mas não no momento. Só quando percebi que ela ia ficar limitada e dependente. Senti-me impotente, perdida, muito perdida, mas tive de me focar e pensar nela e em tudo o que teria de fazer para que (ela) não sentisse tanto o que tinha perdido. É nesses momentos que descobrimos forças que não sabíamos que tínhamos... Também é aí que encontramos as pessoas que verdadeiramente gostam de nós.

 

Gosto de ler. Podemos ir onde quisermos e sermos quem desejarmos quando lemos. A Leitura(também a escrita) é uma carta de alforria. Não gosto de hipocrisia. Pessoas que não são, mas fazem de conta que são.

 

S: O sentimento do medo nesse dia foi diferente do habitual? Do que tinhas mais medo?

F: Tive muito medo de a perder, muito. Foi diferente porque penso que só aí tive a certeza que nunca mais encontraria um amor como o de mãe. É tão forte, o amor de mãe.

 

S: Quais as sequelas que o AVC provocou?

F: Limitações na marcha e na mão direita.

 

S: Tornaste-te cuidadora da tua mãe. Sentes que deixaste a tua vida em suspenso?

F: Essa é uma pergunta que muitas vezes me fazem. Eu não sou só cuidadora, sou mãe da minha mãe. Eu passei a ter a responsabilidade por ela e por mim e tive de mudar toda a minha vida. No início pensava que sim, que tinha ficado em suspenso e revoltava-me por isso, hoje penso de forma diferente. Acredito que é uma maneira de retribuir todo o carinho e amor que recebi. É muito difícil, pesado, mas hoje sou melhor pessoa e o que perdi é insignificante comparado com o que ganhei. Em suspenso só está a minha aprendizagem que é constante.

 

S: O amor é mais forte que uma doença?

F: Muito mais.

 

Gosto de viajar. Sinto sempre que cresço sempre que viajo. Vivemos  tanto no nosso “mundinho” que por vezes esquecemos que há muito mais mundo para além do nosso. Não gosto de ver/sentir que alguém está triste. Se depender de mim toda a gente está feliz, mesmo que eu não esteja. Faço tudo para alegrar os outros.

 

S: Qual a batalha mais difícil ao longo destes meses?

F: Fazer com que ela voltasse a andar e que  ficasse o menos dependente que for possível.

 

S: Sentes o dever cumprido ou achas que devias dar mais?

F: Penso que neste momento não consigo dar mais do que dou, mas um dia talvez te diga o contrário, não sei.

 

S: De que modo se dão a conhecer as metamorfoses do espírito?

F: Eu adoro Nietzsche, estudei muito este autor e há muita ideia com que me identifico. O pensamento das metamorfoses vem dele e partilho o seu ensinamento sobre esta questão. Seja individualmente, ou de forma coletiva, todos passamos por uma fase de camelo em que aceitamos a carga sem contestar, para uma fase de Leão onde rugimos (alguns não passam da fase de camelo), mas ainda sem ideias próprias, até à fase da criança onde tudo é novo, nosso e está em aberto. A dificuldade é apenas conseguirmos chegar a esta última fase e escrevermos a nossa história. O nosso espírito (e as sociedades) têm de ser capazes de se reinventar e começar de novo.

 

S: Em que te inspiras para escrever textos tão sentidos?

F: Obrigada pelo” sentidos” (vou considerar isso um elogio). Inspiro-me quase sempre em personagens que tenho dentro de mim e que, muitas vezes, me gritam para que as deixe sair. Não sei explicar de onde vem a inspiração, por vezes basta uma folha de papel, ou uma árvore.

 

Gosto dos meus cães. São os meus amigos de sempre, carinhosos, desinteressados, fieis. Não gosto de egoísmo. Isso é o que irrita mais, gosto de altruísmo e de pessoas que se preocupam com os outros, o inverso é ser uma não pessoa.

 

S: Como se chamaria o livro da tua vida?

F: Em busca de um sentido.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

F: Algumas pessoas, sim.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

F: Um compasso porque o meu mundo serei eu a desenha-lo e a escrevê-lo. Todos os dias desenho um bocadinho.

 

S: Obrigado Fashion, foi um gosto enorme conversar contigo.

F: Obrigada, eu, querido Sol. Vemo-nos por aqui!

 

20
Jan17

Farto da Endesa

Sr. Solitário

Conhecem a Endesa? A empresa de energia que oferece descontos na fatura de gás e eletricidade... certamente que sim.

Ora certo dia eu recebi uma chamada de um número que não conhecia. Atendi e logo fui abordado por uma senhora de uma simpatia extrema que me perguntou se estava tudo bem. Quando um desconhecido me pergunta se está tudo bem, deduzo desde logo que boa coisa não está para vir, mas lá respondi e deixei a senhora falar e falar um sem número de vantagens se eu optasse por mudar a minha empresa de energia. Disse-lhe que tinha que pensar e que não ia tomar uma decisão sem antes consultar a minha mãe. A resposta foi negativa.

 

No outro dia, a senhora voltou a telefonar para saber a minha decisão. Respondi-lhe que estava satisfeito com a minha empresa de energia e que não pretendia mudar. A simpatia extrema da senhora logo se dissipou quando a ouvi dizer:

- O senhor não quer poupar na fatura de eletricidade?! Não compreendo... Sinceramente o pior cego é aquele que não quer ver!

Mas que raio!! - pensei todo indignado, e com o mesmo tom frio com que a tal senhora me presenteou aquando da minha resposta negativa, disse:

- Da minha vida cuido eu. Não lhe pedi opinião, por isso guarde-a para si. Tenha um bom dia.

 

Desliguei e dei o assunto por encerrado. Passados uns dias recebo novamente uma chamada da Endesa. Disse mais uma vez que não estava interessado mas as chamadas não cessaram. Praticamente todos os dias recebia chamadas da Endesa até ao dia em que tive mesmo que ser desagradável ao telefone para ver se paravam de me ligar.

Não me ligaram mais durante os próximos tempos, pensei que já poderia respirar de alívio, contudo, esta semana fui novamente bombardeado pela Endesa. Já bloqueei não sei quantos números mas mesmo assim a empresa liga-me de outros.

 

Já começo a perder a paciência. Eu sei que as pessoas que me ligam estão apenas a fazer o seu trabalho, mas isto chega a rondar o ridículo! Considero mesmo ser uma falta de respeito!

 

ventas.jpg

 

19
Jan17

Que estranha forma de vida

Sr. Solitário

Os ponteiros do relógio arrastam-se lentamente. Gostava que algo os obrigasse a correr, não porque tenha pressa de viver, mas sim porque queria que aquele dia passasse rapidamente. Coloco os auscultadores nos ouvidos, a voz grandiosa e inconfundível de Amália Rodrigues invade os meus sentidos, rouba-me a atenção de uma forma tão prazenteira que fecho os olhos e deixo-me embalar nos acordes de uma triste melodia.

 

Foi por vontade de Deus que eu vivo nesta ansiedade que me assalta a alegria, que desperta o meu lado mais tenebroso, que faz de mim uma pessoa dependente, carente de afetos, carente de uma vida normal. Que estranha forma de vida tem este meu coração, que bate desenfreadamente em busca de um sentido e revolve todo o meu estômago à procura de um sítio onde se esconder.

 

Coração independente, coração que não comando... eu não te acompanho mais! Se não sabes onde vais, pára, deixa de bater, eu não te acompanho mais.

 

tempo.jpg

 

18
Jan17

À conversa com Magda Pais

Sr. Solitário

Magda.jpg

 

Hoje estou no blog com uma convidada muito especial e muito acarinhada por todos. StoneArt é o nome que compõe os seus blogs, onde a autora conta coisas soltas da sua vida que povoam o seu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Magda.

 

O Sr Solitário convidou-me para uma conversa sem filtros e eu aqui estou. 47 anos de idade (se não me falham as contas), casada, dois filhos adolescentes. Os meus pais chamaram-me Magda e, vejam só, é um nome que adoro (apesar das confusões a que dá azo). Ora então venham daí para uma boa conversa.

 

Solitário: Olá Magda, bem-vinda. Porquê o nome StoneArt?

Magda: Olá Sr Solitário (gosto do teu nome. Por estranho que pareça, de vez em quando gosto da solidão).

Contei aqui a história mas conto-te de novo. Corria o longínquo ano de 2007 quando comecei a frequentar sites de escrita – luso-poemas, escritartes, blogs, etc – apenas como leitora. Mas como queria comentar à vontade e não queria ser identificada, tive de escolher um nick/pseudónimo. Na altura a escolha recaiu sobre o título do meu poema preferido: Pedra Filosofal.

A Pedra Filosofal foi ganhando confiança nela própria, foi ganhando amizades (algumas ainda se mantêm) e a necessidade de estar anónima foi desaparecendo. Mas o nome foi ficando. De Pedra Filosofal passou a Pedra. Depois a Stone. Por curiosidade, quem criou o meu primeiro blog foi a mesma pessoa que me “batizou” de Stone. Não só por isso mas porque, de facto, gostava do nome, quis que o blog tivesse o nome de Stone. Acrescentou-se o Art porque o blog seria para publicar as minhas coisas, “a minha arte”, ficou stoneart. Acrescentou-se Portugal porque é o meu país, que eu adoro (apesar de tanta coisa que, por cá, me desilude) e porque stoneart já existia, no Blogspot. Ficou então stoneartportugal. Quando me mudei para o Sapo a escolha natural foi manter o nome. E quando criei o blog dedicado a livros, naturalmente tive de o chamar de stoneartbooks.

 

S: Quem te conhece minimamente sabe que adoras ler! Qual foi o teu primeiro contacto com um livro?

M: Toda a minha vida andei com um livro por perto. Lembro-me de ter livros com imagens (alguns ainda os tenho e foram os primeiros livros com que os meus filhos tiveram contacto). Lembro-me especialmente dum, “como é bonito o céu azul”, que andava sempre comigo. Era um livro a três dimensões, cujas personagens “saíam” das páginas. Maravilhoso e encantador.

 

S: Algum livro influenciou a tua vida?

M: Todos os livros influenciam a minha vida. A maior parte das vezes nem notamos a influência que eles têm mas a verdade é que ela está lá. Crescemos sempre um pouco a cada livro que lemos, aprendemos com eles.

 

S: Posso deduzir então que foste uma criança muito calma. Estarei errado?

M: Bem, quando era bebé, dizem que tinham de me acordar para comer… nem davam conta que eu lá estava em casa. E não me recordo de alguma vez ter dado muito trabalho aos meus pais. Nem sequer na escola. A única queixa que vinha sempre da escola – da creche à faculdade – era que eu era demasiado faladora e pouco esforçada (confesso que concordo, a minha única preocupação era ter notas suficientes para passar. Desde que a nota dos testes fosse superior 50%, ‘tava-se bem. Resultado, nunca aprendi a estudar e quando cheguei ao ensino superior sofri as consequências disso).

 

Gosto de ler, porque vivo vidas e viagens sem sair do sitio onde estou. Não gosto de chuva no inverno. Odeio andar molhada. Se for de verão até sabe bem.

 

S: Desde muito cedo que começaste a trabalhar. Sempre tentaste ser uma criança independente?

M: Não sei bem se era por querer ser independente se era por me cansar de estar de férias… Não tenho feitio para estar parada muito tempo. Ainda hoje não consigo estar 3 semanas de férias, ao fim da segunda semana já estou a deitar fumo.

Aqui há uns anos dei uma queda enorme, estive de baixa médica quase 5 meses e no fim pedi ao médico que, por amor a tudo, me mandasse trabalhar antes que eu desse em maluca. Eu e o resto da família que já não me podiam aturar e me pediam que fosse trabalhar para eles descansarem…

 

S: Nunca sentiste que estavas a crescer depressa demais?

M: Não me parece, confesso. Acho que fiz as coisas certas nas alturas certas. Os meus pais sempre me apoiaram (e ainda apoiam) e nunca me fizeram crescer. Deixaram que tudo acontecesse a seu tempo.

 

S: Ainda existe alguma coisa em ti da Magda em criança?

M: Eu sou uma criança num corpo de 47 anos. Gosto de rir, de brincar, de ver desenhos animados. É tão bom crescer e continuar a ser uma criança.

 

S: Agora lanço-te um desafio: conta-nos a tua história de amor.

M: Ah a nossa história de amor e do pedido de casamento que nunca o foi. A história de amor contei-a aqui e volto a contar. Começou em 8 de Novembro de 1998. Nesse dia eu andava pelo ICQ a falar com os amigos habituais e, ao mesmo tempo, a trabalhar (já não sei ao certo no quê, confesso). Às tantas aparece-me um novo user, o Mick e pergunta se quero conversar. Não quis. Disse-lhe que estava a trabalhar mas que podíamos falar mais tarde. E falamos. E falamos tanto que, no final do mês, a 26, lá nos conhecemos pessoalmente. Uma semana depois namorávamos. E ao fim duma semana o Mick, que se chama Miguel, mudou-se para o Barreiro, para a minha casa. Estávamos a viver juntos.

Quase 2 anos depois, eu estava grávida da minha filha mais velha, e, no dia de aniversário do meu avô foi a família toda jantar fora. Quando, depois do jantar, já nos estávamos a despedir no meio da rua, com um cheiro terrível no ar, eu quase a vomitar e o bom do Miguel resolve dizer qualquer coisa do género: "ah, antes de se irem embora, queria pedir-vos que não marcassem nada para o dia 25 de Novembro". E claro que se fez a pergunta da praxe "porquê?" ao que foi dada a resposta "porque nós nos casamos nesse dia!" E eu que nem desconfiava…

 

Gosto de rir, porque o riso ajuda em tudo. Não gosto de gente prepotente. Dá-me nervos!

 

S: Consideras-te uma mãe galinha? Dá-nos um exemplo.

M: Não me parece que seja galinha. Sou preocupada com os meus filhos mas não sou nem um pouco galinha. Dou-lhes liberdade e autonomia, deixo-os cometer os seus próprios erros (desde que não ponham em risco a integridade física de ambos), exijo educação e civismo (porque foi assim que os ensinei). Dou-lhes todas as “armas” que precisam e estou presente nos bons e maus momentos. Eles sabem que contam comigo mas também sabem que os níveis de exigência são elevados e que certas falhas não são admitidas.

Ser mãe, para mim, é ser assim. Ensinamos a voar e esperamos que eles aprendam. Não voamos por eles. Aparentemente tenho feito (temos, eu e o pai) um bom trabalho.

 

S: No ano passado pudemos ver-te num programa de televisão onde abordaste um assunto muito pessoal. Quais as principais condicionantes na tua vida devido ao excesso de peso?

M: É verdade. Estive nas Queridas Manhãs (http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/eu-as-queridas-manhas-299453) precisamente porque tenho excesso de peso e está tudo formatado para pessoas de tamanhos normais. Tamanhos e alturas.

À custa de ser mais cheiinha que o normal, não consegui fazer uma ressonância magnética. No barco, os bancos são estreitos e portanto vou quase sentada em cima da pessoa que for ao lado. No autocarro, o espaço entre os bancos é tão curto que vou com os joelhos ao peito. Nos aviões, o meu marido fica entalado, literalmente, nos bancos. O mesmo se passa com o meu filho.

Não há roupas de jeito para mim (ou, as que há, são bem mais caras que as roupas normais). O meu filho não tem sapatos para o número dele (já calça o 49), a minha filha não tem sapatos de mulher porque são raros os que tem número 43 (que é o que ela calça).

O meu marido, para fazer um exame qualquer em qualquer hospital, tem de vestir duas batas, não cabe nas macas nem nas cadeiras de rodas. Quando vamos às esplanadas, sobra Magda ou Miguel depois de acabar a cadeira.

Valerá a pena continuar? Tudo o que possas imaginar, está formatado para um tamanho padrão – seja de peso ou de altura. Se saíres desse padrão, por excesso ou defeito, tens condicionantes. Umas mais graves, outras menos. Umas hilariantes e outras nem por isso.

 

S: O que sentes quando és chamada de gorda, ou então, o típico “mais fortezinha”?

M: Vivo com isso desde a adolescência e confesso que nunca liguei muito. Para mim os provocadores são gente demasiado baixa e que não merecem que lhes dedique tempo algum. Eles ficam na deles e eu fico na minha. Não tenho tempo ou paciência para eles.

 

S: Algum episódio mais marcante de preconceito que queiras partilhar?

M: Sim, posso contar-te que um dia em que o barco onde eu vinha estava muito cheio, sentei-me entre duas pessoas. Uma delas era um rapaz novo que passou a viagem toda a chamar “P* da gorda” e outros nomes pomposos do mesmo calibre. Claro está que deve ter ficado ainda pior da vida porque eu passei a viagem a ler o meu livro e nem lhe dediquei um olhar quanto mais uma resposta.

 

Gosto da Família. São o meu primeiro pilar. Não gosto de indecisões (se bem que, às vezes, sou a rainha da Indecisão).

 

S: “Viagens” e “Episódios Geométricos” são dois livros que editaste. O que podemos encontrar nestes dois volumes?

M: Na verdade editei três livros. Vida na Internet, Viagens e Episódios Geométricos.  O primeiro pela Temas Originais, os outros dois pela Lua de Marfim.

O primeiro é uma coletânea de crónicas sobre o tema que dá título ao livro. Viver na Internet. Os outros dois são também de crónicas, sobre todos os temas que possas imaginar.

 

S: Alguma mensagem que gostavas de transmitir quando os escreveste?

M: Salvo honrosas exceções, cada texto que escrevo transmite uma mensagem (ou pelo menos assim o espero). Nenhuma em especial e todas em particular porque não há um tema comum. E as mensagens que passo tem muito a ver com os diversos temas que abordo.

 

S: Qual a importância de um sorriso?

M: Sorri sempre ainda que o teu sorriso seja triste. Porque mais triste que o teu sorriso triste é a tristeza por não saber sorrir.

Esta é a importância de um sorriso. Quando sorrimos, a vida sorri-nos de volta. Nem sempre é fácil mas é, acima de tudo, uma aprendizagem constante e cuja recompensa vale por todo o esforço.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

M: Não. As desculpas não se pedem, evitam-se. E quando alguém me faz alguma coisa que não gosto ou pela qual poderia ter de vir pedir desculpas, eu falo logo com a pessoa e esclarecemos as coisas. Não gosto de ficar com engulhos e nem tenho paciência para ficar a pensar demasiado nas coisas. Digo logo o que tenho a dizer e pronto.

 

Gosto dos amigos. São o meu segundo pilar. Não gosto de má educação. É do pior.

 

S: Quantas páginas teria um livro da tua vida?

M: 17.220. Uma página por cada dia de vida.

(cálculos feitos em relação à data em que estou a escrever).

 

S: Qual a meta que pretendes alcançar?

M: Já alcancei quase tudo o que ambicionava. Tenho um casamento feliz, dois filhos maravilhosos, amigos fantásticos, um emprego estável e onde faço o que gosto (costumo dizer, em jeito de brincadeira, que faço o que gosto e gosto do que faço). Tenho consciência que nunca irei ler tudo o que gostava nem sequer vou ter todos os livros que desejava mas tenho uma pequena amostra de biblioteca. Os meus avós puderam conhecer os bisnetos – tal como eu conheci o meu bisavô. Que mais posso pedir?

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

M: O futuro vive-se, não se escreve. As alegrias sentem-se, não se medem. O passado não se apaga porque é ele que me fez quem sou hoje. Os nomes não se escrevem a caneta mas com a saudade que eles carregam. Desenho o meu mundo, com um compasso para que lá caibam todos os que me importam.

 

S: Obrigado Magda, foi um gosto enorme conversar contigo.

M: Obrigado eu, também gostei desta nossa conversa.

 

11
Jan17

A carta queimada

Sr. Solitário

Escrevi numa folha de papel um dos momentos mais marcantes da minha vida, pormenorizadamente, enchendo uma folha inteira de tamanho A4 com uma caligrafia corrida tal como a minha memória exigia. A caneta preta percorreu todas aquelas linhas sem cessar, derramando a tinta que por sua vez desenhava as letras que a minha mente ordenava.

 

Quando acabei de escrever, já os dedos me doíam, dobrei a folha em 4 e guardei-a entre os meus livros, fechando todas as más memórias que ali ficaram gravadas. Ontem fui busca-la, reli-a e tomei uma decisão. Movido por um impulso atirei a carta para a lareira. As chamas logo a consumiram e eu fiquei a observar cada letra, cada palavra, a ser destruída para sempre.

O fogo não destruiu só uma simples carta dirigida a ninguém, destruiu também os fantasmas de um passado, libertando-me deles. Gostei da sensação que presenciei e talvez volte a fazer o mesmo, para que assim, de uma forma definitiva, os meus fantasmas se desvaneçam e nunca mais me voltem a incomodar.

 

letters-burned.jpg

 

 

09
Jan17

À conversa com Carlos

Sr. Solitário

hfff.jpg

 

Café em Grão é o nome do seu blog, uma página com um aroma muito natural, capaz de despertar os nossos sentidos. Convidei-o para um café, mas não pensem que foi um café curto, não! É um café bem cheio de emoções, risos e sentimentos. Curiosos?

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... o Carlos.

 

Olá a todos, sou o Carlos, tenho 36 anos e confesso, já há algum tempo que aguardava o teu convite para participar nesta rubrica. De tal forma que assim que o recebi sorri e o «sim aceito» surgiu logo instantaneamente! Hoje, estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá Carlos, bem-vindo. Porquê o nome Café em Grão?

Carlos: Sinceramente não sei muito bem, surgiu num momento de mudança na minha vida! Tenho este blog há cerca de 11 anos, na altura “No silêncio dos meus sentidos”, fazia todo o sentido. Silêncios e segredos oprimidos, paixões secretas e tudo o mais levaram-me a procurar refúgio na escrita.

Entretanto os anos passaram, estive por diversas vezes ausente do blog e quando decidi regressar percebi que já não fazia sentido escrever num espaço com tanta amargura passada, vai daí alterei o link e o nome “Café em Grão” surgiu do nada. Uma metáfora às palavras que tal como o café no seu estado mais puro precisa de ser moído até ser consumido! Portanto é favor consumir com moderação.

 

S: Quem é o Gaybriel?

C: Pois o Gaybriel foi a máscara que usei no início, se vivia em segredo, escondendo de tudo e todos os meus segredos, os meus desejos mais íntimos não fazia sentido assinar como Carlos, o meu verdadeiro nome.

O Gaybriel era um sonhador, louco, apaixonado, um solitário também! E sabes o nome Gaybriel vai acompanhar-me para o resto da vida, não fosse esse o nome com o qual editei o meu primeiro livro.

 

S: Encontraste na poesia a forma mais clara de mostrar os teus mais profundos sentimentos. O que te causava mais tristeza e desânimo?

C: Principalmente a paixão, o amor não correspondido. Está tudo lá trás, dez anos é muito tempo! Não sabia lidar com a rejeição. Tempos complicados em que vivi numa espiral de emoções.

 

S: A que sabe a solidão?

C: A solidão nesta fase da minha vida tem sabor a paz, porque sei que é momentânea, porque sei que tenho pessoas ao meu redor, talvez a mais importante, o meu menino! Mas tempos houve, bem longínquos em que a solidão amargava e entre as quatro paredes do meu quarto sentia-me desamparado, perdido! Felizmente já passou.

 

Gosto da chuva de Inverno, dos dias de tempestade, eu sei não sou normal! Porém detesto o frio, fico de mal com o mundo se o frio me incomodar!

 

S: Ainda existe um pouco do Gaybriel em ti?

C: Descobri bem há pouco tempo que sim e que afinal pouco ou nada aprendi com o sofrimento que ficou lá trás! Portanto o Gaybriel na verdade nunca morreu em mim... ainda tenho muito dele! No fundo era só uma máscara... desde então apenas certas lacunas acabaram preenchidas, mas a essência continua lá!

 

S: Um coração tão magoado ainda estava disponível para amar?

C: Sinceramente pensava que não! Sofri e chorei tanto. Deixei de acreditar no melhor das pessoas... E depois, sabes perfeitamente que conhecer alguém que não tivesse apenas a intenção sexual era complicado. Por isso, depois dessa fase, afastei-me temporariamente da noite e do meu núcleo de amigos gay!

 

S: O facto de seres gay assumido condicionou a tua vida amorosa?

C: Assumido para pouca gente. Não condicionou em nada. Até porque aos 27 anos quando decido sair de casa, para poder viver a minha vida, em pouco tempo encontrei o meu menino!

 

S: Quando e como é que o amor finalmente surgiu para ti?

C: Vá queres rir-te um pouco?! Pois bem, quando vim morar sozinho, decidi colocar um anúncio numa revista cor-de-rosa que ainda existe! Era simples, pretendia conhecer pessoas como eu numa altura em que já frequentava as discotecas do Porto e por Internet tudo era mais fácil. No entanto arrisquei e publiquei o anúncio. Surgiram tantas, mas tantas propostas! Indecentes como deves calcular, outras mais sérias, devo ter conhecido duas ou três pessoas, até que recebo uma mensagem dele, com foto e tudo!

Ao que parece ele comprou aquela revista porque a que gostava de ler estava esgotada! É o destino. Conhecemo-nos entretanto e pronto, o namoro aconteceu, em dois anos já vivíamos juntos! E já lá vão 9 anos!

 

Gosto de pão com manteiga e de o molhar no leite, mas que coisa estúpida de se dizer, mas a verdade é que se pudesse (e não engordasse) fazia disto o meu almoço e jantar! Não gosto de feijão vermelho e ervilhas.

 

S: Consideras-te um homem feliz?

C: A felicidade existe nos momentos de partilha, de união, no sonhar a dois, no realizar. Com isto quero dizer, que a felicidade existe sim, mas não conseguimos viver sempre num estado de felicidade. Ser feliz é sentir-se completo em todos os aspetos e como deves imaginar neste momento estar desempregado não dá para me sentir completamente feliz.

 

S: A "diferença" é difícil de suportar?

C: Sinceramente, quando aprendemos a relativizar os olhares mais reprovadores, aprendemos a lidar melhor com o facto de sermos “diferentes”! E para mim, desde que ambas as famílias aceitaram, tudo o resto deixou de ser importante.

 

S: Qual o episódio mais marcante de preconceito?

C: Não te consigo dizer um momento mais marcante! Posso sim, partilhar contigo que na escola andava sempre acompanhado por um grupo de raparigas e por isso era alvo de gozação. Mas nada de muito severo que me tenha deixado marcas. Mais recentemente magoava-me no trabalho, saberem o que eu era e mesmo assim marginalizarem clientes ou conhecidos por o serem também. Sentia-me afetado também, acreditava que nas minhas costas me fariam o mesmo!

 

S: O que gostarias de dizer a muitos jovens por este mundo fora que ainda estão escondidos "dentro do armário"?

C: Coragem é o que eu posso dizer! Coragem para contarem aos pais, aos irmãos (se bem que os meus descobriram sozinhos). Na minha opinião nada mais é importante que a aceitação dos nossos! Depois disso, encarar o mundo fica tão mais fácil!

 

Gosto de conhecer pessoas, fazer amigos! Não gosto de pessoas snobs, egocêntricas e que se acham donas da razão.

 

S: O apoio da família é importante para a aceitação? Como foi no teu caso?

C: Claro que sim. Para quem como eu vê na família um grande pilar, saber que me respeitam e aceitam é sem dúvida alguma grande parte da bagagem necessária para nos aceitarmos perante nós e os outros. No meu caso, bem, mesmo usando o Gaybriel como máscara, houve quem cuscasse literalmente o meu computador e tivesse descoberto há muitos anos que eu era gay. As intrusas foram as minhas irmãs, mas ainda bem que assim foi, pois senti um grande apoio por parte delas mesmo quando decidi sair de casa para viver sozinho. A minha mãe soube há pouco mais de um ano, eu já não escondia nada, mas mesmo assim ela teve que saber com todas as letras. Se até então eu já não tinha problemas, nesse momento fiquei liberto de todos os medos.

 

S: Quem gostarias de convidar para um café?

C: Assim neste momento apenas uma pessoa, que me deve algumas explicações, a quem devo explicações também, mas que pura e simplesmente parece não querer ouvir-me!

 

S: Algum café foi bebido depressa de mais?

C: Sem dúvida alguma que sim. No seguimento da pergunta anterior, precisávamos de um café servido em chávena grande.

 

S: Em que te inspiras para escrever textos muito bonitos e ao mesmo tempo tão emotivos?

C: No dia-a-dia! Mas sei que os textos mais emotivos e bonitos, palavras tuas, são os que exprimem algo ou alguém que mexe no momento com os meus sentimentos.

 

Gosto do meu cantinho, do meu sofá, do meu sossego! Embora não goste da solidão! Gosto de mim, sim ... só não gosto de gostar de quem não gosta de mim!

 

S: Perdoarias uma traição?

C: Sim. Tudo dependeria das circunstâncias. Nunca iria perdoar levianamente como se fosse algo normal até porque acredito que uma traição deixa marcas profundas! E claro... uma vez perdoado não significa esquecido! Uma vez perdoado, que não me fizesse uma segunda, porque aí estaria a renegar ao meu amor-próprio.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

C: Sim... Quando me fazem acreditar num “gosto de ti” e depois não agem como tal, quando deixam que se criem laços sem intenção de atar fico dececionado, desiludido. E sim, lamentavelmente alguém neste momento deve-me um pedido de desculpas.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

C: Com a borracha nada do meu passado apagaria, porque devo a ele a pessoa que hoje sou. As alegrias não têm forma de serem medidas mas sim sentidas. O compasso desenharia um mundo, o que aprendemos na escola, mas o meu mundo é muito maior que esse. A caneta nunca iria escrever um nome só, pois de pessoas é feito o diário da minha vida e muitos nomes teria de escrever. Por isso amigo Solitário escolheria o lápis para escrever o meu futuro, para ter certezas que não iria falhar com ninguém e também para dobrar os momentos felizes comigo mesmo e com os meus que tanto amo.

Não escreveria os números do euro milhões, mas sim um emprego estável e bem remunerado, não para ostentar, mas sim para viver e usufruir dos prazeres da vida. Ai se pudesse escrever o meu futuro...

 

S: Obrigado Carlos, foi um gosto enorme conversar contigo.

C: Obrigado eu pela viagem que me ofereceste ao meu passado, por me permitires partilhar o meu presente e por me teres convidado para a tua excelente rubrica. Espero que de certa forma possa ajudar com a minha experiência, a minha história alguns jovens que te lêem e que passem pelo mesmo que já vivemos. E a ti Solitário, muitas felicidades.

Mas já acabou? Esta não era a parte de “O que dizem os teus olhos?”

Abraço.

 

06
Jan17

Violência e mais violência

Sr. Solitário

Foi com um enorme desânimo que ontem assisti às imagens de um jovem que foi severamente agredido por outros lá para a zona de Setúbal. O vídeo tornou-se viral na Internet e gerou uma grande onda de indignação.

Eu não consegui ver as imagens da agressão até ao fim, não depois de tudo aquilo por que já passei. Não quero com isto dizer que também eu sou uma vítima, não sinto necessidade disso, quero apenas deixar uma questão no ar de difícil resposta... Porquê?

 

Não me vou focar apenas nas imagens que visualizei ontem, que mostram de uma forma atroz até que ponto a covardia humana chega, mas em toda a sociedade geral que, de uma forma ou de outra, resolvem sempre os seus problemas com violência, seja ela física ou verbal. Até quando iremos conhecer casos em que a violência é sempre o caminho a seguir? Qual é o prazer em agredir violentamente outra pessoa? A sério que gostava de perceber... É uma sensação de poder? Vitória? Mas o que ganham eles (e elas) com isso?

 

Não gosto de ver os noticiários, ainda ontem comentei isso aqui em casa, prefiro ver um filme, uma série, desenhos animados, outra coisa qualquer! Sempre que acabo de ver um telejornal sinto que uma carga pesada se abateu sobre mim, obrigando-me a curvar os ombros e baixar a cabeça de vergonha... vergonha desta sociedade da qual eu, e vocês, fazemos parte.

 

frente.jpg

 

05
Jan17

Livros esquecidos

Sr. Solitário

Não tenho lido nada ultimamente. Tenho vontade de ler, sinto essa necessidade, mas os dias vão passando sem que pegue num livro e me absorva na sua história. No meu quarto, os livros amontoam-se e permanecem fechados, esperando pacientemente a sua vez para serem lidos.

Quando os observo penso sempre que passou mais um dia sem eu ler uma única palavra que seja e sinto um vazio, sinto pena deles. Já pensei em não acabar a história que permanece em suspenso, o livro que "estou a ler" e do qual tenho uma imagem na barra lateral deste blog, não sei... penso que será esse livro que me está a roubar a vontade de ler... Mas se recomeçar, será que consigo leva-lo avante? Essa dúvida faz com que adie essa minha decisão e os livros permanecem esquecidos e em silêncio esperando a minha vontade.

 

cemiterio.png

 

04
Jan17

Desejos

Sr. Solitário

Numa altura em que se fala muito em resoluções e desejos para o novo ano que já vai no seu 4.º dia, lembrei-me de como em criança eu e os meus amigos pedíamos os nossos desejos.

Eu sou do tempo em que se brincava na rua, ao ar livre, um mundo inteiro aos nossos pés, e esses nossos pés irrequietos percorriam estradas e campos ao movimento rápido da imaginação. A rua era a nossa rede social.

 

Sempre que avistávamos um avião no céu, daqueles pequeninos que se moviam lentamente num céu azul celeste e limpo deixando um rasto de fumo branco, imediatamente cruzávamos os dedos, fechávamos os olhos e pedíamos um desejo em voz baixa. Não o podíamos contar a ninguém, senão o desejo nunca se realiziaria, e, com essa certeza, acreditávamos que aquilo que tínhamos pedido ao avião dos desejos se concretizaria em pouco tempo.

Hoje, ao recordar alguns desses desejos que proferia mentalmente para ninguém os descobrir, rio-me de mim próprio e da minha inocência.

 

Agora que um novo ano recomeça, o ano em que irei completar 31 anos, o meu maior desejo é nunca deixar desaparecer a criança que ainda existe dentro de mim, aquela criança que acredita que os nossos desejos se podem realizar se pedirmos com muita convicção, de olhos fechados, dedos cruzados.

Que todos os vossos desejos se concretizem.

 

48061325.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D