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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

25
Out17

Uma viagem ao passado

Sr. Solitário

Fecho os olhos. Mesmo que os abrisse, sei que nada veria, pois a minha mente viaja numa velocidade vertiginosa até aos confins da minha memória, para um tempo e um espaço que só ela conhece e sabe como chegar.

 

Materializo-me num lugar que reconheço, o átrio da escola. É noite, o céu está pontilhado com pequeninas estrelas desordenadas, os faróis dos carros projetam um halo de luz amarelada numa estrada a escassos metros, um candeeiro alto e alaranjado alumia uma pequena área, projetando sombras disformes que se desvanecem no escuro.

Ouço alguém a cantar uma melodia que não consigo identificar, numa voz doce de criança, e aproximo-me um pouco mais do local de onde vem aquela voz que me é um pouco familiar.

 

Vejo um rapaz sentado de costas para mim, está sozinho, e canta para si mesmo fitando um horizonte que só ele vê. Tem o cabelo fino, castanho claro, é bastante magro, e pelas roupas que traz vestido verifico que não tem muito dinheiro para comprar roupas novas. Engraçado que aquelas roupas também me são familiares...

De repente, ele para de cantar. Abraça o seu próprio corpo franzino, suspira e começa a chorar. Não percebo porque chora, mas o seu pranto deixa-me triste, angustiado.

 

Fico a vê-lo chorar durante longos minutos, sem me atrever a aproximar e nem sequer fazer qualquer som que acuse a minha presença. Não quero assusta-lo. Os seus soluços escasseiam e, mais uma vez, fita o seu horizonte, perdido nos seus pensamentos. Não preciso de nenhum poder para saber no que pensa, estranhamente consigo saber e perceber aquilo que o transtorna.

Ele levanta-se e pega na sua mochila. Queria dizer qualquer coisa, não quero que se vá embora sem eu antes falar com ele, queria estender-lhe a mão, poder reconforta-lo. Mas não tenho coragem, limito-me apenas a observa-lo.

Ele vira-se e pela primeira vez consigo ver-lhe o rosto. O meu corpo gela. Aquele rapaz sou eu.

 

O meu eu do passado corre para o portão da escola, mete-se numa fila que se formou para entrar no autocarro. Porém, invadido por uma sensação que não sei explicar, vira-se para trás. Consigo esconder-me mesmo a tempo. Do meu esconderijo fico a vê-lo entrar no autocarro que pouco depois arranca com um rugido.

Então, sento-me no mesmo lugar onde o meu eu do passado estava, e por mais incrível que pareça dou por mim a fitar um horizonte que os meus olhos reconhecem. Também eu choro e digo para mim mesmo que tudo vai correr bem.

 

Levanto-me e regresso ao presente tão rapidamente como cheguei até ali.

 

viagem-no-tempo.jpg

 

19
Out17

Procuro-te - Lesley Pearse

Sr. Solitário

Procuro-te.jpg

 

Este livro foi-me recomendado por uma amiga que falou-me tão bem dele que eu não resisti em trazê-lo mal o vi disponível. Foi o primeiro que li desta escritora e posso partilhar que fiquei surpreendido.

Confesso que julguei os livros pela capa, sempre que os via dizia para mim mesmo que não passavam de apenas uns "romances cor-de-rosa" dos quais não tenho muita paciência para ler. Contudo, a história deste é tão intensa e tão intrigante que li-o apenas em alguns dias. Adorei.

 

"Sacrificaria o amor da sua vida em nome do passado? Daisy tem apenas vinte e cinco anos quando a mãe morre nos seus braços. Embora saiba há muito que foi adotada, sempre se sentiu amada pelos pais e pelos irmãos. Para Daisy, aquela é a sua família. Todavia, o luto vai abalar o equilíbrio doméstico e revelar rivalidades encobertas. A serenidade dá lugar à devastação, e a jovem sente que é a altura certa para partir em busca das suas raízes e confrontar-se com o passado.

Na ânsia por saber mais sobre Ellen, a sua mãe biológica, e à medida que vai desvendando a história da família, Daisy descobre as duras verdades por detrás do seu nascimento.

Mas Daisy não desistirá de a encontrar, nem que para tal tenha de renunciar ao amor da sua vida."

 

Recomendo.

12
Out17

Diz-me quem sou - Julia Navarro

Sr. Solitário

Diz-me quem sou.jpg

 

Quem segue este blog sabe da pequena "saga" que foi a procura deste romance. Valeu bem a pena.

É o segundo livro que leio desta escritora que já apaixonou milhares de leitores por todo o mundo e também eu fiquei rendido. É um romance bastante volumoso, tem cerca de 1083 páginas mas lê-se tão bem, é de leitura tão fácil, que nem damos pelo passar das páginas de tão embrenhados que estamos na história em mãos.

 

"Uma apaixonante aventura protagonizada por personagens inesquecíveis, cujas vidas constroem um magnífico retrato da história do século XX. Desde os anos da Segunda República espanhola até à queda do Muro de Berlim, passando pela Segunda grande Guerra e pela Guerra Fria, o novo romance de Julia Navarro transborda de intriga, política, espionagem, amor e traição."

 

Recomendo vivamente.

10
Out17

Coisas que me preocupam

Sr. Solitário

Temperaturas de 30 graus (ou mais) em outubro.

Estamos em pleno equinócio do outono e, embora os dias começam a diminuir a olhos vistos, a verdade é que as temperaturas que se fazem sentir em território português não são "fruto da época" como se costuma dizer na linguagem popular.

Pessoalmente, o outono é a estação que mais admiro. Gosto de ver aqueles tapetes de folhas que preenchem os passeios, que estalam debaixo dos nossos pés; adoro as castanhas assadas, as maças sumarentas, as tão famosas laranjas de umbigo.

Porém, a fruta que me chega é desenxabida, seca.

 

Portugal está a passar por uma crise de seca, a chuva tarda o seu regresso, e isso preocupa-me bastante, não só porque não gosto do tempo quente, mas também porque o nosso planeta sofre com isso. Hoje, pela manhã, cheirou-me a fogo, uma leve neblina de fumo cobria o ar enquanto que o sol me escaldava a pele.

Dou por mim a pensar que já quase não temos outono nem primavera, agora é só verão e inverno... Pergunto-me se o tempo anda todo trocado e se nós estamos a pagar a preço de ouro todas as irresponsabilidades do ser humano para com o meio ambiente.

 

altas-temperaturas.jpg

 

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