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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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17
Mai16

À conversa com... Lady Vih

Sr. Solitário

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Há 10 anos que tem um blog. Ao longo deste, poderemos ler tantos post que vão desde desabafos de uma adolescente até às publicações de uma mulher de grande coração.

Uma benfiquista ferrenha, uma lady que dá valor às suas palavras e imagens, uma Duquesa na cozinha e um Gucci a atrapalhar.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a LadyVih.

 

Ora, bons dias! Como sabem, sou a Vânia (LadyVih ou simplesmente Vih), estou com 28 aninhos e continuo a pensar que tenho 18. Sim, eu sei que estou numa crise de quase-trinta mas deixem-me estar!

Recebi este convite com alguma surpresa mas de enorme agrado. Obrigada meu querido Solinho por este mimo e por te lembrares de mim, é um prazer estar no teu cantinho!

Aqui estou eu, sem filtros, no "À conversa com..."

 

Solitário: Olá Vânia, bem vinda. Porquê LadyVih?

LadyVih: Olá Sol. Antes de mais, obrigada por me dares a oportunidade de ser tua convidada no teu cantinho. Isto aqui é agradável!

Ora,  LadyVih  porque um amigo me tratava carinhosamente por Vivi e isso pegou entre os amigos todos.  Um deles, (que era um preguiçoso!) adaptou para Vih e novamente pegou. A partir daí cheguei ao LadyVih. :)

 

S: A Duquesa e o Gato é nome mais recente do teu blog. Qual é a relação que uma Duquesa tem com o seu Gato?

L: Tudo no meu Blog tem algum significado. Nós (eu, namorado e amigos) praticamos geocaching e o nosso nome é "Os Duques". Pelo que eu, que sou a única rapariga, era identificada como "A Duquesa".O Gato é fácil, todos conhecem o Gucci! Vou ser crucificada por dizer isto mas, é como se fosse o meu filhote. Teria de o incluir no meu Blog. É a minha companhia! 😍 Adoro-o! 

 

S: És pior no que fazes melhor. Queres explicar esta frase que faz parte da tua descrição?

L: Essa frase é de uma música dos Nirvana (de quem sou muito fã!). Coloquei-a no meu blog pois sou daquelas pessoas que acho que nunca serei melhor  do que as outras pessoas em nada. Faço sempre as coisas por mim e não para ser melhor do que alguém. Acho que é o que me move. Agradar-me a mim mesma!

 

S: Qual é a melhor imagem e a melhor palavra que te define?

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L: A Palavra será sempre Esperança. Sou alguém que tem sempre Esperança num amanhã melhor.

 

S: Ao longo do teu blog, podemos verificar que partilhavas poesia, muitos deles alusivos à paz. Algum grito de ajuda reprimido?

L: Eu adoro poesia. Adoro principalmente quando ela me transmite PAZ. Como pudeste ver no meu blog, passei por diversas situações em que precisava urgentemente de um pouco dela. Sempre sofri muito com os meus problemas e com os dos outros por isso era algo que, por muito que a pedisse, era difícil alcançá-la.

 

Gosto de gente solidária... São pessoas que me dão orgulho e que me dão imenso gosto de conhecer! Não gosto de gente com a mania de que sabe tudo e pouco humildes.

 

S: Ter uma irmã mais nova foi um pesadelo?

L: Eu e a minha irmã temos 8 anos de diferença. Confesso que foi complicado. Mas não trocava por nada. :)

 

S: Ainda sentes saudades da Sarinha? Conta-nos o que lhe aconteceu.

L: A história da Sara é complicada. (E é aqui que já me metes a chorar)Lembro-me como se tivesse sido na semana passada. E dói como se tivesse sido.

A Sara foi a primeira pessoa que perdi depois da minha prima Eva. E, para piorar a situação, tínhamos estado uns meses sem nos falarmos. Tínhamos feito as pazes há poucas semanas. Lembro-me de sairmos de um teste de Filosofia, do nosso 11ºano e de irmos as duas para o café e ela me contar que estava grávida e de me dizer algo como "És das únicas a saber".  Isso marcou-me mais ainda!

Isto foi numa quinta-feira. Na sexta ela não foi à escola mas nunca nos passou pela cabeça que algo poderia ter acontecido! No dia em que a minha irmã iria dançar nas marchas do concelho, 12 de Junho (Domingo), recebo um telefonema da minha melhor amiga. A Sara tinha falecido no sábado à noite. Tinha tomado um comprimido para abortar que uma médica lhe receitou. 

Na segunda fomos para escola e ninguém conseguia ir ás aulas, tivemos cada professor a falar connosco e a oferecer-nos ajuda mas eles mesmos estavam de rastos e as palavras custavam-lhes a sair. São imagens tão presentes! Alunos a chorar em cada canto, agarrarmos-nos uns aos outros incrédulos... Este processo demorou  uma semana até ao funeral e foi torturante. 

 

S: É difícil dizer adeus?

L: Ai Sol! [lágrimas] Tão, mas tão difícil... Ainda não consegui! 

 

S: Alguma coisa ficou por dizer à tua avó que faleceu?

L: [Ai agora! Queres baba e ranho no teu blog...]  
Que a amava! Nunca lhe disse isso.  E era tão chegada a ela.
 
S: A saudade ainda dói?
L: Tento não me recordar que eles não estão cá.
Depois da Sara perdi o Edu e o Bruno. Um dos meus melhores amigos e outro amigo de infância. Depois a minha avó, avô e padrinho (filho deles). Já tinha perdido dois primos.
Tento ao máximo evitar pensar nisso.
Comecei a acreditar que estaremos todos juntos um dia. E acredito que são eles que são os meus anjos da guarda. Sabes, tenho tido sinais de que estão presentes na minha vida...
Dói muito mas tenho de viver com isso.
 
Adoro animais. E desde pequena que as minhas casas são mini-zoos... Tenho fobia a cobras por isso odeio-as!
 
S: Com que idade tinhas quando a anorexia te "bateu à porta"?
L: Honestamente, com tudo o que se passou na minha vida, perdi a noção do tempo. Mas talvez tivesse 15 ou 16 anos.
 
 
S: O que te levou à anorexia?
L: [Mais umas lágrimas para variar!]
No meu 7º ano comecei a ser gozada por alguns colegas. Sempre fui um pouco peluda e os meus pais achavam que eu era muito nova para começar a depilar algumas zonas. Hoje em dia resolve-se bem mas naquela altura não. E acho que começou por aí...
Depois descambou.
Não sei bem porquê. Não gostava de mim. Achava que estava gorda demais! Tinha um rabo e peito grandes e nunca vestia o mesmo que as minhas colegas. Enquanto as calças delas eram o 36 ou 38 as minhas seriam 40 ou 42. Acontece que, nem com quarenta e poucos quilos ,consegui baixar do número 40. O problema era ter ancas de parideira (como diz a minha mãe!) [Risos]
 
 
S: Foi difícil a recuperação?
L: Não vou mentir. Foi. E devo-a à minha mãe, à minha avó e aos amigos. Foram eles que me tratavam como uma criança e faziam de todos os esforços para comer. Sei que os fiz preocuparem-se imenso. E tenho de lhes pedir desculpa por isso.
 
 
S: Sabemos que a tua relação com o Marco é muito especial. Queres contar-nos a vossa história de amor?
L: Tem a sua piada. [Risos].  O destino tem coisas fantásticas!
As nossas mães trabalham juntas há vários anos! Lembro-me de ter acabado com o Xavier à pouco tempo e de ir ao trabalho delas e da mãe dele me dizer "Ai Teresa, tens uma filha tão bonita. Olha que tenho dois filhos solteiros...". Na altura nem liguei. Queria lá saber de gajos! Estava bem escaldada...
Depois da minha avó falecer e de ter acabado mais uma relação, estava de rastos. Os meus amigos levaram-me a um bar (a ver se me animava) e o meu melhor amigo andava a estudar com malta nova e lembrou-se de os convidar. Entre eles estava o Marco. Maaaas, também não me interessou quem lá estava. Simplesmente não queria saber! Aliás, só soube que ele lá estava porque depois de começarmos a namorar o Hélder me contou isto.
Sinceramente, essa fase da minha vida foi um pouco apagada da memória...
Em 2010 fui tirar um curso para o Politécnico. E um dos alunos era ele. Saí-lhe na rifa. Passava as aulas a gozar comigo. Mas, novamente, não queria saber! 
Passado um mês de aulas, estávamos no mesmo grupo, pois ficamos com amigos meus e ele tinha andado a estudar com eles anteriormente. "Oh gaja. Gaaaaja! Olha, estamos no mesmo grupo de trabalho por isso já me davas o teu número". E pronto, começamos a sair. 
 
 
S: Para quando os filhos?
L: Não sei, Sol. Adoro crianças e quero ser mãe. Mas, com tanta situação nesta vida, desempregada e tudo... Não sei.
 
Adoro cozinhar para quem gosto. Sejam jantaradas, petiscos, doces ou os meus bolos temáticos que adoro oferecer nos aniversários! Não gosto de já não ter metade da minha família comigo... (São os meus anjos da guarda).
 
S: Como descobriram o cancro do teu pai?
L: Descobriram porque a minha mãe insistiu com ele para fazer os exames dos 50 anos. Senão não tinham descoberto nada...
 
 
S: Como te sentiste quando soubeste?
L: Foi horrível. Quando o médico sai lá de dentro e diz "Não podemos tirar o pólipo pois tem aspecto maligno!" caiu-me tudo. Queria chorar, berrar, bater em toda a gente mas tinha ali o meu pai! Não podia dar parte fraca. Deixei-o em casa deles e nem saí do carro. Vim directa para casa e enfiei-me no banho. Chorei até não conseguir mais!
[Vá, Vânia. Chora mais um bocadinho]
 
 
S: Como é viver, ou melhor dizendo, sobreviver, com um doente oncológico?
L: Não é fácil. Tudo muda. O medo é diário. A revolta torna-se a nossa "melhor amiga"!
 
 
S: "Com o tempo aprendemos" é o título de uma publicação do teu blog. O que aprendeste com o tempo?
 
L: Olha Sol, descobri que não aprendi nada. [risos] Em segundos tudo muda.
 
 
S: Os papeis do passado são difíceis de rasgar?
L: Depende doa papéis... Ás vezes tens aqueles "post its" que se agarram à sola dos sapatos. [risos]
Acredito que nem devemos de rasgar nada. Mas sim guardar. Hoje penso assim! Tudo faz parte de quem sou hoje. Não sou a melhor pessoa do mundo mas aprendi a gostar de mim mesma. E isso deve-se ao meu Passado. 
 
Sou viciada em chocolate... Ninguém diria! Odeio frio.. Sou demasiado friorenta para lidar com o Inverno. 
 
S: Alguém te deve um pedido de desculpas?
L: Não. Se é desculpável eu simplesmente esqueço e nem preciso disso. Todos erramos, não é?
 
 
S: O que consideras indispensável na tua vida?
L: Seria saúde... Mas infelizmente é difícil! 
 
 
S: Já reencontraste um grande amor do passado e viste que ele mudou?
L: Ah. Os homens não mudam! [Risos].
Reencontro muitas vezes os meus amores passados pois fiquei amiga de todos (menos de um).  Não acho que algum deles tenha mudado. E o problema foi sempre esse! [haha]
 
 
S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?
L: O lápis para escrever o futuro! Queria garantir que tinha os que amo ao meu lado até aos meus últimos dias...
 
 
S: Obrigado Vânia, foi um gosto enorme conversar contigo!
L: Obrigada eu Sol. Fizeste-me chorar aqui feita uma Madalena. Mas adorei estar no teu cantinho e confesso que esta cadeira é confortável. Fez-me bem. Desejo-te toda a sorte do mundo pois és um ser maravilhoso. Obrigada pela entrevista! <3
 

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