Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

24
Jan17

À conversa com Fashion

Sr. Solitário

gg.jpg

 

Na sua bolsa carrega muitos sonhos, recheados de imaginação, trajados com os melhores outfits. Quando a abre e deixa esses sonhos fluírem, somos invadidos por pensamentos e reflexões transmitidos em letras, que por sua vez perfazem textos lindíssimos, um talento natural que podemos ler e reler no seu blog.

Senhoras e senhores, hoje estou à conversa com... a Fashion.

 

Olá, eu sou a Fashion, tenho 39 (quase, quase quarentinha). Sou uma viajante e estou aqui, sem filtros, no cantinho do Sol, à conversa com ele.

 

Solitário: Olá, bem-vinda. Porquê o nome Fashion?

Fashion: Olá, querido Solinho. Obrigada pelo convite.

Quanto ao nome: começou com uma brincadeira porque gosto de moda e principiei por publicar algumas coisas sobre isso, mas depois tinha uma necessidade enorme de escrever e pensei que as ideias, tal como a moda, também se podiam colocar numa “mala”(que pode ser o coração, a cabeça, a memória...) e assim ficou o nome. Hoje sinto que sou uma Fashion pouco Fashion, mas que tem uma “bag” enorme.

 

S: O que não pode faltar na tua "bag"?

F: Sonhos... sempre.

 

S: Com a vontade de escrever surgiu o blog. O que é que esta janela de oportunidade te trouxe?

F: O Blog  é uma espécie de viagem (aqui também a viagem) . Começou com uma “tela” em branco de um computador. Fiz as malas, apanhei as teclas e  comecei a escrever e a partilhar (algo que precisava muito e nem sabia). Ao início seguia sossegadita, até que comecei a encontrar pessoas pelo caminho; pessoas muito bonitas que todos os dias gastavam um bocadinho do seu tempo para me deixar uma palavra de amizade, de incentivo, para me dizerem que gostam do que escrevo. Comecei a entrar, também, no caminho delas, a introduzir-me nas suas vidas, a aprender com as suas ideias, a viver um bocadinho do seu dia. O que me trouxe, Sol? Uma mala repleta de ternura e de pessoas que já gosto muito. Para além de que estou mais segura, neste momento, acerca da minha escrita (que não é boa, nem má, mas é a minha) e isso consegui-o, sem dúvida, como blog.

 

S: "Uma viajante que apanhou um barquinho e segue rio acima" - é assim que te descreves. Se pudesses virar a direção do vento, para onde o levarias?

F: Sou mesmo uma viajante (a caminho), sem dúvida. Muitas vezes o percurso é, apenas(que é tanto) o da busca de mim e do sentido da vida. Levava-o para a minha infância; que foi tão, mas tão feliz, que  não é possível que as palavras sejam suficientes  para a descrever.

 

Gosto de passear  pelo campo, ou junto ao mar. Não há coisa melhor do que sentir o cheiro do mar, da terra molhada e do ciciar do vento quando toca nas árvores. Não gosto de injustiças. Quem merece deve ser reconhecido, sempre.

 

S: O caminho da tua vida tem sido ardiloso. Porquê?

F: Tem sido complicado por uma única razão: a perda de pessoas que amo, que me parece ser a maior dificuldade que podemos ter. Tudo o resto é um percurso. Tenho lutado muito, sempre, e não sei desistir de nada. Por isso, um dia, hei-de ter orgulho de mim.

 

S: Entre pensamentos e reflexões vamos conhecendo um pouco mais de ti. Qual o pensamento que mais povoa a tua mente?

F: O do sentido da vida, esse é aquele que mais me ocupa.

 

S: Hoje também me apetece ler poesia... Qual o poema que mais te define?

F: Um poema da Maria Rosário Pedreira - “Vieste como um barco carregado de vento”.

 

S: Conta-nos o episódio mais marcante da tua vida... (o AVC da tua mãe)

F: Foi um dos mais marcantes, mas não no momento. Só quando percebi que ela ia ficar limitada e dependente. Senti-me impotente, perdida, muito perdida, mas tive de me focar e pensar nela e em tudo o que teria de fazer para que (ela) não sentisse tanto o que tinha perdido. É nesses momentos que descobrimos forças que não sabíamos que tínhamos... Também é aí que encontramos as pessoas que verdadeiramente gostam de nós.

 

Gosto de ler. Podemos ir onde quisermos e sermos quem desejarmos quando lemos. A Leitura(também a escrita) é uma carta de alforria. Não gosto de hipocrisia. Pessoas que não são, mas fazem de conta que são.

 

S: O sentimento do medo nesse dia foi diferente do habitual? Do que tinhas mais medo?

F: Tive muito medo de a perder, muito. Foi diferente porque penso que só aí tive a certeza que nunca mais encontraria um amor como o de mãe. É tão forte, o amor de mãe.

 

S: Quais as sequelas que o AVC provocou?

F: Limitações na marcha e na mão direita.

 

S: Tornaste-te cuidadora da tua mãe. Sentes que deixaste a tua vida em suspenso?

F: Essa é uma pergunta que muitas vezes me fazem. Eu não sou só cuidadora, sou mãe da minha mãe. Eu passei a ter a responsabilidade por ela e por mim e tive de mudar toda a minha vida. No início pensava que sim, que tinha ficado em suspenso e revoltava-me por isso, hoje penso de forma diferente. Acredito que é uma maneira de retribuir todo o carinho e amor que recebi. É muito difícil, pesado, mas hoje sou melhor pessoa e o que perdi é insignificante comparado com o que ganhei. Em suspenso só está a minha aprendizagem que é constante.

 

S: O amor é mais forte que uma doença?

F: Muito mais.

 

Gosto de viajar. Sinto sempre que cresço sempre que viajo. Vivemos  tanto no nosso “mundinho” que por vezes esquecemos que há muito mais mundo para além do nosso. Não gosto de ver/sentir que alguém está triste. Se depender de mim toda a gente está feliz, mesmo que eu não esteja. Faço tudo para alegrar os outros.

 

S: Qual a batalha mais difícil ao longo destes meses?

F: Fazer com que ela voltasse a andar e que  ficasse o menos dependente que for possível.

 

S: Sentes o dever cumprido ou achas que devias dar mais?

F: Penso que neste momento não consigo dar mais do que dou, mas um dia talvez te diga o contrário, não sei.

 

S: De que modo se dão a conhecer as metamorfoses do espírito?

F: Eu adoro Nietzsche, estudei muito este autor e há muita ideia com que me identifico. O pensamento das metamorfoses vem dele e partilho o seu ensinamento sobre esta questão. Seja individualmente, ou de forma coletiva, todos passamos por uma fase de camelo em que aceitamos a carga sem contestar, para uma fase de Leão onde rugimos (alguns não passam da fase de camelo), mas ainda sem ideias próprias, até à fase da criança onde tudo é novo, nosso e está em aberto. A dificuldade é apenas conseguirmos chegar a esta última fase e escrevermos a nossa história. O nosso espírito (e as sociedades) têm de ser capazes de se reinventar e começar de novo.

 

S: Em que te inspiras para escrever textos tão sentidos?

F: Obrigada pelo” sentidos” (vou considerar isso um elogio). Inspiro-me quase sempre em personagens que tenho dentro de mim e que, muitas vezes, me gritam para que as deixe sair. Não sei explicar de onde vem a inspiração, por vezes basta uma folha de papel, ou uma árvore.

 

Gosto dos meus cães. São os meus amigos de sempre, carinhosos, desinteressados, fieis. Não gosto de egoísmo. Isso é o que irrita mais, gosto de altruísmo e de pessoas que se preocupam com os outros, o inverso é ser uma não pessoa.

 

S: Como se chamaria o livro da tua vida?

F: Em busca de um sentido.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

F: Algumas pessoas, sim.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

F: Um compasso porque o meu mundo serei eu a desenha-lo e a escrevê-lo. Todos os dias desenho um bocadinho.

 

S: Obrigado Fashion, foi um gosto enorme conversar contigo.

F: Obrigada, eu, querido Sol. Vemo-nos por aqui!

 

39 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D