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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

07
Jul16

À conversa com... Little Miss

Sr. Solitário

little.jpg

 

 

Uma pequena Miss, com os seus little problems, decidiu criar um blog e com ele vieram muitas gargalhadas, partilhas, amizades e os seus rasos devaneios. Apaixonada por relógios, sapatos e animais.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Little Miss.

 

Olá a todos!!! Eu sou Cátia, conhecida por estas bandas como LITTLE Miss. Tenho 20 anos (sim, fico-me nos 20 porque é a idade que sinto). Sou fã incondicional da Mafalda e loucamente apaixonada pelos meus animais. Sou licenciada em Gerontologia. Anseio com o dia em que possa juntar todas estas minhas paixões…

Cá por casa sou conhecida como a maluquinha das mudanças, a que só quer relógios e a que tem mil malas e continua a querer mais! Estou aqui sem filtros, no "À conversa com…"

 

Sr. Solitário: Olá Cátia, bem vinda. Porquê Little Miss?

Little Miss: Olá Sr. Solitário (sorrisão!). Bem, tenho mesmo de explicar o porquê? Brincadeirinha… LITTLE Miss pelo meu tamanho e pela maneira como gosto de gozar com isso. Além do mais, vou-me deparando com certas dificuldades e julgamentos por assim ser.

 

S: Foi complicada a vida de uma pequena princesa na escola?

L: Acho que é para todos, um pouco pelo menos. No meu caso, era mais pequena que os outros, usava óculos cor de rosa dos 101 dálmatas e totós, a combinação perfeita para o sucesso (risos). Às vezes acho que os meus pais faziam de propósito para ser gozada (risos). Mas a certa altura aprendi a dar a volta por cima e fazer dos defeitos feitio. Só muitos anos depois de sair da escola, em conversa com antigos colegas, percebi que não era o patinho feio como me sentia. Na verdade, até era o contrário…

 

S: Ambicionavas ser cantora. Porque não seguiste esse sonho?

L: (suspiro) Por variadíssimas razões, uma delas a falta de confiança no meu talento. E outra, não menos importante, é o pânico de cantar em público. O CM, por exemplo, nunca me ouviu cantar pessoalmente. Como sei que adora a minha voz, costumo enviar-lhe gravações de vez em quando. Mas o sonho não está posto de parte, nunca é tarde demais... (sorriso)

 

S: Explica-nos o porquê dessa tua relação tão forte e tão afetiva com os animais.

L: Não sei explicar bem, é natural. É amor e o amor não se explica, sente-se! (sorriso) Desde muito nova que sempre trouxe todos os animais e mais alguns para casa. A minha mãe nunca gostou muito mas ainda hoje isso acontece, com ela a refilar (risos). Desde sempre tive esta mania de querer ajudar tudo e todos, acho que vem daí…

 

Quanto mais conheço as pessoas, mais AMO os animais! Detesto pessoas que acham que sabem tudo pois nunca saíram daquele mundinho para tentar perceber outros pontos de vista.

 

S: Quais são os principais problemas que encontras ao ser pequena?

L: (gargalhadas) Não encontro problemas mas sim degraus para subir e anedotas para me rir. Acho que na verdade o meu “problema” (não gosto da palavra) é ser mulher, porque o meu pai também é pequeno e ninguém o desrespeita, como a mim. Mas a principal dificuldade, sem dúvida, é que não me levem a sério. Que me tratem como se tivesse 15 anos, como na realidade pareço (risos).

 

S: Alguma vez desististe de algo por esse motivo?

L: Sim, de ser modelo e ir para a tropa (gargalhadas). Era uma pergunta a sério? Ah, ok. Nunca desisti de nada por ser pequena nem tenciono desistir! O tamanho não me impede de nada. Se não chegar onde quero, vou buscar uma cadeira (gargalhadas).

 

S: Há um ditado que diz que tudo o que é pequenino é bonito. Concordas com isso?

L: Ó Solitário, se visses a minha cara não dizias isso (gargalhadas). Mas esse ditado só contribui para que não consigam levar-me a sério, olham para o que digam o pensam “olha que giro, a menina a querer ser crescida”. Fico fula!!!

 

S: Quando sentes vontade de gritar com o dobro da tua voz? Gritar o quê?

L: Quando vejo injustiça, seja comigo ou com os outros! (com cara de má). E como disse acima, quando não me levam a sério!

 

Adoro compras! Faço compras pela sensação boa de vestir uma peça nova e sentir-me vaidosa com isso. Quando sentimos inveja de alguém fazemos com que a nossa vida ande em círculos.

 

S: Sentes que por mais que grites não és ouvida?

L: Às vezes sim. Mas quando isso acontece decido contornar a questão. E se mesmo a gritar não me querem ouvir, então é porque não existe interesse. E para quê gastar o meu latim com quem não quer saber???

 

S: Aqui no blog gostamos muito de ler histórias de amor. Conta-nos a tua com o CM.

L: Oh meu deus (suspiro). Tinhas de tocar no CM (sorriso apaixonado). Será que temos espaço para isto? Bem, muito resumidamente, eu e o CM fomos colegas de secundário e conhecemo-nos desde aí. Ele era o mal humorado que me fazia companhia nas aulas de matemática. Irritava-me ser tão mal disposto de manhã, visto que eu mal abro a pestana já estou a cantar e saltar de alegria. O nosso reencontro deu-se 4 anos depois, no autocarro de regresso de Bragança para casa. Em Mirandela entra um sujeito que não me é estranho, era ele! E foi aí que se deu o nosso reencontro, os nossos serões de sábado à noite em grupo e o meu aniversário. E foi ao convida-lo para o meu aniversário, junto com o restante grupo, que o abraço se deu, finalmente (sorriso). E até hoje continuamos a aturarnos um ao outro e assim vamos continuar, até sermos muitoooooooooooo velhinhos (sorriso). E não conto mais se não choro (quase a chorar…)!

 

S: Acreditas no amor incondicional?

L: Claro que acredito! Acho que somos a prova disso (sorriso)…

 

S: Para quando um ou uma little?

L: Bem, esta é uma área que me atormenta. Digamos que não me sinto nada preparada para ser mãe e para tudo o que isso implica. Pelo menos para já. Ainda há muita coisa que quero fazer sozinha e a dois. Um ou uma little virá se/quando sentir que é o momento certo. Mas não será tão cedo…

 

O CM é o amigo, o namorado, o companheiro para a vida! Completa-me e faz com que juntos sejamos o equilíbrio. O ciúme é uma das armas mais destruidoras.

 

S: O humor tem um papel importante na tua vida. Sorrir para não chorar?

L: Não, nada disso! Quando tenho de chorar, choro. Sou muito transparente. Sorrio porque é mais fácil, sabe melhor. Sempre estive rodeada de pessoas que se queixam a toda a hora da vida delas, que andam sempre deprimidas com coisas que não têm importância para tal. Por ninharias. E depois existe o meu pai. Que apesar de tudo, me conseguiu contagiar com o bom humor. O resto foi tudo uma questão de procurar o que realmente sou. Vi-a que fazia muito mais sentido sorrir do que andar triste, como todos os que me rodeiam.

 

S: No dia 4 de março de 2001 aconteceu uma das maiores tragédias em Portugal. O que sentiste nesse dia?

L: Muita confusão à minha volta. Tal como descrevi à pouco, num post meu, só me apercebi muito depois do que se estava a passar e porque toda a gente falava de uma ponte que caiu. Havia um barulho de fundo em todo o lado, burburinho. Lágrimas por toda a parte. Gritos de desespero. Eu era uma criança à qual ninguém sentou para explicar, com calma, o que se estava a passar. Tive de entender à força…

 

S: Perdeste algum familiar nesse trágico acidente?

L: Sim, perdi. Na queda da ponte perdi a minha avó, o meu tio e o meu primo de 16 anos (suspiro de saudade).

 

S: Culpas alguém pelas tuas perdas?

L: Não me sinto no direito disso. Tudo aconteceu porque tinha de acontecer. O que mais custa é lidar com a perda. E culpar alguém pelo sucedido não faz com que as feridas curem…

 

A sensação de ficar a ver o mar por tempos indetermináveis dá-me uma calma profunda... A injustiça, de qualquer tipo, é o que me faz transformar e ir contra tudo e todos!

 

S: É difícil dizer adeus a alguém que está em parte incerta? O que gostarias de lhes dizer, se te pudessem ouvir?

L: Acima de tudo é mais complicado fazer o luto sem um corpo, sem uma prova por assim dizer. Apenas a minha avó apareceu, já em Galiza. E como deves calcular o estado não era nada que se quisesse ver. Contudo, o meu pai teve de ver para reconhecer o corpo. Foram tempos difíceis, até para uma criança… (lágrimas).

Gostaria de lhes dizer que gosto muito deles e sinto falta. Mas penso que eles sabem disso, onde quer que estejam…

 

S: Castelo de Paiva ficou em luto. Quais os momentos mais marcantes e emotivos que te recordas?

L: As cerimónias religiosas à beira da ponte caída. Odiava aquele rio castanho! E aquela ponte ali caída, como se fosse feita de papel. E quando tiraram o autocarro do rio senti uma tristeza tão grande que não sabia como libertá-la. Só conseguia imaginar a aflição de alguém que está a cair e não sabe nadar. Alguém que está a morrer e sabe que está. Foi muito complicado voltar a passar naquela ponte…

 

S: O luto já passou?

L: O luto foi feito para alguns, para outros não. Acho que aqui em casa ficou a saudade, o luto foi feito. Teve de ser feito, forçosamente. As feridas são para curar e para nos tornar mais fortes. Ninguém pode viver eternamente agarrado a algo que aconteceu, ao luto.

 

S: A que sabe a saudade?

L: Depende dos tipos de saudade. Já perdi várias pessoas. As que perdi nessa altura consigo ter saudade boa, consigo sorrir e falar deles todos. Com o tempo fui aprendendo a gerir as emoções e a saber que a saudade existe para manter alguém que gostamos na nossa vida, mesmo que já não esteja entre nós (sorriso).

 

S: Quais são os teus medos?

L: Medo de perder as pessoas que amo! O meu medo resume-se a isso pois tudo o resto eu posso contrariar, controlar e ultrapassar...

 

S: Se pudesses, o que mudarias no mundo?

L: Ui, tanta coisa! Acima de tudo a injustiça. Se conseguisse eliminar a injustiça muita coisa mudaria…

 

S: De quem gostarias de ter um abraço inesperado?

L: (muitas lágrimas, sem parar!) Merda! Tocaste no ponto sensível. Gostaria de ter um abraço muito apertado do meu avô que perdi quando tinha 6 anos e tanta falta me fez. Mantive-o presente em todos os momentos marcantes da minha vida, imaginando como seria ou o que dizia se estivesse lá. E assim vou continuar a fazer. Foi muito complicado ficar sem ele. Era ele que me defendia de tudo e todos, era ele que me ensinava como ser forte. Sem ele tive de aprender a usar a força que ele me ensinou.

 

O outro abraço era da minha avó, esposa dele, que perdi recentemente. Há muita coisa que ficou por dizer, muita coisa que terei de saber ultrapassar. E ainda hoje, quase 1 ano depois, não consigo… (lágrimas de novo)

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

L: Usaria o lápis, não para escrever o futuro à minha maneira ou de acordo com as minhas vontades, mas sim para registar o meu futuro. Sei que tudo aquilo por que virei a passar será bom, com pedras pelo meio ou não, quero que fique registado…

 

S: Obrigado Cátia, foi um gosto enorme conversar contigo.

L: Obrigada eu Solitário, por esta oportunidade de me dar a conhecer. Foi um gosto enorme estar aqui no teu cantinho. Adorei a conversa!!!

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