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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

18
Jan17

À conversa com Magda Pais

Sr. Solitário

Magda.jpg

 

Hoje estou no blog com uma convidada muito especial e muito acarinhada por todos. StoneArt é o nome que compõe os seus blogs, onde a autora conta coisas soltas da sua vida que povoam o seu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Magda.

 

O Sr Solitário convidou-me para uma conversa sem filtros e eu aqui estou. 47 anos de idade (se não me falham as contas), casada, dois filhos adolescentes. Os meus pais chamaram-me Magda e, vejam só, é um nome que adoro (apesar das confusões a que dá azo). Ora então venham daí para uma boa conversa.

 

Solitário: Olá Magda, bem-vinda. Porquê o nome StoneArt?

Magda: Olá Sr Solitário (gosto do teu nome. Por estranho que pareça, de vez em quando gosto da solidão).

Contei aqui a história mas conto-te de novo. Corria o longínquo ano de 2007 quando comecei a frequentar sites de escrita – luso-poemas, escritartes, blogs, etc – apenas como leitora. Mas como queria comentar à vontade e não queria ser identificada, tive de escolher um nick/pseudónimo. Na altura a escolha recaiu sobre o título do meu poema preferido: Pedra Filosofal.

A Pedra Filosofal foi ganhando confiança nela própria, foi ganhando amizades (algumas ainda se mantêm) e a necessidade de estar anónima foi desaparecendo. Mas o nome foi ficando. De Pedra Filosofal passou a Pedra. Depois a Stone. Por curiosidade, quem criou o meu primeiro blog foi a mesma pessoa que me “batizou” de Stone. Não só por isso mas porque, de facto, gostava do nome, quis que o blog tivesse o nome de Stone. Acrescentou-se o Art porque o blog seria para publicar as minhas coisas, “a minha arte”, ficou stoneart. Acrescentou-se Portugal porque é o meu país, que eu adoro (apesar de tanta coisa que, por cá, me desilude) e porque stoneart já existia, no Blogspot. Ficou então stoneartportugal. Quando me mudei para o Sapo a escolha natural foi manter o nome. E quando criei o blog dedicado a livros, naturalmente tive de o chamar de stoneartbooks.

 

S: Quem te conhece minimamente sabe que adoras ler! Qual foi o teu primeiro contacto com um livro?

M: Toda a minha vida andei com um livro por perto. Lembro-me de ter livros com imagens (alguns ainda os tenho e foram os primeiros livros com que os meus filhos tiveram contacto). Lembro-me especialmente dum, “como é bonito o céu azul”, que andava sempre comigo. Era um livro a três dimensões, cujas personagens “saíam” das páginas. Maravilhoso e encantador.

 

S: Algum livro influenciou a tua vida?

M: Todos os livros influenciam a minha vida. A maior parte das vezes nem notamos a influência que eles têm mas a verdade é que ela está lá. Crescemos sempre um pouco a cada livro que lemos, aprendemos com eles.

 

S: Posso deduzir então que foste uma criança muito calma. Estarei errado?

M: Bem, quando era bebé, dizem que tinham de me acordar para comer… nem davam conta que eu lá estava em casa. E não me recordo de alguma vez ter dado muito trabalho aos meus pais. Nem sequer na escola. A única queixa que vinha sempre da escola – da creche à faculdade – era que eu era demasiado faladora e pouco esforçada (confesso que concordo, a minha única preocupação era ter notas suficientes para passar. Desde que a nota dos testes fosse superior 50%, ‘tava-se bem. Resultado, nunca aprendi a estudar e quando cheguei ao ensino superior sofri as consequências disso).

 

Gosto de ler, porque vivo vidas e viagens sem sair do sitio onde estou. Não gosto de chuva no inverno. Odeio andar molhada. Se for de verão até sabe bem.

 

S: Desde muito cedo que começaste a trabalhar. Sempre tentaste ser uma criança independente?

M: Não sei bem se era por querer ser independente se era por me cansar de estar de férias… Não tenho feitio para estar parada muito tempo. Ainda hoje não consigo estar 3 semanas de férias, ao fim da segunda semana já estou a deitar fumo.

Aqui há uns anos dei uma queda enorme, estive de baixa médica quase 5 meses e no fim pedi ao médico que, por amor a tudo, me mandasse trabalhar antes que eu desse em maluca. Eu e o resto da família que já não me podiam aturar e me pediam que fosse trabalhar para eles descansarem…

 

S: Nunca sentiste que estavas a crescer depressa demais?

M: Não me parece, confesso. Acho que fiz as coisas certas nas alturas certas. Os meus pais sempre me apoiaram (e ainda apoiam) e nunca me fizeram crescer. Deixaram que tudo acontecesse a seu tempo.

 

S: Ainda existe alguma coisa em ti da Magda em criança?

M: Eu sou uma criança num corpo de 47 anos. Gosto de rir, de brincar, de ver desenhos animados. É tão bom crescer e continuar a ser uma criança.

 

S: Agora lanço-te um desafio: conta-nos a tua história de amor.

M: Ah a nossa história de amor e do pedido de casamento que nunca o foi. A história de amor contei-a aqui e volto a contar. Começou em 8 de Novembro de 1998. Nesse dia eu andava pelo ICQ a falar com os amigos habituais e, ao mesmo tempo, a trabalhar (já não sei ao certo no quê, confesso). Às tantas aparece-me um novo user, o Mick e pergunta se quero conversar. Não quis. Disse-lhe que estava a trabalhar mas que podíamos falar mais tarde. E falamos. E falamos tanto que, no final do mês, a 26, lá nos conhecemos pessoalmente. Uma semana depois namorávamos. E ao fim duma semana o Mick, que se chama Miguel, mudou-se para o Barreiro, para a minha casa. Estávamos a viver juntos.

Quase 2 anos depois, eu estava grávida da minha filha mais velha, e, no dia de aniversário do meu avô foi a família toda jantar fora. Quando, depois do jantar, já nos estávamos a despedir no meio da rua, com um cheiro terrível no ar, eu quase a vomitar e o bom do Miguel resolve dizer qualquer coisa do género: "ah, antes de se irem embora, queria pedir-vos que não marcassem nada para o dia 25 de Novembro". E claro que se fez a pergunta da praxe "porquê?" ao que foi dada a resposta "porque nós nos casamos nesse dia!" E eu que nem desconfiava…

 

Gosto de rir, porque o riso ajuda em tudo. Não gosto de gente prepotente. Dá-me nervos!

 

S: Consideras-te uma mãe galinha? Dá-nos um exemplo.

M: Não me parece que seja galinha. Sou preocupada com os meus filhos mas não sou nem um pouco galinha. Dou-lhes liberdade e autonomia, deixo-os cometer os seus próprios erros (desde que não ponham em risco a integridade física de ambos), exijo educação e civismo (porque foi assim que os ensinei). Dou-lhes todas as “armas” que precisam e estou presente nos bons e maus momentos. Eles sabem que contam comigo mas também sabem que os níveis de exigência são elevados e que certas falhas não são admitidas.

Ser mãe, para mim, é ser assim. Ensinamos a voar e esperamos que eles aprendam. Não voamos por eles. Aparentemente tenho feito (temos, eu e o pai) um bom trabalho.

 

S: No ano passado pudemos ver-te num programa de televisão onde abordaste um assunto muito pessoal. Quais as principais condicionantes na tua vida devido ao excesso de peso?

M: É verdade. Estive nas Queridas Manhãs (http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/eu-as-queridas-manhas-299453) precisamente porque tenho excesso de peso e está tudo formatado para pessoas de tamanhos normais. Tamanhos e alturas.

À custa de ser mais cheiinha que o normal, não consegui fazer uma ressonância magnética. No barco, os bancos são estreitos e portanto vou quase sentada em cima da pessoa que for ao lado. No autocarro, o espaço entre os bancos é tão curto que vou com os joelhos ao peito. Nos aviões, o meu marido fica entalado, literalmente, nos bancos. O mesmo se passa com o meu filho.

Não há roupas de jeito para mim (ou, as que há, são bem mais caras que as roupas normais). O meu filho não tem sapatos para o número dele (já calça o 49), a minha filha não tem sapatos de mulher porque são raros os que tem número 43 (que é o que ela calça).

O meu marido, para fazer um exame qualquer em qualquer hospital, tem de vestir duas batas, não cabe nas macas nem nas cadeiras de rodas. Quando vamos às esplanadas, sobra Magda ou Miguel depois de acabar a cadeira.

Valerá a pena continuar? Tudo o que possas imaginar, está formatado para um tamanho padrão – seja de peso ou de altura. Se saíres desse padrão, por excesso ou defeito, tens condicionantes. Umas mais graves, outras menos. Umas hilariantes e outras nem por isso.

 

S: O que sentes quando és chamada de gorda, ou então, o típico “mais fortezinha”?

M: Vivo com isso desde a adolescência e confesso que nunca liguei muito. Para mim os provocadores são gente demasiado baixa e que não merecem que lhes dedique tempo algum. Eles ficam na deles e eu fico na minha. Não tenho tempo ou paciência para eles.

 

S: Algum episódio mais marcante de preconceito que queiras partilhar?

M: Sim, posso contar-te que um dia em que o barco onde eu vinha estava muito cheio, sentei-me entre duas pessoas. Uma delas era um rapaz novo que passou a viagem toda a chamar “P* da gorda” e outros nomes pomposos do mesmo calibre. Claro está que deve ter ficado ainda pior da vida porque eu passei a viagem a ler o meu livro e nem lhe dediquei um olhar quanto mais uma resposta.

 

Gosto da Família. São o meu primeiro pilar. Não gosto de indecisões (se bem que, às vezes, sou a rainha da Indecisão).

 

S: “Viagens” e “Episódios Geométricos” são dois livros que editaste. O que podemos encontrar nestes dois volumes?

M: Na verdade editei três livros. Vida na Internet, Viagens e Episódios Geométricos.  O primeiro pela Temas Originais, os outros dois pela Lua de Marfim.

O primeiro é uma coletânea de crónicas sobre o tema que dá título ao livro. Viver na Internet. Os outros dois são também de crónicas, sobre todos os temas que possas imaginar.

 

S: Alguma mensagem que gostavas de transmitir quando os escreveste?

M: Salvo honrosas exceções, cada texto que escrevo transmite uma mensagem (ou pelo menos assim o espero). Nenhuma em especial e todas em particular porque não há um tema comum. E as mensagens que passo tem muito a ver com os diversos temas que abordo.

 

S: Qual a importância de um sorriso?

M: Sorri sempre ainda que o teu sorriso seja triste. Porque mais triste que o teu sorriso triste é a tristeza por não saber sorrir.

Esta é a importância de um sorriso. Quando sorrimos, a vida sorri-nos de volta. Nem sempre é fácil mas é, acima de tudo, uma aprendizagem constante e cuja recompensa vale por todo o esforço.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

M: Não. As desculpas não se pedem, evitam-se. E quando alguém me faz alguma coisa que não gosto ou pela qual poderia ter de vir pedir desculpas, eu falo logo com a pessoa e esclarecemos as coisas. Não gosto de ficar com engulhos e nem tenho paciência para ficar a pensar demasiado nas coisas. Digo logo o que tenho a dizer e pronto.

 

Gosto dos amigos. São o meu segundo pilar. Não gosto de má educação. É do pior.

 

S: Quantas páginas teria um livro da tua vida?

M: 17.220. Uma página por cada dia de vida.

(cálculos feitos em relação à data em que estou a escrever).

 

S: Qual a meta que pretendes alcançar?

M: Já alcancei quase tudo o que ambicionava. Tenho um casamento feliz, dois filhos maravilhosos, amigos fantásticos, um emprego estável e onde faço o que gosto (costumo dizer, em jeito de brincadeira, que faço o que gosto e gosto do que faço). Tenho consciência que nunca irei ler tudo o que gostava nem sequer vou ter todos os livros que desejava mas tenho uma pequena amostra de biblioteca. Os meus avós puderam conhecer os bisnetos – tal como eu conheci o meu bisavô. Que mais posso pedir?

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

M: O futuro vive-se, não se escreve. As alegrias sentem-se, não se medem. O passado não se apaga porque é ele que me fez quem sou hoje. Os nomes não se escrevem a caneta mas com a saudade que eles carregam. Desenho o meu mundo, com um compasso para que lá caibam todos os que me importam.

 

S: Obrigado Magda, foi um gosto enorme conversar contigo.

M: Obrigado eu, também gostei desta nossa conversa.

 

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