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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

29
Dez16

À conversa com Maria das Palavras

Sr. Solitário

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A Blogger Menos In do Pedaço aceitou o convite para Dois Dedos de Conversa aqui neste blog para partilhar algumas das Palavras que a definem com um sentido de humor muito característico e uma simpatia que cativa todos os seus leitores.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Maria das Palavras.

 

Olá, eu sou a Maria das Palavras (e vocês: oláaaa Mariaaaaa) uma blogger armada em diferente (a menos in do pedaço, há quem diga) que anda por aí a debitar parvoíces e lamechices há dois anos e picos na blogosfera. Tenho 30 anos que é aquela idade em que és novíssima para uns e estás com o pé na cova para outros (dizem que tudo no mundo é relativo e eu acredito). Hoje, estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá Maria, bem-vinda. Começo por te perguntar qual o motivo do nome do teu blog ser Maria das Palavras?

Maria das Palavras: Maria das Palavras porque as palavras são aquelas coisinhas tão pequenas e tão grandes que estou sempre a reprimir de viva voz. Mas quando começo a escreve-las, jorram que nem fontes no Inverno.  Achei que criando o blog ia conseguir trazer mais algumas cá para fora, comunicar melhor (às vezes comigo mesma).

 

S: "Queria ter tempo e escrever para o resto da vida. É esse o meu objetivo profissional." Um sonho desde criança que cresceu com o desejo de ser professora?

MP: Devo ter escrito isto num dia muito otimista. Não penso que alguma vez consiga viver das palavras (gosto de sonhos mais concretizáveis) e portanto de forma realista não é um objetivo profissional, mas mais um prazer do qual não quero abdicar. Quando era pequena queria ser professora e escritora. Fazia muitas composições elogiadas na escola e foi a minha primeira professora que me fez crer que era boa nisto (mesmo que fosse ela afinal, a boa mentirosa). Mas tal como mais um par de coisas que quis ser, optei pela racionalidade em vez do coração, e quis antes enveredar por uma área com mais certezas. Tenho sempre a ideia que há mais do que uma coisa que podemos fazer para ser felizes, não tem necessariamente de ser a primeira que nos vem à cabeça. E, até ver, ninguém me tira a razão. O prazer da escrita, tenho-o na mesma, ainda que não viva dele.

 

S: Na tua opinião, como seria viver das palavras?

MP: Ah, teria uma casa num local paradisíaco para onde me retiraria alguns meses por ano para escrever, depois passava a segunda metade do ano a promover o livro e em tour pelo mundo. Não deixo de alimentar o blog, claro. Que tal? A mim parece-me bem. Continuo é sem saber se tenho disciplina (já nem menciono o talento) para algo do género, mesmo que houvesse a possibilidade.

 

S: Consideras-te a blogger menos in do pedaço, por alguma razão em especial que queiras partilhar?

MP: Quando comecei o blog já lia outros e comecei a ler ainda mais. E deparei-me com muitas coisas com as quais não me identificava. Modas nas quais não ia (e não falo de modas de moda, apenas - não gosto de sushi, não faço dietas, não uso unhas de gel). Sou do contra, mas também sei que isso me faz estar no outro lado da corrente (o pessoal que é sempre do contra), o que significa que continuo a ser igual a muita gente. O importante é não levar as coisas muito à letra. Se um dia por milagre me apetecesse sushi não o ia reprimir ou esconder a bem do pseudo-título.

 

Gosto de Waffles com gelado. Não gosto de camas com os lençóis desalinhados.

 

S: Qual é o mito que mais te dá gosto destruir?

MP: "Os homens são todos iguais". Nunca gostei de extremismos e generalizações. E apesar de ter demorado para encontrar um homem que acreditasse ser verdadeiramente diferente (o meu), gosto sempre de descomplicar as situações amorosas. Há sinais muito claros que os homens dão de não-interesse e nós tentamos sempre ir buscar simbolismos e dar a volta à questão. Mas se escutarmos bem, eles dizem tudo. Mesmo que o "tudo" não seja o que queríamos ouvir.

 

S: Qual a importância que o humor tem na tua vida?

MP: Toda, é assim que me safo da situações mais tristes, preocupantes, stressantes, vergonhosas, complexas. Quando não há mais nada a dizer, resta o humor. Acho que é uma importante ferramenta para relativizar, Por exemplo, o Moço pode fazer alguma coisa que me irrite cá por casa (sabe Deus que também as faço). Se escrever sobre ela, com humor, a coisa descomplica-se. E quem nunca acabou uma discussão por desatar a rir sem querer que atire a primeira pedra. Claro que também é um importante intensificador dos bons momentos. Para mim é: usar sem moderação. Daí também ser adepta do humor negro.

 

S: Conta-nos a tua história de amor.

MP: Não podia ser mais simples, nem mais vulgar, nem mais bonita (por ser a minha). O Moço era amigo de um bom amigo e numa passagem de ano em que estivemos juntos a coisa deu-se. A paixão? Não. A provocação de parte a parte. Foi assim que começou. Com ofensas mútuas (mas tudo muito a brincar). Depois eu fiz questão que a brincadeira continuasse. Numa altura (rara) em que tinha outros dois pretendentes (sempre quis usar esta palavra) tive de lhe mostrar que se não se chegasse à frente ficava para trás. E ele jogou todas as cartas certas (como contei aqui). E cá estamos.

 

S: O amor está nos detalhes. Qual deles é o mais especial?

MP: O detalhe mais importante é aquele que não se descreve nos romances. Não tem a ver com olhares intensos, declarações, ou gestos românticos. Tem a ver com lavar a loiça na minha vez naquele dia. Ou deixar-me roubar os chinelos depois do banho. Ou deixar-me ficar sempre com o melhor lugar no sofá.  Aqueles pormenores que nunca darão um livro, mas valem uma vida em comum.

 

Gosto de ler durante a manhã (embora seja quase sempre impossível). Não gosto que me toquem nos pés!!

 

S: Se tivesses que definir o Moço numa palavra, qual seria?

MP: Meu. Só para ele saber com que linhas se cose. Também podia dizer romântico, generoso, e muito muito muito amigo (meu, mas também dos outros que nos rodeiam). Mas escolho meu.

 

S: O que consideras indispensável para uma relação com final feliz?

MP: Não deve já ser novidade para ninguém: comunicar. Um conselho que às vezes tenho de me forçar para seguir porque sou muito dada a engolir os problemas para não pensar neles. No entanto é vital para que o casal se compreenda - nunca devemos assumir que o outro sabe o que nos incomoda ou as coisas que desejamos.

 

S: A costela de mamã ainda continua inexistente?

MP: Sim, a única coisa que muda é que ao ver o pessoal amigo, da mesma idade, todo a brotar crianças sinto-me mais culpada por isso. Eu sei que quero ser mãe algures no futuro. Mas ainda me sinto com 20 aninhos, quando esse futuro era uma coisa muuuito lá para a frente.

 

S: Quem te acompanha sabe que tens um grande número de leitores. Se pudesses oferecer um presente a todos eles, qual seria?

MP: "Grande número" é relativo, mas também pouco interessa: nunca comecei o blog pela quantidade de leitores ou comentários, foi por mim. No entanto, estimo-os todos, em particular aos que voltam sempre e aos que estão acabados de chegar e começam a dar a volta toda ao blog. E...UAU! Que ideia fantástica. Quem me dera dar algo a todos. Para ser algo minimamente exequível (caramba, agora puseste-me mesmo entusiasmada a pensar nisto) teria de ser algo do género: irmos todos ver uma peça de teatro - humorística, claro! Ah, e eu ter participado no guião. Bolas, vou só angariar mais uns milhares de leitores para ver se arranjo uma parceria para isto! Cá está uma boa motivação para fazer os números do blog crescerem.

 

Gosto de pequenos almoços na rua. Não gosto de pessoas que enviam mensagens a dizer "olá, tudo bem?" sem dizer logo o que querem.

 

S: O que gostarias de ensinar a todos eles?

MP: Que escrever, ajuda. Ajuda mesmo. É terapêutico. Ajuda-nos a pensar, a ultrapassar, a descomplicar ou (nos melhores casos) a reviver e recordar para sempre.

 

S: Qual a palavra que mais te define enquanto blogger?

MP: Diplomata. Talvez não fosse a que esperavas, mas tem a ver com o lado que nem toda a gente se apercebe. Tem a ver com a minha atitude enquanto blogger inserida no meio, mais do que com aquilo que escrevo. Sou completamente avessa a quezílias de blogs ou a deixa-las transparecer para as pessoas que lêem o blog e que não têm nada a ver com as pseudo-polémicas dos bairros virtuais. Atire a primeira pedra quem nunca fez um comentário maldoso sobre o blog ao lado, mas daí a agir sobre isso ou a comprar brigas vai toda uma bíblia. Quando me envolvo é no backstage e geralmente com uma frase que envolve as expressões "deixar passar" ou "tempestade em copo de água".  Também terá a ver com a escrita, pensando melhor. Faço alguma censura aos meus textos e temas, por saber que variadíssimas pessoas me lêem e não quero passar horas a desculpar-me ou a explicar-me. Não há mal nenhum nalguma polémica, mas com as pessoas que conheço sou mais ácida, porque sei para quem estou a falar. No meu blog, modero-me.

 

S: E qual a palavra que mais te define enquanto mulher?

MP: Pragmática. Gosto de ver as coisas como elas são (preto no branco, ou assumir que têm vários tons de cinzento e não há respostas certas), arranjar soluções ou descartar problemas. Organizar bem as coisas e limitar-me ao essencial. Não dou a volta ao assunto nem remoo por mais de dois segundos se não merece importância.  Claro que o calor da emoção às vezes tolda o juízo, mas também não disse que era perfeita. Agora que penso nisso, reflete-se na palavra que escolhi para me definir como blogger.

 

S: Qual a palavra que para ti é mais difícil de dizer?

MP: Palavrões! nunca digo, só se estiver a repetir o discurso de alguém e mesmo assim com dificuldade (e tentando sempre substituir por pis). De resto não há palavras indizíveis. Apesar de "amor" também ser um palavrão - mas já num sentido diferente.

 

Gosto de post its. Não gosto de molduras com fotos.

 

S: Alguma vez tiveste que a proferir?

MP: Palavrões? Só para mim, quase sem me ouvir, em casos muito graves e por impulso. Juro que não sei de onde vem este pudor, não é de família, garanto.

 

S: Existirá algum limite de palavras para a Maria?

MP: O meu único limite é o sono.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

MP: Fugindo à tentação da borracha, porque apagar dores ou erros, poderiam desviar-me do caminho que agora percorro que também tem muitas alegrias; fugindo à tentação de escrever o futuro que assim não teria más surpresas, mas as boas também não; sabendo que as alegrias não se medem aos palmos; posso pegar no compasso e na caneta ao mesmo tempo. Desenhar o meu mundo é escrever o nome dele. Do Moço.

 

S: Obrigado Maria, foi um gosto enorme conversar contigo.

MP: O prazer foi todo meu. És de facto o Daniel Oliveira dos blogs. Eu sou menina de parcas reações e nunca tenho lágrimas prontas a cair, mas fizeste-me refletir bem e eu normalmente ponho-me só a responder de enfiada e pronto (seu sacana).

 

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