Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

16
Ago16

À conversa com... Pink Poison

Sr. Solitário

pink.jpg

 

A escrever desde 2008, a minha convidada de hoje partilha nos seus dois blogues as suas coisas, o seu mundo. De uma generosidade incrível, uma história de vida marcante, nada cor-de-rosa, um pouco ousada, rancorosa. Assim se define em poucas palavras.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Pink Poison.

 

Sou a Pink Poison, 40 anos, Pink Poison há 12, blogger desde 2008. Apaixonada pelo Pinko, por carros, por boas pessoas, por tanta coisa... Solidária quando posso. Vingativa e rancorosa mas sempre eu. Aqui estou, sem filtros, no "à coversa com..."

 

Solitário: Olá Pink, bem vinda. Porquê o nome "veneno cor de rosa"?

Pink: Olá Sol (do meu blogue ihihih), não sei porquê. Estava a registar-me num site (há 12 anos) e pus o meu nome verdadeiro e a administração chamou-me a atenção, tive que pensar depressa e foi a primeira coisa que me veio à cabeça.

 

S: Qual foi a importância que o teu pai teve ao longo da tua vida?

P: Toda e mais alguma. Não foi perfeito, não o é agora mas ao longo da minha vida temos evoluído para amigos, apreciar a companhia, mandar boquinhas como os miúdos. Também não sou a filha perfeita, sou a que ele tem. Amanhe-se! (risos)

 

S: Com a tua mãe foi diferente... Explica-nos porquê?

P: Vivi com ela até aos 18, sempre com a ciumeira das madrastas e depois percebi que procurava para a sua vida alguém Status Social. Conseguiu. Passei a viver numa vivenda com telefone no quarto, vídeo, Tv, a minha mãe só me comprava roupa da Benetton… Um ex governador que fazia parte dos eternos “retornados”. Deu-se muito mal. Embrulha! Atualmente não quero mesmo saber dela, sinto-me bem sem ela, espero apenas que esteja bem pois já foi doente oncológica.

 

S: Sofreste com a ausência do amor de uma mãe?

P: Não, tanto a minha primeira, como segunda madrasta, fizeram um bom trabalho.

 

S: O que gostarias de lhe dizer neste momento?

P: Não irei ao teu funeral.

 

Gosto de bons debates com gente culta, adoro falar numa boa esplanada. Não gosto de não esclarecer assuntos, não fecho gavetas mal arrumadas. Daí ter feito psicoterapia.

 

S: Contudo, a menina do papá cresceu e conheceu o seu primeiro companheiro. Conta-nos como se conheceram.

P: No Messenger e depois pessoalmente, passámos um ano a vermo-nos de 15 em 15 dias até que ele decidiu comprar uma casa para os dois, e em nome dos dois, cá em cima.

 

S: Alguma vez notaste algum comportamento estranho nele?

P: A minha terapeuta perguntou-me isso... não nunca. O pai dele era bastante conservador até!

 

S: Quando se deu a primeira agressão? E porquê?

P: A única agressão deu-se por um desentendimento, ele ficou cego, agrediu-me com 3 low-licks na perna (ele praticava Kung Fu) e foi diabólico. Ele batia, via-me no chão, ria-se tipo Joker, levanta-me e batia. Peguei num telefone, partiu-o ao meio mas consegui por uma vizinha chamar a GNR, ela chamou.

 

S: Qual foi a maior e a mais marcante agressão?

P: Tinha à porta um espelho enorme e embora me doesse a perna, estava com a cara cheia de sangue, ele entretanto saiu. Mais tarde adormeci mas tranquei por dentro a porta, ele foi à GNR e disse que me havia batido e que tinha medo de cometer um suicídio.

 

S: O ódio é o único sentimento que tens por ele? Não há espaço para o medo?

P: Quando o encontrei em tribunal, já treinava Krav Maga, sentia-me segura. Olhar para ele ou para uma parede era igual. Dei-lhe a casa e disse à juíza que jamais queria a casa, era um poço de más recordações com o Sr-XXXXX.

 

Gosto de visitar a família, não há no mundo abracinho como o da madrasta. Não gosto de estar a 300km do meu pai/madrasta/amigos/Albufeira (lágrima no canto do olho).

 

S: Como foi o dia em que puseste um ponto final nesta situação?

P: Ele saiu, deu-me um verão para eu me organizar, pagando todas as despesas inerentes à casa mas nunca a minha comida ou das duas gatas que tínhamos.

 

S: Quais as principais diferenças entre Albufeira e Lisboa?

P: Em Albufeira, toda a gente sabe quem eu sou, se dizer o nome da minha avó por exemplo que foi considerada por um site inglês, o típico trabalhador português na sua área, está o meu melhor amigo com quem convivi diariamente dos 14 aos 27, e as cunhas. A minhas mãe conhece toda a gente e até elementos da GNR ela convence a fazerem esperas a quem ela assim decide.

Em Albufeira, trabalhasse no que se pode, por isso eu adoro trabalhar em bares e servir à mesa, conviver com ingleses, com malta de fora (os betos lol).

 

S: Como surgiu o emprego de Acompanhante de Luxo?

P: Não é um emprego, quando fiquei sozinha depois de ser sido espancada, tinha vergonha do mundo, do meu pai, afastei-me dos meus segundos pais (os pais do meu melhor amigo) e decidi por um anúncio. Resultou. Eu gosto de sexo, as pessoas eram escolhidas a dedo e no fim do Verão, aluguei uma casa, arranjei um namorado. Não tenho traumas dessa época.

 

S: Era a única solução na altura?

P: Talvez não, de certeza que não, era apenas a forma mais rápida. Estava com a auto-estima tão em baixo que fui por esse caminho. Não roubei ninguém, não perdi a minha identidade, não sou uma puta embora hajam por aí escroques me chamem isso diariamente, um dia sai-lhes a sorte grande.

 

S: Qual a situação mais marcante de uma acompanhante?

P: Deixar entrar um desconhecido na tua casa mas ele está a entrar no desconhecido. Portanto, era relaxar e conversar um pouco, conhecer quem ali tinha à minha frente com um bom vinho. Chegou a aparecer um deputado... Chique! (risos)

 

Gosto de assumir as asneiras que faço. Está feito, assumo. Não gosto de correntes de ar, constipo-me logo, uma Algarvia sofre neste clima.

 

S: O que te fez desistir desse emprego?

P: Teimoso, Solzinho, não era um emprego. Simples, com casa alugada e trabalho, falei com o meu pai, contei tudo, desde a agressão ao que tinha feito depois. Custou-lhe ouvir tudo. Custou-lhe saber o quanto se tinha investido naquela casa, carros, ele como membro da família… Apenas me disse: “Nunca mais quero ouvir falar no nome do XXXXX. Já tinha rendimentos meus, tinha um namorado e estava bem.

 

S: O Pinko é o amor da tua vida. Como se conheceram?

P: Numa rede social mas jantámos juntos dias depois e a primeira coisa que lhe disse foi isto mesmo: para que não ouvisse da boca de alguma velha gaiteira ou um escroque.

 

S: Reaprendeste a amar?

P: Nunca perdi a capacidade de amar! Eu amo incondicionalmente. Sempre.

 

S: Consideras-te uma mulher ousada. Mais ousada que rancorosa?

P: Não sei se sou ousada, faço o que quero, digo o que quero.

Rancores são contas que um dia se vão por em ordem, nesta vida ou noutra… Sou rancorosa. Mas adoro ser ousada, porque estou a ser autêntica.

 

S: Do que te arrependes?

P: Não ter voltado para o Algarve depois da agressão.

 

Gosto de blogues com seres humanos lá dentro. Não gosto de ver jovens a fazerem mal a animais com prazer. Quem faz mal a animais como os toureiros e outros tantos, para mim, regar com gasolina e adeus.

 

S: O teu corpo é um diário. O que tens escrito nesse diário íntimo?

P: (Risos) Adoro ser única e nisso sou única.

Tatuagem aos 18 anos: o meu nome em sânscrito, a primeira linguagem;

Tatuagem no ante braço exterior: caracter chinês "supera-te em tudo";

Tatuagem feita durante a despedida do Algarve (pedi a um chinês para escrever e ele dizia que era uma frase muito triste): “Vive, como se fosses morrer imediatamente”, esta está na nuca;

Quando me separei: no interior do pulso esquerdo, símbolo japonês de “be free”;

Na Faculdade: uma perto da clavícula em japonês “coragem”;

No interior do ante braço tenho um símbolo do infinito com a frase dos Guns n’Roses: “live n’ Let die” porque cada um é dono da sua vida.

 

S: As tatuagens escondem alguma marca de agressão do passado?

P: Não, não tenho marcas visíveis. As artes marciais ensinam a agredir sem deixar marcas, aprendi mais tarde no Krav Maga mas tenho o nervo ciático danificado.

 

S: O que gostarias de dizer a todas as mulheres que são vítimas de um homem que as agride?

P: “Se deixam passar a primeira, pelo menos aprendam a defender-se para a segunda”.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas?

P: Que pena só escolher um… (penso, e penso…), uso a caneta para escrever o nome do meu melhor amigo de Albufeira!

Porquê? Porque era uma amizade tão pura e tão divertida, tão fora do comum!

 

S: Obrigado Pink, foi um gosto enorme conversar contigo.

P: Obrigada eu, espero que tenhas gostado da vista da minha varanda e dos cupcakes e chá… O meu motorista n.º 2 leva-te onde quiseres. (Risos)

 

 

28 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D