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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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30
Mar16

A pílula do dia seguinte

Sr. Solitário

Sábado à tarde. A minha irmã disse-me, secretamente, que precisava comprar a pílula do dia seguinte.

"Porquê?" - perguntei alarmado.

"Porque ontem estive com o meu namorado e esqueci-me de tomar a pílula".

"Então e mesmo assim tiveste relações sexuais?"

"Olha, aconteceu!"

"Ao menos usavas preservativo!"

"Ele disse que parava quando chegasse 'à hora' mas não parou... Mas não te preocupes que ele deu-me o dinheiro para a comprar."

 

Como irmão mais velho tive a obrigação de lhe passar um raspanete, chamando-a inclusive de irresponsável, tanto ela como ele.

Contudo, por mais reprimendas que dissesse, nada mais podia fazer para remendar o mal que já estava feito. Fomos à farmácia, ela comprou-a, tomou-a e iria ficar tudo bem... Não foi bem assim.

 

No domingo de manhã, a minha irmã acordou com uma má disposição horrível! Estava pálida como uma cera, e mal se aguentava de pé. Vomitou e vomitou inúmeras vezes, não conseguia comer e ainda estava com diarreia.

Um processo doloroso provocado por um simples comprimido que revolveu todo o seu organismo, arrancando à força toda uma réstia de vida que poderia advir de um ato irreflectido e irresponsável por dois seres humanos completamente imaturos.

 

Fiquei muito preocupado. Eu, que não entendo muito destas coisas de mulheres, fui informar-me devidamente. Vi que se tratava de efeitos secundários da pílula seguinte. Para ser mais exato, a minha irmã estava a sofrer uma espécie de aborto, legal, em casa, sem qualquer acompanhamento médico. Liguei para a linha de saúde 24, que me disseram que a minha irmã teria de ser vista por um médico.

Ela não quis ir, "tenho vergonha" disse-me. O namorado, não quis saber. Disse-lhe para ela tomar um chá que isso passava! Para os homens, estas coisas são muito fáceis, arranjam o dinheiro e a mulher que se desenrasque! E que sofra! Afinal, ela também quis...

 

Ela ainda me disse "Já tomei tantas e nunca passei por isto!". Já tomou tantas?! Mas isto agora é assim, toma-se uma pílula do dia seguinte como quem toma um analgésico?

 

Todo este processo foi desvanecendo de sintomas. Até que estabilizou. Mas, por um momento, tive medo pela minha irmã. Sou irmão mais velho, tenho obrigação de a alertar e proteger, mas não a posso obrigar a fazer aquilo que quero. O que penso que está certo. De hoje em diante, tenho de ser eu a relembrar-lhe para a toma da pílula. Já lhe perguntei imensas vezes se já a tomou, ela respondeu-me "dah!! Agora só a posso tomar quando vier o período!". Eu disse que não entendo nada destas coisas de mulheres, mas parece que tenho de ser obrigado a entender.

 

"Não digas nada à mãe, por favor!" - implorou-me. E eu não disse... Será que fiz bem? Não sei. Tenho as minhas dúvidas.

É incrível a falta de responsabilidade dos jovens nos dias de hoje. Sexo fácil, sexo descartável. No fim, é só tomar um comprimido e já está. Não há mais problemas.

 

pílula_do_dia_seguinte_atrasa_menstruação.jpg

 

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