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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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19
Mai16

Aconteceu!

Sr. Solitário

Numa terça-feira, aqui há uns meses atrás, saí de casa com o intuito de arranjar trabalho como tantas vezes faço. A minha irmã disse-me que numa certa e determinada empresa de calçado estavam a recrutar novos colaboradores.

 

Cheguei à referida empresa e disse ao que vinha. Fizeram-me uma pequena entrevista e decidiram dar-me uma oportunidade de três dias para mostrar aquilo que sabia fazer no ramo, e depois logo decidiam se realmente ficava ou não com o emprego.

 

Claro que fiquei logo todo eufórico, pois ao tempo que andava à procura de uma oportunidade, por pouco que seja, é que já nem se trata de questões económicas mas também de questões psicológicas. Estar em casa tanto tempo não dá um bom resultado mental, asseguro-vos. É ver as dificuldades a aumentar, as contas que não param de crescer, e eu a sentir-me um completo inútil sem uma resolução possível. É desgastante, desesperante!

 

Comecei a trabalhar numa quarta feira. A princípio a coisa não estava a correr muito bem. O trabalho era como cortador de calçado, mas não era à maquina, era cortar a pele toda à mão. A única experiência que tinha era de uma pequena formação que tirei, não era assim nada muito produtivo. No entanto, as horas passaram e o trabalho já estava a correr bem melhor. Vai tudo da prática que ao longo do tempo vamos adquirindo. Fiz logo novos amigos, estava bastante contente, finalmente estava a fazer parte de uma sociedade normal!

 

No final do dia de quinta-feira chamaram-me para uma reunião que ia decidir o meu futuro naquela empresa. Então não eram três dias de experiência? Pois, parece que não foi necessário...

Todo eu tremia, o meu futuro estava nas mãos de três pessoas que estavam na minha frente e que me pediram amavelmente que me sentasse, de rostos fechados. Chefe de secção, diretora de recursos humanos, diretor geral.

 

A conversa foi mais ou menos isto:

 
Diretor: O feedback que temos de si é bastante positivo. No entanto, procuramos uma pessoa com mais experiência, o que não impede que futuramente não o chamemos, tem que aguardar, mas não deixe de fazer a sua vida por causa disto, pois não é uma garantia. Iremos colocar à experiência mais candidatos. Depois iremos decidir.
 
Eu: Claro. Eu vou receber os dois dias que estive aqui a trabalhar?
 
Diretor: Ah... Não. Quando alguém está à experiência não ganha qualquer vencimento. No entanto é mais uma experiência que pode juntar ao currículo.
 
Eu: Posso só me despedir dos meus colegas?
 
Diretor: Claro que sim! Ainda vai acabar o seu trabalho até às 5 e meia!
 
 
A minha vontade no momento foi levantar-me e, sem me despedir, pegava nas minhas coisas e saía porta fora. Mas eu sou uma pessoa que tem educação! Quer dizer, não ia receber nada pelo trabalho que fiz, mas tinha que o cumprir até ao termo do dia. Mas afinal estamos aonde?! Isto revoltou-me de tal forma que fui embora a chorar. Os meus recentes colegas ficaram todos cheios de pena por me ir embora. Ganhei a simpatia e o respeito por todos eles. Acho que só por isso até valeu a pena.
 
 
Conclusão: Estive dois dias a trabalhar para aquecer. Pelas leis que temos no nosso país não temos direito a qualquer vencimento quando estamos a fazer uma experiência. Gastei gasolina e outras despesas para nada.
Aspeto positivo: o meu currículo irá aumentar... será que isto é um aspeto positivo?
 

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