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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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27
Abr16

Bullying (parte 1)

Sr. Solitário

São 7h da manhã.

Acordo com uma sensação de medo. Hoje será mais um dia de aulas naquela escola que não gosto, que só me traz más recordações.

Não quero ir para a escola. Talvez se fingir que adormeci, a minha mãe não dá por ela e assim consigo esquivar-me de ir à escola hoje. Só hoje...

Faço uma pequena oração ao meu Deus para que a minha mãe também adormeça... Mas ela acabou de chamar por mim. Oh não!!

Levanto-me, visto-me, tomo o pequeno almoço e, resignado, vou apanhar o autocarro para a escola, a pé, de cabeça baixa.

Só peço que hoje ninguém dê por mim, que ninguém se lembre que eu existo. Queria tanto tornar-me invisível para todos.

 

Chego à escola e, discretamente, vou para a porta da minha sala. Subitamente, alguém me bate na cabeça e me chama de bicha. Esta é a minha alcunha na escola: "bicha". Odeio que me chamem isso, principalmente à frente de toda a gente. Tenho vergonha. Os colegas riem-se tanto e eu calo-me. Não protesto porque senão é pior. Tenho medo deles.

 

A caminho da sala vejo, no meu caminho, alguém que costuma gozar muito comigo também. Tremo da cabeça aos pés. Dou meia volta e vou para a sala por outro caminho para não me cruzar com ele. Parece que ele não me viu. Tenho que andar sempre assim, alerta!

Chego à porta da minha sala. Alguns dos meus colegas já lá estão. Uns dizem-me "olá tudo bem?", outros dizem "chegou a bicha" como se eu fosse alguma criatura nojenta, execrável.

 

Falo com os meus amigos e conto como foi o meu fim de semana. A professora chega e vamos para a aula.

Durante a aula, a professora coloca-nos questões. Eu sei a resposta a muitas delas, mas não me atrevo a responder porque senão serei motivo de chacota mais uma vez. Se respondo mal é porque sou estúpido, se respondo bem é porque sou um convencido que acha que sabe tudo! Prefiro estar calado. Qualquer coisa por mais pequena que seja serve de motivo de riso e de agressão.

 

Durante o intervalo como o meu lanche sozinho. E passeio sozinho. Alguns rapazes me vêm e dizem "olha a bicha"! Um deles olha para mim com nojo e pergunta-me o que estou ali a fazer. Não respondo e continuo a caminhar. Até que ele me diz "mata-te, faz um favor à humanidade e mata-te!".

 

Tenho vontade de chorar. Por vezes choro na casa de banho, longe de todos. Não quero contar a ninguém o que se passa se me virem a chorar. O facto de contar é uma vergonha para mim.

O dia vai passando e, finalmente, chego a casa. Não conto nada a ninguém, guardo-o só para mim. Se a minha mãe soubesse tantas coisas que tinha vontade de lhe contar... Ficava a falar uma noite inteira! Muitas vezes deito-me e choro em silêncio até adormecer...

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