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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

07
Mai16

Bullying (parte 2)

Sr. Solitário

São 17 horas. O dia começa a findar-se, pois estamos no horário de inverno. Não tive a ultima aula do dia mas tenho que esperar pela hora do autocarro aqui dentro da escola. O autocarro chega sempre por volta das 18:30 só. Para passar o tempo caminho pela escola e fantasio muitas coisas na minha mente, brinco ao faz de conta.

Existe um mundo paralelo na minha cabeça, um mundo imaginário, sonhador. Nesse mundo acontece tudo aquilo que eu quero que aconteça. Nesse meu próprio mundo eu sou um herói e todos os alunos da escola gostam de mim e dão-me palmadas nas costas, congratulando-me.

 

Depois de um dia exaustivo de aulas com algumas agressões verbais à mistura, a minha vontade é chegar rapidamente a casa, jantar e ver televisão até à hora de me deitar. Ou então brincar com os meus verdadeiros amigos, os meus vizinhos. Na escola não tenho amigos, só pessoas que gozam comigo e me tratam como se fosse lixo.

 

De repente, eis que surgem dois rapazes na minha direção. Não gosto deles... Fazem-me coisas horríveis. O meu coração começa a bater descompassadamente. Dá-me um frio na barriga... Nunca senti tanto medo em toda a minha vida, pois eu sei o que aí vinha...

A primeira coisa que me dizem quando chegam perto de mim é apenas um "olá".

Seguidamente cospem-me na cara!

Escondo a cara com os braços, horrorizado. Continuo a caminhar pensando que isto acaba por ali. Mas eles continuam. Cospem-me da cabeça aos pés deixando-me sujo, nojento! Tento fugir, mas um deles agarra-me para que não possa fugir mais. O outro continua a cuspir. Riem-se muito de mim e daquilo que estão a fazer.

Não digo nada, fico em silêncio. Não sei que dizer, mesmo que diga alguma coisa será pior para mim. Podem-me bater.

Ser cuspido é horrível! Mas se me baterem é pior, vai doer mais.

 

Anoiteceu e não há ninguém na escola à vista para me ajudar.

Finalmente eles param e eu fujo para a casa de banho. Passo água na cara e na roupa para limpar a expectoração toda que tenho deles. Fico com nojo de mim próprio, com um cheiro nauseabundo que me dá vómitos. E choro, choro muito! A água que passo no meu rosto e cai pelo ralo abaixo também levam as minhas lágrimas salgadas e amarguradas. Tenho vontade de desaparecer.

 

Chego a casa e não conto nada a ninguém. É humilhação demais ter de contar uma situação tão nojenta, tão cruel. Iriam gozar ainda mais comigo por eu não saber defender-me de tamanhos actos. Mas como posso eu defender-me se tremo de medo da cabeça aos pés!

Amanhã será outro dia...
 

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