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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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27
Mai16

Bullying (parte 3)

Sr. Solitário

Estamos em setembro, no ano de 2000. Mais um ano letivo irá começar. E a minha tortura também. Depois de 9 meses sob agressões de todo o género, 3 meses de férias é muito pouco, não chega para curar as feridas.

 

Ao entrar novamente pelos portões da escola após as férias, faço-o a medo, com um aperto muito grande no peito, pois eu sei perfeitamente o que vai acontecer durante mais um ano. No fundo de mim, tenho uma esperança que, pelo menos, o meu principal agressor tenha mudado de turma ou que no mínimo não fiquemos na mesma mesa. O ano passado ele era o número 11 e eu o 12.

 

Dirijo-me à sala polivalente onde estão afixados os horários e as listas das turmas. Nada mudou. Ele continua a ser o 11 e eu o 12. Iremos partilhar mais um ano a mesma mesa. Mais um ano em que o agressor estará tão perto de mim, torturando-me mesmo durante as aulas. Eu não mereço! Ninguém merece.

Uma das minha amigas diz "vais ficar outra vez a beira do (***) ,que horror!". Pois é, é mesmo um horror, mas ninguém quer saber, tenho que aturar. É a vida.

 

Vou para a sala onde vou ter a primeira aula. Pelo caminho ouço "olha a bicha" e dão-me uma chapada na cabeça em jeito de boas vindas. Os outros riem-se de mim.

Não digo nada, nem um ai! Porque se eu disser "ai" eles gozam logo comigo. Um homem nunca diz "ai", isso é coisa para abichanados, como eu.

 

Na aula é-nos pedido para preencher uma ficha. Estou tão transtornado que me engano a escrever a minha data de nascimento. O agressor que está ao meu lado apercebe-se e diz em alto e bom som "ó moço, nascente em 2000?! És mesmo tono!" Outra chapada na cabeça. Os outros riem-se. A professora faz de conta que não viu nada. Estão mais de 20 pessoas naquela sala, mas ninguém viu nada.

 

Durante a aula, o principal agressor começa a rasgar folhas do caderno, amachuca-as e põe-nas dentro da minha camisola. Eu tiro-as. Ele diz que se volto a tirar alguma chego lá fora e ele parte-me os dentes todos. Ele continua. Eu fico quieto. Mas não consigo aguentar mais e começo a chorar. A professora pergunta o que se passa e porque estou a chorar. Não consigo responder e ela manda-me lá para fora para respirar um pouco de ar.

Ele fica lá dentro como se não tivesse feito nada. Quem me mandou chorar? Assim perdi a aula. Problema meu.

 

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