Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Mar16

Carta ao meu pai

Sr. Solitário

Olá pai.

Como estás?

Já faz tanto tempo que não te vejo, mas ainda penso em ti, principalmente hoje, que é o teu dia. Nunca festejamos o dia do pai cá em casa, simplesmente porque nunca estiveste cá neste dia, e nos outros também não. Festejamos sim o aniversário da minha irmã, tua filha, que também se realiza no dia de hoje. Já lhe mandei uma mensagem de parabéns, ficou contente e agradeceu.

 

Pelas redes sociais circulam imensas mensagens e fotografias de todos os pais do mundo, mensagens de agradecimento, de carinho, de amor. Tenho inveja deles, sabes? Eu também queria partilhar uma fotografia minha com o meu pai, agradecendo-te, dizendo que te amo... Mas não tenho nenhuma. Para além disso, penso, agradecer-te o quê? Se nunca me deste nada. Ah sim, deste! Sempre me deste a tua ausência.

 

O facto de o teu casamento ter terminado, não significa que a relação com os teus filhos também termine. Seremos sempre teus filhos, sempre! E dói, pai, dói saber que quando te perguntam por nós, tu respondas simplesmente "eu não tenho filhos".

Doeu muito quando liguei para a Tia, perguntando por ti, dizendo que queria falar contigo, e tu disseste que não querias falar comigo. Essa mágoa marcou-me profundamente e irá acompanhar-me até ao fim dos meus dias. Qual foi o mal que te fiz, pai? Será que o simples facto de eu existir é um problema para ti? Eu não pedi para vir ao mundo. Não é justo eu ter de pagar pelos erros dos outros, os erros dos "adultos".

 

Sabes que tens duas netinhas lindas que ainda não conheces? Não sentes curiosidade em saber como são elas, o que fazem no dia-a-dia, como se chamam? São tuas netas, sangue do teu sangue.

 

Não estou a escrever isto para te culpar de algo, para te fazer sentir mal. Apenas quero te dizer que sinto a tua falta, pai. Faz 8 anos que não te vejo, que não sei nada de ti. Talvez o orgulho de parte a parte faça com que este afastamento se torne cada vez maior, mas desta vez não sou eu que tenho de te procurar. Se não quiseste falar comigo, não sei qual seria a tua reação se aparecesse aí em tua casa e, sinceramente, tenho medo do que possas dizer, que me magoe ainda mais.

 

Já te procurei uma vez. Voltaste para logo depois ires embora outra vez. Mudaste de número, cortaste qualquer ligação existente entre nós.

Se voltares novamente e passado um tempo se te afastares, como já aconteceu, a ferida sarada irá reabrir, e irei sofrer mais uma vez a tua ausência.

Não sei se quero voltar ao mesmo. É melhor sofrer de uma vez.

 

E tu pai, ainda pensas em mim? Em nós? Faço esta pergunta a mim próprio tantas vezes!

 

Até um dia, pai. Feliz dia.

18 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D