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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Sr. Solitário

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14
Fev18

Dia de São Valentim

Sr. Solitário

14 de fevereiro de 2000

 

Anda tudo num alvoroço aqui na escola porque hoje é dia de São Valentim, o dia dos namorados. Até os professores estão mais brandos. Eu ainda não entendo muito bem o que significa o amor, esse sentimento que muitas das minhas colegas dizem sentir, e que, na minha opinião, são demasiado novas para isso. A maior parte delas já dão beijos na boca... que horror!

 

Hoje sinto-me mais nervoso que o habitual, pois sei que aquela miúda que anda sempre atrás de mim é bem capaz de me mandar uma carta hoje no "correio do amor", uma atividade que uma turma realizou que basicamente recebem as cartas devidamente endereçadas e depois as distribuem durante as aulas. Vai ser uma vergonha, vão todos fazer troça de mim, já sei.

A verdade é que eu penso seriamente que ela anda a gozar comigo, não sei, ela é uma chata, não me deixa em paz. Até me escondo na casa de banho para ela não me chatear, fujo dela como o diabo foge da cruz!

 

Durante a aula de Ciências Naturais lá chegam elas todas sorridentes prontas para distribuir as malditas cartas. "É agora" - penso e rezo para que aquela miúda parva me esqueça de uma vez por todas. Mas... eis que ouço o meu nome. A minha cara adquire tons de vermelho escuro e sinto-me a ferver. Já ouço as gargalhadas e as piadas que os meus colegas gostam de proferir. Com mãos trémulas, levanto-me e vou buscar a carta que me é dirigida.

 

Olá, tudo bem contigo?

Queria te dizer que gosto muito de ti. Eu sei que não acreditas, mas os meus sentimentos são verdadeiros.

Beijinhos apaixonados.

 

Escondo a carta entre os livros, mais tarde rasgo-a em mil pedaços e atiro-a para o caixote do lixo. Consigo odiá-la ainda mais por fazer-me passar mais esta humilhação.

Passado um tempo, acabou por desisitir, cansada ou não da brincadeira, não sei. Nunca soube. Nunca mais a vi.

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