Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Jul16

Memórias - Domingos da minha infância

Sr. Solitário

Sempre acordei muito cedo, mesmo ao domingo, o dia em que a maioria das pessoas aproveita para descansar mais um pouco.

A minha mãe nunca tinha trabalho comigo, sempre fui independente desde pequeno. Levantava-me sem ser preciso chamar por mim, preparava o meu pequeno almoço, vestia-me e calçava-me e saía de casa até à paragem do autocarro que apanhava para ir para a escola.

 

Mas aos domingos era diferente, era sempre um dia especial, principalmente de manhã, pois ao fim do dia já algumas borboletas passeavam pelo meu estômago, aquela ansiedade de saber que no dia a seguir tinha aulas.

A minha mãe também acordava cedo ao domingo de manhã, bem cedo, para fazer algo que todos nós recordamos com muita saudade, ainda nos dias de hoje. Acender o forno a lenha para cozinhar uma grande assadeira de carne assada, com arroz.

 

Ligava o rádio e, ao som do folclore, preparava o nosso pequeno banquete. Eu acordava sempre a ouvir a voz do locutor da rádio informando os seus ouvintes da próxima música que iria tocar, e lá começava aquela melodia tipicamente portuguesa que dá logo vontade de dançar. Ainda consigo sentir o cheiro e ouvir o crepitar das chamas que lambiam as achas, aquecendo assim o forno para receber a assadeira completa e cheia do tempero característico e diferente da minha mãe.

O forno já era velho e, para o fechar, era preciso fazer uma massa com água e farinha para tapar os buracos. A farinha secava e ficava dura, tão dura que para a retirar era preciso usar uma faca.

Eu e as minhas irmãs brincávamos muito com a massa que sobrava, era a nossa plasticina.

 

Digam-me o que disserem, não há comida melhor que um bom assado num forno de lenha, não há melhor! A carne ficava tenra, saborosa; as batatas tostadinhas e cheias de molho que nos dava água na boca só de olhar; o arroz de forno, o meu preferido, tostadinho por cima e de um sabor incomparável!

 

A minha mãe por vezes diz: "que saudades eu tenho do meu forno a lenha" e eu concordo em absoluto com ela. Vivíamos numa casa que não tinha muitas condições de habitação, mas éramos muito felizes à nossa maneira. Ficam para sempre as recordações.

 

32 comentários

Comentar post

Pág. 1/2

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D