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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

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05
Abr16

Pai

Sr. Solitário

Decidi ir caminhar um pouco, no domingo de manhã, logo após escrever o último post. Levei o telemóvel no bolso do casaco. Quem me visse de longe percebia que estava a falar sozinho. Ensaiava a conversa que estava prestes a ter com o meu pai.

 

A pergunta que se formava na minha mente era: o que dizer a um pai que já não vemos nem falamos há 10 anos atrás? Várias conversas surgiram na minha cabeça, todas diferentes, mas com o mesmo sentido. Até que, de repente, disse a mim próprio que não tinha que ter receio de coisa alguma. Vou falar com o meu pai, não é com um estranho!

 

Peguei no telemóvel. Procurei o contacto mais recente da minha lista chamado "pai", respirei fundo e carreguei na tecla de chamada.

Ouvi vários toques de chamada do outro lado da linha, "ele não vai atender" pensei eu já inseguro das minhas próprias convicções. Até sustive a respiração tal era a expectativa!

Após 3 ou 4 longos toques, que me pareceram a espera mais longa da minha vida, alguém atendeu. Uma voz tão familiar disse um "estou", também ele na expectativa. Eu só consegui dizer "bom dia" com um sorriso nervoso.

 

"És tu, meu filho?" - perguntou-me ele. Esperei 10 anos para ouvir estas palavras. Meu filho. O dia, outrora cinzento, iluminou-se, ou melhor, iluminou-me a mim agarrado ao telemóvel com tanta força para ele não cair, não quebrar aquela linha tão cheia de sentimento, como um laço de sangue, sangue do meu sangue, a comunicação de um pai para um filho.

Naquele momento reconheci que nós damos tanta importância a coisas da vida tão insignificantes e esquecemos-nos do mais importante, que é o amor da nossa família, que de tão forte que é, é capaz de quebrar todas as barreiras, até aquelas mais difíceis, endurecidas pelo tempo.

 

"Conheceste a minha voz?" - perguntei eu todo eufórico, não cabia em mim de contente.

"Então não conheço? Claro que conheço! Caramba, há tanto tempo, meu homem!!".

 

Sabem aquele vazio que alguns de nós sentimos na alma, aquele vazio profundo que nos marca, deixando ali uma parte sem preenchimento... Esse vazio que sentia foi preenchido ali mesmo, no passeio de uma rua molhada, com o vento a esbofetear o meu rosto, num dia cinzento, mas tão cheio de luz.

 

Não sei precisar quanto tempo estivemos ao telefone, falando de tudo e mais alguma coisa, havia tanto para falar, mas tanto!! As palavras atropelavam-se ao saírem, com a respiração entrecortada.

Falei-lhe na vontade que tinha em o ver, vontade essa que foi imediatamente mútua, e marcamos um encontro para esse mesmo dia à tarde.

 

Encontro esse que contarei mais tarde.

 

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