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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

22
Mai17

Sede de amor

Sr. Solitário

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Vivemos numa sociedade sedenta de amor. Corpos desidratados, ressequidos  e mirrados, procuram desesperadamente uma gota de afeto num mar salgado de amargura e angústia. Como são tolos aqueles que tentam enganar a própria mente, comprando a felicidade a preço de saldo, reconfortando o coração com migalhas de momentos fugazes. O amor deixou de ser um sentimento simples, agora é uma joia rara de difícil acesso, e qualquer imitação, uma reles bijuteria, é perfeitamente aceitável.

 

Como eu gostaria de oferecer milhares e milhares de frascos como este a todos os que comigo se cruzam, apregoando um produto milagroso, para consumir com moderação! Bastava retirar delicadamente a rolha de cortiça e sentir a doce fragrância do amor, aquela que preenche as lacunas da nossa alma, que nos arranca sorrisos e suspiros de satisfação.

Contudo, tudo isto não passa de mais uma ilusão. O amor, essa joia invulgar finamente trabalhada, não se vende e não se oferece, apenas se sente. Qualquer semelhança com outro sentimento é apenas mais uma falsificação.

 

08
Mar17

Às mulheres da minha vida

Sr. Solitário

Diz-se que hoje é o Dia Internacional da Mulher. Não concordo muito com isso, para ser franco. Para mim, o dia da mulher, dia do homem, dia do ser humano, é todos os dias.

Enlevado pelo simbolismo presente neste dia, em que tudo se enfeita em tons de rosa, deixem-me dizer que admiro muito o mundo feminino principalmente por todas as suas conquistas pela independência do género. Ainda há cerca de 40 anos atrás, uma mulher não podia sair do país sem antes ter permissão prévia do marido, a sua assinatura num papel que a autorizasse a fazê-lo, uma coisa que para mim me faz imensa confusão, era como se a mulher não tivesse vida própria, estando sempre à mercê das ordens de um homem.

 

Contudo, para não fugir à regra já de si muito enraizada na sociedade, decidi escrever este texto tão singelo dedicado às mulheres da minha vida. Quem o estiver a ler, quiçá pensa que sou um homem que tem vários relacionamentos amorosos... nada disso! As mulheres da minha vida são simplesmente a minha avó, a minha mãe, as minhas irmãs e as minhas duas sobrinhas.

Cada uma delas é especial à sua maneira, ocupam uma boa parcela do meu coração, e a quem devo uma grande parte daquilo que sou hoje, do ser humano adulto e responsável em que me tornei e do qual me orgulho.

A todas elas, o meu muito obrigado por existirem e por fazerem parte da minha vida.

 

Não quero, de forma alguma, deixar de parte todas as mulheres a quem eu posso chamar de amigas, incluindo também vocês, minhas queridas leitoras, a quem muito estimo. Desejo do fundo do meu coração que tenham um dia repleto de carinho, afeto e ternura. Que todas as vossas conquistas perdurem no tempo e que jamais percam essa sensibilidade que tão bem vos define.

Feliz Dia para todas.

 

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16
Fev17

As palavras que nunca te direi

Sr. Solitário

Nunca sei como começar um texto. As palavras que quero transmitir atropelam-se umas nas outras e agrupam-se numa espécie de novelo uniforme onde não existe uma ponta por onde pegar. Eu não sou escritor, não sei escrever textos bonitos cheios de significado, com uma mensagem especial... eu não sei escrever sobre o amor! Sim, o amor, esse sentimento difícil de descrever. Digo muitas vezes que eu não sei amar, não sei mesmo! O amor é um sentimento bom, é algo especial; para mim o amor é sinónimo dor. Amar alguém magoa-me... eu não sei amar.

Hoje, sinto necessidade de escrever sobre amor, mas como posso eu escrever se não sei amar?

 

Num dia desta semana vi-te. O meu coração deu um salto, o meu corpo tremeu, a minha visão ficou turva. Ao ouvir a tua voz, todos os outros sons dissiparam-se. Olhei-te mas tu não me olhaste. O meu dia colorido ficou cinzento, sem vida, sem cor, quando ultrapassaste aquela porta, para onde os meus olhos não conseguiram te alcançar. Todas as memórias passadas invadiram-me, todos aqueles momentos que passei contigo e que considero especiais passearam pela minha cabeça, e o meu coração ficou pequenino.

 

Tu não desconfias nem um bocadinho deste meu sentimento, sempre o soube esconder muito bem ao longo destes anos, nunca tive coragem para te dizer, é um segredo só meu. Mas, como já referi neste meu longo texto que não sabia como começar, amar magoa-me. Este sentimento que trago cá dentro, e não deixo sair, sufoca-me! E eu não sei como lidar com ele. Eu gosto de ti, gosto tanto mas tanto que era capaz de tudo!

Eu não te vou apresentar este meu amor, não posso simplesmente chegar ao pé de ti e dizer: "olá tudo bem? Este coração bate mais forte quando te vejo!". Eu não tenho esse direito, não depois de todos estes anos, não depois de tu já refazeres a tua vida. Não tenho esse direito.

 

Estas são as palavras que nunca te direi.

 

06
Nov16

A importância de um abraço

Sr. Solitário

Sabiam que um abraço, para além de ser uma demonstração de afeto, também é capaz de prevenir doenças relacionadas com o stress e diminuir a suscetibilidade de contrair infeções, conforme um novo estudo da Psychological Science?

Segundo Sheldon Cohen (professor de psicologia da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais na Pennsylvania - EUA) as pessoas que enfrentam algum conflito são menos capazes de lidar com efeitos da gripe, da mesma forma que as pessoas que admitem ter apoio social são parcialmente protegidas dos efeitos do stress, em estados de ansiedade e depressão.

 

Para Sheldon Cohen e a sua equipa de pesquisadores, o estudo sugere que ser abraçado por uma pessoa de confiança pode atuar como um meio eficaz de transmitir apoio e “o aumento da frequência de abraços pode ser um meio eficaz de reduzir os efeitos nocivos do stress”.

“De qualquer maneira, aqueles que ganham mais abraços estão, de alguma maneira, mais protegidos de infeções”, diz.

Mais informações aqui.

 

Vai um abraço?

 

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13
Out16

O convite

Sr. Solitário

Um convite chegou-me às mãos num envelope branco, escrito com o meu nome numa caligrafia solta. Soube logo do que se tratava e o meu coração encheu-se de orgulho, admirando a coragem do meu primo, uma bravura que certamente eu não teria. É preciso ser-se muito homem neste mundo para assumir-se como homossexual.

Ao abrir o sobrescrito, este continha um convite de casamento muito original. João e Steven decidiram casar-se em Portugal, ao abrigo da lei portuguesa, convidando todos os familiares e amigos, sem exceção. Uns aceitaram de bom grado em comparecer à celebração; outros aceitam apenas por curiosidade, afinal é algo de diferente; os demais não aceitarão, alegando que é um acontecimento que não faz sentido, não é normal.

Evidentemente que eu vou, faz todo o sentido que eu vá, faço questão em comparecer e felicitar os recém-casados. Será algo único e inesquecível que terei todo o prazer em participar.

 

Trata-se de amor, de felicidade. É a união de dois seres humanos que se amam e se completam, independentemente da orientação sexual que têm. Guardo este convite com todo o cuidado dentro do envelope e, por vezes, olho-o ainda com mais admiração. Penso em como irei vestido e várias ideias surgem-me na cabeça. Não que queira tirar protagonismo aos noivos, nem pensar! Mas quero marcar a minha presença e fazer desse dia o início de uma longa caminhada para que todos nós sejamos aceites no seio familiar e na sociedade em geral.

 

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12
Out16

Avó

Sr. Solitário

A porta estava aberta quando cheguei, como sempre esteve durante o dia, convidativa, deixando o sol entrar para iluminar o pequeno corredor que dá acesso às outras divisões de uma casa antiga, em pedra, cheia de recordações, cheia de sentimentos. Uma pequena habitação que recebeu e viu crescer filhos, netos e bisnetos, três gerações.

Entrei no vestíbulo e o chão de madeira rangeu sob os meus pés. A cozinha fica do lado esquerdo e é lá que vejo a minha avó sentada num cadeirão, de olhos semicerrados, completamente absorta da minha presença recém-chegada. A Fátima Lopes fala através da televisão, promovendo um passatempo qualquer, mas ninguém lhe presta atenção.

 

Ajoelho-me perto da minha avó para tentar ter algum contacto visual com ela. Digo-lhe "olá avó" numa voz doce e calma, acompanhado de um sorriso. Ela olha-me desconfiada e murmura uma espécie de saudação. Não me reconhece, nem eu esperava que o fizesse, já há muito tempo que a doença de Alzheimer lhe roubou as memórias, fazendo-a esquecer de tudo e de todos, até do neto que sempre cuidou e mimou.

Ofereço-lhe a minha mão e ela agarra-a com força como se aquele toque a trouxesse de novo à vida. Faz menção de se levantar e eu digo-lhe que não faça isso, ao que ela desiste e diz-me "não, eu não vou". Acaricio a sua mão que outrora me acariciou a mim, e ela acalma-se. Queixa-se de algo que não consigo perceber, ou simplesmente quer atenção. Falo-lhe como se estivesse a falar com uma criança e ela concorda com tudo aquilo que digo.

Por vezes reclama, diz impropérios, tenta bater... porém, comigo nunca o fez. Será que se esqueceu totalmente do seu neto? De vez em quando penso que não, ou quero acreditar nisso.

 

Após um longo instante, tento soltar a minha mão da dela para ir até lá fora, à carpintaria do meu falecido avô que nunca cheguei a conhecer, observar os canários do meu tio que propagam a sua melodia. Ela agarra a minha mão com mais força para me impedir de sair dali. Um a um, solto os seus dedos de forma afetuosa, para não a magoar.

Recosta-se no cadeirão e eu saio da casa continuando a minha visita não só à minha avó mas a todos os cantos daquela habitação, e em todos eles tenho uma recordação que seja.

 

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19
Ago16

Coração de Papel [3]

Sr. Solitário

Pedro é um jovem bonito, moreno, atraente. É um estudante repetente de Literatura. Mudou-se de faculdade e para longe da sua terra para alcançar melhor a sua independência.

Encontrou alojamento num apartamento onde vive Mariana e Alexandre, dois amigos inseparáveis.

Pedro é um novo estudante da zona que desperta algum atrativo entre as jovens estudantes, porém o seu interesse recai sobre Alexandre, um rapaz sensível e necessitado de proteção.

Contudo, Alexandre tem muitas dúvidas sobre a sua orientação sexual, uma fase de aceitação nada fácil de ultrapassar.

Será o amor capaz de transceder todas as barreiras do preconceito?

 

Em setembro chega...

 

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Está escrito!

12
Jul16

Porque isto não são só blogs

Sr. Solitário

Não, nós não somos apenas pessoas que gostam de escrever coisas sem importância que nos vêm à cabeça, somos muito mais que isso; não somos apenas pseudónimos, somos humanos; não comentamos os blogs uns dos outros só para ter mais visibilidade, nós gostamos mesmo uns dos outros, como se de uma família se tratasse.

 

Isto não são só blogs. São toda uma partilha de conhecimentos, de exemplos, desabafos, devaneios, risos, lágrimas. Carinho.

Ontem recebi este livro na minha caixa do correio, com uma mensagem muito especial, da nossa querida Pink Poison.

 

Todos os dias agradeço cada comentário, cada palavra de apoio, cada gesto de carinho que têm comigo, cada mensagem especial na minha caixa de e-mail... Agradeço tudo aquilo que me dão. Até tenho medo de estar a ser repetitivo mas é esta a minha forma de gratidão, tão simples e humilde.

 

Mas hoje, quero agradecer especialmente a alguém que conheço há muito pouco tempo, mas que tornou-se numa grande amiga! Nunca ninguém teve um gesto de carinho como este para comigo, o de dar sem receber nada em troca, sem segundas intenções, e isso deixa-me tão emocionado!!

 

OBRIGADO minha querida. Obrigado de coração. Vou guardar tudo com um enorme carinho, até o envelope, em gesto de gratidão eterna.

 

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23
Mai16

A aletria da minha avó

Sr. Solitário

Não sei se é por causa do tempo que se tem sentido, ainda frio, ou se das saudades que sinto de tempos mais antigos, ontem apeteceu-me comer aletria. Quente, doce, com canela... uma maravilha!

 

Então, arregacei as mangas e decidi fazê-la eu. Mas como eu cá em casa não tenho balança, a coisa não correu lá muito bem, pois tive que a fazer a olho. Quer dizer, não correu assim tão mal, faltava era um pouco mais de açúcar. Contudo, já deu para matar um pouco as saudades. Repeti três vezes!

 

Isto fez-me recuar um pouco nas minhas memórias até a um passado, não muito longínquo, em que a minha avó fazia a melhor aletria do mundo.

Visitava a minha avó regularmente, fazia quilómetros a pé (na altura não tinha carro) para a ir ver e estar um pouco com ela. Sabia-me tão bem todo o carinho que me dava, toda aquela preocupação que tinha sempre para comigo.

Parece que ainda a consigo ouvir nos meus pensamentos a dizer-me, mal eu chegava, "eii Hélder, tu estás tão magrinho! Anda fazer uma sandes. Tenho aqui queijo do bom, que tu gostas!" Ah! Aquelas sandes sabiam-me tão bem! Ainda lhes consigo sentir o gosto.

 

Mas do que eu gostava mais era da aletria que ela fazia. Disse tantas vezes "avó, o que me apetecia mesmo era um prato de aletria acaba de fazer!". E ela prontificava-se logo para a fazer. "Faço já um tacho cheiinho para comeres até não poderes mais! Mas cuidado, que ela quente faz-te mal."

Eu não ligava ao que ela dizia e comia quase meia travessa sozinho. Ela ria-se, e dizia para eu voltar no outro dia que, se fosse preciso, fazia mais aletria para mim.

 

Hoje a minha avó sofre de Alzheimer. Já não se lembra de ninguém, nem de mim, do seu neto mais querido. Nunca mais chamou pelo meu nome e certamente que nunca mais o irei ouvir da voz dela.

Visito-a sempre que posso. Ela já não consegue caminhar, está sentada na cadeira, outras vezes no sofá, olhando o vazio, aquele olhar sem expressão, sem alma. Pego-lhe na mão e afago-a, dou-lhe carinho, retribuindo todo aquele que ela me deu desde que nasci. Sinto essa necessidade.

Por vezes, pego na mão dela e acaricio-a no meu rosto. A minha carência é muito grande!

 

Certo dia perguntei-lhe "avó, você da-me uma sandes?" e ela respondeu-me "dou sim senhora!". Mas eu não a comi, ela não passava na garganta. Saí de perto dela por uns momentos, e chorei como um menino chora com saudades da avó.

 

Tenho a certeza que no coração dela, todos nós estamos lá. Ela pode não lembrar-se, o cérebro dela está cansado, mas ela ainda nos consegue sentir, e ama-nos como sempre amou, até ao fim da sua vida.

 

Saudades avó, saudades da tua aletria, e do teu carinho.

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