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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

09
Mai17

Já não te reconheço

Sr. Solitário

Já não te reconheço. Abro várias gavetas nos meus pensamentos em busca de uma feição, de um gesto, de um carinho que me faça lembrar de ti, mas encontro-as vazias. O teu retrato que guardava bem junto ao meu, na minha mesa de cabeceira, foi rasgado e colocado no lixo num momento de raiva e de frustração. Dele já não restam mais vestígios. O meu permanece sozinho, coberto com uma fina camada de pó, devolvendo-me um sorriso inocente roubado pela lente de uma máquina.

 

Procuro em todos os cantos algo a que me agarrar, talvez mais alguma foto para rasgar, um objeto para destruir... alguma coisa que liberte este desespero que não quero gritar, esta ânsia de fazer justiça com as próprias mãos, num ato de loucura! Quero encontrar-te, ou melhor dizendo: quero encontrar a pessoa que sempre foste para mim e que agora já não és.

 

Este não és tu, já não te reconheço, e eu não sei lidar com esta perda que me consome. Sinto-me sozinho e tenho vontade de chorar.

 

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16
Fev17

As palavras que nunca te direi

Sr. Solitário

Nunca sei como começar um texto. As palavras que quero transmitir atropelam-se umas nas outras e agrupam-se numa espécie de novelo uniforme onde não existe uma ponta por onde pegar. Eu não sou escritor, não sei escrever textos bonitos cheios de significado, com uma mensagem especial... eu não sei escrever sobre o amor! Sim, o amor, esse sentimento difícil de descrever. Digo muitas vezes que eu não sei amar, não sei mesmo! O amor é um sentimento bom, é algo especial; para mim o amor é sinónimo dor. Amar alguém magoa-me... eu não sei amar.

Hoje, sinto necessidade de escrever sobre amor, mas como posso eu escrever se não sei amar?

 

Num dia desta semana vi-te. O meu coração deu um salto, o meu corpo tremeu, a minha visão ficou turva. Ao ouvir a tua voz, todos os outros sons dissiparam-se. Olhei-te mas tu não me olhaste. O meu dia colorido ficou cinzento, sem vida, sem cor, quando ultrapassaste aquela porta, para onde os meus olhos não conseguiram te alcançar. Todas as memórias passadas invadiram-me, todos aqueles momentos que passei contigo e que considero especiais passearam pela minha cabeça, e o meu coração ficou pequenino.

 

Tu não desconfias nem um bocadinho deste meu sentimento, sempre o soube esconder muito bem ao longo destes anos, nunca tive coragem para te dizer, é um segredo só meu. Mas, como já referi neste meu longo texto que não sabia como começar, amar magoa-me. Este sentimento que trago cá dentro, e não deixo sair, sufoca-me! E eu não sei como lidar com ele. Eu gosto de ti, gosto tanto mas tanto que era capaz de tudo!

Eu não te vou apresentar este meu amor, não posso simplesmente chegar ao pé de ti e dizer: "olá tudo bem? Este coração bate mais forte quando te vejo!". Eu não tenho esse direito, não depois de todos estes anos, não depois de tu já refazeres a tua vida. Não tenho esse direito.

 

Estas são as palavras que nunca te direi.

 

16
Jun16

Tio

Sr. Solitário

Faz hoje um ano que partiste. Os médicos já nos tinham preparado para este desfecho, mas por mais que nos digam, por mais que nos preparem, nunca estamos preparados para receber uma notícia tão trágica. Pensámos sempre que não será desta. Afinal a esperança é sempre a última a morrer, não é verdade? As esperanças também partiram contigo nesse dia quente de Junho em que nos deixaste, sem dizer adeus.

 

Estava numa formação quando recebi uma chamada da prima Daniela. "O tio Júlio morreu" - disse-me ela e todo o meu corpo ficou petrificado. Senti frio naquela hora, onde fazia uma temperatura de cerca de 30º, e todo eu tremia. Fiquei em choque. Nunca estamos preparados.

 

Faz hoje um ano que partiste e todos te lembramos com saudade. Recordamos sempre a tua alegria, as tuas peripécias, com sorrisos tristes, de olhos brilhantes. Recordamos também o dia em que te vimos pela última vez, naquela cama de hospital, onde lutaste pela vida até ao fim.

Choramos a tua partida e choramos a tua ausência. Falta uma parte de nós.

 

Hoje, levamos flores, acendemos velas e rogamos preces silenciosas para que a tua alma encontre o caminho da paz. Pedimos que olhes por todos nós, pedimos a tua proteção.

 

Nestas horas não encontramos as palavras certas para descrever aquilo que sentimos, apenas se sente a dor. A dor da perda, aquela dor para a qual ninguém está preparado, aquela que não tem cura.

Encontro nestas palavras uma pequena homenagem que tento fazer para que nunca sejas esquecido. Onde quer que estejas, serás sempre uma estrelinha que brilha, uma luz tão forte capaz de iluminar a noite mais escura, e só eu a consigo ver. Porque enquanto eu conseguir te lembrar, eu sei que estarás sempre perto de mim.

 

Até sempre, tio.

 

 

03
Jun16

O meu silêncio

Sr. Solitário

Se pudesse dizer, se pudesse falar

Tudo aquilo o que estou a sentir

Dava voz à minha dor, ia gritar!

Para que todo o mundo me pudesse ouvir.

 

Iria chorar, eu sei que sim

Mas que posso eu fazer?

Se o destino parece estar contra mim

Não vejo solução senão sofrer.

 

Meu Deus! Estou com tanto medo!

E sinto que preciso ficar sozinho

Tenho de me calar, guardar segredo

Pois ninguém me pode mostrar o caminho.

 

Estou na dúvida, na incerteza

Será que isto pode ser real?

Não tenho uma resposta com firmeza

Mas sei que a partir de hoje, nada será igual.

 

Porque estou com este pressentimento?

Que desespero... Qual a razão?

Não posso ouvir o pensamento

Pois ele está cheio de ilusão!

 

Dentro de mim há uma esperança

De que tudo irá correr pelo melhor

Ah! Se pudesse voltar a ser criança

Iria viver a vida com mais amor!

 

Ajudem-me! Preciso sair daqui!

Levem-me para longe deste tormento

Meu amor, preciso tanto de ti...

Quero dizer-te o que sinto neste momento.

 

Não olhem para mim, quero paz!

Quero fingir que nada aconteceu

Mas será que, no fundo, sou capaz?

Sinceramente, este mundo não é o meu.

 

 

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