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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

08
Mai17

À conversa com... a Gaffe

Sr. Solitário

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Desde 2009 esta blogger abre-nos as gavetas da sua vida, partilhando connosco memórias, desabafos, e tudo aquilo que adorna as suas avenidas, sempre com um toque de humor. Aceitou prontamente este desafio que lhe propus, e hoje está aqui neste espaço, sem filtros.

Hoje estou à conversa com... a Gaffe.

 

A palavra exacta é "superficial". Uma rapariga esperta sabe como ninguém que as tolices fúteis são autênticos temperos nestes nossos assados, cozidos e grelhados. Basta utilizar a dosagem certa e não exagerar na malagueta.

 

Solitário: Olá, bem-vinda ao meu espaço. Começo por te perguntar: porquê o nome Gaffe?

Gaffe: Olá! Obrigada por me receberes.

Não sei exactamente porque escolhi Gaffe para encimar o que escrevo. Provavelmente era a palavra que estava na minha frente quando decidi criar as Avenidas, mas quero acreditar que foi por sugestão de um amigo muito querido. Todas as minhas gaffes são atribuídas a amigos meus...

 

S: Criar um blog, no meio de tantos outros, foi um "erro"?

G: Foi um Impulsivo. Nenhum dos meus impulsos se traduziu até agora num erro. No momento exacto em que o considerar como tal, ou seja, um erro, as Avenidas serão inundadas e submersas. Embora a Gaffe se aproxime cada vez mais de mim - e tantas vezes correndo alguns riscos -, continua a proteger-me e a reservar-me. É uma rapariga esperta e, como todas as raparigas deste calibre, sabe que não interessa o que se diz, mas o modo como é dito.

 

S: Passeando pelas tuas avenidas, o que podemos encontrar?

G: Pequenas confissões, alguns desabafos, paisagens emocionais, lenha para atirar à fogueira, muita tolice e um ligeiro sabor a piroso. Nada mais. Não sou de cuidadas escritas e nunca garanti qualidade, mas vou lavrando palavras que enchem o espacinho de bonecada. Se uma quantidade imensa de gente arranja tempo para criar um bicho destes, tenho a certeza que também a vou acompanhar. Sou uma rapariga que dá valor às multidões.

 

S: Entre as tuas gavetas digitais podemos encontrar vários temas. Alguma gaveta ainda permanece escondida e fechada?

G: Muitíssimas! Há um manancial de segredos fechados a sete chaves que a Gaffe se vai encarregando de desvendar. O melhor está para vir, tenho a certeza. Recordo, no entanto, que em cada gaveta que abro, há outras que permanecem dentro por abrir.

 

Gosto dos áceres no Outono. Gosto de árvores que enlouquecem como os poetas.

Não gosto do cheiro das pipocas. Impede-me de respirar e de ir ao cinema.

 

S: Quem é o Gui?

G: Provavelmente vou desenrolar um manancial de barbaridades, por não conhecer o terreno que deu origem ao Gui, mas vou tentar explicar o que não entendi muito bem quando me entregaram o “menino”. O Gui começou por ser uma “experiência” da responsabilidade de um ilustríssimo amigo, investigador na área da Literatura Comparada. Não me pertencia e nem sequer tinha nome. Não passava de um estudo no âmbito da linguística. Procurava-se encontrar e medir a influência de diferentes ritmos de leitura, de distintas formas de se respirar, de diversas cadências e pausas no evoluir da leitura, no entendimento da obra que se lê. Após os resultados, um dos “bonecos” que serviram de “tubo de ensaio” - uma criança produtora de textos sem pontuação, de tema aleatório, muitas vezes sem nexo aparente, claramente infantis - seria abandonado, por ter cumprido a sua função com honra e distinção. Foi-me proposto adoptar e desenvolver esta criaturinha. Aceitei. Agora chama-se Gui e continua a escrever as suas “redassões”. É um menino que lê o Universo através das letras que dão corpo ao seu mundo minúsculo.

 

S: Que mensagem pretendes passar com a criação desta personagem?

G: Nenhuma! Sou demasiado nova para ter a veleidade de transmitir seja o que for e demasiado velha para esperar que todas as mensagens sejam interpretadas sem as alterações subjectivas de cada um dos seus receptores que as moldam àquilo que desejam sentir ou que no momento lhes é conveniente. Depois - olhemos para os velhos romanos -, o mensageiro acaba sempre morto. Se olharmos para à frente, vemos que os mensageiros estão todos mortos e as suas mensagens estão enfeitadas com florinhas criadas pelo Photoshop.

 

S: A dor da perda dos teus avós continua eminente. Qual a proporção desse buraco negro que se instalou no teu peito?

G: Não sei responder.

 

S: A luta silenciosa contra a dor é mais difícil de superar?

G: Sinto e sei apenas que o silêncio que faço é a única forma de honrar os que perdi. Nada, absolutamente nada, dignifica tanto a Dor como o silêncio. Creio que este silêncio específico é Deus a chorar. As manifestações histriónicas do sofrimento nunca me convenceram. Provavelmente é um defeito meu. Lembram-se sempre a Ágata – a maravilhosa Ágata - a choramingar.

 

Gosto de pérolas. Provam-me que às vezes é uma agressão que provoca a claridade.

Não gosto do Verão nos dias em que até a sombra tem sol. As ruivas trazem na pele a memória do escuro mais frio que as escondia dos caçadores de bruxas.

 

S: O que gostavas de lhes dizer neste momento?

G: Foi tudo dito. Não ficou rigorosamente nada por dizer. O que não encontrou o som das palavras, foi adivinhado. É patético acreditar que falhamos porque ficaram palavras por dizer. Revela apenas a nossa incapacidade de reconhecer que o amor é também um diálogo completo.

 

S: Ser mãe não está nos teus planos. Tens receio de não ser uma boa mãe ou medo do mundo onde elas viveriam?

G: Não. O problemazinho é outro. Não sou uma galinha de “óvulos de ouro”. Não posso ter filhos. As hipóteses colocadas não chegam sequer a ser consideradas por mim.

 

S: Porque te consideras uma Gaffe bimba? [risos]

G: Porque comprei uma Bimby há muito pouco tempo e ainda estou em modo bimba perante os milagres desta máquina. Refiro contudo que ser-se bimba é entrar em piloto automático. Não custa nada e vamos onde nos apetece sem qualquer preocupação. É relaxante.

 

S: A Gaffe não é uniformizada. O que te difere dos demais?

G: A Gaffe gosta muitíssimo de uniformes masculinos, não esqueçamos.

No entanto, e para contornar a questão sem grandes delongas, ser ruiva é bastante distintivo.

 

Gosto dos telhados de Paris e dos socalcos do Douro, porque só os pássaros os entendem.

Não gosto de baratas e de morcegos. As primeiras sobrevivem mesmo sem cabeça, os segundos enredam a cegueira nos nossos cabelos. Há gente que resulta de um cruzamento entre as duas espécies.

 

S: A Gaffe foi criticada num momento muito peculiar. Queres contar-nos como?

G: Já não me lembro! Fui?! O momento não devia ter sido assim tão peculiar, a não ser que nos estejamos a referir à ocasião em que dei por mim a ser observada no monitor de um PC, num café esquecido, por duas personagens fabulosas. Nesse instante fiquei a perceber que podemos encontrar Fellini em qualquer esquina da nossa vida.

 

S: Como é que a Gaffe lida com as críticas?

G: De formas distintas. As relativas à minha vida profissional e pessoal são recebidas com atenção, humildade e algum embaraço quando são positivas - ao contrário do que é rumor, não sou arrogante, sou parisiense. As que acreditam que disparam obuses, decido que não existem ou, se muito ruidosas, que usam o penteado de Kim Jong-un.

 

S: Contudo, a Gaffe sente-se cansada. Haverá um limite de caracteres para a personagem por ti criada?

G: Os únicos limites que a Gaffe conhece são os traçados pelo meu carácter.

 

S: Qual o rabisco que nunca apagarias na tua vida?

G: A palavra “rabisco” é aqui polissémica e dificulta a resposta. Os rabiscos que traço nas Avenidas podem ser apagados sem qualquer dano ou malefício. Todos os que vou traçando na vida são indeléveis.

 

Gosto do silêncio. Sobretudo do silêncio que se sente nas memórias que nos falam.

Não gosto de homens que pintam o cabelo. Não se pode confiar em alguém que se engana dessa forma, acreditando que convence os outros. Também não gosto do Dr. Passos Coelho pelas razões idênticas.

 

S: "tu és a guardiã das emoções." Um peso difícil de carregar?

G: Não sei se o “título” está bem entregue. Não sei sequer se o “cargo” pode ser por mim desempenhado com a alma que requer, mas alguém tem de ficar com o trabalho pesado, não é?!

Todos somos guardiões das emoções, só que alguns são apenas carcereiros.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

G: Não. Todas as pessoas que são vítimas do meu amor, sabem pedir desculpa. Quando me pedem desculpa provam em simultâneo que lhes sou importante. Saber ouvir pedir desculpa justifica a importância que me dão.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

G: Nenhum, porque a arquitecta é a minha irmã – “eu é mais bolos” - e os nomes que trago em mim, impossíveis de apagar, não foram gravados por mim, mas por quem amo.

 

Obrigado Gaffe, foi um gosto enorme conversar contigo.

 

18
Abr17

À conversa com... A Desconhecida

Sr. Solitário

a desconhecida.jpg

 

Certo dia, uma simples Desconhecida, decidiu criar um blog. Nele partilha muitas das suas peripécias bem como as suas sugestões de leitura, os seus projetos de uma vida saudável, relatos com os seus miúdos que nos levam às gargalhadas, e histórias fantásticas onde o amor de uma família está sempre presente.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... A Desconhecida.

 

Olá a todos, sou a Desconhecida, tenho 19 anos e ainda muito para viver e aprender! Um dos meus lemas de vida é deixar acontecer naturalmente... Sou uma pessoa simples e hoje estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá, bem-vinda. Porquê o nome A Desconhecida?

Desconhecida: Olá Sr. Solitário! Antes de mais, deixa-me só dizer isto, OBRIGADA! Escolhi este nome porque não queria de todo revelar o meu nome real, queria passar despercebida, queria e quero ser A Desconhecida.

 

S: Quais os teus objetivos com a criação do blog?

D: No inicio não tinha objetivos específicos e acho que continuo a não ter... Criei o blog para falar de mim, das minhas Pessoas... Para me divertir a escrever e para passar o tempo, visto que nessa altura estava meia “parada” na vida.


S: Com apenas 19 anos já tens muito para contar?

D: (risos) Com 19 anos, ainda só tenho algumas coisinhas para contar, ainda tenho muito a viver, muito mesmo, o mundo todo pela frente.


S: "Deixar acontecer naturalmente" é um dos teus planos de vida. Pergunto-te o que desejas fortemente que aconteça?

D: Mal li a pergunta, veio-me logo à mente uma coisa, os exames de acesso ao Ensino Superior, desejo fortemente que corram bem. De resto, deixar acontecer naturalmente... Não gosto de fazer planos, saem furados...

 

Gosto de um bom abraço, daqueles que nos recarregam as baterias. Não gosto de me sentir envergonhada, fico sem jeito.


S: A Desconhecida guarda um terrível segredo... queres contar-nos?

D: Sim, tenho um segredo, que só há pouco tempo consegui revelar aqui nos blogs, é uma daquelas coisas que se põe no fundo do nosso ser e se espera que desapareça... Tinha 12 anos quando aconteceu, quando supostamente aquele tio, o marido da minha tia, o pai dos meus primos mais novos, era para mim uma boa pessoa, passou a ser um monstro horrível e nojento... Colocou uma das mãos por baixo da minha camisola e apalpou-me... Fiquei em choque, nunca contei nada a ninguém... Apesar disto, nunca deixei que este segredo me deita-se abaixo, continuei, e continuo a ter uma vida muito feliz, uma adolescência feliz, com a minha família de verdade, com os meus amigos de verdade, para mim ele já não faz parte da família, apesar de estar quase sempre presente... 


S: O que sentes agora, tantos anos depois, quando te cruzas com o teu tio?

D: Quando me cruzo com ele, é difícil, é difícil porque tenho que falar para ele, e ele continua a falar para mim como se nada tivesse acontecido... Já passaram tantos anos, mas continuo a sentir nojo dele, não olho para ele, simplesmente ignoro-o.


S: Sentes necessidade de fazer justiça?

D: Justiça!? A única justiça que eu gostava que se fizesse era a dele desaparecer para sempre, sinto que a vida ainda se vai encarregar de lhe dar uma lição.


S: Este segredo calado algum dia terá forças para ser contado?

D: Agora sinto que consigo falar melhor sobre isto, desde que consegui contar pela primeira vez... Sinto que consigo contar a mais pessoas... E sinto este segredo a desaparecer... O que não nos mata, torna-nos mais fortes. Por isso, sim, este segredo calado terá força para ser contado.

 

Gosto de dançar, a dança já faz parte de mim. Não gosto de seguir modas, faz-me confusão.


S: Consideras-te uma mulher solteira e feliz. Por opção ou simplesmente porque o amor ainda não aconteceu?

D: Considero-me uma mulher solteira e muito feliz, a nossa felicidade jamais deve depender de outra pessoa... Estou solteira por opção e porque simplesmente o amor ainda não aconteceu... Ainda estou na fase dos amigos coloridos. (risos)


S: Sentes-te capaz de confiar num outro homem?

D: Sim, apesar daquilo que me aconteceu, sinto-me capaz de confiar, até porque tenho bons homens na minha vida.


S: Quem são os teus miúdos?

D: (risos) Ai os meus miúdos, são os meus pestinhas, são os meus primos, do lado materno, ao todo são 13 crominhos lindos, que me enchem o coração!


S: Qual a importância que o humor tem na tua vida?

D: O humor é importante, sim, é um ótimo escape, visto que às vezes a vida tende a ser mais “nublada”, uma gargalhada ilumina logo o dia.

 

Gosto de pessoas, enchem-me o coração. Não gosto de centros comerciais, andar a ver lojas, não é para mim.


S: Catarina é o nome de uma amiga que nunca vais esquecer. Conta-nos o que aconteceu com ela.

D: A Catarina, a minha doce Catarina... Partiu, sem aviso, sem eu poder dizer o que quer que fosse, custou-me tanto vê-la partir... Foi a morte que mais me marcou até hoje, lembro-me de estar agarrada à minha tia, a chorar, e perguntar- lhe o porquê da Catarina ter morrido... Se calhar porque quis... (lágrimas) Percebi então que ela quis morrer, chorei ainda mais, a Catarina suicidou-se, com apenas 15 anos...


S: O que se sente com a perda de uma amiga dessa forma tão trágica?

D: O estado de choque, os choros, a dor, o ter de lidar com a morte de alguém tão próximo, de uma amiga, o suicídio... o funeral, os pesadelos, as saudades, o querer falar com ela, o medo, os porquês, tantos porquês...


S: Alguma vez encontraste explicações que justificassem o seu ato de desespero?

D: Nada me fazia prever que ela se ia suicidar... Mudamos de escola, de amigos, de colegas, ela era tímida, mas acredito que não foi só por isso que ela fez o que fez... Ainda hoje me pergunto qual terá sido a verdadeira razão e não consigo encontrar resposta para tamanho desespero...


S: O que gostarias de lhe dizer neste momento?

D: Espero que estejas num sítio melhor, que tudo o que estavas a sofrer, tenha passado... Adoro-te Catarina! (lágrimas)

 

Gosto de rir, porque rir é o melhor remédio. Não gosto de pessoas que se acham superiores, aborrecem-me.


S: O que gostarias de escrever para sempre na página de um diário?

D: Gostaria de escrever, o quanto a VIDA é bela e que a devemos aproveitar ao MÁXIMO! Carpe Diem!


S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

D: Não, neste momento não sinto que alguém me deva um pedido de desculpas, não guardo rancores de ninguém.


S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

D: Bem, a borracha não, porque o passado faz parte de mim, não o quero apagar, nem pensar. A régua também não, porque as minhas alegrias não se medem, cada alegria é única. A caneta também não, porque não poderia escolher só um nome, seriam vários. Um compasso, huumm, não, o compasso desenha linhas muito retas, o meu mundo é feito de linhas curvas. O lápis, sim, para poder ir escrevendo o meu futuro...


S: Obrigado Desconhecida, foi um gosto enorme conversar contigo.

D: Obrigada eu, por te teres lembrado de mim, gostei bastante, mesmo.

 

24
Jan17

À conversa com Fashion

Sr. Solitário

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Na sua bolsa carrega muitos sonhos, recheados de imaginação, trajados com os melhores outfits. Quando a abre e deixa esses sonhos fluírem, somos invadidos por pensamentos e reflexões transmitidos em letras, que por sua vez perfazem textos lindíssimos, um talento natural que podemos ler e reler no seu blog.

Senhoras e senhores, hoje estou à conversa com... a Fashion.

 

Olá, eu sou a Fashion, tenho 39 (quase, quase quarentinha). Sou uma viajante e estou aqui, sem filtros, no cantinho do Sol, à conversa com ele.

 

Solitário: Olá, bem-vinda. Porquê o nome Fashion?

Fashion: Olá, querido Solinho. Obrigada pelo convite.

Quanto ao nome: começou com uma brincadeira porque gosto de moda e principiei por publicar algumas coisas sobre isso, mas depois tinha uma necessidade enorme de escrever e pensei que as ideias, tal como a moda, também se podiam colocar numa “mala”(que pode ser o coração, a cabeça, a memória...) e assim ficou o nome. Hoje sinto que sou uma Fashion pouco Fashion, mas que tem uma “bag” enorme.

 

S: O que não pode faltar na tua "bag"?

F: Sonhos... sempre.

 

S: Com a vontade de escrever surgiu o blog. O que é que esta janela de oportunidade te trouxe?

F: O Blog  é uma espécie de viagem (aqui também a viagem) . Começou com uma “tela” em branco de um computador. Fiz as malas, apanhei as teclas e  comecei a escrever e a partilhar (algo que precisava muito e nem sabia). Ao início seguia sossegadita, até que comecei a encontrar pessoas pelo caminho; pessoas muito bonitas que todos os dias gastavam um bocadinho do seu tempo para me deixar uma palavra de amizade, de incentivo, para me dizerem que gostam do que escrevo. Comecei a entrar, também, no caminho delas, a introduzir-me nas suas vidas, a aprender com as suas ideias, a viver um bocadinho do seu dia. O que me trouxe, Sol? Uma mala repleta de ternura e de pessoas que já gosto muito. Para além de que estou mais segura, neste momento, acerca da minha escrita (que não é boa, nem má, mas é a minha) e isso consegui-o, sem dúvida, como blog.

 

S: "Uma viajante que apanhou um barquinho e segue rio acima" - é assim que te descreves. Se pudesses virar a direção do vento, para onde o levarias?

F: Sou mesmo uma viajante (a caminho), sem dúvida. Muitas vezes o percurso é, apenas(que é tanto) o da busca de mim e do sentido da vida. Levava-o para a minha infância; que foi tão, mas tão feliz, que  não é possível que as palavras sejam suficientes  para a descrever.

 

Gosto de passear  pelo campo, ou junto ao mar. Não há coisa melhor do que sentir o cheiro do mar, da terra molhada e do ciciar do vento quando toca nas árvores. Não gosto de injustiças. Quem merece deve ser reconhecido, sempre.

 

S: O caminho da tua vida tem sido ardiloso. Porquê?

F: Tem sido complicado por uma única razão: a perda de pessoas que amo, que me parece ser a maior dificuldade que podemos ter. Tudo o resto é um percurso. Tenho lutado muito, sempre, e não sei desistir de nada. Por isso, um dia, hei-de ter orgulho de mim.

 

S: Entre pensamentos e reflexões vamos conhecendo um pouco mais de ti. Qual o pensamento que mais povoa a tua mente?

F: O do sentido da vida, esse é aquele que mais me ocupa.

 

S: Hoje também me apetece ler poesia... Qual o poema que mais te define?

F: Um poema da Maria Rosário Pedreira - “Vieste como um barco carregado de vento”.

 

S: Conta-nos o episódio mais marcante da tua vida... (o AVC da tua mãe)

F: Foi um dos mais marcantes, mas não no momento. Só quando percebi que ela ia ficar limitada e dependente. Senti-me impotente, perdida, muito perdida, mas tive de me focar e pensar nela e em tudo o que teria de fazer para que (ela) não sentisse tanto o que tinha perdido. É nesses momentos que descobrimos forças que não sabíamos que tínhamos... Também é aí que encontramos as pessoas que verdadeiramente gostam de nós.

 

Gosto de ler. Podemos ir onde quisermos e sermos quem desejarmos quando lemos. A Leitura(também a escrita) é uma carta de alforria. Não gosto de hipocrisia. Pessoas que não são, mas fazem de conta que são.

 

S: O sentimento do medo nesse dia foi diferente do habitual? Do que tinhas mais medo?

F: Tive muito medo de a perder, muito. Foi diferente porque penso que só aí tive a certeza que nunca mais encontraria um amor como o de mãe. É tão forte, o amor de mãe.

 

S: Quais as sequelas que o AVC provocou?

F: Limitações na marcha e na mão direita.

 

S: Tornaste-te cuidadora da tua mãe. Sentes que deixaste a tua vida em suspenso?

F: Essa é uma pergunta que muitas vezes me fazem. Eu não sou só cuidadora, sou mãe da minha mãe. Eu passei a ter a responsabilidade por ela e por mim e tive de mudar toda a minha vida. No início pensava que sim, que tinha ficado em suspenso e revoltava-me por isso, hoje penso de forma diferente. Acredito que é uma maneira de retribuir todo o carinho e amor que recebi. É muito difícil, pesado, mas hoje sou melhor pessoa e o que perdi é insignificante comparado com o que ganhei. Em suspenso só está a minha aprendizagem que é constante.

 

S: O amor é mais forte que uma doença?

F: Muito mais.

 

Gosto de viajar. Sinto sempre que cresço sempre que viajo. Vivemos  tanto no nosso “mundinho” que por vezes esquecemos que há muito mais mundo para além do nosso. Não gosto de ver/sentir que alguém está triste. Se depender de mim toda a gente está feliz, mesmo que eu não esteja. Faço tudo para alegrar os outros.

 

S: Qual a batalha mais difícil ao longo destes meses?

F: Fazer com que ela voltasse a andar e que  ficasse o menos dependente que for possível.

 

S: Sentes o dever cumprido ou achas que devias dar mais?

F: Penso que neste momento não consigo dar mais do que dou, mas um dia talvez te diga o contrário, não sei.

 

S: De que modo se dão a conhecer as metamorfoses do espírito?

F: Eu adoro Nietzsche, estudei muito este autor e há muita ideia com que me identifico. O pensamento das metamorfoses vem dele e partilho o seu ensinamento sobre esta questão. Seja individualmente, ou de forma coletiva, todos passamos por uma fase de camelo em que aceitamos a carga sem contestar, para uma fase de Leão onde rugimos (alguns não passam da fase de camelo), mas ainda sem ideias próprias, até à fase da criança onde tudo é novo, nosso e está em aberto. A dificuldade é apenas conseguirmos chegar a esta última fase e escrevermos a nossa história. O nosso espírito (e as sociedades) têm de ser capazes de se reinventar e começar de novo.

 

S: Em que te inspiras para escrever textos tão sentidos?

F: Obrigada pelo” sentidos” (vou considerar isso um elogio). Inspiro-me quase sempre em personagens que tenho dentro de mim e que, muitas vezes, me gritam para que as deixe sair. Não sei explicar de onde vem a inspiração, por vezes basta uma folha de papel, ou uma árvore.

 

Gosto dos meus cães. São os meus amigos de sempre, carinhosos, desinteressados, fieis. Não gosto de egoísmo. Isso é o que irrita mais, gosto de altruísmo e de pessoas que se preocupam com os outros, o inverso é ser uma não pessoa.

 

S: Como se chamaria o livro da tua vida?

F: Em busca de um sentido.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

F: Algumas pessoas, sim.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

F: Um compasso porque o meu mundo serei eu a desenha-lo e a escrevê-lo. Todos os dias desenho um bocadinho.

 

S: Obrigado Fashion, foi um gosto enorme conversar contigo.

F: Obrigada, eu, querido Sol. Vemo-nos por aqui!

 

18
Jan17

À conversa com Magda Pais

Sr. Solitário

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Hoje estou no blog com uma convidada muito especial e muito acarinhada por todos. StoneArt é o nome que compõe os seus blogs, onde a autora conta coisas soltas da sua vida que povoam o seu quotidiano. Sem amarguras nem fatalismos, com aceitação, simplicidade, ironia e alegria.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Magda.

 

O Sr Solitário convidou-me para uma conversa sem filtros e eu aqui estou. 47 anos de idade (se não me falham as contas), casada, dois filhos adolescentes. Os meus pais chamaram-me Magda e, vejam só, é um nome que adoro (apesar das confusões a que dá azo). Ora então venham daí para uma boa conversa.

 

Solitário: Olá Magda, bem-vinda. Porquê o nome StoneArt?

Magda: Olá Sr Solitário (gosto do teu nome. Por estranho que pareça, de vez em quando gosto da solidão).

Contei aqui a história mas conto-te de novo. Corria o longínquo ano de 2007 quando comecei a frequentar sites de escrita – luso-poemas, escritartes, blogs, etc – apenas como leitora. Mas como queria comentar à vontade e não queria ser identificada, tive de escolher um nick/pseudónimo. Na altura a escolha recaiu sobre o título do meu poema preferido: Pedra Filosofal.

A Pedra Filosofal foi ganhando confiança nela própria, foi ganhando amizades (algumas ainda se mantêm) e a necessidade de estar anónima foi desaparecendo. Mas o nome foi ficando. De Pedra Filosofal passou a Pedra. Depois a Stone. Por curiosidade, quem criou o meu primeiro blog foi a mesma pessoa que me “batizou” de Stone. Não só por isso mas porque, de facto, gostava do nome, quis que o blog tivesse o nome de Stone. Acrescentou-se o Art porque o blog seria para publicar as minhas coisas, “a minha arte”, ficou stoneart. Acrescentou-se Portugal porque é o meu país, que eu adoro (apesar de tanta coisa que, por cá, me desilude) e porque stoneart já existia, no Blogspot. Ficou então stoneartportugal. Quando me mudei para o Sapo a escolha natural foi manter o nome. E quando criei o blog dedicado a livros, naturalmente tive de o chamar de stoneartbooks.

 

S: Quem te conhece minimamente sabe que adoras ler! Qual foi o teu primeiro contacto com um livro?

M: Toda a minha vida andei com um livro por perto. Lembro-me de ter livros com imagens (alguns ainda os tenho e foram os primeiros livros com que os meus filhos tiveram contacto). Lembro-me especialmente dum, “como é bonito o céu azul”, que andava sempre comigo. Era um livro a três dimensões, cujas personagens “saíam” das páginas. Maravilhoso e encantador.

 

S: Algum livro influenciou a tua vida?

M: Todos os livros influenciam a minha vida. A maior parte das vezes nem notamos a influência que eles têm mas a verdade é que ela está lá. Crescemos sempre um pouco a cada livro que lemos, aprendemos com eles.

 

S: Posso deduzir então que foste uma criança muito calma. Estarei errado?

M: Bem, quando era bebé, dizem que tinham de me acordar para comer… nem davam conta que eu lá estava em casa. E não me recordo de alguma vez ter dado muito trabalho aos meus pais. Nem sequer na escola. A única queixa que vinha sempre da escola – da creche à faculdade – era que eu era demasiado faladora e pouco esforçada (confesso que concordo, a minha única preocupação era ter notas suficientes para passar. Desde que a nota dos testes fosse superior 50%, ‘tava-se bem. Resultado, nunca aprendi a estudar e quando cheguei ao ensino superior sofri as consequências disso).

 

Gosto de ler, porque vivo vidas e viagens sem sair do sitio onde estou. Não gosto de chuva no inverno. Odeio andar molhada. Se for de verão até sabe bem.

 

S: Desde muito cedo que começaste a trabalhar. Sempre tentaste ser uma criança independente?

M: Não sei bem se era por querer ser independente se era por me cansar de estar de férias… Não tenho feitio para estar parada muito tempo. Ainda hoje não consigo estar 3 semanas de férias, ao fim da segunda semana já estou a deitar fumo.

Aqui há uns anos dei uma queda enorme, estive de baixa médica quase 5 meses e no fim pedi ao médico que, por amor a tudo, me mandasse trabalhar antes que eu desse em maluca. Eu e o resto da família que já não me podiam aturar e me pediam que fosse trabalhar para eles descansarem…

 

S: Nunca sentiste que estavas a crescer depressa demais?

M: Não me parece, confesso. Acho que fiz as coisas certas nas alturas certas. Os meus pais sempre me apoiaram (e ainda apoiam) e nunca me fizeram crescer. Deixaram que tudo acontecesse a seu tempo.

 

S: Ainda existe alguma coisa em ti da Magda em criança?

M: Eu sou uma criança num corpo de 47 anos. Gosto de rir, de brincar, de ver desenhos animados. É tão bom crescer e continuar a ser uma criança.

 

S: Agora lanço-te um desafio: conta-nos a tua história de amor.

M: Ah a nossa história de amor e do pedido de casamento que nunca o foi. A história de amor contei-a aqui e volto a contar. Começou em 8 de Novembro de 1998. Nesse dia eu andava pelo ICQ a falar com os amigos habituais e, ao mesmo tempo, a trabalhar (já não sei ao certo no quê, confesso). Às tantas aparece-me um novo user, o Mick e pergunta se quero conversar. Não quis. Disse-lhe que estava a trabalhar mas que podíamos falar mais tarde. E falamos. E falamos tanto que, no final do mês, a 26, lá nos conhecemos pessoalmente. Uma semana depois namorávamos. E ao fim duma semana o Mick, que se chama Miguel, mudou-se para o Barreiro, para a minha casa. Estávamos a viver juntos.

Quase 2 anos depois, eu estava grávida da minha filha mais velha, e, no dia de aniversário do meu avô foi a família toda jantar fora. Quando, depois do jantar, já nos estávamos a despedir no meio da rua, com um cheiro terrível no ar, eu quase a vomitar e o bom do Miguel resolve dizer qualquer coisa do género: "ah, antes de se irem embora, queria pedir-vos que não marcassem nada para o dia 25 de Novembro". E claro que se fez a pergunta da praxe "porquê?" ao que foi dada a resposta "porque nós nos casamos nesse dia!" E eu que nem desconfiava…

 

Gosto de rir, porque o riso ajuda em tudo. Não gosto de gente prepotente. Dá-me nervos!

 

S: Consideras-te uma mãe galinha? Dá-nos um exemplo.

M: Não me parece que seja galinha. Sou preocupada com os meus filhos mas não sou nem um pouco galinha. Dou-lhes liberdade e autonomia, deixo-os cometer os seus próprios erros (desde que não ponham em risco a integridade física de ambos), exijo educação e civismo (porque foi assim que os ensinei). Dou-lhes todas as “armas” que precisam e estou presente nos bons e maus momentos. Eles sabem que contam comigo mas também sabem que os níveis de exigência são elevados e que certas falhas não são admitidas.

Ser mãe, para mim, é ser assim. Ensinamos a voar e esperamos que eles aprendam. Não voamos por eles. Aparentemente tenho feito (temos, eu e o pai) um bom trabalho.

 

S: No ano passado pudemos ver-te num programa de televisão onde abordaste um assunto muito pessoal. Quais as principais condicionantes na tua vida devido ao excesso de peso?

M: É verdade. Estive nas Queridas Manhãs (http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/eu-as-queridas-manhas-299453) precisamente porque tenho excesso de peso e está tudo formatado para pessoas de tamanhos normais. Tamanhos e alturas.

À custa de ser mais cheiinha que o normal, não consegui fazer uma ressonância magnética. No barco, os bancos são estreitos e portanto vou quase sentada em cima da pessoa que for ao lado. No autocarro, o espaço entre os bancos é tão curto que vou com os joelhos ao peito. Nos aviões, o meu marido fica entalado, literalmente, nos bancos. O mesmo se passa com o meu filho.

Não há roupas de jeito para mim (ou, as que há, são bem mais caras que as roupas normais). O meu filho não tem sapatos para o número dele (já calça o 49), a minha filha não tem sapatos de mulher porque são raros os que tem número 43 (que é o que ela calça).

O meu marido, para fazer um exame qualquer em qualquer hospital, tem de vestir duas batas, não cabe nas macas nem nas cadeiras de rodas. Quando vamos às esplanadas, sobra Magda ou Miguel depois de acabar a cadeira.

Valerá a pena continuar? Tudo o que possas imaginar, está formatado para um tamanho padrão – seja de peso ou de altura. Se saíres desse padrão, por excesso ou defeito, tens condicionantes. Umas mais graves, outras menos. Umas hilariantes e outras nem por isso.

 

S: O que sentes quando és chamada de gorda, ou então, o típico “mais fortezinha”?

M: Vivo com isso desde a adolescência e confesso que nunca liguei muito. Para mim os provocadores são gente demasiado baixa e que não merecem que lhes dedique tempo algum. Eles ficam na deles e eu fico na minha. Não tenho tempo ou paciência para eles.

 

S: Algum episódio mais marcante de preconceito que queiras partilhar?

M: Sim, posso contar-te que um dia em que o barco onde eu vinha estava muito cheio, sentei-me entre duas pessoas. Uma delas era um rapaz novo que passou a viagem toda a chamar “P* da gorda” e outros nomes pomposos do mesmo calibre. Claro está que deve ter ficado ainda pior da vida porque eu passei a viagem a ler o meu livro e nem lhe dediquei um olhar quanto mais uma resposta.

 

Gosto da Família. São o meu primeiro pilar. Não gosto de indecisões (se bem que, às vezes, sou a rainha da Indecisão).

 

S: “Viagens” e “Episódios Geométricos” são dois livros que editaste. O que podemos encontrar nestes dois volumes?

M: Na verdade editei três livros. Vida na Internet, Viagens e Episódios Geométricos.  O primeiro pela Temas Originais, os outros dois pela Lua de Marfim.

O primeiro é uma coletânea de crónicas sobre o tema que dá título ao livro. Viver na Internet. Os outros dois são também de crónicas, sobre todos os temas que possas imaginar.

 

S: Alguma mensagem que gostavas de transmitir quando os escreveste?

M: Salvo honrosas exceções, cada texto que escrevo transmite uma mensagem (ou pelo menos assim o espero). Nenhuma em especial e todas em particular porque não há um tema comum. E as mensagens que passo tem muito a ver com os diversos temas que abordo.

 

S: Qual a importância de um sorriso?

M: Sorri sempre ainda que o teu sorriso seja triste. Porque mais triste que o teu sorriso triste é a tristeza por não saber sorrir.

Esta é a importância de um sorriso. Quando sorrimos, a vida sorri-nos de volta. Nem sempre é fácil mas é, acima de tudo, uma aprendizagem constante e cuja recompensa vale por todo o esforço.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

M: Não. As desculpas não se pedem, evitam-se. E quando alguém me faz alguma coisa que não gosto ou pela qual poderia ter de vir pedir desculpas, eu falo logo com a pessoa e esclarecemos as coisas. Não gosto de ficar com engulhos e nem tenho paciência para ficar a pensar demasiado nas coisas. Digo logo o que tenho a dizer e pronto.

 

Gosto dos amigos. São o meu segundo pilar. Não gosto de má educação. É do pior.

 

S: Quantas páginas teria um livro da tua vida?

M: 17.220. Uma página por cada dia de vida.

(cálculos feitos em relação à data em que estou a escrever).

 

S: Qual a meta que pretendes alcançar?

M: Já alcancei quase tudo o que ambicionava. Tenho um casamento feliz, dois filhos maravilhosos, amigos fantásticos, um emprego estável e onde faço o que gosto (costumo dizer, em jeito de brincadeira, que faço o que gosto e gosto do que faço). Tenho consciência que nunca irei ler tudo o que gostava nem sequer vou ter todos os livros que desejava mas tenho uma pequena amostra de biblioteca. Os meus avós puderam conhecer os bisnetos – tal como eu conheci o meu bisavô. Que mais posso pedir?

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

M: O futuro vive-se, não se escreve. As alegrias sentem-se, não se medem. O passado não se apaga porque é ele que me fez quem sou hoje. Os nomes não se escrevem a caneta mas com a saudade que eles carregam. Desenho o meu mundo, com um compasso para que lá caibam todos os que me importam.

 

S: Obrigado Magda, foi um gosto enorme conversar contigo.

M: Obrigado eu, também gostei desta nossa conversa.

 

09
Jan17

À conversa com Carlos

Sr. Solitário

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Café em Grão é o nome do seu blog, uma página com um aroma muito natural, capaz de despertar os nossos sentidos. Convidei-o para um café, mas não pensem que foi um café curto, não! É um café bem cheio de emoções, risos e sentimentos. Curiosos?

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... o Carlos.

 

Olá a todos, sou o Carlos, tenho 36 anos e confesso, já há algum tempo que aguardava o teu convite para participar nesta rubrica. De tal forma que assim que o recebi sorri e o «sim aceito» surgiu logo instantaneamente! Hoje, estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá Carlos, bem-vindo. Porquê o nome Café em Grão?

Carlos: Sinceramente não sei muito bem, surgiu num momento de mudança na minha vida! Tenho este blog há cerca de 11 anos, na altura “No silêncio dos meus sentidos”, fazia todo o sentido. Silêncios e segredos oprimidos, paixões secretas e tudo o mais levaram-me a procurar refúgio na escrita.

Entretanto os anos passaram, estive por diversas vezes ausente do blog e quando decidi regressar percebi que já não fazia sentido escrever num espaço com tanta amargura passada, vai daí alterei o link e o nome “Café em Grão” surgiu do nada. Uma metáfora às palavras que tal como o café no seu estado mais puro precisa de ser moído até ser consumido! Portanto é favor consumir com moderação.

 

S: Quem é o Gaybriel?

C: Pois o Gaybriel foi a máscara que usei no início, se vivia em segredo, escondendo de tudo e todos os meus segredos, os meus desejos mais íntimos não fazia sentido assinar como Carlos, o meu verdadeiro nome.

O Gaybriel era um sonhador, louco, apaixonado, um solitário também! E sabes o nome Gaybriel vai acompanhar-me para o resto da vida, não fosse esse o nome com o qual editei o meu primeiro livro.

 

S: Encontraste na poesia a forma mais clara de mostrar os teus mais profundos sentimentos. O que te causava mais tristeza e desânimo?

C: Principalmente a paixão, o amor não correspondido. Está tudo lá trás, dez anos é muito tempo! Não sabia lidar com a rejeição. Tempos complicados em que vivi numa espiral de emoções.

 

S: A que sabe a solidão?

C: A solidão nesta fase da minha vida tem sabor a paz, porque sei que é momentânea, porque sei que tenho pessoas ao meu redor, talvez a mais importante, o meu menino! Mas tempos houve, bem longínquos em que a solidão amargava e entre as quatro paredes do meu quarto sentia-me desamparado, perdido! Felizmente já passou.

 

Gosto da chuva de Inverno, dos dias de tempestade, eu sei não sou normal! Porém detesto o frio, fico de mal com o mundo se o frio me incomodar!

 

S: Ainda existe um pouco do Gaybriel em ti?

C: Descobri bem há pouco tempo que sim e que afinal pouco ou nada aprendi com o sofrimento que ficou lá trás! Portanto o Gaybriel na verdade nunca morreu em mim... ainda tenho muito dele! No fundo era só uma máscara... desde então apenas certas lacunas acabaram preenchidas, mas a essência continua lá!

 

S: Um coração tão magoado ainda estava disponível para amar?

C: Sinceramente pensava que não! Sofri e chorei tanto. Deixei de acreditar no melhor das pessoas... E depois, sabes perfeitamente que conhecer alguém que não tivesse apenas a intenção sexual era complicado. Por isso, depois dessa fase, afastei-me temporariamente da noite e do meu núcleo de amigos gay!

 

S: O facto de seres gay assumido condicionou a tua vida amorosa?

C: Assumido para pouca gente. Não condicionou em nada. Até porque aos 27 anos quando decido sair de casa, para poder viver a minha vida, em pouco tempo encontrei o meu menino!

 

S: Quando e como é que o amor finalmente surgiu para ti?

C: Vá queres rir-te um pouco?! Pois bem, quando vim morar sozinho, decidi colocar um anúncio numa revista cor-de-rosa que ainda existe! Era simples, pretendia conhecer pessoas como eu numa altura em que já frequentava as discotecas do Porto e por Internet tudo era mais fácil. No entanto arrisquei e publiquei o anúncio. Surgiram tantas, mas tantas propostas! Indecentes como deves calcular, outras mais sérias, devo ter conhecido duas ou três pessoas, até que recebo uma mensagem dele, com foto e tudo!

Ao que parece ele comprou aquela revista porque a que gostava de ler estava esgotada! É o destino. Conhecemo-nos entretanto e pronto, o namoro aconteceu, em dois anos já vivíamos juntos! E já lá vão 9 anos!

 

Gosto de pão com manteiga e de o molhar no leite, mas que coisa estúpida de se dizer, mas a verdade é que se pudesse (e não engordasse) fazia disto o meu almoço e jantar! Não gosto de feijão vermelho e ervilhas.

 

S: Consideras-te um homem feliz?

C: A felicidade existe nos momentos de partilha, de união, no sonhar a dois, no realizar. Com isto quero dizer, que a felicidade existe sim, mas não conseguimos viver sempre num estado de felicidade. Ser feliz é sentir-se completo em todos os aspetos e como deves imaginar neste momento estar desempregado não dá para me sentir completamente feliz.

 

S: A "diferença" é difícil de suportar?

C: Sinceramente, quando aprendemos a relativizar os olhares mais reprovadores, aprendemos a lidar melhor com o facto de sermos “diferentes”! E para mim, desde que ambas as famílias aceitaram, tudo o resto deixou de ser importante.

 

S: Qual o episódio mais marcante de preconceito?

C: Não te consigo dizer um momento mais marcante! Posso sim, partilhar contigo que na escola andava sempre acompanhado por um grupo de raparigas e por isso era alvo de gozação. Mas nada de muito severo que me tenha deixado marcas. Mais recentemente magoava-me no trabalho, saberem o que eu era e mesmo assim marginalizarem clientes ou conhecidos por o serem também. Sentia-me afetado também, acreditava que nas minhas costas me fariam o mesmo!

 

S: O que gostarias de dizer a muitos jovens por este mundo fora que ainda estão escondidos "dentro do armário"?

C: Coragem é o que eu posso dizer! Coragem para contarem aos pais, aos irmãos (se bem que os meus descobriram sozinhos). Na minha opinião nada mais é importante que a aceitação dos nossos! Depois disso, encarar o mundo fica tão mais fácil!

 

Gosto de conhecer pessoas, fazer amigos! Não gosto de pessoas snobs, egocêntricas e que se acham donas da razão.

 

S: O apoio da família é importante para a aceitação? Como foi no teu caso?

C: Claro que sim. Para quem como eu vê na família um grande pilar, saber que me respeitam e aceitam é sem dúvida alguma grande parte da bagagem necessária para nos aceitarmos perante nós e os outros. No meu caso, bem, mesmo usando o Gaybriel como máscara, houve quem cuscasse literalmente o meu computador e tivesse descoberto há muitos anos que eu era gay. As intrusas foram as minhas irmãs, mas ainda bem que assim foi, pois senti um grande apoio por parte delas mesmo quando decidi sair de casa para viver sozinho. A minha mãe soube há pouco mais de um ano, eu já não escondia nada, mas mesmo assim ela teve que saber com todas as letras. Se até então eu já não tinha problemas, nesse momento fiquei liberto de todos os medos.

 

S: Quem gostarias de convidar para um café?

C: Assim neste momento apenas uma pessoa, que me deve algumas explicações, a quem devo explicações também, mas que pura e simplesmente parece não querer ouvir-me!

 

S: Algum café foi bebido depressa de mais?

C: Sem dúvida alguma que sim. No seguimento da pergunta anterior, precisávamos de um café servido em chávena grande.

 

S: Em que te inspiras para escrever textos muito bonitos e ao mesmo tempo tão emotivos?

C: No dia-a-dia! Mas sei que os textos mais emotivos e bonitos, palavras tuas, são os que exprimem algo ou alguém que mexe no momento com os meus sentimentos.

 

Gosto do meu cantinho, do meu sofá, do meu sossego! Embora não goste da solidão! Gosto de mim, sim ... só não gosto de gostar de quem não gosta de mim!

 

S: Perdoarias uma traição?

C: Sim. Tudo dependeria das circunstâncias. Nunca iria perdoar levianamente como se fosse algo normal até porque acredito que uma traição deixa marcas profundas! E claro... uma vez perdoado não significa esquecido! Uma vez perdoado, que não me fizesse uma segunda, porque aí estaria a renegar ao meu amor-próprio.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

C: Sim... Quando me fazem acreditar num “gosto de ti” e depois não agem como tal, quando deixam que se criem laços sem intenção de atar fico dececionado, desiludido. E sim, lamentavelmente alguém neste momento deve-me um pedido de desculpas.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

C: Com a borracha nada do meu passado apagaria, porque devo a ele a pessoa que hoje sou. As alegrias não têm forma de serem medidas mas sim sentidas. O compasso desenharia um mundo, o que aprendemos na escola, mas o meu mundo é muito maior que esse. A caneta nunca iria escrever um nome só, pois de pessoas é feito o diário da minha vida e muitos nomes teria de escrever. Por isso amigo Solitário escolheria o lápis para escrever o meu futuro, para ter certezas que não iria falhar com ninguém e também para dobrar os momentos felizes comigo mesmo e com os meus que tanto amo.

Não escreveria os números do euro milhões, mas sim um emprego estável e bem remunerado, não para ostentar, mas sim para viver e usufruir dos prazeres da vida. Ai se pudesse escrever o meu futuro...

 

S: Obrigado Carlos, foi um gosto enorme conversar contigo.

C: Obrigado eu pela viagem que me ofereceste ao meu passado, por me permitires partilhar o meu presente e por me teres convidado para a tua excelente rubrica. Espero que de certa forma possa ajudar com a minha experiência, a minha história alguns jovens que te lêem e que passem pelo mesmo que já vivemos. E a ti Solitário, muitas felicidades.

Mas já acabou? Esta não era a parte de “O que dizem os teus olhos?”

Abraço.

 

29
Dez16

À conversa com Maria das Palavras

Sr. Solitário

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A Blogger Menos In do Pedaço aceitou o convite para Dois Dedos de Conversa aqui neste blog para partilhar algumas das Palavras que a definem com um sentido de humor muito característico e uma simpatia que cativa todos os seus leitores.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Maria das Palavras.

 

Olá, eu sou a Maria das Palavras (e vocês: oláaaa Mariaaaaa) uma blogger armada em diferente (a menos in do pedaço, há quem diga) que anda por aí a debitar parvoíces e lamechices há dois anos e picos na blogosfera. Tenho 30 anos que é aquela idade em que és novíssima para uns e estás com o pé na cova para outros (dizem que tudo no mundo é relativo e eu acredito). Hoje, estou aqui, sem filtros, no à conversa com...

 

Solitário: Olá Maria, bem-vinda. Começo por te perguntar qual o motivo do nome do teu blog ser Maria das Palavras?

Maria das Palavras: Maria das Palavras porque as palavras são aquelas coisinhas tão pequenas e tão grandes que estou sempre a reprimir de viva voz. Mas quando começo a escreve-las, jorram que nem fontes no Inverno.  Achei que criando o blog ia conseguir trazer mais algumas cá para fora, comunicar melhor (às vezes comigo mesma).

 

S: "Queria ter tempo e escrever para o resto da vida. É esse o meu objetivo profissional." Um sonho desde criança que cresceu com o desejo de ser professora?

MP: Devo ter escrito isto num dia muito otimista. Não penso que alguma vez consiga viver das palavras (gosto de sonhos mais concretizáveis) e portanto de forma realista não é um objetivo profissional, mas mais um prazer do qual não quero abdicar. Quando era pequena queria ser professora e escritora. Fazia muitas composições elogiadas na escola e foi a minha primeira professora que me fez crer que era boa nisto (mesmo que fosse ela afinal, a boa mentirosa). Mas tal como mais um par de coisas que quis ser, optei pela racionalidade em vez do coração, e quis antes enveredar por uma área com mais certezas. Tenho sempre a ideia que há mais do que uma coisa que podemos fazer para ser felizes, não tem necessariamente de ser a primeira que nos vem à cabeça. E, até ver, ninguém me tira a razão. O prazer da escrita, tenho-o na mesma, ainda que não viva dele.

 

S: Na tua opinião, como seria viver das palavras?

MP: Ah, teria uma casa num local paradisíaco para onde me retiraria alguns meses por ano para escrever, depois passava a segunda metade do ano a promover o livro e em tour pelo mundo. Não deixo de alimentar o blog, claro. Que tal? A mim parece-me bem. Continuo é sem saber se tenho disciplina (já nem menciono o talento) para algo do género, mesmo que houvesse a possibilidade.

 

S: Consideras-te a blogger menos in do pedaço, por alguma razão em especial que queiras partilhar?

MP: Quando comecei o blog já lia outros e comecei a ler ainda mais. E deparei-me com muitas coisas com as quais não me identificava. Modas nas quais não ia (e não falo de modas de moda, apenas - não gosto de sushi, não faço dietas, não uso unhas de gel). Sou do contra, mas também sei que isso me faz estar no outro lado da corrente (o pessoal que é sempre do contra), o que significa que continuo a ser igual a muita gente. O importante é não levar as coisas muito à letra. Se um dia por milagre me apetecesse sushi não o ia reprimir ou esconder a bem do pseudo-título.

 

Gosto de Waffles com gelado. Não gosto de camas com os lençóis desalinhados.

 

S: Qual é o mito que mais te dá gosto destruir?

MP: "Os homens são todos iguais". Nunca gostei de extremismos e generalizações. E apesar de ter demorado para encontrar um homem que acreditasse ser verdadeiramente diferente (o meu), gosto sempre de descomplicar as situações amorosas. Há sinais muito claros que os homens dão de não-interesse e nós tentamos sempre ir buscar simbolismos e dar a volta à questão. Mas se escutarmos bem, eles dizem tudo. Mesmo que o "tudo" não seja o que queríamos ouvir.

 

S: Qual a importância que o humor tem na tua vida?

MP: Toda, é assim que me safo da situações mais tristes, preocupantes, stressantes, vergonhosas, complexas. Quando não há mais nada a dizer, resta o humor. Acho que é uma importante ferramenta para relativizar, Por exemplo, o Moço pode fazer alguma coisa que me irrite cá por casa (sabe Deus que também as faço). Se escrever sobre ela, com humor, a coisa descomplica-se. E quem nunca acabou uma discussão por desatar a rir sem querer que atire a primeira pedra. Claro que também é um importante intensificador dos bons momentos. Para mim é: usar sem moderação. Daí também ser adepta do humor negro.

 

S: Conta-nos a tua história de amor.

MP: Não podia ser mais simples, nem mais vulgar, nem mais bonita (por ser a minha). O Moço era amigo de um bom amigo e numa passagem de ano em que estivemos juntos a coisa deu-se. A paixão? Não. A provocação de parte a parte. Foi assim que começou. Com ofensas mútuas (mas tudo muito a brincar). Depois eu fiz questão que a brincadeira continuasse. Numa altura (rara) em que tinha outros dois pretendentes (sempre quis usar esta palavra) tive de lhe mostrar que se não se chegasse à frente ficava para trás. E ele jogou todas as cartas certas (como contei aqui). E cá estamos.

 

S: O amor está nos detalhes. Qual deles é o mais especial?

MP: O detalhe mais importante é aquele que não se descreve nos romances. Não tem a ver com olhares intensos, declarações, ou gestos românticos. Tem a ver com lavar a loiça na minha vez naquele dia. Ou deixar-me roubar os chinelos depois do banho. Ou deixar-me ficar sempre com o melhor lugar no sofá.  Aqueles pormenores que nunca darão um livro, mas valem uma vida em comum.

 

Gosto de ler durante a manhã (embora seja quase sempre impossível). Não gosto que me toquem nos pés!!

 

S: Se tivesses que definir o Moço numa palavra, qual seria?

MP: Meu. Só para ele saber com que linhas se cose. Também podia dizer romântico, generoso, e muito muito muito amigo (meu, mas também dos outros que nos rodeiam). Mas escolho meu.

 

S: O que consideras indispensável para uma relação com final feliz?

MP: Não deve já ser novidade para ninguém: comunicar. Um conselho que às vezes tenho de me forçar para seguir porque sou muito dada a engolir os problemas para não pensar neles. No entanto é vital para que o casal se compreenda - nunca devemos assumir que o outro sabe o que nos incomoda ou as coisas que desejamos.

 

S: A costela de mamã ainda continua inexistente?

MP: Sim, a única coisa que muda é que ao ver o pessoal amigo, da mesma idade, todo a brotar crianças sinto-me mais culpada por isso. Eu sei que quero ser mãe algures no futuro. Mas ainda me sinto com 20 aninhos, quando esse futuro era uma coisa muuuito lá para a frente.

 

S: Quem te acompanha sabe que tens um grande número de leitores. Se pudesses oferecer um presente a todos eles, qual seria?

MP: "Grande número" é relativo, mas também pouco interessa: nunca comecei o blog pela quantidade de leitores ou comentários, foi por mim. No entanto, estimo-os todos, em particular aos que voltam sempre e aos que estão acabados de chegar e começam a dar a volta toda ao blog. E...UAU! Que ideia fantástica. Quem me dera dar algo a todos. Para ser algo minimamente exequível (caramba, agora puseste-me mesmo entusiasmada a pensar nisto) teria de ser algo do género: irmos todos ver uma peça de teatro - humorística, claro! Ah, e eu ter participado no guião. Bolas, vou só angariar mais uns milhares de leitores para ver se arranjo uma parceria para isto! Cá está uma boa motivação para fazer os números do blog crescerem.

 

Gosto de pequenos almoços na rua. Não gosto de pessoas que enviam mensagens a dizer "olá, tudo bem?" sem dizer logo o que querem.

 

S: O que gostarias de ensinar a todos eles?

MP: Que escrever, ajuda. Ajuda mesmo. É terapêutico. Ajuda-nos a pensar, a ultrapassar, a descomplicar ou (nos melhores casos) a reviver e recordar para sempre.

 

S: Qual a palavra que mais te define enquanto blogger?

MP: Diplomata. Talvez não fosse a que esperavas, mas tem a ver com o lado que nem toda a gente se apercebe. Tem a ver com a minha atitude enquanto blogger inserida no meio, mais do que com aquilo que escrevo. Sou completamente avessa a quezílias de blogs ou a deixa-las transparecer para as pessoas que lêem o blog e que não têm nada a ver com as pseudo-polémicas dos bairros virtuais. Atire a primeira pedra quem nunca fez um comentário maldoso sobre o blog ao lado, mas daí a agir sobre isso ou a comprar brigas vai toda uma bíblia. Quando me envolvo é no backstage e geralmente com uma frase que envolve as expressões "deixar passar" ou "tempestade em copo de água".  Também terá a ver com a escrita, pensando melhor. Faço alguma censura aos meus textos e temas, por saber que variadíssimas pessoas me lêem e não quero passar horas a desculpar-me ou a explicar-me. Não há mal nenhum nalguma polémica, mas com as pessoas que conheço sou mais ácida, porque sei para quem estou a falar. No meu blog, modero-me.

 

S: E qual a palavra que mais te define enquanto mulher?

MP: Pragmática. Gosto de ver as coisas como elas são (preto no branco, ou assumir que têm vários tons de cinzento e não há respostas certas), arranjar soluções ou descartar problemas. Organizar bem as coisas e limitar-me ao essencial. Não dou a volta ao assunto nem remoo por mais de dois segundos se não merece importância.  Claro que o calor da emoção às vezes tolda o juízo, mas também não disse que era perfeita. Agora que penso nisso, reflete-se na palavra que escolhi para me definir como blogger.

 

S: Qual a palavra que para ti é mais difícil de dizer?

MP: Palavrões! nunca digo, só se estiver a repetir o discurso de alguém e mesmo assim com dificuldade (e tentando sempre substituir por pis). De resto não há palavras indizíveis. Apesar de "amor" também ser um palavrão - mas já num sentido diferente.

 

Gosto de post its. Não gosto de molduras com fotos.

 

S: Alguma vez tiveste que a proferir?

MP: Palavrões? Só para mim, quase sem me ouvir, em casos muito graves e por impulso. Juro que não sei de onde vem este pudor, não é de família, garanto.

 

S: Existirá algum limite de palavras para a Maria?

MP: O meu único limite é o sono.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

MP: Fugindo à tentação da borracha, porque apagar dores ou erros, poderiam desviar-me do caminho que agora percorro que também tem muitas alegrias; fugindo à tentação de escrever o futuro que assim não teria más surpresas, mas as boas também não; sabendo que as alegrias não se medem aos palmos; posso pegar no compasso e na caneta ao mesmo tempo. Desenhar o meu mundo é escrever o nome dele. Do Moço.

 

S: Obrigado Maria, foi um gosto enorme conversar contigo.

MP: O prazer foi todo meu. És de facto o Daniel Oliveira dos blogs. Eu sou menina de parcas reações e nunca tenho lágrimas prontas a cair, mas fizeste-me refletir bem e eu normalmente ponho-me só a responder de enfiada e pronto (seu sacana).

 

12
Dez16

À conversa com... Richard Zimler

Sr. Solitário

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É com uma enorme honra que, hoje, reinicio esta rubrica com um convidado muito especial para mim. Trata-se de um grande escritor que muito estimo e que me alegra tanto que tenha aceite estar à conversa comigo. Gosto muito, ou melhor dizendo, adoro a escrita dele, como já referi inúmeras vezes aqui no blog. Recomendo a leitura de todos os seus romances, cada um tem uma história que nos marca do início ao fim, sempre com uma mensagem emotiva.

Bem, sem mais delongas, Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... Richard Zimler.

 

Sr. Solitário: Olá Sr. Zimler, bem-vindo ao meu cantinho. É com muita honra que faço esta entrevista humilde e da qual tenho a certeza que será do agrado de todos os meus leitores. Em primeiro lugar, eu começava por lhe perguntar se alguma vez pensou que seria um escritor tão bem conceituado como é?

Richard Zimler: Sonhei com a possibilidade de publicar um livro, mas nunca imaginei que fosse um escritor apreciado pelos leitores de muitos países diferentes – os EUA, Portugal, Inglaterra, França, etc...  Estou muito grato todos os dias.

 

S: “O Último Cabalista de Lisboa” é o seu primeiro romance entre outros que se seguiram que retratam o grande massacre que os judeus sofreram ao longo dos anos. Porquê a necessidade de escrever sobre esse assunto?

RZ: Acontece que tenho uma personalidade subversiva. Gosto de explorar temas – e injustiças, em particular – que as outras pessoas prefeririam esquecer ou branquear. Suponho que seja a minha tentativa de retificar – um pouco – uma situação intolerável. O meu feito talvez seja em parte o resultado de eu ter nascido judeu (um povo que tem uma historia de perseguição muito longa). No caso de “O Último Cabalista de Lisboa”, 2000 Cristãos Novos foram mortos e queimados no Rossio. E depois completamente esquecidos. Quase ninguém em Portugal sabia da existência deste massacre antes de eu escrever o livro. Pensei: Estes Cristãos Novos merecem mais! Merecem, no mínimo, serem lembrados, porque eram pessoas tão reais como eu. Então, comecei a criar Berequias e Abraão Zarco e as outras personagens do romance.

 

S: "Os Anagramas de Varsóvia", "Meia-noite ou o princípio do mundo" e a "Sétima Porta" fazem parte do meu top de livros. Em que se inspira para escrever histórias tão marcantes?

RZ: Ainda bem que gostou tanto desses livros! São três romances muito diferentes, mas o fio condutor talvez seja o meu desejo de falar pelas pessoas cujas vozes são sistematicamente silenciadas. No caso de “Os Anagramas de Varsóvia”, exploro a vida quotidiana no gueto judaico de Varsóvia. “A Sétima Porta” trata da esterilização e matança de pessoas deficientes durante a ditadura dos Nazis em Alemanha (um crime contra a humanidade quase esquecido). Em “Meia-Note ou o Princípio do Mundo”, falo dos bosquímanos, um povo de África austral dizimado pelos colonizadores europeus (e pelos Zulu também).

 

S: "A Sentinela" é o seu primeiro policial, mostrando uma outra habilidade sua enquanto escritor. Teve algum receio de que este romance "diferente" não fosse tão bem aceite?

RZ: Esperava... Mas não há garantias. Tenho livros que foram grandes sucessos em muitos países e outros que foram fracassos. Por exemplo, “Meia-Noite ou o Princípio do Mundo” vendeu bem em Portugal, Inglaterra e França, mas foi um fracasso nos EUA e Itália. As vezes, depende do trabalho da editora. Infelizmente, nem todas as editoras são competentes. No caso de “A Sentinela”, pensei que teria alguma possibilidade de ser apreciado pelos leitores portugueses porque o livro lida frontalmente com a crise económica (e moral!) no país.

 

S: O que sente um escritor quando vê a sua obra tornar-se um bestseller em vários países? Sente que cumpriu o seu objetivo?

RZ: O meu objetivo é sempre o mesmo: escrever um maravilhoso livro – um livro cativante, inteligente e poético.  Por isso, as vendas – bom ou mal – não tem a ver com o meu grau de satisfação com o livro. Tendo dito isso, vender bem é importante, sobretudo porque se um livro vende mal, a minha editora não vai continuar a publicar os meus livros. Hoje em dia, a única coisa que conta no mundo editorial é vendas (lucros). A qualidade da historia e da escrita são fatores muito menores da perspetiva das editoras. É uma situação muito lamentável, na minha opinião.

 

S: Dentro do estojo da sua vida há um lápis para escrever o seu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o seu mundo e uma caneta para escrever em si um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usaria? Porquê?

RZ: Talvez fosse o compasso, porque adoro criar universos paralelos para mim e para os leitores. Penso da capa dos meus livros como uma porta. Ao abrir o livro, o leitor passa pela porta e entra num mundo da minha criação!

 

16
Ago16

À conversa com... Pink Poison

Sr. Solitário

pink.jpg

 

A escrever desde 2008, a minha convidada de hoje partilha nos seus dois blogues as suas coisas, o seu mundo. De uma generosidade incrível, uma história de vida marcante, nada cor-de-rosa, um pouco ousada, rancorosa. Assim se define em poucas palavras.

Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... a Pink Poison.

 

Sou a Pink Poison, 40 anos, Pink Poison há 12, blogger desde 2008. Apaixonada pelo Pinko, por carros, por boas pessoas, por tanta coisa... Solidária quando posso. Vingativa e rancorosa mas sempre eu. Aqui estou, sem filtros, no "à coversa com..."

 

Solitário: Olá Pink, bem vinda. Porquê o nome "veneno cor de rosa"?

Pink: Olá Sol (do meu blogue ihihih), não sei porquê. Estava a registar-me num site (há 12 anos) e pus o meu nome verdadeiro e a administração chamou-me a atenção, tive que pensar depressa e foi a primeira coisa que me veio à cabeça.

 

S: Qual foi a importância que o teu pai teve ao longo da tua vida?

P: Toda e mais alguma. Não foi perfeito, não o é agora mas ao longo da minha vida temos evoluído para amigos, apreciar a companhia, mandar boquinhas como os miúdos. Também não sou a filha perfeita, sou a que ele tem. Amanhe-se! (risos)

 

S: Com a tua mãe foi diferente... Explica-nos porquê?

P: Vivi com ela até aos 18, sempre com a ciumeira das madrastas e depois percebi que procurava para a sua vida alguém Status Social. Conseguiu. Passei a viver numa vivenda com telefone no quarto, vídeo, Tv, a minha mãe só me comprava roupa da Benetton… Um ex governador que fazia parte dos eternos “retornados”. Deu-se muito mal. Embrulha! Atualmente não quero mesmo saber dela, sinto-me bem sem ela, espero apenas que esteja bem pois já foi doente oncológica.

 

S: Sofreste com a ausência do amor de uma mãe?

P: Não, tanto a minha primeira, como segunda madrasta, fizeram um bom trabalho.

 

S: O que gostarias de lhe dizer neste momento?

P: Não irei ao teu funeral.

 

Gosto de bons debates com gente culta, adoro falar numa boa esplanada. Não gosto de não esclarecer assuntos, não fecho gavetas mal arrumadas. Daí ter feito psicoterapia.

 

S: Contudo, a menina do papá cresceu e conheceu o seu primeiro companheiro. Conta-nos como se conheceram.

P: No Messenger e depois pessoalmente, passámos um ano a vermo-nos de 15 em 15 dias até que ele decidiu comprar uma casa para os dois, e em nome dos dois, cá em cima.

 

S: Alguma vez notaste algum comportamento estranho nele?

P: A minha terapeuta perguntou-me isso... não nunca. O pai dele era bastante conservador até!

 

S: Quando se deu a primeira agressão? E porquê?

P: A única agressão deu-se por um desentendimento, ele ficou cego, agrediu-me com 3 low-licks na perna (ele praticava Kung Fu) e foi diabólico. Ele batia, via-me no chão, ria-se tipo Joker, levanta-me e batia. Peguei num telefone, partiu-o ao meio mas consegui por uma vizinha chamar a GNR, ela chamou.

 

S: Qual foi a maior e a mais marcante agressão?

P: Tinha à porta um espelho enorme e embora me doesse a perna, estava com a cara cheia de sangue, ele entretanto saiu. Mais tarde adormeci mas tranquei por dentro a porta, ele foi à GNR e disse que me havia batido e que tinha medo de cometer um suicídio.

 

S: O ódio é o único sentimento que tens por ele? Não há espaço para o medo?

P: Quando o encontrei em tribunal, já treinava Krav Maga, sentia-me segura. Olhar para ele ou para uma parede era igual. Dei-lhe a casa e disse à juíza que jamais queria a casa, era um poço de más recordações com o Sr-XXXXX.

 

Gosto de visitar a família, não há no mundo abracinho como o da madrasta. Não gosto de estar a 300km do meu pai/madrasta/amigos/Albufeira (lágrima no canto do olho).

 

S: Como foi o dia em que puseste um ponto final nesta situação?

P: Ele saiu, deu-me um verão para eu me organizar, pagando todas as despesas inerentes à casa mas nunca a minha comida ou das duas gatas que tínhamos.

 

S: Quais as principais diferenças entre Albufeira e Lisboa?

P: Em Albufeira, toda a gente sabe quem eu sou, se dizer o nome da minha avó por exemplo que foi considerada por um site inglês, o típico trabalhador português na sua área, está o meu melhor amigo com quem convivi diariamente dos 14 aos 27, e as cunhas. A minhas mãe conhece toda a gente e até elementos da GNR ela convence a fazerem esperas a quem ela assim decide.

Em Albufeira, trabalhasse no que se pode, por isso eu adoro trabalhar em bares e servir à mesa, conviver com ingleses, com malta de fora (os betos lol).

 

S: Como surgiu o emprego de Acompanhante de Luxo?

P: Não é um emprego, quando fiquei sozinha depois de ser sido espancada, tinha vergonha do mundo, do meu pai, afastei-me dos meus segundos pais (os pais do meu melhor amigo) e decidi por um anúncio. Resultou. Eu gosto de sexo, as pessoas eram escolhidas a dedo e no fim do Verão, aluguei uma casa, arranjei um namorado. Não tenho traumas dessa época.

 

S: Era a única solução na altura?

P: Talvez não, de certeza que não, era apenas a forma mais rápida. Estava com a auto-estima tão em baixo que fui por esse caminho. Não roubei ninguém, não perdi a minha identidade, não sou uma puta embora hajam por aí escroques me chamem isso diariamente, um dia sai-lhes a sorte grande.

 

S: Qual a situação mais marcante de uma acompanhante?

P: Deixar entrar um desconhecido na tua casa mas ele está a entrar no desconhecido. Portanto, era relaxar e conversar um pouco, conhecer quem ali tinha à minha frente com um bom vinho. Chegou a aparecer um deputado... Chique! (risos)

 

Gosto de assumir as asneiras que faço. Está feito, assumo. Não gosto de correntes de ar, constipo-me logo, uma Algarvia sofre neste clima.

 

S: O que te fez desistir desse emprego?

P: Teimoso, Solzinho, não era um emprego. Simples, com casa alugada e trabalho, falei com o meu pai, contei tudo, desde a agressão ao que tinha feito depois. Custou-lhe ouvir tudo. Custou-lhe saber o quanto se tinha investido naquela casa, carros, ele como membro da família… Apenas me disse: “Nunca mais quero ouvir falar no nome do XXXXX. Já tinha rendimentos meus, tinha um namorado e estava bem.

 

S: O Pinko é o amor da tua vida. Como se conheceram?

P: Numa rede social mas jantámos juntos dias depois e a primeira coisa que lhe disse foi isto mesmo: para que não ouvisse da boca de alguma velha gaiteira ou um escroque.

 

S: Reaprendeste a amar?

P: Nunca perdi a capacidade de amar! Eu amo incondicionalmente. Sempre.

 

S: Consideras-te uma mulher ousada. Mais ousada que rancorosa?

P: Não sei se sou ousada, faço o que quero, digo o que quero.

Rancores são contas que um dia se vão por em ordem, nesta vida ou noutra… Sou rancorosa. Mas adoro ser ousada, porque estou a ser autêntica.

 

S: Do que te arrependes?

P: Não ter voltado para o Algarve depois da agressão.

 

Gosto de blogues com seres humanos lá dentro. Não gosto de ver jovens a fazerem mal a animais com prazer. Quem faz mal a animais como os toureiros e outros tantos, para mim, regar com gasolina e adeus.

 

S: O teu corpo é um diário. O que tens escrito nesse diário íntimo?

P: (Risos) Adoro ser única e nisso sou única.

Tatuagem aos 18 anos: o meu nome em sânscrito, a primeira linguagem;

Tatuagem no ante braço exterior: caracter chinês "supera-te em tudo";

Tatuagem feita durante a despedida do Algarve (pedi a um chinês para escrever e ele dizia que era uma frase muito triste): “Vive, como se fosses morrer imediatamente”, esta está na nuca;

Quando me separei: no interior do pulso esquerdo, símbolo japonês de “be free”;

Na Faculdade: uma perto da clavícula em japonês “coragem”;

No interior do ante braço tenho um símbolo do infinito com a frase dos Guns n’Roses: “live n’ Let die” porque cada um é dono da sua vida.

 

S: As tatuagens escondem alguma marca de agressão do passado?

P: Não, não tenho marcas visíveis. As artes marciais ensinam a agredir sem deixar marcas, aprendi mais tarde no Krav Maga mas tenho o nervo ciático danificado.

 

S: O que gostarias de dizer a todas as mulheres que são vítimas de um homem que as agride?

P: “Se deixam passar a primeira, pelo menos aprendam a defender-se para a segunda”.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas?

P: Que pena só escolher um… (penso, e penso…), uso a caneta para escrever o nome do meu melhor amigo de Albufeira!

Porquê? Porque era uma amizade tão pura e tão divertida, tão fora do comum!

 

S: Obrigado Pink, foi um gosto enorme conversar contigo.

P: Obrigada eu, espero que tenhas gostado da vista da minha varanda e dos cupcakes e chá… O meu motorista n.º 2 leva-te onde quiseres. (Risos)

 

 

21
Jul16

À conversa com... a Filipa

Sr. Solitário

filipa.jpg

 

Uma das bloggers mais criticadas, adorada por uns, odiada por outros. No seu blogue podemos ver muitas dúvidas cor-de-rosa esclarecidas, ou então não! Convida todas as maluquinhas a sentirem-se em casa, elas (e eles) visitam-na regularmente, fazendo assim um dos blogues mais lidos.

Senhoras e senhores, hoje estou à conversa com... a Filipa.

 

Sou a Filipa (yep, essa mesma), uma miúda amorosa, que gosta de fadas, de algodão doce e de póneis - dos mais pequeninos por causa que os grandes cagam imenso. Mãe de duas criaturas amorosas: a Luísa que quando faz o #2 mete a mão na fralda e dá ao irmão para cheirar e do João que adora lamber os batedores das portas. Vê-se mesmo que os desovei, saem mesmo a mim, meus ricos filhos.Gosto de conviver com outras bloggers e adoro amizades virtuais. Espero que gostem, que se identifiquem comigo e cá estou eu, sem filtros, no "à conversa com..."
Beijinhos!!!

 

Solitário: Olá Filipa, bem vinda. Porquê Dúvidas cor-de-rosa?

Filipa: Obrigada!

Obrigada também pelo convite, há muito que ansiava por uma entrevista, tanto que aqui há tempos me entrevistei a mim própria. Foi um sucesso mas soube-me a pouco.

Porque sou uma girly. Se tivesse aberto o blog na minha adolescência, teria sido provavelmente "Dúvidas existenciais", ou "Dúvidas acneicas". No caso, soou-me bem e assim ficou. 

 

S: Alguma dúvida ficou ainda por esclarecer?

F: Sim, por acaso, agora que falas nisso, reparo que sim. Se o polvo for à panela de pressão com uma cebola, fica mais tenro ou é mito?

 

S: És maluca ou atrais maluquices [risos]?

F: Atraio malucas. Paletes. Resmas. Carai, toda eu sou um íman. Mas não me importo. Gosto deste voluntariado imposto. Mostra-me que sou mais sã do que aquilo que penso e a minha verdadeira missão terrena.

 

S: O humor tem um papel muito importante na tua vida. Sorrir para não chorar?

F: Não. Sorrir porque esse é o desenho que a minha boca naturalmente tem.

 

S: Como foi a tua aventura de emigrante em Londres?

F: Profícua, mas não fui em aventura, fui em trabalho.

 

Gosto de cheiros, porque me transportam, revivo as coisas, momentos e por isso os marco com aromas muito meus. Não gosto de estupidez porque sofro dos nervos.

 

S: Quais as principais diferenças/dificuldades que encontraste?

F: As mais flagrantes: eles não falavam uma palavra de Português e não usavam euros. Dois grandes problemas.

 

S: Que espécie de preconceito sofreste?

F: Nenhum. Os Portugueses foram um bocadinho difíceis de lidar, mas hey!, nada que não esteja habituada. 

 

S: A que sabe a saudade de uma emigrante?

F: Sabe a chouriço, que é aquilo que por muitos supermercados ingleses que corras, nunca irás encontrar.

 

S: Gostas muito de tatuagens... Qual a tatuagem com que mais te identificas? Porquê?

F: Com todas as que tenho. Cada fadinha, golfinho e estrelinha que tenho são super significativas e adoro-as a todas.

Por exemplo, tenho uma fada no pescoço que quer dizer que nasci com o c* virado para a lua. E um golfinho no dedo grande do pé esquerdo por causa que diz que afasta os maus olhados. No direito já não resulta, só mesmo no esquerdo.

 

S: As pessoas têm prazos de validade? 

F: Têm pois. Nascem e depois morrem. Menos o Duncan MacLeod do clã MacLeod. Desde que usasse uma malha de aço no pescoço, a validade era de facto eterna.

 

Gosto de música, porque ela faz parte de mim. Não gosto de mulheres carentes de atenção. Porque sofro dos nervos.

 

S: Alguma vez te arrependeste de algo que disseste?

F: Sim. Sempre que vou ao cabeleireiro e peço para cortar SÓ AS PONTAS. É uma incapacidade que as cabeleireiras têm, é a de perceber e realizar medidas. Para contornar esta situação, passei a cortar o meu próprio cabelo. Melhor decisão ever.

 

S: Tiveste uma gravidez difícil, li algures que odiaste estar grávida.Uma experiência a não repetir?

F: Difícil?? Difícil foi desovar estas criaturinhas deliciosas. Se tivesses lido noutro algures, terias lido que queria mais filhos. Coisa que acabou por acontecer. Adorei estar grávida. É a desculpa perfeita para enfardar porcarias de manhã à noite.

 

S: Ser mãe muda totalmente uma mulher?

F: Algumas mudam, outras não, depende. A mim mudou-me da cintura para cima e para muito melhor.

 

S: Qual a importância que os teus filhos têm na tua vida?

F: Alguma, confesso. Menos do que um braço e mais do que um dente do siso.

 

S: O teu blog tomou proporções gigantes, ficando muitas vezes nos mais lidos. Qual o segredo para o sucesso?

F: Não posso revelar, né?, senão era ver o gajedo sapiano todo a fazer o mesmo. O segredo é a alma do negócio, meu caro ;)

 

Gosto de rir, mesmo nas alturas mais complicadas, não sei ser de outra forma. Não gosto de blogues do Sapo. Porque sofro dos nervos.

 

S: São mais os leitores que te odeiam do que aqueles que te adoram?

F: (Como assim há leitores que me odeiam??)

Os que me adoram, obviamente.

 

S: As críticas abatem ou fortalecem?

F: Eu digo não à violência, digam vocês também. Em coro, de preferência. Para ser uma paz a resvalar para o musical.

 

S: Muitos acusam-te de cyber bullying. O que tens a dizer em tua defesa?

F: Em minha defesa, não tenho de dizer nada, os acusadores é que têm de provar. A menos que algo tenha mudado nos entretanto, alguma deslegislação ou assim, era exactamente desta forma que a coisa se processava.

 

S: Consideras-te uma pessoa insensível?

F: Pelo contrário. Sou sensível às temperaturas, à cera quente, ao pólen, aos ácaros, aos vizinhos chatos e pessoas estúpidas. 

 

S: O que aprecias mais nos blogues?

F: A interacção, claro. Quem não gosta de chegar a um blog e ver 1700 comentários? Eu adoro.

 

Gosto de falar, porque tenho sempre alguma coisa a acrescentar ao que já foi dito. Não gosto de blogues de merda. Porque sofro dos nervos.

 

S: Dizes que não gostas dos blogs da sapo, no entanto tens um alojado nessa plataforma. Porquê?

F: Porque fui expulsa do blogger, aqui há uns unicórnios e cavalos alados atrás.

 

S: Existe algum limite para a Filipa enquanto blogger?

F: Sim, claro que existe. Três posts no máximo. Mais, é cansar o pobre leitor. Faço questão de não pisar essa linha que pode ser ténue se nos entusiasmamos em demasia.

 

S: O que gostarias de dizer aos leitores que gostam de ti e aos que não gostam?

F: Aos que gostam, cá beijinho. Aos que não gostam, nada, continuamos neste registo gostoso: dou-vos a minha indiferença, vocês a dor que isso provoca.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

F: O estojo. Porque nunca se sabe quando vou precisar dele para cumprimentar um biker.

 

S: Obrigado Filipa, foi um gosto enorme conversar contigo.

F: O prazer foi inteiramente meu. Nem imaginas o quanto.

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