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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

11
Mai17

Fátima

Sr. Solitário

"Foi aqui, nos braços desta azinheira, que a Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três pastorinhos" - disse-me a minha mãe defronte de uma grande árvore que dançava ao sabor de uma leve brisa, ladeada por gradeamento.

Estávamos em Fátima, tinha eu os meus 10 anos, mais ou menos, e contemplava aquela azinheira embasbacado, deixando a imaginação colocar imagens na minha cabeça de como aconteceu o grande milagre, há muitos anos atrás.

 

A viagem tinha sido muito demorada. Saímos cedo de casa, ainda a noite era cerrada, e lembro-me que a minha impaciência tornou-me numa criança irritada, farto de estar sentado durante horas no assento traseiro de um automóvel.

Quando chegamos, observei todo o recinto com um olhar curioso, totalmente siderado pela magnificência daquele local. Imensas pessoas dispersavam-se, tirando fotos, passeando e rindo, algumas com velas acesas, outras de joelhos com terços nas mãos a entoar as suas orações enquanto cumpriam as suas promessas.

 

Fazia um calor abrasador nesse dia! A minha mãe também tinha uma promessa por cumprir, fê-la desesperada aquando de uma doença que poderia matar-me; dar duas voltas de joelhos na Capelinha das Aparições, de mão dada comigo.

Senti-me importante nesse dia, como um protagonista de um filme emocionante, de mão dada com a minha mãe que cumpria a sua promessa penosamente, um milagre que Nossa Senhora me concedeu e me salvou.

 

No fim, também eu rezei defronte da Capelinha das Aparições. Pedi a Nossa Senhora que me concedesse a graça de ter uma vida melhor, pedi que acabasse a guerra no mundo e que matasse a fome às crianças de África.

Quando nos preparávamos para partir de regresso a casa, olhei mais uma vez para a azinheira, disse-lhe adeus baixinho e prometi que regressaria um dia. E regressei.

 

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08
Dez16

Imaculada Conceição

Sr. Solitário

Hoje, dia 8 de dezembro, feriado nacional, comemora-se o dia da Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Este dia invoca a vida e a virtude de Virgem Maria, mãe de Jesus, concebida sem marca do pecado original. É uma data de grande significado para a Igreja Católica. Diz a minha mãe que, antigamente, este era o Dia da Mãe e para mim faz todo o sentido que o seja. Haverá melhor dia para essa data do que o dia da mãe de Jesus?

 

A minha relação com a igreja não é, de todo, a mais exemplar. Confesso que eu não vou à missa, não rezo todas as noites antes de me deitar, não tenho um papel ativo enquanto católico. Contudo, não deixo de ter a minha fé, as minhas crenças religiosas. Costumo dizer que eu acredito na religião, não na igreja, mas isso seria um assunto de uma enorme discussão, um caminho que eu não quero enveredar.

Na minha humilde aldeia, onde a padroeira é precisamente a Nossa Senhora da Conceição, há uma pequena celebração no átrio da capela, com muita música e animação, castanhas assadas e vinho, danças e cantares. As tradições da nossa terra.

 

Desejo um feliz dia a todas as mães deste país! Que a Imaculada Conceição interceda por vós e que vos dê forças para levar a vida sempre com um sorriso.

 

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05
Jul16

Gentes da minha terra #02

Sr. Solitário

Conheci a Sr.ª Maria quando, ainda muito jovem, ia rezar o terço à capela da minha zona durante o mês de maio, mês de Maria. Sou católico, a religião que a minha mãe me ensinou. Atualmente considero-me um católico não praticamente, pois não confio muito na igreja, na minha opinião a igreja de hoje serve mais como um negócio do que apenas um local para a prática da nossa fé. Mas já iria entrar por outros caminhos que não quero. Foquemo-nos então na história de uma grande mulher que quero contar.

 

A Sr.ª Maria é uma senhora muito doce, adora crianças, vive rodeada delas, dando-lhes todos os seus afetos e ensina-as a rezar.

Comigo aconteceu exatamente o mesmo. Aprendi a rezar o terço com ela, assim como muitas outras orações, de uma forma doce e muito querida. Aprendi também a cantar muitas músicas religiosas tão bonitas, que ainda me recordo até hoje.

 

Então, houve um dia, durante o mês de Maria, o mês em que se rezava o terço na capela sempre a partir das 20h, em que a Sr.ª Maria me disse: "hoje és tu quem vai passar o terço e nós acompanhamos".

Fiquei impressionado e igualmente nervoso. Tive receio de não conseguir fazê-lo tão bem como ela. Uma responsabilidade muito grande.

Contudo, disse para mim mesmo que iria rezar com todo o meu coração e toda a minha alma, tal como a Sr.ª Maria me ensinava, e com certeza que tudo iria correr bem.

Elevei a minha voz e rezei, com a minha voz de menino ainda, e todos adoraram acompanhar-me.

 

No final todas as pessoas me deram os parabéns, incluindo a Sr.ª Maria. Algumas dessas pessoas diziam que deveria estudar para ser padre, pois tinha imenso jeito. Não me parece, respondia.

Escusado será dizer que, a partir desse dia, fui eu que sempre passei o terço, com o próprio terço nas minhas mãos pequeninas e trémulas, com receio de me enganar.

 

Um dia a Sr.ª Maria disse que tinha um presente para mim. Um embrulho pequeno, amachucado, trazido nas suas mãos enrugadas mas macias. Dentro desse embrulho encontrava-se um terço, trazido de Fátima, benzido, só para mim.

Guardo-o até hoje, perto da minha cama, para iluminar a minha noite, e proteger os meus sonhos.

 

Cada um tem a sua fé e eu guardo a minha só para mim. E quando tenho que rezar, rezo sozinho e faço as minhas preces. Não preciso de me dirigir à igreja para que todos me possam ver a rezar.

 

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