Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

08
Mai17

À conversa com... a Gaffe

Sr. Solitário

Header_gaffe.jpg

 

Desde 2009 esta blogger abre-nos as gavetas da sua vida, partilhando connosco memórias, desabafos, e tudo aquilo que adorna as suas avenidas, sempre com um toque de humor. Aceitou prontamente este desafio que lhe propus, e hoje está aqui neste espaço, sem filtros.

Hoje estou à conversa com... a Gaffe.

 

A palavra exacta é "superficial". Uma rapariga esperta sabe como ninguém que as tolices fúteis são autênticos temperos nestes nossos assados, cozidos e grelhados. Basta utilizar a dosagem certa e não exagerar na malagueta.

 

Solitário: Olá, bem-vinda ao meu espaço. Começo por te perguntar: porquê o nome Gaffe?

Gaffe: Olá! Obrigada por me receberes.

Não sei exactamente porque escolhi Gaffe para encimar o que escrevo. Provavelmente era a palavra que estava na minha frente quando decidi criar as Avenidas, mas quero acreditar que foi por sugestão de um amigo muito querido. Todas as minhas gaffes são atribuídas a amigos meus...

 

S: Criar um blog, no meio de tantos outros, foi um "erro"?

G: Foi um Impulsivo. Nenhum dos meus impulsos se traduziu até agora num erro. No momento exacto em que o considerar como tal, ou seja, um erro, as Avenidas serão inundadas e submersas. Embora a Gaffe se aproxime cada vez mais de mim - e tantas vezes correndo alguns riscos -, continua a proteger-me e a reservar-me. É uma rapariga esperta e, como todas as raparigas deste calibre, sabe que não interessa o que se diz, mas o modo como é dito.

 

S: Passeando pelas tuas avenidas, o que podemos encontrar?

G: Pequenas confissões, alguns desabafos, paisagens emocionais, lenha para atirar à fogueira, muita tolice e um ligeiro sabor a piroso. Nada mais. Não sou de cuidadas escritas e nunca garanti qualidade, mas vou lavrando palavras que enchem o espacinho de bonecada. Se uma quantidade imensa de gente arranja tempo para criar um bicho destes, tenho a certeza que também a vou acompanhar. Sou uma rapariga que dá valor às multidões.

 

S: Entre as tuas gavetas digitais podemos encontrar vários temas. Alguma gaveta ainda permanece escondida e fechada?

G: Muitíssimas! Há um manancial de segredos fechados a sete chaves que a Gaffe se vai encarregando de desvendar. O melhor está para vir, tenho a certeza. Recordo, no entanto, que em cada gaveta que abro, há outras que permanecem dentro por abrir.

 

Gosto dos áceres no Outono. Gosto de árvores que enlouquecem como os poetas.

Não gosto do cheiro das pipocas. Impede-me de respirar e de ir ao cinema.

 

S: Quem é o Gui?

G: Provavelmente vou desenrolar um manancial de barbaridades, por não conhecer o terreno que deu origem ao Gui, mas vou tentar explicar o que não entendi muito bem quando me entregaram o “menino”. O Gui começou por ser uma “experiência” da responsabilidade de um ilustríssimo amigo, investigador na área da Literatura Comparada. Não me pertencia e nem sequer tinha nome. Não passava de um estudo no âmbito da linguística. Procurava-se encontrar e medir a influência de diferentes ritmos de leitura, de distintas formas de se respirar, de diversas cadências e pausas no evoluir da leitura, no entendimento da obra que se lê. Após os resultados, um dos “bonecos” que serviram de “tubo de ensaio” - uma criança produtora de textos sem pontuação, de tema aleatório, muitas vezes sem nexo aparente, claramente infantis - seria abandonado, por ter cumprido a sua função com honra e distinção. Foi-me proposto adoptar e desenvolver esta criaturinha. Aceitei. Agora chama-se Gui e continua a escrever as suas “redassões”. É um menino que lê o Universo através das letras que dão corpo ao seu mundo minúsculo.

 

S: Que mensagem pretendes passar com a criação desta personagem?

G: Nenhuma! Sou demasiado nova para ter a veleidade de transmitir seja o que for e demasiado velha para esperar que todas as mensagens sejam interpretadas sem as alterações subjectivas de cada um dos seus receptores que as moldam àquilo que desejam sentir ou que no momento lhes é conveniente. Depois - olhemos para os velhos romanos -, o mensageiro acaba sempre morto. Se olharmos para à frente, vemos que os mensageiros estão todos mortos e as suas mensagens estão enfeitadas com florinhas criadas pelo Photoshop.

 

S: A dor da perda dos teus avós continua eminente. Qual a proporção desse buraco negro que se instalou no teu peito?

G: Não sei responder.

 

S: A luta silenciosa contra a dor é mais difícil de superar?

G: Sinto e sei apenas que o silêncio que faço é a única forma de honrar os que perdi. Nada, absolutamente nada, dignifica tanto a Dor como o silêncio. Creio que este silêncio específico é Deus a chorar. As manifestações histriónicas do sofrimento nunca me convenceram. Provavelmente é um defeito meu. Lembram-se sempre a Ágata – a maravilhosa Ágata - a choramingar.

 

Gosto de pérolas. Provam-me que às vezes é uma agressão que provoca a claridade.

Não gosto do Verão nos dias em que até a sombra tem sol. As ruivas trazem na pele a memória do escuro mais frio que as escondia dos caçadores de bruxas.

 

S: O que gostavas de lhes dizer neste momento?

G: Foi tudo dito. Não ficou rigorosamente nada por dizer. O que não encontrou o som das palavras, foi adivinhado. É patético acreditar que falhamos porque ficaram palavras por dizer. Revela apenas a nossa incapacidade de reconhecer que o amor é também um diálogo completo.

 

S: Ser mãe não está nos teus planos. Tens receio de não ser uma boa mãe ou medo do mundo onde elas viveriam?

G: Não. O problemazinho é outro. Não sou uma galinha de “óvulos de ouro”. Não posso ter filhos. As hipóteses colocadas não chegam sequer a ser consideradas por mim.

 

S: Porque te consideras uma Gaffe bimba? [risos]

G: Porque comprei uma Bimby há muito pouco tempo e ainda estou em modo bimba perante os milagres desta máquina. Refiro contudo que ser-se bimba é entrar em piloto automático. Não custa nada e vamos onde nos apetece sem qualquer preocupação. É relaxante.

 

S: A Gaffe não é uniformizada. O que te difere dos demais?

G: A Gaffe gosta muitíssimo de uniformes masculinos, não esqueçamos.

No entanto, e para contornar a questão sem grandes delongas, ser ruiva é bastante distintivo.

 

Gosto dos telhados de Paris e dos socalcos do Douro, porque só os pássaros os entendem.

Não gosto de baratas e de morcegos. As primeiras sobrevivem mesmo sem cabeça, os segundos enredam a cegueira nos nossos cabelos. Há gente que resulta de um cruzamento entre as duas espécies.

 

S: A Gaffe foi criticada num momento muito peculiar. Queres contar-nos como?

G: Já não me lembro! Fui?! O momento não devia ter sido assim tão peculiar, a não ser que nos estejamos a referir à ocasião em que dei por mim a ser observada no monitor de um PC, num café esquecido, por duas personagens fabulosas. Nesse instante fiquei a perceber que podemos encontrar Fellini em qualquer esquina da nossa vida.

 

S: Como é que a Gaffe lida com as críticas?

G: De formas distintas. As relativas à minha vida profissional e pessoal são recebidas com atenção, humildade e algum embaraço quando são positivas - ao contrário do que é rumor, não sou arrogante, sou parisiense. As que acreditam que disparam obuses, decido que não existem ou, se muito ruidosas, que usam o penteado de Kim Jong-un.

 

S: Contudo, a Gaffe sente-se cansada. Haverá um limite de caracteres para a personagem por ti criada?

G: Os únicos limites que a Gaffe conhece são os traçados pelo meu carácter.

 

S: Qual o rabisco que nunca apagarias na tua vida?

G: A palavra “rabisco” é aqui polissémica e dificulta a resposta. Os rabiscos que traço nas Avenidas podem ser apagados sem qualquer dano ou malefício. Todos os que vou traçando na vida são indeléveis.

 

Gosto do silêncio. Sobretudo do silêncio que se sente nas memórias que nos falam.

Não gosto de homens que pintam o cabelo. Não se pode confiar em alguém que se engana dessa forma, acreditando que convence os outros. Também não gosto do Dr. Passos Coelho pelas razões idênticas.

 

S: "tu és a guardiã das emoções." Um peso difícil de carregar?

G: Não sei se o “título” está bem entregue. Não sei sequer se o “cargo” pode ser por mim desempenhado com a alma que requer, mas alguém tem de ficar com o trabalho pesado, não é?!

Todos somos guardiões das emoções, só que alguns são apenas carcereiros.

 

S: Alguém te deve um pedido de desculpas?

G: Não. Todas as pessoas que são vítimas do meu amor, sabem pedir desculpa. Quando me pedem desculpa provam em simultâneo que lhes sou importante. Saber ouvir pedir desculpa justifica a importância que me dão.

 

S: Dentro do estojo da tua vida há um lápis para escrever o teu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o teu mundo e uma caneta para escrever em ti um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usas? Porquê?

G: Nenhum, porque a arquitecta é a minha irmã – “eu é mais bolos” - e os nomes que trago em mim, impossíveis de apagar, não foram gravados por mim, mas por quem amo.

 

Obrigado Gaffe, foi um gosto enorme conversar contigo.

 

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

Posts mais comentados

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D