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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

04
Nov16

Viver depois de ti - Jojo Moyes

Sr. Solitário

Esta é a história de Louisa Clark, uma jovem com uma vida banal que, quando é confrontada com o desemprego, decide candidatar-se a um cargo de cuidadora de um homem tetraplégico, sem qualquer experiência.

 

Will Traynor vive aprisionado numa cadeira de rodas, precisa de ajuda para levantar-se, para comer, para barbear-se e para se deitar, entre outras coisas que para nós, comuns mortais, são totalmente superficiais. Com um temperamento difícil, Will vive a sua vida de uma forma apática, revoltado com o seu destino. Porém, com a chegada de Louisa, Will suaviza aos poucos o seu caráter e ela aprende a lidar com ele melhor que ninguém.

 

Contudo, o que Louisa não sabe, é que o Will já tem planos para a sua vida, planos esses que, ao descobri-los, a deixam em choque e tenta fazer de tudo para os mudar.

É um livro maravilhoso que recomendo vivamente. Uma história marcante que nos deixa a pensar sobre o real sentido da vida.

 

viverdepoisdeti

 

24
Out16

Grey - E. L. James

Sr. Solitário

Gostei muito deste livro. Ao lê-lo, senti uma nostalgia muito grande que vem de há 3 anos atrás, quando li esta trilogia. Neste livro recordamos a história que apaixonou e viciou muitos leitores, só que desta vez narradas pelo próprio Christian Grey.

Há muitas pessoas que ao ouvirem falar da saga "As 50 Sombras de Grey" pensam somente numa única coisa, sexo e mais sexo. Mas não. A história não fala só e apenas de sexo, há toda uma história e um enredo fantástico que nos deixa deslumbrados. Arrisco-me mesmo a dizer que também se trata de uma história de amor, bastante atribulada.

É lindo.

 

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19
Out16

Ler

Sr. Solitário

O livro está sempre posicionado na cómoda do meu quarto, vejo-o sempre que lá passo, e, por vezes, contemplo a sua capa, a grafia do título, a textura das folhas.

 

Quando consigo ter algum tempo para ler, depois de todos os meus afazeres, coloco os meus óculos que uso só para a leitura, sento-me no sofá da sala (ou em dias mais frios sento-me na minha cama aconchegado com os cobertores nas pernas), pego no livro, percorro as folhas até ao marcador que sempre uso há mais de 10 anos e começo a ler. O mundo à minha volta para, deixo de ouvir todos os outros sons, esqueço-me até dos meus próprios sentimentos e vivo a história que tenho entre mãos.

 

As palavras correm à medida que passo por elas. Ao lê-las, elas ficam guardadas na minha memória, arrumando-se para que as próximas caibam na mesma gaveta do cérebro, aquelas gavetas imaginárias onde guardamos as nossas lembranças e onde eu tenho uma bem grande que dá para armazenar livros e mais livros que fui lendo ao longo da minha vida.

O meu telemóvel vibra, informando-me que acabo de receber uma nova mensagem. Por vezes sinto-o, outras vezes não e fico admirado quando vejo a luz a piscar porque realmente não dei por ela. Não é à toa quando digo que o mundo à minha volta deixa de existir quando inicio a leitura.

 

As horas passam a correr e chega o momento em que tenho de voltar a colocar o marcador numa nova página e ficar na expectativa de como a história irá se desenvolver. Volto a posicionar o livro na cómoda e ele aguarda que eu volte para o pegar e devorar as suas frases.

No fim, entrego-o à biblioteca onde o fui buscar, ele fica no lugar que lhe é respetivo e aguarda pacientemente que outro leitor o leve e o faça conhecer outra casa, outras divisões, outros hábitos de leitura e outros lugares onde possa ficar temporariamente.

 

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03
Out16

A Sombra do Vento - Carlos Ruiz Zafón

Sr. Solitário

Não somos nós que escolhemos os livros, são eles que nos escolhem. Cada livro tem a sua magia especial que nos prende, as personagens passam a fazer parte do nosso dia, ocupam os nossos pensamentos e arrancam algumas das nossas emoções.

A Sombra do Vento é um livro para a vida, tal como disse uma amiga minha. Subscrevo totalmente a sua opinião e acrescento que todas as pessoas deveriam lê-lo. Eu demorei mais tempo que o normal para o ler, pois não queria de maneira nenhuma que esta história acabasse, queria que ela perdurasse por muito, muito tempo. No entanto, acabou tão depressa como começou e já sinto saudades.

Há livros que nos marcam. Este marcou-me e, por mais que tente arranjar palavras para o descrever, não consigo expressar-me da forma que queria.

 

Deixo apenas a sugestão e tenho a certeza que não se irão arrepender.

 

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05
Jul16

Gentes da minha terra #02

Sr. Solitário

Conheci a Sr.ª Maria quando, ainda muito jovem, ia rezar o terço à capela da minha zona durante o mês de maio, mês de Maria. Sou católico, a religião que a minha mãe me ensinou. Atualmente considero-me um católico não praticamente, pois não confio muito na igreja, na minha opinião a igreja de hoje serve mais como um negócio do que apenas um local para a prática da nossa fé. Mas já iria entrar por outros caminhos que não quero. Foquemo-nos então na história de uma grande mulher que quero contar.

 

A Sr.ª Maria é uma senhora muito doce, adora crianças, vive rodeada delas, dando-lhes todos os seus afetos e ensina-as a rezar.

Comigo aconteceu exatamente o mesmo. Aprendi a rezar o terço com ela, assim como muitas outras orações, de uma forma doce e muito querida. Aprendi também a cantar muitas músicas religiosas tão bonitas, que ainda me recordo até hoje.

 

Então, houve um dia, durante o mês de Maria, o mês em que se rezava o terço na capela sempre a partir das 20h, em que a Sr.ª Maria me disse: "hoje és tu quem vai passar o terço e nós acompanhamos".

Fiquei impressionado e igualmente nervoso. Tive receio de não conseguir fazê-lo tão bem como ela. Uma responsabilidade muito grande.

Contudo, disse para mim mesmo que iria rezar com todo o meu coração e toda a minha alma, tal como a Sr.ª Maria me ensinava, e com certeza que tudo iria correr bem.

Elevei a minha voz e rezei, com a minha voz de menino ainda, e todos adoraram acompanhar-me.

 

No final todas as pessoas me deram os parabéns, incluindo a Sr.ª Maria. Algumas dessas pessoas diziam que deveria estudar para ser padre, pois tinha imenso jeito. Não me parece, respondia.

Escusado será dizer que, a partir desse dia, fui eu que sempre passei o terço, com o próprio terço nas minhas mãos pequeninas e trémulas, com receio de me enganar.

 

Um dia a Sr.ª Maria disse que tinha um presente para mim. Um embrulho pequeno, amachucado, trazido nas suas mãos enrugadas mas macias. Dentro desse embrulho encontrava-se um terço, trazido de Fátima, benzido, só para mim.

Guardo-o até hoje, perto da minha cama, para iluminar a minha noite, e proteger os meus sonhos.

 

Cada um tem a sua fé e eu guardo a minha só para mim. E quando tenho que rezar, rezo sozinho e faço as minhas preces. Não preciso de me dirigir à igreja para que todos me possam ver a rezar.

 

28
Jun16

Gentes da minha terra #01

Sr. Solitário

Hoje vou falar do Sr. António. Um senhor com cerca de 65 anos, divorciado à pouco tempo, que reaprendeu a viver sozinho. Tem nacionalidade venezuelana mas reside em Portugal já há bastantes anos. Já trabalhou em muitos escritórios, altos cargos, agora está aposentado e recebe uma parca reforma.

 

O Sr. António tem sempre muitas histórias para contar e eu adoro ouvi-las. Ouço-o atentamente, sem o interromper para ele não perder o raciocínio, pois eu quero absorver sempre tudo o que ele diz. Com o seu sotaque venezuelano, fumando a sua cigarrilha, as suas histórias fazem-me recuar no tempo, o tempo da sua juventude, outros tempos bem diferentes de agora, contados com paixão, ponderação, cativando assim o seu ouvinte.

 

As histórias que mais adoro ouvir são aquelas que ele conta aquando a sua estadia na tropa. Momentos difíceis de recordar, dificuldades inacreditáveis, difíceis de imaginar, mas nunca pus em causa a veracidade delas.

Diz-me, de olhos marcados pelo sofrimento, que dormiu imensas vezes ao relento, ao frio; bebia água das poças, perdia-se nas florestas e tinha que encontrar o caminho de regresso sozinho, sem comida, sem bens essenciais. Uma vida dura.

 

"Uma vez, estávamos todos nós sentados a limpar as nossas armas (elas tinham que ser limpas frequentemente, não podíamos deixa-las sujas, senão teríamos castigos) quando de repente, algum cadete que não trancou a arma como deveria ter feito, a fez disparar acidentalmente e o tiro acertou na nuca de um dos nossos parceiros. O rapaz, que teria uns 18 anos, não mais, morreu ali à nossa frente, ficou com a cabeça quase desfeita... nunca mais me esqueço desse momento, nunca mais!"

 

26
Mai16

No Centro de Dia

Sr. Solitário

Ontem à tarde decidi fazer uma visita ao Centro de Dia aqui da minha zona. Falaram-me que o poderia fazer durante uma hora, das 14:30 até às 15:30. Fiquei curioso e na expectativa de como me iriam receber. Ao início tenho sempre esta dificuldade em relacionar-me com as outras pessoas, acanho-me.

 

Levei um DVD do Grupo Folclórico do qual faço parte já há 10 anos para poderem ver e divertirem-se, pois os velhinhos gostam muito disso, eram o seu divertimento, nas suas juventudes.

 

Cheguei e deparei-me com uma sala ampla onde vi muitas senhoras, e alguns senhores em minoria, sentados a ver televisão. Uma série qualquer que estava a dar na RTP. Alguns dormitavam, outros assistiam com atenção. Porém, mal cheguei, todos os rostos enrugados e olhares curiosos, outros desconfiados, se voltaram para mim.

Disse "Boa Tarde" com um sorriso rasgado. Responderam-me quase em uníssono. Alguns falaram com o seu colega do lado, certamente a perguntarem quem eu era e o que estava lá a fazer. Nem eu próprio sabia muito bem o que fazer! Fui movido pelo coração. E ele transmitiu-me que eu deveria estar ali naquele preciso momento.

 

Eis que, de repente, vi um rosto conhecido. O Sr. Chico estava ali sentado, o meu antigo vizinho, com a sua esposa. Dirigi-me logo a ele e cumprimentei-o.

Disse-me que estavam melhor ali, tinham companhia para conversar e eram bem tratados. Fiquei contente por o saber. Ouvi-o atentamente, sempre concordando com tudo. Depois lá me perguntou que idade eu tinha agora. Respondi-lhe que já tinha feito 30 anos à cerca de umas semanas atrás.

 

"Já?!" - respondeu-me de uma forma tão surpresa e admirada. Pois é Sr. Chico, o tempo vai passando.

"Quando te conheci eras ainda um putozito! Pequenito!" - recordou ele. E a minha memória recuou até esses tempos tão bons da minha infância e que nunca vou esquecer.

 

De seguida, dirigi-me a outra senhora que conhecia quando ia rezar o terço todos os dias durante o mês de maio, o mês de Maria.

"Estou aqui agora, o meu sobrinho está a pagar para eu estar aqui. Antes tinha algum dinheiro, mas dei tudo quando vim para aqui, agora fiquei sem nada" - confidenciou-me a Sr.ª Gertrudes com um olhar triste. "É assim a vida".

 

Outras senhoras disseram-me que eram irmãs e estavam ali juntas. Uma outra senhora não quis falar comigo, disse-me que estava tudo bem com ela e a conversa encerrou ali. Afinal ninguém era obrigado a falar comigo.

 

"Tu tens que pôr mais côdeas de pão na sopa que estás muito magrinho!!" - disse-me a senhora Maria. "Mas estás bem de saúde?" Disse que estava tudo bem, e isso é que importa.

Muitos perguntaram de onde eu era e filho de quem. Alguns reconheceram-me a mim e à minha famílias, outros não.

O senhor Joaquim, homem forte e bastante brincalhão, perguntou-me se já tinha namorada. Respondi que sim, tenho namorada sim senhor! Não podia responder a verdade, senão ainda escandalizava toda a gente presente naquela sala!

Disse-me que eu dava para ser sacristão!! E todos se riram da piada. Eu sacristão?! Não me parece Sr. Joaquim!

 

Saí de lá com o coração tão cheio! Todo ele transboradava alegria, pois eu proporcionei um dia diferente a todos aqueles velhinhos. Todos tiveram uma visita, uns de alguém que não conheciam, mas todos eles tiveram uma visita, pois eu fiz questão de falar com todas as pessoas. Temos tanto a aprender com eles.

 

Inscrevi-me para fazer trabalho voluntário lá, e peço aos céus para que me aceitem, pois nada me faria mais feliz agora. Quero mesmo muito tomar conta daqueles velhinhos, fazer tudo o que puder por eles, ensinar-lhes o que sei, aprender com eles. Não quero nada em troca, só os seus sorrisos e as suas histórias pagam o maior ordenado do mundo!

 

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