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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

06
Jul17

Isto choca?

Sr. Solitário

Amanhã estará nas bancas a revista Cristina deste mês. Mas, na sua página oficial do Facebook e no Instagram, a apresentadora e diretora de conteúdos publicou as imagens de três capas diferentes que irão ser apresentadas.

A publicação será dedicada ao amor e, para fazer jus à palavra já de si grandiosa, na minha opinião, as capas são as seguintes:

 

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Como seria de esperar, tais publicações geraram milhares de comentários dos seus seguidores, uns apoiando totalmente a iniciativa, outros nem por isso.

Saber que existem cidadãos que são contra a homossexualidade, não aceitam como se essa fosse uma decisão só sua, já não me interessa minimamente. Felizmente eu estou bem resolvido com a minha vida, e a dos outros não me interessa, não contribui para a minha felicidade.

O que me choca essencialmente são muitos dos comentários que li. Do pior! Em pleno século XXI ler comentários do género:

 

"Paneleiros, metem-me nojo!"

 

"Porcas, deviam era ter vergonha!"

 

"Putas e Paneleiros rio com esses porcos, para mim sao igual apanhar violadores e pedofilos"

 

"As duas chocam... querem a toda a força que isto seja normal????? normal é um homem e uma mulher amarem-se não existe nada mais lindo que o Amor entre um casal, afinal isto são os princípios da vida... eu respeito estas pessoas porque como cidadã tenho que respeitar o próximo mas não me peçam para aceitar isto como uma coisa normal... Desculpem mas para mim isto é uma disfunção hormonal que devem tentar tratar com todo o devido respeito que tenho por estas pessoas!"

 

"Grande nojo. Esta mulherzinha anda a ser mal aconselhada. Que nojeira e falta de vergonha. Será que à revista também já é pornográfica?"

 

" LAMENTÁVEL!!! Numa sociedade normal e civilizada, NÃO PODE HAVER LUGAR PARA ESTES ANORMAIS!! E quem tem a infeliz ideia de publicar esta aberração, só pode merecer o maior repúdio! VERGONHOSO!!"

 

"Deviam casar-se aos molhos de dúzia é meia. Mais fêmeas sobravam para os verdadeiros homens. Abrenuncia... Santanás. Credo!!!"

 

Isto entristece-me imenso! Não como homossexual assumido que sou, mas sim como cidadão português. Tenho vergonha de fazer parte desta sociedade.

Dizem que as mentalidades estão a mudar a cada ano que passa, mas depois disto deixei de acreditar nessas palavras. Sem mais a acrescentar.

 

E a vocês? Estas imagens chocam?

 

22
Nov16

Ainda existe preconceito? Sim, existe

Sr. Solitário

Num dia comum como muitos outros, não há muito tempo atrás, no momento em que calcorreava o caminho que faço habitualmente por desporto, deparei-me com mais uma situação de preconceito.

Nesse meu trajeto que faço todos os dias - ou melhor dizendo, fazia! -, passava sempre por uma fábrica onde os funcionários são todos do sexo masculino. Ora estava eu absorto nos meus pensamentos, com a fábrica a meros metros de distância mais à frente, quando ouço o seguinte: "Olha vem aí o paneleiro!". Estas palavras foram proferidas em alto e bom som para que todos os que estavam presentes me pudessem observar enquanto ele apontava diretamente para mim, olhando-me nos olhos e sabendo que eu o estava a ouvir.

 

Disse para mim próprio que não ia permitir que eles vissem o quanto aquelas palavras me afetaram e continuei a caminhar sempre ao mesmo ritmo enquanto passava pela empresa, totalmente consciente que todos os olhares estavam postos em mim, ouvindo sempre um burburinho de comentários e aqueles risinhos trocistas.

O tal rapaz continuou com o seu discurso de macho: "Ó Miguel, olha ali o teu namorado a passar, anda ver!". De seguida ouvi um assobio, daqueles assobios atrevidos e apreciativos que os homens lançam às mulheres que passam por eles, e depois não ouvi mais nada, pois os meus passos já me tinham levado para longe dali.

 

Durante a minha vida aprendi a proteger-me contra todas estas palavras, como uma capa ou uma carapaça das tartarugas, contudo, e como costumam dizer, elas não matam mas mordem. Senti-me humilhado e, agora, não tenho coragem de passar lá novamente. Faço um desvio. Sei que faço mal, mas prefiro assim. É que custa um pouco ouvir certas coisas e ser o centro de atenções indesejadas.

 

homofobia-bule-voador.jpg

 

14
Set16

Ouço cada coisa...

Sr. Solitário

Se há coisa que me irrita, assim aquela irritação que pica, são as opiniões das pessoas em relação a certos assuntos que desconhecem totalmente. A opinião delas é que conta, é a mais acertada e tudo deveria ser como elas dizem, pois são elas que têm a razão. É que faziam melhor figura se estivessem caladas.

Num destes dias ouvi uma barbaridade deste género:

 

"Há tanta coisa com que os políticos se devem preocupar no nosso país, e andam esses cabrões preocupados em aceitar a adoção de crianças para os paneleiros. Onde é que já se viu isto? Só mesmo neste país. Quando a criança crescer vai chamar pelo pai e pela mãe... e a mãe onde está?"

 

Tais comentários revoltam-me imenso!

Primeiro porque são vindos de pessoas completamente mal educadas, mal formadas, com imensa falta de civismo e ignorantes até.

Segundo porque, na minha opinião, o assunto das crianças abandonadas neste país e nas condições deploráveis em que muitas delas vivem, deve ser um assunto de maior importância, pois são as crianças o futuro do nosso país, e penso que não estou muito enganado assim. Gostaria de perguntar a estas pessoas o seguinte: é melhor deixar as crianças abandonadas por aí e deixa-las em orfanatos onde são mal tratadas e sujeitas a qualquer tipo de humilhação? Pensem um pouco antes de dizerem certas coisas.

 

Quero também deixar bem claro uma coisa: um paneleiro é um indivíduo que faz panelas. Essas pessoas a que vocês se referem como paneleiros são humanos, e como tal têm que ser aceites na nossa sociedade, são homossexuais, e como qualquer cidadão português têm direito a serem respeitados.

Quantas crianças são abandonadas pela mãe e crescem completamente saudáveis ao lado de um pai que faz de pai e mãe ao mesmo tempo? Muitas delas.

Pergunto-me o que fariam essas pessoas se os seus filhos lhe dissessem que são homossexuais, o que fariam? Colocava-os fora de casa? Certamente que sim.

 

26
Ago16

Coração de Papel [5]

Sr. Solitário

«Sou o Alexandre, Alex para os amigos. Não é que tenha muitos, mas os que tenho são muito especiais para mim, cada um à sua maneira.

Tenho 18 anos, vivo numa aldeia rural cheia de tradições e costumes, mas mudei-me para a cidade do Porto onde estou a estudar Jornalismo na Faculdade de Letras.

Divido um apartamento com a Mariana, minha melhor amiga, confidente e protetora. Linda e maravilhosa que só ela sabe ser, namora com Renato, um jovem estudante de engenharia, rico, mulherengo e sem escrúpulos. Ele não a merece.

 

" - Sabes que podes sempre contar comigo, para tudo!"

" - Eu sei."

 

Na faculdade sou gozado pelos meus colegas por ser considerado diferente. O pior deles todos é o Bernardo, um jovem de boas famílias e bastante preconceituoso.

 

" - Que mal é que eu te fiz?!"

" - Tu metes-me nojo!"

 

Com a chegada de Pedro ao nosso apartamento, toda a minha mente se torna numa grande confusão. Pedro é carinhoso, dá-me atenção, protege-me, faz-me companhia.

 

" - Tu és uma pessoa maravilhosa! Os que gozam contigo não sabem o ser humano tão bonito que és."

" - Obrigado..."

 

Pedro nutre uma certa paixão por mim, vejo-o nos seus olhos, nas suas ações. Mas eu não sinto nada por ele, ou melhor dizendo, não quero sentir, não posso!

Eu não sou gay... eu não quero ser gay! Ou será que estou a mentir a mim próprio?»

 

Dia 5 de setembro chega...

 

fundo data.jpg

 

Está escrito!

21
Mai16

À conversa com... André Mendonça (parte 2)

Sr. Solitário

S: Amas o teu namorado incondicionalmente?

A: Estamos juntos faz 8 meses no próximo dia 6 de junho, e têm sido, de facto, os melhores tempos da minha vida. É o meu primeiro relacionamento sério, estou orgulhoso de cada passo, cada conquista, cada vitória...de ambos. Após muitos casos falhados, e lágrimas derramadas, já eu a pensar que jamais alguém poderia amar-me, e isso ser reciproco, eis que aí conheci por incrível acaso e destino, a minha metade da laranja… Tudo começou, estávamos meados de outubro de 2015 sendo mais concreto numa noite morna de outono, sentia-me sozinho e triste, estava magoado com um rapaz que supostamente teria interesse em mim, mas que desapareceu misteriosamente. Tudo o que não queria era algo sério, estava cansado de tentar, e tentar, e acabava sempre por sair magoado... mas lá está a vida às vezes trama-nos umas vezes para pior ou para melhor, que acabou por ser o caso, acabei por ganhar inesperadamente uma companhia para dormir e aliviar o stress, ... foi uma noite maravilhosa. E, a cada dia que passa cada vez tenho mais certezas de que encontrei o homem da minha vida, e que um dia quero passar a fazer ainda mais parte da dele: casar e ter filhos. Nada na vida é eterno, mas amo-o como nunca fui capaz de amar alguém antes, consigo agora entender o verdadeiro significado de “amar alguém”!

 

S: São felizes juntos?

A: Somos muito felizes um com o outro, temos os nossos momentos menos bons, as nossas turras como todos os casais, mas ao longo desta viagem estamos a aprender imenso sobre a vida juntos, partilhando as nossas aprendizagens e experiências. 
No inicio o que ambos apenas queríamos era uma amizade colorida, mas com o evoluir do tempo o cupido fez das suas. É absolutamente incrível e impensável encontrar alguém com a cabeça no lugar, num site de engate muito popular, “Manhunt”. Este é daqueles sítios onde jamais se pensa que se encontra alguém para algo sério, verdadeiro e duradouro.
É tão incrível como um "Não queres companhia para dormir?" fez o encanto daquela noite. Parece um filme… foi no momento certo, à hora certa - Destino. Desde que o vi, que senti o “clique”, algo me disse que ali à minha frente estaria uma pessoa muito especial, com muito para dar-me: amor, carinho, amizade, etc.

 

S: Há quem diga que homossexualidade é doença. O que tens a dizer a essas pessoas?

A: As pessoas que ainda pensam que homossexualidade é uma doença deveriam evoluir em pessoa e em ser. Não impor barreiras ao amor.

Para amarmos alguém não interessa o sexo, raça, religião… O que interessa mesmo é o significado do sentimento Amor para nós e para esse alguém.
A homossexualidade é um pequeno detalhe que faz parte de nós desde a nossa existência, é uma forma de amar tal como a heterossexualidade, é bonita, verdadeira, real, sincera.
Nenhum ser me venha com a história de que um homem que é homem não chora. Isso é uma completa mentira, pois todos temos sentimentos e não devemos ter vergonha de nós próprios, de sermos o que somos. Homens de verdade, também choram, amam, riem, sentem-se destroçados, destruídos por dentro, parecendo que o mundo vai acabar, ficam noites pensando no que fazer, homens gostam de atenção, carinho, conversas, (...) de se sentirem amados, de se sentirem importantes para alguém! E acima de tudo homens também sofrem, sonham e têm um projecto de vida!

 

S: Finalmente deste a cara num programa de televisão, contando abertamente a tua história. Valeu a pena?

A: Sim, valeu a pena e foi das melhores coisas que fiz. Decidi finalmente que já estava mais do que na hora de partilhar a minha história de vida, a minha vivência, por forma a inspirar outros, e a demonstrar a força a coragem e orgulho que tenho em ser quem sou. E também para poder contribuir para uma diminuição do preconceito e homofobia existentes! O feedback que tenho obtido tem sido muito positivo e tenho encontrado pessoas com bom coração, que me querem ajudar naquilo que podem. Muitos dos que viram ficaram comovidos com o meu testemunho e felicitaram a minha coragem para ser quem sou sem medos. 

Quem não viu e quer rever faça-o aqui: http://sicnoticias.sapo.pt/programas/e-se-fosse-consigo/2016-05-09-E-se-fosse-consigo--A-homofobia

 

S: Qual é o contacto que tens com os teus pais neste momento?

A: Nenhum absolutamente. Faz cinco meses, dia 25 de maio, que toda a minha família se esquece que eu alguma vez existi.
À medida que o tempo passa, a teoria de não ter sido um filho desejado faz cada vez mais sentido... Como podem gostar de mim e amar-me, tendo feito aquilo que me fizeram? Chamar-me de "aberração", "paneleiro", dizer que pessoas como eu "não são nada, nem ninguém", que "eu é que escolhi esta vida", ser chamado de "drogado", entre outras coisas piores.

Há coisas jamais mudam... a relação com eles continuou a ser a mesma com o passar do tempo desde 2012. Os meus pais continuaram os iguais de sempre: a renegar-me, maltratar-me e criticar-me por tudo e mais alguma coisa. Continuaram as chantagens e manipulações emocionais, quererem saber tudo da minha vida pessoal e íntima, sem olhar a meios... Até que chegou o ponto de rotura, sendo que foram eles próprios que decidiram abandonar-me e deixar-me sem chão, no natal de 2015. 5 meses passaram desde que eles me deixaram de apoiar financeiramente. Não me falam, nem me retribuem as chamadas que lhes fiz, Ignoram-me, não só eles, mas todos os familiares como se eu alguma vez existisse. É triste, mesmo muito, mas a vida é para a frente, se não querem saber de mim para nada, manifesto o mesmo sentimento para com eles, e faço de tudo para seguir com a minha vida em frente.  
 

 

S: Como te sentes sabendo que os teus pais te abandonaram devido à tua orientação sexual?

A: Custa não ter aquele aconchego, sentir-se posto de parte, tudo por causa de algo que faz parte de mim "ser homossexual" e isso não me define, nem faz de mim uma má pessoa! É triste ter 20 anos (e ainda muito pela frente) ninguém imagina o que é ficar sem família do dia para a noite, e ter a vida num enorme reboliço como aconteceu comigo. Os meus pais chegaram a colocar-me substancias na comida para eu andar sedado e inclusive recorrer a artes do oculto (bruxarias) para me reconverter à força, e isso está errado e não se faz.

 

S: O que gostarias de lhes dizer neste momento?

A: Família não se lembra apenas dos seus quando estes fazem anos, isso para mim não vale nada... Ainda existem pessoas que teimam que a família gosta de mim, eu tenho a certeza de que se gostassem mesmo de mim, não é só no dia em que eu nasci, que se lembram, mas sim todos os dias. Eles deixaram de se importar comigo, deixaram-me da mão e completamente desamparado, sem casa e sem dinheiro. Pobres seres que não sabem enxergar o que realmente importa: “ser feliz” e estar bem com quem se ama. Pessoas e mais pessoas neste mundo imenso…querem lá esses seres saber de mim, se importar verdadeiramente comigo, me dar o devido valor que mereço, reconhecer a grande pessoa que eu sou, e a minha parte humana, esquecer os meros detalhes da minha intimidade pessoal. 

 
Prefiro esquecer que alguma vez tive família, e seguir a minha vida em frente com quem está ao meu lado, o resto já não importa. Até porque para mim, família jamais são pessoas que fazem aquilo que me fizeram, ao ponto de me tentarem me reconverter e proferir coisas inadmissíveis, do género: "As putas vão para a rotunda, agora tu não sei para onde vais", "Paneleiros", "Filhos da puta", e outras... Inclusive cheguei a sofrer violência física da parte do meu pai também, uma vez deu-me uma estalada, outra arrastou-me pelo chão e quase partia a perna, chegou a ameaçar destruir o meu pc em mil bocados. A descoberta da minha morada, do meu telefone fixo, e ter recebido uma prenda surpresa no meu vigésimo aniversário podia bem ter sido escusada, não precisava de nada, e isso de obterem o meu paradeiro de forma ilegal e condenável. Se ninguém, ninguém se lembra de mim nunca, desde que vim para cá. Primos/as, tios/as, não vou ser eu a preocupar-me que eles existem pois só falam quando necessitam de algo. Não preciso de pessoas assim na minha vida! Isto já lá vem desde 2012 e até agora não tem sido nada fácil, tendo piorado ao longo do tempo, pelo que mais vale esquecer, nem os consigo considerar como pais, mas sim progenitores.

 

S: Sentes saudades deles? Ou revolta?

A: Uma ligeira revolta pelo facto de como pode um pai e uma mãe fazer aquilo que eles me fizeram durante este tempo todo! Mas acima disso sinto pena por estes seres serem incapazes de ver o que há de belo em mim. Não há ganhos na vida sem sofrimento, aprendemos a nos tornar-mos mais fortes, e mais maduros. Quanto à família, a única que tenho tido mais perto de mim, tem sido os meus amigos e o meu namorado, tendo este feito mais por mim do que eles a vida inteira. A família de sangue que esperava dignamente que me respeitasse, apenas me mata aos poucos e poucos, e puramente isto: Não me interessa falar com esses seres, nem ter nada a ver com esses seres. Se esses seres alguma vez me respeitassem jamais tinha pensado em sair de casa e deixar tudo para trás, para poder ser eu próprio e ser feliz. 

 
Um fenómeno estranho e horrível que aconteceu, foi quando a minha mãe se decidiu meter com um "ex" meu, para saber a minha vida toda, ele inclusive foi um mentiroso e disse que me dava dinheiro para pagar as contas e que eu recusava, quando isso foi a mais completa mentira... e lá andou ele a contar à minha mãe tudo o que eu dizia ou fazia! Quando soube de tal história a única coisa que lhe disse foi: "É triste tu desceres a um nível tão baixo, e te meteres no facebook com alguém que tem idade para ser teu filho para andares a escarafunchar a minha vida toda!”
 
Em outubro de 2015 uma situação de saúde grave com a minha mãe levou-me à terrinha. Pensei que algo assim, provavelmente iria pôr a cabeça minha mãe no seu lugar, passando a respeitar-me, estava redondamente enganado. Continuou a mesma de sempre, durante este tempo todo. Lá em casa, no fundo das gavetas da minha cómoda, descobri rituais de bruxaria, feitos contra mim na minha roupa que lá ficou, fiquei horrorizado e fiz questão de documentar tudo. Custa-me a crer que durante este tempo todo desde 2012 ela não aprendeu absolutamente nada! Continua a desrespeitar-me como sempre o fez!

Com essa ida também descobri que a família alguma vez entenderá o porque, de eu ter saído de casa e abandonado os estudos, porque a minha palavra vale zero, e o problema é ser assim como sou, homossexual, dizem que não vou casar, que não vou ser nada, que sou um brutamontes, que sou um estúpido, e nunca vou ser alguém na vida! E cheguei à conclusão que não vale a pena, custou imenso estar uma semana com aquelas pessoas retardadas e hipócritas.

 

S: Algum dia haverá espaço para o perdão?

A: Sinceramente isso irá ser muito complicado e acho que impossível, as mágoas e as marcas ficam para a vida inteira.

É uma vergonha os meus pais continuarem a culpar os outros por aquilo que acontece, dizerem mal de tudo e todos, um dia irão acordar para a realidade mas aí será bastante tarde demais…Tiveram ajuda várias vezes e recusaram, não posso obrigar as pessoas a mudar, cada um vê o que quer ver, e como quer ver. Chega a um ponto em que nos apercebemos que a causa pela qual lutamos não vale a pena, e mais vale desistir. Eu fiz aquilo que podia, mas quando as pessoas não estão dispostas a ouvir o outro, a tentar entender, quando não há meio de comunicação e vem com sete pedras na mão, não há volta a dar.
Inclusive uma das psicólogas que me seguiu, que até hoje foi a única pessoa capaz de dizer à minha mãe sem papas na língua: "Você não aceita o seu filho, se continuar assim vai acabar por perdê-lo", e teve toda a razão até hoje.  A minha mãe tendo a mentalidade que tem ficou contra e proibiu-me de ir às terapias, disse que ela não era psicóloga nenhuma, disse que tem tinha arranjado a psicóloga não era boa da cabeça (uma prima minha)...  Chegou até a insinuar que a psicóloga era lésbica e que não era profissional de saúde nenhuma e que iria apresentar queixa.

 

S: O que dirias a alguém que, neste momento, está a passar pela mesma situação?

A: É preciso determinação, ser-se muito mas muito forte, ter a coragem para enfrentar tudo e todos, lutar para poder vencer na vida.

E um dia, mostrar a todos que tornaste-te em alguém com família, filhos, trabalho e realização e conseguiste fazer o teu caminho.
Aquilo que me fizeram foi tão mau, mas tão mau, que me deixou marcas irreversíveis, mas por outro lado ajudou-me a crescer em pessoa e em ser, aprendi a ser mais sorte, a perceber que o mais importante não é ter o armário cheio de roupa cara, e bens materiais, mas sim amor, carinho, amizade, e coisas que às vezes nos parecem fúteis, aqueles pequenos detalhes mas que fazem a diferença no dia a dia de alguém.
Nunca desistam, só não há solução para a morte. Tenham uma boa rede de amigos, procurem ajuda nas associações existentes em Portugal tal como a ILGA-PORTUGAL e a AMPLOS para vos tentarem ajudar no que puderem. Eu gostava que mais ninguém passasse por aquilo que passei, e vou dar o meu contributo e o melhor de mim ao mundo para torná-lo num local melhor, mais inclusivo e agradável.
Quem quiser pode seguir-me no facebook https://www.facebook.com/blogomeumundo/ e esteja à vontade para falar comigo se precisar, não hesite.
 
 
Obrigado André. Força!
20
Mai16

À conversa com... André Mendonça (parte 1)

Sr. Solitário

André Mendonça, 20 anos, homossexual assumido. Os pais descobriram a sua orientação sexual e não reagiram nada bem. A partir daí, foram dias de ofensa, humilhação, agressão física e psicológica, até ao ponto de ter que fugir de casa.

André Mendonça foi um dos rostos do programa "E se fosse consigo?", onde contou a sua história. Eu não poderia ficar indiferente a esta história. Apresento-vos o André, aqui sem filtros, num "À conversa com..." especial.

 

Solitário: Olá André, bem vindo. Em primeiro lugar, eu começava por te perguntar, com que idade é que descobriste que a tua orientação sexual é diferente?

André: Olá Sr. Solitário. Desde muito cedo, que me sinto “diferente”, especial comparativamente às outras pessoas, desde a entrada na primária, por volta dos 6 anos. Com o tempo, o corpo cresce e transforma-se, havendo imensas mudanças. Aos 12/13 anos deu-se a confirmação de que era homossexual, por me sentir atraído por rapazes e não por raparigas como a norma padrão. Apenas aos 16 anos, por fins de novembro, inícios de dezembro de 2012, conheci uma pessoa especial, um rapaz... que apareceu de repente na minha vida, […] contei-lhe os problemas tinha, […] falámos de ser criticados pelas pessoas, eu disse-lhe que sempre fui muito criticado por gente tola, sem carácter nem decência alguma, e que de facto, isso me magoava imenso. Ele também me disse que tinha sido criticado imenso e sofrido por ser homossexual dado que gostava de rapazes e não de raparigas...
Ao ter-me dito isso, sei lá, fez-se luz no meu interior... vi que tinha uma pessoa amiga ao meu lado, igual como eu, mas assumida. A grande conversa que tivemos ajudou-me imenso, foi importante ele partilhar o seu exemplo de vida pois isso deu-me força, coragem, vontade de contar quem eu realmente era, e não pôr mais paninhos quentes neste assunto da minha orientação sexual. Foi então que ganhei coragem e contei-lhe, ele foi a primeira pessoa a quem falei sobre isto que estava tão escondido de todos. Ele compreendeu-me e ajudou-me a perceber que não havia nada de errado comigo só por gostar de rapazes, a aceitar-me enquanto pessoa normal como todos os outros, a admitir perante mim que era assim e realmente podia ser feliz! Ele foi sem dúvida um grande suporte para a minha saída do armário. Deste o dia em que o conheci, já consegui admitir perante mim aquilo que sou e de quem gosto.

 

S: Nunca falaste sobre isso com ninguém?

A: "Em certas alturas, passamos a perceber coisas que se encontravam invisíveis aos nossos olhos, de certa forma encobertas por um medo tão grande, nós tínhamos deixado essas coisas ali jogadas para um canto, e sempre que essas coisas nos ocorriam na cabeça, mudávamos logo de atitude, tentávamos evita-las ao máximo que podíamos. Porém como tudo, chega a um ponto em que se não consegue evitar mais (…) e, para nossa surpresa há alguém muito parecido connosco que nos dá uma enorme coragem, força interior, motivação, sei lá talvez aquilo tudo, que nós precisávamos para dizermos, admitirmos aquilo que sabemos há muito, que guardamos dentro de nós até hoje … porque temos alguma vergonha e muito medo, medo de admitir, de como as pessoas vão reagir, medo de não sermos aceites e respeitados pelos outros, tal e qual como nós somos.
As pessoas deste mundo têm a inteira tendência para criticar e dizer mal de tudo, as pessoas não pensam nos outros, pensam apenas nelas mesmas. 
Será que é assim tão difícil para as pessoas respeitar os outros como são?”

Por ter vivido a infância e adolescência num meio pequeno como a Ilha da Madeira, escondi-me durante muito tempo, porque sabia a família que tinha e tentei evitar este assunto de ser homossexual ao máximo. Já o descobri há uns aninhos, por volta de 2008, tendo na altura 12 anos, e desde aí que comecei a explorar o meu corpo, e senti-me atraído por rapazes. Nunca falei com ninguém sobre isso, por medo, por achar que ia perder as pessoas que eram minhas amigas, que me amavam, por saber que não ia ser aceite por todos, quanto mais pela família. A minha situação de bullying iria piorar ainda mais... e não queria que isso acontecesse, fui guardando, guardando...até não poder mais!

 

S: Sofreste algum tipo de bullying na escola, ou fora dela, por seres "diferente”?

A: Imenso. Desde o 5º até ao 9º ano sofri imenso de bullying e até hoje em dia ainda há gente que me critica tanto. Nessa altura chamavam-me “gay" e gozavam imenso comigo, passei um grande mau bocado principalmente no 9º ano. Só que eu não entendia o porquê de me chamarem isso e de me tratarem como me trataram, eu sempre tentei impor à minha mente que tinha de gostar de raparigas e não podia gostar de rapazes, ou dos dois, eu na altura não percebia porque me faziam isso. As pessoas não tinham o direito de fazer o que me fizeram. Fui humilhado, maltratado, espezinhado, sei lá ... As pessoas chamavam-me de gay, mas eu nunca tinha admitido tal coisa perante ninguém, eu guardei sempre isso para mim durante uns anos. Terminei o 9º ano, mudei de escola já devido a episódios de bullying constante desde o 5º ano. Escola nova, pessoas novas, aparentemente tudo correria bem... Até que a certa altura começo a ver a minha vida a andar para trás: lá começaram outra vez os episódios de bullying também no secundário.

 

S: Queres partilhar algum episódio do qual foste vítima?

A: Cheguei a ser ameaçado na escola com uma navalha e um isqueiro, os colegas de turma colocavam pioneses nas cadeiras, vezes sem conta, chegaram até a entornar-me uma garrafa de leite para cima da roupa com o propósito de me humilhar e enxovalhar em plena sala de aula.
Numa aula de Matemática de 12º ano, estávamos todos num auditório e íamos ver um filme. Entrámos todos, sentámos-nos e, como sempre, chegaram aquelas pessoas atrasadas. Posteriormente, a professora não estava a conseguir colocar correctamente o filme porque as legendas estavam a ficar cortadas...e perguntou: “Quem é que percebe disto? Vocês são de informática certo? Alguém que me venha aqui me ajudar que eu de informática não percebo nada!”. Ninguém na sala se voluntariou… Até que ouço dizerem “Vai lá tu, Engenheiro!" (esse era o meu apelido lá na escola), eles costumam sempre “empurrar” tudo para cima de mim! E então lá fui eu... [...] Depois começamos a ver o filme, e a certa altura apareceu um rapaz sem t-shirt (e estava a mostrar o corpo do rapaz, eu até estava olhar e apreciar porque ele era lindo e tinha um bom corpo) e esse meu colega mandou uma piadinha (como sempre para pegar comigo e me criticar) achando-se o maior. Via-se o peito do rapaz depois continuou-se a ver o resto para baixo, e quando chegou perto de mostrar a cintura ele disse: “É melhor que a câmara não desça mais senão o Engenheiro fica teso! Olha tem cuidado!” e depois todos começaram a rir e a gozar de mim, eu fiquei tão passado nessa altura, só me apetecia dar-lhe uma estalada, fiquei com uma raiva e ira... apeteceu-me tanto chorar (mas tentei controlar) e fugir dali o mais rápido que conseguisse! Mas não, enchi-me de coragem e respondi-lhe (num tom grosseiro e bem direto para todos ouvirem) : “Já paravas com a piadinha antes que tenhas um processo disciplinar na secretaria da educação...” , começaram a gozar mais e a me imitar a dizer isso... fiquei tão fulo! A professora ouviu, e disse-lhe que devia respeitar toda a gente, e que pareciam autênticas crianças, que já tinham idade para saber respeitar as diferenças dos outros...” E o meu colega respondeu para toda gente ouvir: “Ah, eu odeio paneleiros! Detesto gajos que levam no rabo!” e outro colega meu ainda lhe disse: “Está calado, não armes mais confusão! E se tivesses uma amiga que fosse lésbica ias a desprezar só por isso?” E ele: “Sim! Detesto gays!"

Noutra aula de Educação Física estávamos a leccionar a modalidade de basebol e a professora mandou-me fazer de catcher (quem apanha as bolas), e certos colegas disseram para mim: “Ah, vai lá apanhar as bolas, tu só gostas é disso, seu vadio! Não fazes nada nas aulas… só gostas de estar sentado e  só gostas é de levar no rabo e de leitinho, não é, seu cabrão?”  Estavam sempre a gozar e a mandar bocas, sempre a me massacrar e estou farto, pelos cabelos! Fiquei com um trauma no desporto devido ao bullying passado desde há alguns anos, relembro-me de tudo o que eu passei em pequenino, e entro em modo depressivo. Depois as pessoas não me sabem integrar, metem-me sempre de parte, colocado a um canto. Sempre foi assim... E depois começam a gritar comigo, dizendo que eu não sei jogar e que não jogo direito, e gozam comigo, tudo aliado  ao facto de não me sentir bem nos balneários com os rapazes. No 11º e 12º tive atestado médico a Educação Física (dado os problemas de saúde que tive à nascença). Fazer aquelas aulas para mim era uma tremenda tortura psicológica! Foi horrível todo este processo…

 

S: Como te sentias ao ouvir esses insultos?

A: Sentia-me frustrado, arrasado, injustiça por as pessoas não se preocuparem minimamente com os outros que estão à sua volta, com o bem-estar dos outros, e com o que episódios constantes de bullying podem causar a um jovem já frágil. 
Acabei por abandonar a escola em Janeiro de 2014, ficando apenas com o 11º ano completo para todos os efeitos. Isto devido ao facto de a situação ter chegado ao limite do que aguentava e não suportar mais a pressão psicológica tanto em casa como na escola, ter de encarar aqueles brutamontes todos os dias... Estava na altura de pôr o meu ponto final, quanto para mais eu sabia que a escola não estava minimamente interessada em defender os meus direitos.
 
 
S: Alguma vez pensaste em desaparecer?
A: Sim algumas vezes, mas descobri que se o fizesse os problemas iriam continuar, teria de fazer algo por mim e enfrentar as adversidades como elas são.
 
 
S: Quando contaste aos teus pais, qual foi a reação deles?
A: Infelizmente não tive a hipótese de contar, e se a tivesse tido a minha intenção seria guardar o segredo mais uns anos, porque desde cedo soube que não iriam saber respeitar-me e aceitar-me. Os meus pais acabaram por descobrir porque invadiram a minha privacidade e o meu intimo acabando por descobrir o segredo da pior maneira em dezembro de 2012.
Tudo aconteceu quando eu estava na sala. Como estava sozinho, aproveitei para ver umas fotos de rapazes nus no tumblr, e a minha mãe, tendo a mania de controlar tudo aquilo que eu faço, decidiu espiar-me e apareceu por trás do sofá e viu o que eu estava a fazer. A primeira reacção dela foi ficar em choque.
 
 
S: Quais foram as palavras ditas que mais recordas nesse dia?
A: Recordo-as como se fosse hoje… as palavras proferidas pela minha mãe: “ Mas o que é isso que estas para aí a ver? Que pouca vergonha! És a vergonha da família! Não tens vergonha de ser assim? Não me faças, nem eu, nem o teu pai passar vergonhas! Pelo teu irmão não faças uma coisa dessas!" (Irmão este que não se encontra com vida, morreu a nascença e é inadmissível os meus pais usarem o meu irmão para me demover de gostar de rapazes). As coisas foram piorando: “Tu só gostas é de levar no cú! Devias é levar com a comichão das urtigas! Tu não prestas, és tonto, és uma vergonha! E quem foi que te meteu isso na cabeça?”
“Homens são homens, não são gatos!”; “Uma pessoa por ter uma tatuagem, piercing, gostar de homens ou mulheres, não é considerada sociedade nenhuma, é a coisa mais horrível que existe, é a podridão do mundo”, “Isso não são pessoas, não são nada!”
Chegando ao extremo de dizer-me: “É melhor pegares numa arma e matares os teus próprios pais, assim já ficas livre de nós, já que é isso que queres! É melhor isso do que dizeres que és paneleiro! Só por uma gaja ter-te dado com os pés, tu viras-te!”. 
Com o passar do tempo vieram  outras expressões: "Filho, eu quero que tu sejas como o pai diz!” ; "Esses filhos da puta, esses paneleiros” ; “Esses amigos com quem tu andas, tens de mudar o rumo da tua vida! Assim não vais chegar longe!” ; "Não sei o que vês num homem, uma mulher tem tanto para dar a um homem, bem como um homem tem tanto para dar a uma mulher! Experimenta e vais ver como é bom!” ; "Pensei que tu eras meu amigo e gostavas de mim, não sei que tempestade vai na tua cabeça, eu ao pé de ti até me sinto um cachorro, por tu não gostares de mulheres!” ; "Tu tens de pensar na tua vida e apenas um dia mais tarde (30 anos) quando já trabalhares e ganhares é que podes estar com quem quiseres e fazeres o que bem entenderes!” ; "Já é tempo de parares com essas coisas, não tens vergonha!? Já te disse para estudares, não é para andares a ver meninos!”.
 
 
S: Nenhum outro familiar te apoiou?
A: Alguns familiares tentaram de todo ajudar e apoiar, mas tal não foi possível dada a mentalidade dos meus pais, que culpam os outros por tudo o que acontece, e ninguém quis saber.
É triste não ter família… Ser julgado e rotulado como se fosse um produto de supermercado com um código de barras... doí imenso ver que passados vinte anos, todos aqueles que te viram crescer, que lutaram por ti, que supostamente "sempre te amaram" simplesmente desligam-se, esquecem que alguma vez exististe, fazem de conta que não te conhecem... que tu já não lhes és nada, que não perdura nenhum sentimento.
Custa que os outros finjam que se importem, isto porque não houve ninguém capaz de chegar à frente e proteger-me e gritar “BASTA!!!”. Deixaram-me sofrer no meio da selva, ninguém se preocupou com o meu estado físico e psicológico, apenas estavam preocupados com possíveis guerras se me tentassem ajudar. É triste quando estás num buraco e ninguém é capaz de enfrentar as feras e tirar-te dali, na altura nem o CPCJ quis saber do meu caso...
 
 
S: Foste viver para onde?
A: Ansiava imenso que o dia D chegasse o meu décimo oitavo aniversário. Peguei nas minhas poupanças, e durante a semana seguinte tentei planear a minha vida para Lisboa com todo o cuidado para que ninguém desse por nada, como se estivesse num filme de investigação cientifica.
O  tempo foi passando, e tentei planear as coisas ao pormenor para não ficar nada esquecido... Durante algum tempo sempre disse que um dia me viria embora, nunca referenciei quando, sabia se o fizesse provavelmente me iriam tentar impedir, e aprisionar-me num local onde já não me sentia seguro nem poderia estar de maneira alguma.
O dia da libertação chegou, levantei-me de madrugada, sem fazer muito barulho e decidi vir-me embora, pé de fininho aqui e ali sem fazer o menor barulho, fechei a porta de casa, e decidi pôr-me a caminho do aeroporto para apanhar o primeiro voo da manhã.
Estava nervoso, mas por um lado feliz e liberto, como nunca estive porque sabia que finalmente iria para um sitio onde podia ser eu sem complexos, frustrações e limites, vivendo a minha vida, não escondendo quem sou eu de verdade.
Cheguei a Lisboa às oito da manhã, e estava um dia solarengo, como se todo o sofrimento tivesse sido transformado em luz, e fosse o renascer!
 
 
Continua...

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