Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

11
Mai17

Fátima

Sr. Solitário

"Foi aqui, nos braços desta azinheira, que a Nossa Senhora de Fátima apareceu aos três pastorinhos" - disse-me a minha mãe defronte de uma grande árvore que dançava ao sabor de uma leve brisa, ladeada por gradeamento.

Estávamos em Fátima, tinha eu os meus 10 anos, mais ou menos, e contemplava aquela azinheira embasbacado, deixando a imaginação colocar imagens na minha cabeça de como aconteceu o grande milagre, há muitos anos atrás.

 

A viagem tinha sido muito demorada. Saímos cedo de casa, ainda a noite era cerrada, e lembro-me que a minha impaciência tornou-me numa criança irritada, farto de estar sentado durante horas no assento traseiro de um automóvel.

Quando chegamos, observei todo o recinto com um olhar curioso, totalmente siderado pela magnificência daquele local. Imensas pessoas dispersavam-se, tirando fotos, passeando e rindo, algumas com velas acesas, outras de joelhos com terços nas mãos a entoar as suas orações enquanto cumpriam as suas promessas.

 

Fazia um calor abrasador nesse dia! A minha mãe também tinha uma promessa por cumprir, fê-la desesperada aquando de uma doença que poderia matar-me; dar duas voltas de joelhos na Capelinha das Aparições, de mão dada comigo.

Senti-me importante nesse dia, como um protagonista de um filme emocionante, de mão dada com a minha mãe que cumpria a sua promessa penosamente, um milagre que Nossa Senhora me concedeu e me salvou.

 

No fim, também eu rezei defronte da Capelinha das Aparições. Pedi a Nossa Senhora que me concedesse a graça de ter uma vida melhor, pedi que acabasse a guerra no mundo e que matasse a fome às crianças de África.

Quando nos preparávamos para partir de regresso a casa, olhei mais uma vez para a azinheira, disse-lhe adeus baixinho e prometi que regressaria um dia. E regressei.

 

d1c9624e.jpg

 

29
Mar17

Infância marcada

Sr. Solitário

Acordo com um leve abanão e por uma voz que me chama num sussurro. Abro os olhos, a figura terna da minha mãe olha-me, certificando-se de que eu desperto, e diz-me para me vestir para irmos todos a casa da minha avó.

As minhas irmãs já estão acordadas, riem-se uma para a outra numa brincadeira que só elas sabem qual é, e eu sorrio também ao ouvir as suas gargalhadas contagiantes. A minha mãe já está a vesti-las, eu não preciso de ajuda, já consigo vestir-me sozinho, preciso apenas que ela me aperte os atacadores.

 

Visto rapidamente as minhas calças de bombazine castanhas, já coçadas, e uma camisola rota nas mangas, não tenho outra tão quentinha como aquela, terá que servir.

Estamos todos prontos e saímos para uma rua ainda deserta e fria, o vento enregela-me os ossos, mas caminho com determinação para aquecer. Mal avistámos a casa de pedra da minha avó corremos para ela com uma alegria renovada, entramos pela porta adentro e gritamos: "olá avó!".

Ela recebe-nos sempre com um sorriso e aquece leite com chocolate num tacho grande para oferecer a todos. Sabe tão bem!

 

Os meus tios ainda dormem, consigo ouvir a sua respiração pesada quando abro a porta que dá para o sótão, e permaneço calado para não os acordar. Eu também já dormi naquele sótão, numa cama pequena que mal dava para nós 4, tivemos que dormir aos pares, com dois deitados para os pés da cama.

Quando eles acordam é a alegria total. Sinto-me verdadeiramente feliz. No pátio estão três carros vermelhos, os meus tios gostam de carros daquela cor, e um deles coloca música alta a tocar no seu carro. Nessa altura eu não sabia, mas eram os Modern Talking que preenchiam aqueles dias de sábado, hoje adoro ouvir as músicas dessa banda... porque será?!

 

Mais à tardinha, quando o sol começa a pôr-se, vamos ao mercado. Está lá sempre um tio da minha mãe, muito generoso, e corremos para ele ávidos de expectativa. Ele oferece-nos sempre um litro de leite e uma saca com tostas. Nessa noite teremos jantar, um jantar dos deuses! Nunca uma tigela de leite com tostas me soube tão bem.

À noite, quando nos deitamos todos na mesma cama, a minha conta-nos uma história para adormecer, eu deixo-me embalar pela sua voz e sonho com a casa da minha avó, aquela casa sempre tão cheia de vida.

 

Tinha 6 anos e já conhecia o vazio da fome.

 

11
Jan17

A carta queimada

Sr. Solitário

Escrevi numa folha de papel um dos momentos mais marcantes da minha vida, pormenorizadamente, enchendo uma folha inteira de tamanho A4 com uma caligrafia corrida tal como a minha memória exigia. A caneta preta percorreu todas aquelas linhas sem cessar, derramando a tinta que por sua vez desenhava as letras que a minha mente ordenava.

 

Quando acabei de escrever, já os dedos me doíam, dobrei a folha em 4 e guardei-a entre os meus livros, fechando todas as más memórias que ali ficaram gravadas. Ontem fui busca-la, reli-a e tomei uma decisão. Movido por um impulso atirei a carta para a lareira. As chamas logo a consumiram e eu fiquei a observar cada letra, cada palavra, a ser destruída para sempre.

O fogo não destruiu só uma simples carta dirigida a ninguém, destruiu também os fantasmas de um passado, libertando-me deles. Gostei da sensação que presenciei e talvez volte a fazer o mesmo, para que assim, de uma forma definitiva, os meus fantasmas se desvaneçam e nunca mais me voltem a incomodar.

 

letters-burned.jpg

 

 

04
Jan17

Desejos

Sr. Solitário

Numa altura em que se fala muito em resoluções e desejos para o novo ano que já vai no seu 4.º dia, lembrei-me de como em criança eu e os meus amigos pedíamos os nossos desejos.

Eu sou do tempo em que se brincava na rua, ao ar livre, um mundo inteiro aos nossos pés, e esses nossos pés irrequietos percorriam estradas e campos ao movimento rápido da imaginação. A rua era a nossa rede social.

 

Sempre que avistávamos um avião no céu, daqueles pequeninos que se moviam lentamente num céu azul celeste e limpo deixando um rasto de fumo branco, imediatamente cruzávamos os dedos, fechávamos os olhos e pedíamos um desejo em voz baixa. Não o podíamos contar a ninguém, senão o desejo nunca se realiziaria, e, com essa certeza, acreditávamos que aquilo que tínhamos pedido ao avião dos desejos se concretizaria em pouco tempo.

Hoje, ao recordar alguns desses desejos que proferia mentalmente para ninguém os descobrir, rio-me de mim próprio e da minha inocência.

 

Agora que um novo ano recomeça, o ano em que irei completar 31 anos, o meu maior desejo é nunca deixar desaparecer a criança que ainda existe dentro de mim, aquela criança que acredita que os nossos desejos se podem realizar se pedirmos com muita convicção, de olhos fechados, dedos cruzados.

Que todos os vossos desejos se concretizem.

 

48061325.jpg

 

16
Dez16

Os jantares de natal

Sr. Solitário

Em plena época em que os restaurantes estão completamente lotados com os jantares de natal, lembrei-me de um episódio bastante cómico que aconteceu precisamente num jantar de natal de um curso que tirei há uns anos atrás.

Antes de mais nada, quero realçar que eu não bebo bebidas alcoólicas, eu e o álcool não temos uma boa relação, mas, nesse jantar, para não fazer a desfeita, bebi alguns copos de vinho, sempre incentivado com vozes alegres que cantavam: " e se ele quer ser cá da malta, tem que beber este copo até ao fim, até ao fim!!".

 

Bem, como devem calcular, depois de um copo e mais outro, saí do tal restaurante assim um bocadinho alegre (um bocadinho é favor!) e, em passo hesitante devido à irregularidade do chão que os meus olhos enxergavam, segui os meus colegas até a um bar não muito longe dali.

Lembro-me que dancei e cantei como se não houvesse amanhã, tal como um bicho do mato que vem à cidade pela primeira vez, e a certa altura uma colega minha ofereceu-me o seu copo para eu provar a bebida que ela estava a ingerir, dizendo-me que era wisky-cola.

Bebi um pouco, fiz cara feia e disse: "ui, que forte!"

 

Dias depois, vim a saber que a tal bebida que me foi oferecida era apenas coca-cola. Fui motivo de riso durante semanas, ainda hoje esse assunto é lembrado.

A partir desse dia nunca mais bebi vinho tinto! :D

 

img_999x556$2014_12_18_20_39_11_101374.jpg

 

05
Dez16

Peter Pan e a Terra do Nunca

Sr. Solitário

Está frio e decido colocar mais um cobertor na cama para dormir bem aconchegado. Visto o pijama quentinho e deito-me, os lençóis macios envolvem-me, e fecho os olhos já pesados.

De repente, eis que ouço uma batida leve no vidro da minha janela. Depressa me levanto e, com o coração um pouco acelerado, olho na sua direção. Através do vidro transparente, uma figura bem conhecida no mundo da animação, acena-me e sorri-me. É o Peter Pan, com o seu cabelo ruivo e o seu chapéu verde enfeitado com uma pena, completamente suspenso no ar. Eu retribuo o sorriso e também o aceno, ainda meio envergonhado, e abro a janela de par em par, onde uma brisa noturna fria me acerta em cheio no rosto.

- Vem comigo - diz-me a figura animada.

- Para onde? - perguntei.

- Para a Terra do Nunca!

- Mas eu não sei voar...

Ele ri da minha resposta e logo sopra um pó mágico na minha direção que deixa o meu corpo mais leve e, quando dou por mim, já estou a escassos metros do chão, como se a força da gravidade tivesse deixado de existir.

 

Sigo-o para fora do meu quarto, em direção à lua e às estrelas. Quando olho para baixo vejo a janela do meu quarto aberta, já longe, pequenina. A minha aldeia adormecida e iluminada por algumas luzes públicas azuis, não era mais que um ponto minúsculo vista do céu na vasta imensidão da terra que os meus olhos conseguiam albergar.

Dirijo-me para outro lugar que desconheço, mas que logo desperta a minha atenção. É uma terra muito bonita, cheia de fadas sorridentes que colhem o pólen das flores e nos presenteiam com o seu néctar doce e saboroso.

Vivi tantas aventuras e temi o Capitão Gancho. Ri com a Sininho e voei entre vales e montes.

 

De manhã, quando acordei, tinha na minha mesa de cabeceira um botão colorido, um passaporte para a Terra do Nunca! Bastava aperta-lo na minha mão e deixar a minha imaginação flutuar.

Tinha 7 anos, e os sonhos faziam-me sorrir e correr.

 

636061364142902897-1280822524_ppi_ks05p_rgb.jpg

 

17
Nov16

No silêncio do meu quarto

Sr. Solitário

No silêncio do meu quarto, penso em ti. Já é dia, mas dentro destas quatro paredes ainda é noite; está escuro e o espaço que alberga a minha parca mobília está em absoluta taciturnidade. Ouço o chilrear de alguns pássaros, cães a ladrar, galos a cantar, a vida que acorda lá fora, do outro lado da minha janela, coberta com o estore.

Consigo vislumbrar a sombra de alguns objetos, fazendo um esforço para que a minha visão se adapte à escuridão, com uma minguada luz que atravessa as frinchas da porta, e neles poiso o meu olhar vazio enquanto divago entre as minhas memórias e os meus pensamentos.

 

No silêncio do meu quarto, penso em ti. Sorrio para o vazio quando uma recordação mais feliz me assola a mente. Contudo, ela não vem sozinha, traz outra e mais outra consigo, vêm em catadupa como uma cascata de emoções. Estas não me fazem sorrir... não! Estas são diferentes. Elas fazem com que me abrace a mim mesmo e me aconchegue mais nos cobertores para aquecer o frio que invadiu o meu corpo débil de carinho.

Apago-as da minha cabeça com um abanão e levanto-me, enfrentando mais um dia que já se levantou muito antes de mim. Tomo o meu pequeno-almoço olhando a televisão sem prestar atenção alguma ao que ela transmite. Hoje, as minhas atenções estão voltadas para ti, para as tuas palavras, para os teus sorrisos, para o teu rosto de barba farta que anseio tocar...

 

Ligo o computador e recebo um "Bom Dia" que me faz sorrir. Esqueço o silêncio do meu quarto escuro e dou mais cor ao meu dia. Coloco os meus óculos e começo a escrever... a escrever um texto que se iniciou com uma frase curta e que se tornou numa prosa intencional e verdadeira.

 

ambiente-1400528141840_751x500.jpg

 

27
Out16

Quando for grande...

Sr. Solitário

A minha mãe estava a trabalhar na sua pequena horta ao lado da nossa casa. Eu estava sentado à mesa da cozinha branca e vincada com pequenas rugas que denunciavam a sua velhice, a fazer os trabalhos de casa. Tinha que fazer uma cópia do livro de português para o meu caderno de tamanho A5, a cópia da fábula "A raposa e as uvas", aquela fábula que fala de uma raposa esfomeada que esperou e esperou que as uvas caíssem da ramada para as poder comer, mas as uvas não caíram e ela acabou por desistir sem lutar para as obter. Penso que era assim, se a memória não me falha, pois com 30 anos ela já mostra alguns sinais de esquecimento.

 

Fiz a cópia com a letra mais bonita que consegui, desenhando as letras ao longo das linhas pautadas que enchiam o caderno que comprei na loja da Tia Lurdes, com uma caneta de tinta azul, soprando à medida que escrevia para que não borratasse. Transcrevi todo o texto, palavra por palavra, ponto por ponto, e no final até senti pena da raposa. A seguir fiz uns exercícios de matemática e os trabalhos de casa acabaram por ali.

Folheei o livro de português à procura de mais histórias para ler e tive vontade de escrever mais uma cópia, mas desisti da ideia, pois no dia seguinte certamente que teria mais uma para fazer.

 

À medida que guardava os livros cuidadosamente na mochila, pensei no quanto eu gostava da escola e o quanto adorava aprender. Desejei que a escola durasse eternamente e, então, fui acometido por um desejo. Se eu estudasse para ser professor, podia passar mais tempo na escola e ensinar aos outros aquilo que sabia e aquilo que ainda iria aprender.

A minha mãe chegou do campo e eu disse-lhe: "Mãe, quando for grande quero ser professor!"

Tinha 8 anos e um sonho formou-se na minha cabeça tão vincado como as rugas daquela mesa onde me sentava todas as tarde a fazer uma cópia e a estudar a tabuada.

12
Out16

Avó

Sr. Solitário

A porta estava aberta quando cheguei, como sempre esteve durante o dia, convidativa, deixando o sol entrar para iluminar o pequeno corredor que dá acesso às outras divisões de uma casa antiga, em pedra, cheia de recordações, cheia de sentimentos. Uma pequena habitação que recebeu e viu crescer filhos, netos e bisnetos, três gerações.

Entrei no vestíbulo e o chão de madeira rangeu sob os meus pés. A cozinha fica do lado esquerdo e é lá que vejo a minha avó sentada num cadeirão, de olhos semicerrados, completamente absorta da minha presença recém-chegada. A Fátima Lopes fala através da televisão, promovendo um passatempo qualquer, mas ninguém lhe presta atenção.

 

Ajoelho-me perto da minha avó para tentar ter algum contacto visual com ela. Digo-lhe "olá avó" numa voz doce e calma, acompanhado de um sorriso. Ela olha-me desconfiada e murmura uma espécie de saudação. Não me reconhece, nem eu esperava que o fizesse, já há muito tempo que a doença de Alzheimer lhe roubou as memórias, fazendo-a esquecer de tudo e de todos, até do neto que sempre cuidou e mimou.

Ofereço-lhe a minha mão e ela agarra-a com força como se aquele toque a trouxesse de novo à vida. Faz menção de se levantar e eu digo-lhe que não faça isso, ao que ela desiste e diz-me "não, eu não vou". Acaricio a sua mão que outrora me acariciou a mim, e ela acalma-se. Queixa-se de algo que não consigo perceber, ou simplesmente quer atenção. Falo-lhe como se estivesse a falar com uma criança e ela concorda com tudo aquilo que digo.

Por vezes reclama, diz impropérios, tenta bater... porém, comigo nunca o fez. Será que se esqueceu totalmente do seu neto? De vez em quando penso que não, ou quero acreditar nisso.

 

Após um longo instante, tento soltar a minha mão da dela para ir até lá fora, à carpintaria do meu falecido avô que nunca cheguei a conhecer, observar os canários do meu tio que propagam a sua melodia. Ela agarra a minha mão com mais força para me impedir de sair dali. Um a um, solto os seus dedos de forma afetuosa, para não a magoar.

Recosta-se no cadeirão e eu saio da casa continuando a minha visita não só à minha avó mas a todos os cantos daquela habitação, e em todos eles tenho uma recordação que seja.

 

IMG_20161010_160200.jpg

 

27
Set16

O meu anjo da guarda

Sr. Solitário

Desde pequeno que ouço dizer que todos nós temos um anjo da guarda que cuida de nós e que nos protege, de noite e de dia. Sempre imaginei o meu com uma túnica branca debruada a ouro, que lhe chega até aos pés descalços e perfeitos, com uma expressão doce no rosto, de olhos semicerrados sorrindo-me, de cabelo claro e encaracolado até aos ombros, e com umas grandes asas brancas, capazes de me cobrir o corpo, que ao levantar voo, resplandeciam com a luz do sol e deixavam cair algumas penas que sempre apanhei e guardo numa caixa forrada a papel de embrulho bem guardada nos confins da minha mente.

 

Sentia-o perto de mim sempre que eu corria pelos campos fora e me empoleirava nos muros, aparando-me cada vez que eu me desequilibrava, nunca me deixando cair. À noite, pedia-lhe que me protegesse e vigiasse os meus sonhos, para que os pesadelos não me pertubassem. Algumas vezes ajoelhava-me perto da cama, juntava as minhas mãos pequeninas e magras numa prece e pedia com vigor: "Oh meu anjo da guarda, que és a minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia".

 

Conforme fui crescendo admito que nunca o deixei descansado, o meu anjo da guarda tinha que estar sempre alerta e, ainda hoje, lhe peço ajuda sempre que estou aflito. Agradeço-lhe sempre toda a ajuda que me dá e peço que olhe também pelos meus, como sempre olhou por mim.

 

formacao_qual-e-o-meu-anjo-940x500.jpg

 

Mais sobre mim

foto do autor

Links

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Este blogue tem direitos de autor

Copyrighted.com Registered & Protected 
AV4F-DECN-50AT-8KBU

A ler...

Blogs Portugal

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D