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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

19
Jul17

Construí uma ponte...

Sr. Solitário

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Construí uma ponte para ti, a minha ilusão ordenou-me para que o fizesse e eu fi-lo sem pensar nas consequências, tão majestosa e segura de si para que a pudesses percorrer com facilidade até mim, sem curvas e sem obstáculos. Tive o cuidado de a embelezar com todas as minhas qualidades, com os meus sorrisos sinceros, e com uma segurança que nunca senti mas que mascarei facilmente.

 

Construí uma ponte com uma só saída, um acesso direto à porta do meu coração que te receberia de braços abertos, apesar de todas as suas feridas ainda por cicatrizar. Ele pulava de excitação, esperava ansiosamente a tua chegada, não me dava descanso!

 

Construí uma ponte para ti mas tu nunca a percorreste. Ela permanece em silêncio, abandonada, e já dá sinal de se desfazer a qualquer momento, caindo no vazio. O sinal verde ainda pisca de quando em vez, o vermelho ainda não se acendeu, e eu arrependo-me de não colocar um amarelo intermitente.

 

Construí mais uma ponte para juntar à coleção de pontes que fui construindo ao longo da minha vida, já lhes perdi a conta. Um nevoeiro denso cobre-as, algumas teias de aranha enfeitam os alicerces, um vento gélido assobia por entre as ruas.

Cansei-me de construir pontes para quem não as merece percorrer. Agora, quem quiser chegar ao meu coração, terá que escalar uma grande montanha e rezar para que não caia no precipício.

 

 

29
Mai17

Escondo-me em palavras

Sr. Solitário

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O mundo agita-se lá fora. Há sempre um burburinho no ar, abafado pelas janelas, que corta o pesado silêncio que as paredes enrugadas da minha casa carregam. Todas elas são testemunhas da minha solidão, são elas que amparam os meus golpes de desespero, são elas que calam o meu choro. Se fossem notificadas por um qualquer tribunal dos sentimentos, onde eu me sentava na cadeira do réu, estas paredes eram a prova mais fidedigna da minha culpa.

 

Sento-me no sofá da sala com um livro nas mãos, abro-o e sou invadido pelo conforto das palavras, elas abraçam-me o corpo esguio, levantam-me e levam-me para onde elas querem ir. E eu deixo-me levar.

Conheço várias pessoas, variadas personagens que as palavras do livro me apresentam, e sinto que a minha solidão se desvanece aos poucos, transformando-se num sentimento quase inexistente. Vivo tantas aventuras, presencio tantos momentos, que de tão singelos que são me trazem de novo à vida, àquela vida que eu quero viver.

Porém, as palavras começam a dançar num ritmo que não compreendo perante os meus olhos já de si cansados, tenho que parar e fechar o livro, voltar para a minha clausura.

 

Reparo que o mundo lá fora não parou enquanto estive ausente, o burburinho continua, eu é que não o acompanhei. Não me importo - penso com um encolher de ombros - prefiro mil vezes a vida que se passa nos livros do que viver a minha própria vida.

Fecho as cortinas, entregando a casa mais uma vez à escuridão, e nela permaneço até que tenha vontade de ler novamente.

 

 

18
Mai17

Um novo ciclo

Sr. Solitário

Sou apologista da citação que nos diz que nada acontece por acaso na nossa vida. Acredito no destino, por mais voltas que tentemos dar, por muito que nos percamos nos atalhos, no fim acabamos sempre por voltar ao caminho que ele nos traçou, é inevitável.

A vida prega-nos rasteiras, é certo e sabido, em consequência disso muitas vezes caímos desamparados no chão, pedimos ajuda para nos levantar mas nenhuma mão se estende na nossa direção. Sentimo-nos perdidos, injustiçados, amargurados.

 

Também eu, tal como todos vocês, já passei por diversas situações que me abalaram e empurraram para um buraco negro do qual não se vê uma única luz. Então eu penso: já que bati no fundo, agora não me resta outra alternativa senão erguer-me, subindo degrau a degrau as escadas da minha vida, que me levarão de volta ao caminho de onde caí.

Para trás vou deixando alguma da bagagem que carrego: aqueles tecidos de memória mais pesados, aquele colar de pérolas negras que sufoca as angústias, os sapatos velhos que apertam as emoções, as recordações que me causam sofrimento.

 

Com uma mala mais leve e com uma alma mais limpa, subo os degraus mais rapidamente em direção ao meu objetivo: ser feliz! Quando chego de novo ao caminho, trago comigo um escudo de aço protetor, bem reluzente, é ele que me defenderá de novas ameaças. E, então, mais forte sigo o percurso que o meu destino traçou, com um sorriso num rosto vitorioso.

É um novo ciclo que começa e eu quero vivê-lo intensamente.

 

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16
Mai17

31

Sr. Solitário

Ouço uma melodia ritmada que me contagia com os seus acordes. Tamborilo os dedos no braço da minha poltrona aveludada, sentindo o peso da coroa na minha cabeça que me obriga a uma postura direita e o roçagar do manto que me adorna o corpo esguio.

Todos cantam e dançam, riem e divertem-se no salão extremamente polido do meu castelo, num baile consagrado em minha honra.

 

Os meus pais segredam-me para convidar uma jovem moça para dançar, já está mais que na hora de casar e constituir família, mas não tenho a mínima vontade de o fazer.

A minha vontade era de dançar com um jovem rapaz, de me rir e de me divertir com ele, mas o protocolo não o permite. Apenas contemplo-o com o olhar, a forma como toca o piano com os seus dedos ágeis e precisos, ao mesmo ritmo que os violinistas.

 

Estou a sonhar, tenho plena consciência disso, mas quero prolongar este sonho o mais que conseguir. Pois hoje é o dia do meu aniversário, posso sonhar nem que seja só por hoje.

 

Fazer 31 anos, é mesmo literalmente um 31!

 

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09
Mai17

Já não te reconheço

Sr. Solitário

Já não te reconheço. Abro várias gavetas nos meus pensamentos em busca de uma feição, de um gesto, de um carinho que me faça lembrar de ti, mas encontro-as vazias. O teu retrato que guardava bem junto ao meu, na minha mesa de cabeceira, foi rasgado e colocado no lixo num momento de raiva e de frustração. Dele já não restam mais vestígios. O meu permanece sozinho, coberto com uma fina camada de pó, devolvendo-me um sorriso inocente roubado pela lente de uma máquina.

 

Procuro em todos os cantos algo a que me agarrar, talvez mais alguma foto para rasgar, um objeto para destruir... alguma coisa que liberte este desespero que não quero gritar, esta ânsia de fazer justiça com as próprias mãos, num ato de loucura! Quero encontrar-te, ou melhor dizendo: quero encontrar a pessoa que sempre foste para mim e que agora já não és.

 

Este não és tu, já não te reconheço, e eu não sei lidar com esta perda que me consome. Sinto-me sozinho e tenho vontade de chorar.

 

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24
Abr17

Procura-se um amigo

Sr. Solitário

Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaros, do sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os outros levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.

 

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, o seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.

 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados.

 

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros a sorrir ou a chorar, mas que nos chame de amigo, para se ter a consciência de que ainda se vive.

 

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19
Jan17

Que estranha forma de vida

Sr. Solitário

Os ponteiros do relógio arrastam-se lentamente. Gostava que algo os obrigasse a correr, não porque tenha pressa de viver, mas sim porque queria que aquele dia passasse rapidamente. Coloco os auscultadores nos ouvidos, a voz grandiosa e inconfundível de Amália Rodrigues invade os meus sentidos, rouba-me a atenção de uma forma tão prazenteira que fecho os olhos e deixo-me embalar nos acordes de uma triste melodia.

 

Foi por vontade de Deus que eu vivo nesta ansiedade que me assalta a alegria, que desperta o meu lado mais tenebroso, que faz de mim uma pessoa dependente, carente de afetos, carente de uma vida normal. Que estranha forma de vida tem este meu coração, que bate desenfreadamente em busca de um sentido e revolve todo o meu estômago à procura de um sítio onde se esconder.

 

Coração independente, coração que não comando... eu não te acompanho mais! Se não sabes onde vais, pára, deixa de bater, eu não te acompanho mais.

 

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