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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

02
Ago17

História de um Canalha - Julia Navarro

Sr. Solitário

Este foi o primeiro livro que li desta autora e devo dizer que fiquei logo fã desde as primeiras páginas. É algo que não sei explicar muito bem, a sua escrita é tão envolvente, tão marcante, que dificilmente conseguimos parar de ler. Há muito que já não lia um livro assim.

 

Esta é a história de um homem completamente sem escrúpulos, desprovido de sentimentos, que não olha a meios para atingir os seus objetivos. É capaz de tudo para conseguir o que quer...

É um romance completamente diferente daquilo a que estamos habituados, em que a personagem principal é sempre uma vítima e que lhe acontece tudo e mais alguma coisa... neste romance os papeis são invertidos e testemunhamos ao longos destas páginas, na primeira pessoa, a vida e os atos de um vilão.

 

Dos melhores romances que já li, sem dúvida nenhuma! Muito bom.

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12
Dez16

À conversa com... Richard Zimler

Sr. Solitário

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É com uma enorme honra que, hoje, reinicio esta rubrica com um convidado muito especial para mim. Trata-se de um grande escritor que muito estimo e que me alegra tanto que tenha aceite estar à conversa comigo. Gosto muito, ou melhor dizendo, adoro a escrita dele, como já referi inúmeras vezes aqui no blog. Recomendo a leitura de todos os seus romances, cada um tem uma história que nos marca do início ao fim, sempre com uma mensagem emotiva.

Bem, sem mais delongas, Senhoras e Senhores, hoje estou à conversa com... Richard Zimler.

 

Sr. Solitário: Olá Sr. Zimler, bem-vindo ao meu cantinho. É com muita honra que faço esta entrevista humilde e da qual tenho a certeza que será do agrado de todos os meus leitores. Em primeiro lugar, eu começava por lhe perguntar se alguma vez pensou que seria um escritor tão bem conceituado como é?

Richard Zimler: Sonhei com a possibilidade de publicar um livro, mas nunca imaginei que fosse um escritor apreciado pelos leitores de muitos países diferentes – os EUA, Portugal, Inglaterra, França, etc...  Estou muito grato todos os dias.

 

S: “O Último Cabalista de Lisboa” é o seu primeiro romance entre outros que se seguiram que retratam o grande massacre que os judeus sofreram ao longo dos anos. Porquê a necessidade de escrever sobre esse assunto?

RZ: Acontece que tenho uma personalidade subversiva. Gosto de explorar temas – e injustiças, em particular – que as outras pessoas prefeririam esquecer ou branquear. Suponho que seja a minha tentativa de retificar – um pouco – uma situação intolerável. O meu feito talvez seja em parte o resultado de eu ter nascido judeu (um povo que tem uma historia de perseguição muito longa). No caso de “O Último Cabalista de Lisboa”, 2000 Cristãos Novos foram mortos e queimados no Rossio. E depois completamente esquecidos. Quase ninguém em Portugal sabia da existência deste massacre antes de eu escrever o livro. Pensei: Estes Cristãos Novos merecem mais! Merecem, no mínimo, serem lembrados, porque eram pessoas tão reais como eu. Então, comecei a criar Berequias e Abraão Zarco e as outras personagens do romance.

 

S: "Os Anagramas de Varsóvia", "Meia-noite ou o princípio do mundo" e a "Sétima Porta" fazem parte do meu top de livros. Em que se inspira para escrever histórias tão marcantes?

RZ: Ainda bem que gostou tanto desses livros! São três romances muito diferentes, mas o fio condutor talvez seja o meu desejo de falar pelas pessoas cujas vozes são sistematicamente silenciadas. No caso de “Os Anagramas de Varsóvia”, exploro a vida quotidiana no gueto judaico de Varsóvia. “A Sétima Porta” trata da esterilização e matança de pessoas deficientes durante a ditadura dos Nazis em Alemanha (um crime contra a humanidade quase esquecido). Em “Meia-Note ou o Princípio do Mundo”, falo dos bosquímanos, um povo de África austral dizimado pelos colonizadores europeus (e pelos Zulu também).

 

S: "A Sentinela" é o seu primeiro policial, mostrando uma outra habilidade sua enquanto escritor. Teve algum receio de que este romance "diferente" não fosse tão bem aceite?

RZ: Esperava... Mas não há garantias. Tenho livros que foram grandes sucessos em muitos países e outros que foram fracassos. Por exemplo, “Meia-Noite ou o Princípio do Mundo” vendeu bem em Portugal, Inglaterra e França, mas foi um fracasso nos EUA e Itália. As vezes, depende do trabalho da editora. Infelizmente, nem todas as editoras são competentes. No caso de “A Sentinela”, pensei que teria alguma possibilidade de ser apreciado pelos leitores portugueses porque o livro lida frontalmente com a crise económica (e moral!) no país.

 

S: O que sente um escritor quando vê a sua obra tornar-se um bestseller em vários países? Sente que cumpriu o seu objetivo?

RZ: O meu objetivo é sempre o mesmo: escrever um maravilhoso livro – um livro cativante, inteligente e poético.  Por isso, as vendas – bom ou mal – não tem a ver com o meu grau de satisfação com o livro. Tendo dito isso, vender bem é importante, sobretudo porque se um livro vende mal, a minha editora não vai continuar a publicar os meus livros. Hoje em dia, a única coisa que conta no mundo editorial é vendas (lucros). A qualidade da historia e da escrita são fatores muito menores da perspetiva das editoras. É uma situação muito lamentável, na minha opinião.

 

S: Dentro do estojo da sua vida há um lápis para escrever o seu futuro, uma borracha para apagar o passado, uma régua para medir as alegrias, um compasso para desenhar o seu mundo e uma caneta para escrever em si um nome difícil de apagar. Qual destes objetos usaria? Porquê?

RZ: Talvez fosse o compasso, porque adoro criar universos paralelos para mim e para os leitores. Penso da capa dos meus livros como uma porta. Ao abrir o livro, o leitor passa pela porta e entra num mundo da minha criação!

 

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