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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

22
Mai17

Sede de amor

Sr. Solitário

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Vivemos numa sociedade sedenta de amor. Corpos desidratados, ressequidos  e mirrados, procuram desesperadamente uma gota de afeto num mar salgado de amargura e angústia. Como são tolos aqueles que tentam enganar a própria mente, comprando a felicidade a preço de saldo, reconfortando o coração com migalhas de momentos fugazes. O amor deixou de ser um sentimento simples, agora é uma joia rara de difícil acesso, e qualquer imitação, uma reles bijuteria, é perfeitamente aceitável.

 

Como eu gostaria de oferecer milhares e milhares de frascos como este a todos os que comigo se cruzam, apregoando um produto milagroso, para consumir com moderação! Bastava retirar delicadamente a rolha de cortiça e sentir a doce fragrância do amor, aquela que preenche as lacunas da nossa alma, que nos arranca sorrisos e suspiros de satisfação.

Contudo, tudo isto não passa de mais uma ilusão. O amor, essa joia invulgar finamente trabalhada, não se vende e não se oferece, apenas se sente. Qualquer semelhança com outro sentimento é apenas mais uma falsificação.

 

16
Fev17

As palavras que nunca te direi

Sr. Solitário

Nunca sei como começar um texto. As palavras que quero transmitir atropelam-se umas nas outras e agrupam-se numa espécie de novelo uniforme onde não existe uma ponta por onde pegar. Eu não sou escritor, não sei escrever textos bonitos cheios de significado, com uma mensagem especial... eu não sei escrever sobre o amor! Sim, o amor, esse sentimento difícil de descrever. Digo muitas vezes que eu não sei amar, não sei mesmo! O amor é um sentimento bom, é algo especial; para mim o amor é sinónimo dor. Amar alguém magoa-me... eu não sei amar.

Hoje, sinto necessidade de escrever sobre amor, mas como posso eu escrever se não sei amar?

 

Num dia desta semana vi-te. O meu coração deu um salto, o meu corpo tremeu, a minha visão ficou turva. Ao ouvir a tua voz, todos os outros sons dissiparam-se. Olhei-te mas tu não me olhaste. O meu dia colorido ficou cinzento, sem vida, sem cor, quando ultrapassaste aquela porta, para onde os meus olhos não conseguiram te alcançar. Todas as memórias passadas invadiram-me, todos aqueles momentos que passei contigo e que considero especiais passearam pela minha cabeça, e o meu coração ficou pequenino.

 

Tu não desconfias nem um bocadinho deste meu sentimento, sempre o soube esconder muito bem ao longo destes anos, nunca tive coragem para te dizer, é um segredo só meu. Mas, como já referi neste meu longo texto que não sabia como começar, amar magoa-me. Este sentimento que trago cá dentro, e não deixo sair, sufoca-me! E eu não sei como lidar com ele. Eu gosto de ti, gosto tanto mas tanto que era capaz de tudo!

Eu não te vou apresentar este meu amor, não posso simplesmente chegar ao pé de ti e dizer: "olá tudo bem? Este coração bate mais forte quando te vejo!". Eu não tenho esse direito, não depois de todos estes anos, não depois de tu já refazeres a tua vida. Não tenho esse direito.

 

Estas são as palavras que nunca te direi.

 

19
Jan17

Que estranha forma de vida

Sr. Solitário

Os ponteiros do relógio arrastam-se lentamente. Gostava que algo os obrigasse a correr, não porque tenha pressa de viver, mas sim porque queria que aquele dia passasse rapidamente. Coloco os auscultadores nos ouvidos, a voz grandiosa e inconfundível de Amália Rodrigues invade os meus sentidos, rouba-me a atenção de uma forma tão prazenteira que fecho os olhos e deixo-me embalar nos acordes de uma triste melodia.

 

Foi por vontade de Deus que eu vivo nesta ansiedade que me assalta a alegria, que desperta o meu lado mais tenebroso, que faz de mim uma pessoa dependente, carente de afetos, carente de uma vida normal. Que estranha forma de vida tem este meu coração, que bate desenfreadamente em busca de um sentido e revolve todo o meu estômago à procura de um sítio onde se esconder.

 

Coração independente, coração que não comando... eu não te acompanho mais! Se não sabes onde vais, pára, deixa de bater, eu não te acompanho mais.

 

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21
Out16

Poesia à mesa

Sr. Solitário

Alma perdida

 

Toda esta noite o rouxinol chorou,

Gemeu, rezou, gritou perdidamente!

Alma de rouxinol, alma da gente,

Tu és, talvez, alguém que se finou!

 

Tu és, talvez, um sonho que passou,

Que se fundiu na Dor, suavemente...

Talvez sejas a alma, a alma doente

Dalguém que quis amar e nunca amou!

 

Toda a noite choraste... e eu chorei

Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei

Que ninguém é mais triste do que nós!

 

Contaste tanta coisa à noite calma,

Que eu pensei que tu eras a minh'alma

Que chorasse perdida em tua voz!...

 

Florbela Espanca

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