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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

11
Mai16

Autorretrato

Sr. Solitário

Sr. Solitário, será sempre o meu nome
De olhos escuros, o rosto magro e comprido
Do destino que, por vezes, me consome
E do desgosto já por mim sentido.

Cabelo castanho e em mau desalinho
É assim que encontro alguma beleza
Feições de criança perdidas no caminho
Que não quero encontrar, com toda a certeza!

Se me perguntarem quem sou, irei responder:
Sou um jovem inteiramente sonhador,
Que vive na fantasia do mais belo ser
E espera alcançar o real sentido do amor.

Por alturas a escrever, outras a cantar
Os sentimentos que procuro no coração.
Umas vezes a sorrir, outras a chorar
E tudo não passa desta simples narração.

13
Abr16

O Solitário em 364 palavras

Sr. Solitário

Nasci no ano de 1986, num dia de maio, o mês do coração, diz-se. Cresci numa pequena aldeia, um meio rural, onde as pessoas trabalham de sol a sol, nos campos, na labuta, na cuida dos animais, para ganhar o seu sustento. Acordava com o chilrear dos pássaros e deitava-me a ouvir o canto dos grilos.

 

Sempre mostrei um grande gosto pela escola, pelo conhecimento. Era bom aluno, fazia por isso. Sentava-me nas escadas e lia em voz alta para os transeuntes, elogiavam-me sempre dizendo que lia tão bem! E eu, embargado, lia-lhes ainda mais, com muito afinco. Dizia que, quando fosse grande, queria ser professor, poder ensinar aos outros aquilo que sei... contudo a vida não permitiu dar asas a esse sonho.

 

Aos 16 anos saí da escola, com lágrimas nos olhos, um peso na alma, e fui trabalhar para ajudar a minha mãe nas despesas da casa, pois era o irmão mais velho, tinha essa responsabilidade sobre os ombros, a dura vida impôs-se sobre os sonhos e todos eles morreram nesse dia.

Todos os dias da semana, debaixo de sol ou chuva, percorria cerca de 3km a pé para ir trabalhar numa fábrica de colchões. Nada tinha a ver com as minhas ambições. Senti-me injustiçado. Foi assim a minha vida durante 3 anos.

 

O desemprego bateu-me à porta no final do ano de 2005, e veio para ficar. Senti-me como se a vida me castigasse por algo que não tinha conhecimento.

No entanto, o desemprego trouxe a oportunidade de voltar a estudar, agarrei-a com unhas e dentes e não a larguei durante alguns anos. Formei-me em informática e línguas. Fiz o 12º ano.

 

Agora aqui estou eu, a escrever um blog! Algo que surgiu do nada, apenas porque me apeteceu desabafar, fazer alguns amigos virtuais com quem podia preencher o vazio que a solidão me deixa, e que se tornou num grande espaço meu, só meu, para todos vocês.

 

O menino que cresceu numa aldeia rural, rodeado de campos, animais e mato, aquele que sonhava em ser professor, cresceu. Hoje é um homem que ambiciona muitas coisas, que quer dar um rumo à sua vida, mas nunca, nunca irá deixar de sonhar.

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