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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

29
Mai17

Escondo-me em palavras

Sr. Solitário

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O mundo agita-se lá fora. Há sempre um burburinho no ar, abafado pelas janelas, que corta o pesado silêncio que as paredes enrugadas da minha casa carregam. Todas elas são testemunhas da minha solidão, são elas que amparam os meus golpes de desespero, são elas que calam o meu choro. Se fossem notificadas por um qualquer tribunal dos sentimentos, onde eu me sentava na cadeira do réu, estas paredes eram a prova mais fidedigna da minha culpa.

 

Sento-me no sofá da sala com um livro nas mãos, abro-o e sou invadido pelo conforto das palavras, elas abraçam-me o corpo esguio, levantam-me e levam-me para onde elas querem ir. E eu deixo-me levar.

Conheço várias pessoas, variadas personagens que as palavras do livro me apresentam, e sinto que a minha solidão se desvanece aos poucos, transformando-se num sentimento quase inexistente. Vivo tantas aventuras, presencio tantos momentos, que de tão singelos que são me trazem de novo à vida, àquela vida que eu quero viver.

Porém, as palavras começam a dançar num ritmo que não compreendo perante os meus olhos já de si cansados, tenho que parar e fechar o livro, voltar para a minha clausura.

 

Reparo que o mundo lá fora não parou enquanto estive ausente, o burburinho continua, eu é que não o acompanhei. Não me importo - penso com um encolher de ombros - prefiro mil vezes a vida que se passa nos livros do que viver a minha própria vida.

Fecho as cortinas, entregando a casa mais uma vez à escuridão, e nela permaneço até que tenha vontade de ler novamente.

 

 

03
Jun16

O meu silêncio

Sr. Solitário

Se pudesse dizer, se pudesse falar

Tudo aquilo o que estou a sentir

Dava voz à minha dor, ia gritar!

Para que todo o mundo me pudesse ouvir.

 

Iria chorar, eu sei que sim

Mas que posso eu fazer?

Se o destino parece estar contra mim

Não vejo solução senão sofrer.

 

Meu Deus! Estou com tanto medo!

E sinto que preciso ficar sozinho

Tenho de me calar, guardar segredo

Pois ninguém me pode mostrar o caminho.

 

Estou na dúvida, na incerteza

Será que isto pode ser real?

Não tenho uma resposta com firmeza

Mas sei que a partir de hoje, nada será igual.

 

Porque estou com este pressentimento?

Que desespero... Qual a razão?

Não posso ouvir o pensamento

Pois ele está cheio de ilusão!

 

Dentro de mim há uma esperança

De que tudo irá correr pelo melhor

Ah! Se pudesse voltar a ser criança

Iria viver a vida com mais amor!

 

Ajudem-me! Preciso sair daqui!

Levem-me para longe deste tormento

Meu amor, preciso tanto de ti...

Quero dizer-te o que sinto neste momento.

 

Não olhem para mim, quero paz!

Quero fingir que nada aconteceu

Mas será que, no fundo, sou capaz?

Sinceramente, este mundo não é o meu.

 

 

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