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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

08
Mar17

Às mulheres da minha vida

Sr. Solitário

Diz-se que hoje é o Dia Internacional da Mulher. Não concordo muito com isso, para ser franco. Para mim, o dia da mulher, dia do homem, dia do ser humano, é todos os dias.

Enlevado pelo simbolismo presente neste dia, em que tudo se enfeita em tons de rosa, deixem-me dizer que admiro muito o mundo feminino principalmente por todas as suas conquistas pela independência do género. Ainda há cerca de 40 anos atrás, uma mulher não podia sair do país sem antes ter permissão prévia do marido, a sua assinatura num papel que a autorizasse a fazê-lo, uma coisa que para mim me faz imensa confusão, era como se a mulher não tivesse vida própria, estando sempre à mercê das ordens de um homem.

 

Contudo, para não fugir à regra já de si muito enraizada na sociedade, decidi escrever este texto tão singelo dedicado às mulheres da minha vida. Quem o estiver a ler, quiçá pensa que sou um homem que tem vários relacionamentos amorosos... nada disso! As mulheres da minha vida são simplesmente a minha avó, a minha mãe, as minhas irmãs e as minhas duas sobrinhas.

Cada uma delas é especial à sua maneira, ocupam uma boa parcela do meu coração, e a quem devo uma grande parte daquilo que sou hoje, do ser humano adulto e responsável em que me tornei e do qual me orgulho.

A todas elas, o meu muito obrigado por existirem e por fazerem parte da minha vida.

 

Não quero, de forma alguma, deixar de parte todas as mulheres a quem eu posso chamar de amigas, incluindo também vocês, minhas queridas leitoras, a quem muito estimo. Desejo do fundo do meu coração que tenham um dia repleto de carinho, afeto e ternura. Que todas as vossas conquistas perdurem no tempo e que jamais percam essa sensibilidade que tão bem vos define.

Feliz Dia para todas.

 

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16
Jun16

Tio

Sr. Solitário

Faz hoje um ano que partiste. Os médicos já nos tinham preparado para este desfecho, mas por mais que nos digam, por mais que nos preparem, nunca estamos preparados para receber uma notícia tão trágica. Pensámos sempre que não será desta. Afinal a esperança é sempre a última a morrer, não é verdade? As esperanças também partiram contigo nesse dia quente de Junho em que nos deixaste, sem dizer adeus.

 

Estava numa formação quando recebi uma chamada da prima Daniela. "O tio Júlio morreu" - disse-me ela e todo o meu corpo ficou petrificado. Senti frio naquela hora, onde fazia uma temperatura de cerca de 30º, e todo eu tremia. Fiquei em choque. Nunca estamos preparados.

 

Faz hoje um ano que partiste e todos te lembramos com saudade. Recordamos sempre a tua alegria, as tuas peripécias, com sorrisos tristes, de olhos brilhantes. Recordamos também o dia em que te vimos pela última vez, naquela cama de hospital, onde lutaste pela vida até ao fim.

Choramos a tua partida e choramos a tua ausência. Falta uma parte de nós.

 

Hoje, levamos flores, acendemos velas e rogamos preces silenciosas para que a tua alma encontre o caminho da paz. Pedimos que olhes por todos nós, pedimos a tua proteção.

 

Nestas horas não encontramos as palavras certas para descrever aquilo que sentimos, apenas se sente a dor. A dor da perda, aquela dor para a qual ninguém está preparado, aquela que não tem cura.

Encontro nestas palavras uma pequena homenagem que tento fazer para que nunca sejas esquecido. Onde quer que estejas, serás sempre uma estrelinha que brilha, uma luz tão forte capaz de iluminar a noite mais escura, e só eu a consigo ver. Porque enquanto eu conseguir te lembrar, eu sei que estarás sempre perto de mim.

 

Até sempre, tio.

 

 

02
Jun16

A professora Elsa

Sr. Solitário

Conheci a professora Elsa quando entrei para a 3ª classe. Tinha 8 anos, e na altura sonhava com os 18. Quem me dera que o tempo não corresse tão rápido!

 

Mudei de residência, fui para um concelho diferente, e também mudei de escola. Não me senti nem por um momento posto de parte, ela acolheu-me muito bem, assim como muitos dos meus colegas, alguns deles amigos até hoje.

 

Sentia-me feliz. Acordava bem cedo e preparava o meu pequeno almoço e pedia à minha mãe para me apertar os atacadores, coisa que aprendi muito mais tarde só. Adorava o recreio, onde brincávamos ao pião e onde comia a minha sandes de tulicreme junto com o leite com chocolate que, nos dias de inverno, colocávamos no meio do aquecedor para ficar quentinho.

 

Os trabalhos de casa que a professora mandava fazer era quase sempre uma cópia que fazia no meu caderno A5, com uma caneta azul, e logo depois fazia um desenho e pintava-o com os marcadores da Molin, os meus preferidos. Penso que já não existem.

 
Tudo estava bem, sentia-me feliz! Uma criança verdadeiramente feliz. Contudo, houve um dia que a professora Elsa sentiu-se mal. Tivemos que chamar uma vizinha para a vir ajudar. Nesse dia ela chorou na sala de aula, talvez com medo de alguma coisa que ela já sabia, mas nós não. Lembro-me que tive vontade de chorar também, e houve quem chorasse. Não houve trabalhos de casa nesse dia. Saímos todos mais cedo. Ninguém percebia o que se estava a passar.
 
 
A professora Elsa nunca mais voltou a dar aulas. Veio um professor substitui-la. Todos sentíamos a falta dela, não é que o professor fosse mau, mas eu sentia a falta do carinho dela, da atenção que ela me dava.
 
Um dia ela veio fazer-nos uma visita. Houve uma alegria total! Eu pensava que ela ia voltar para junto de nós, tinha muitas saudades dela. Mal me viu ela disse "olha o Hélder!", os olhos marejados de lágrimas, aquele olhar de saudade, de pena. Nesse dia à tarde, fui para um lugar sozinho e chorei muito com pena dela.
 
 
Meses depois soube que a professora Elsa faleceu.
 
Fomos todos ao funeral. Eu não a reconheci no caixão, não parecia ela, a mesma professora com aquela alegria de viver. Ela estava a sorrir, mas era um sorriso muito artificial, quase como colocado à força, de lábios cerrados. Essa imagem nunca mais me sai da memória.
 
 
As filhas dela choravam muito e eu perguntava a mim próprio como seria viver sem uma mãe. Não conseguia imaginar uma resposta.
 
Na hora do enterro, peguei numa mão-cheia de terra como me disseram para fazer, e atirei para a cova onde a professora Elsa foi sepultada e disse-lhe adeus, baixinho, na minha mente.
 
 
Hoje quero prestar-lhe esta pequena homenagem. Nunca me irei esquecer dela, nunca. Ela foi como uma mãe para mim. Tudo o que me ensinou está bem presente na minha memória, se fechar os olhos e deixar a minha mente vaguear, ainda a consigo imaginar a explicar-nos como funcionava o corpo humano, num poster pendurado no quadro de lousa e com a cana para apontar o que estava a dizer.
 
 
Até sempre professora. E obrigado, obrigado!
 

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