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Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

Sr. Solitário

Aquilo que penso. Aquilo que sinto. Aquilo que sou.

30
Jan18

Pequenos grandes sonhos

Sr. Solitário

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Quando era pequeno sonhava ser professor. Deslumbrava-me só de pensar que podia ensinar as crianças a ler e a escrever, a fazer contas de dividir, ajudá-las a memorizar os rios de Portugal e educá-las de uma forma meiga e atenciosa.

 

Quando era um adolescente sonhava ser ator de uma novela ou até mesmo apresentador de televisão. Fascinava-me tudo aquilo que se passava diante do pequeno ecrã, queria tornar-me numa pessoa famosa, ser o orgulho de todos os meus familiares. Fiz imensos castings onde eu incorporava vários personagens marcantes e, no fim, era aplaudido por uma vasta multidão que me adorava.

 

Quando fui um jovem adulto sonhava ser cantor. Tantas canções escrevi, decorava-as e cantava-as ao meu próprio estilo e acreditava mesmo que no meio de tantas cantigas pudesse estar o meu grande êxito. Imaginava grandes concertos que faria por este país fora e quem sabe até no mundo!

 

Agora que sou adulto, um adulto com uma alma muito jovem, sonho tornar-me num escritor. Dar vida a todas aquelas personagens que ainda passeiam pela minha cabeça e que, de alguma forma, fazem parte de mim. Quero contar histórias, as minhas juntamente com as delas, dar um sentido às suas vidas para que eu próprio encontre também um sentido para a minha. Preciso de conceder-lhes a liberdade que elas nunca tiveram para que, num futuro próximo, elas possam me retribuir a minha que está presa numa cabeça imaginária.

 

05
Dez16

Peter Pan e a Terra do Nunca

Sr. Solitário

Está frio e decido colocar mais um cobertor na cama para dormir bem aconchegado. Visto o pijama quentinho e deito-me, os lençóis macios envolvem-me, e fecho os olhos já pesados.

De repente, eis que ouço uma batida leve no vidro da minha janela. Depressa me levanto e, com o coração um pouco acelerado, olho na sua direção. Através do vidro transparente, uma figura bem conhecida no mundo da animação, acena-me e sorri-me. É o Peter Pan, com o seu cabelo ruivo e o seu chapéu verde enfeitado com uma pena, completamente suspenso no ar. Eu retribuo o sorriso e também o aceno, ainda meio envergonhado, e abro a janela de par em par, onde uma brisa noturna fria me acerta em cheio no rosto.

- Vem comigo - diz-me a figura animada.

- Para onde? - perguntei.

- Para a Terra do Nunca!

- Mas eu não sei voar...

Ele ri da minha resposta e logo sopra um pó mágico na minha direção que deixa o meu corpo mais leve e, quando dou por mim, já estou a escassos metros do chão, como se a força da gravidade tivesse deixado de existir.

 

Sigo-o para fora do meu quarto, em direção à lua e às estrelas. Quando olho para baixo vejo a janela do meu quarto aberta, já longe, pequenina. A minha aldeia adormecida e iluminada por algumas luzes públicas azuis, não era mais que um ponto minúsculo vista do céu na vasta imensidão da terra que os meus olhos conseguiam albergar.

Dirijo-me para outro lugar que desconheço, mas que logo desperta a minha atenção. É uma terra muito bonita, cheia de fadas sorridentes que colhem o pólen das flores e nos presenteiam com o seu néctar doce e saboroso.

Vivi tantas aventuras e temi o Capitão Gancho. Ri com a Sininho e voei entre vales e montes.

 

De manhã, quando acordei, tinha na minha mesa de cabeceira um botão colorido, um passaporte para a Terra do Nunca! Bastava aperta-lo na minha mão e deixar a minha imaginação flutuar.

Tinha 7 anos, e os sonhos faziam-me sorrir e correr.

 

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13
Nov16

Dá que pensar...

Sr. Solitário

Se em criança tivesse a oportunidade de ver o futuro, certamente que desejaria ver-me tal como sou hoje. Nunca fui uma criança com grandes objetivos, mas sim uma criança com grandes sonhos, como já referi inúmeras vezes neste blog. Todos esses sonhos foram esmorecendo ao mesmo tempo que as oportunidades de os concretizar se desvaneciam, até que acabaram por desaparecer e deles só sobrar um fio de memórias.

Todos nós dizemos que, se pudéssemos voltar ao passado, mudaríamos muita coisa nas nossas vidas. Contudo, na minha opinião, isso tornava-nos mais imaturos e completamente ignorantes em vários aspetos da vida, transformando-nos numa sociedade formatada e estupidamente perfeita, pois é com os erros que aprendemos a crescer e nos transformamos em melhores pessoas.

 

Se eu me orgulharia de mim próprio se tivesse a oportunidade de ver o adulto em que me tornei? Talvez não, mas acredito que o nosso destino, o nosso caminho, somos nós que o trilhamos e vamos sempre a tempo de seguir outra estrada, numa outra direção que não aquela que sempre escolhemos, e que isso poderá mudar tudo! Quem sabe, um dia, eu não me orgulho de mim próprio e, aquela criança sonhadora e de imaginação fértil, possa se orgulhar de um adulto que a relembra sempre e em qualquer circunstância.

 

E vocês? Façam esta pergunta a vós mesmos e digam-me se se orgulhariam do adulto em que se tornaram.

 

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27
Out16

Quando for grande...

Sr. Solitário

A minha mãe estava a trabalhar na sua pequena horta ao lado da nossa casa. Eu estava sentado à mesa da cozinha branca e vincada com pequenas rugas que denunciavam a sua velhice, a fazer os trabalhos de casa. Tinha que fazer uma cópia do livro de português para o meu caderno de tamanho A5, a cópia da fábula "A raposa e as uvas", aquela fábula que fala de uma raposa esfomeada que esperou e esperou que as uvas caíssem da ramada para as poder comer, mas as uvas não caíram e ela acabou por desistir sem lutar para as obter. Penso que era assim, se a memória não me falha, pois com 30 anos ela já mostra alguns sinais de esquecimento.

 

Fiz a cópia com a letra mais bonita que consegui, desenhando as letras ao longo das linhas pautadas que enchiam o caderno que comprei na loja da Tia Lurdes, com uma caneta de tinta azul, soprando à medida que escrevia para que não borratasse. Transcrevi todo o texto, palavra por palavra, ponto por ponto, e no final até senti pena da raposa. A seguir fiz uns exercícios de matemática e os trabalhos de casa acabaram por ali.

Folheei o livro de português à procura de mais histórias para ler e tive vontade de escrever mais uma cópia, mas desisti da ideia, pois no dia seguinte certamente que teria mais uma para fazer.

 

À medida que guardava os livros cuidadosamente na mochila, pensei no quanto eu gostava da escola e o quanto adorava aprender. Desejei que a escola durasse eternamente e, então, fui acometido por um desejo. Se eu estudasse para ser professor, podia passar mais tempo na escola e ensinar aos outros aquilo que sabia e aquilo que ainda iria aprender.

A minha mãe chegou do campo e eu disse-lhe: "Mãe, quando for grande quero ser professor!"

Tinha 8 anos e um sonho formou-se na minha cabeça tão vincado como as rugas daquela mesa onde me sentava todas as tarde a fazer uma cópia e a estudar a tabuada.

27
Set16

O meu anjo da guarda

Sr. Solitário

Desde pequeno que ouço dizer que todos nós temos um anjo da guarda que cuida de nós e que nos protege, de noite e de dia. Sempre imaginei o meu com uma túnica branca debruada a ouro, que lhe chega até aos pés descalços e perfeitos, com uma expressão doce no rosto, de olhos semicerrados sorrindo-me, de cabelo claro e encaracolado até aos ombros, e com umas grandes asas brancas, capazes de me cobrir o corpo, que ao levantar voo, resplandeciam com a luz do sol e deixavam cair algumas penas que sempre apanhei e guardo numa caixa forrada a papel de embrulho bem guardada nos confins da minha mente.

 

Sentia-o perto de mim sempre que eu corria pelos campos fora e me empoleirava nos muros, aparando-me cada vez que eu me desequilibrava, nunca me deixando cair. À noite, pedia-lhe que me protegesse e vigiasse os meus sonhos, para que os pesadelos não me pertubassem. Algumas vezes ajoelhava-me perto da cama, juntava as minhas mãos pequeninas e magras numa prece e pedia com vigor: "Oh meu anjo da guarda, que és a minha companhia, guarda a minha alma de noite e de dia".

 

Conforme fui crescendo admito que nunca o deixei descansado, o meu anjo da guarda tinha que estar sempre alerta e, ainda hoje, lhe peço ajuda sempre que estou aflito. Agradeço-lhe sempre toda a ajuda que me dá e peço que olhe também pelos meus, como sempre olhou por mim.

 

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13
Jul16

Que raio de sonho!

Sr. Solitário

Esta noite tive um sonho/pesadelo tão estúpido e sem sentido nenhum! Se houver por aí alguém que perceba algo de interpretação de sonhos então peço que leia este post até ao fim. Quem não perceber, pode sempre dar umas boas gargalhadas, pois o que vou contar a seguir é algo assim inédito!

 

Ora para começar eu estava vestido de uma forma estranha, fardado de tropa. Não me perguntem porquê, eu não faço ideia. Até pensei em tirar uma foto para colocar no facebook para obter muitos likes, as pessoas não resistem a uma farda.

 

Assim do nada, vi-me dentro de um torneio de artes marciais, mesmo do tipo Dragon Ball e soube que ia combater! Ah?? Fiquei apavorado, pois as minhas técnicas de luta são nulas! Mas esperem, isto vai piorar.

Antes de começar o torneio, todos os combatentes foram almoçar fora. E adivinhem lá quem é que andou a servir às mesas?! Eu claro! Ainda por cima.

Como se isso não bastasse, tive que cortar toda a carne de um porco inteiro cru com uma faca pequenina que cortava tão mal...

No fim andava tudo a tirar selfies e ninguém quis tirar nenhuma comigo.

 

O mais incrível de tudo isto é que no meio dos combatentes, prontas para combater, estavam a minha mãe e a minha professora de português...

Que raio de sonho!!

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